Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Se meu coração fosse escuro como as trevas, eu não iria ver as pessoas como eu vejo todos os dias; com os olhos do amor.
Eu estou correndo em um labirinto onde a morte tenta me capturar;
Meus olhos veem o que nada vê;
Eu corro por uma saída;
Oh, uma surpresa;
Corra!
Corra!
Corra!
Antes que minha própria ilusão me cerque de destruição;
Eu sou o olho da vida;
O olho do amor;
O olho da certeza do correto.
Sua face é mais bela que diamantes lapidados; tu és a minha virtude, o fim da ignorância e o começo da razão. Meus diamantes azuis.
Te amo;
Sim, te amo;
Talvez isto seja apenas uma ilusão;
Se for uma ilusão, que seja;
A realidade é que eu sei disso;
Sou realista;
Sou realista;
Deixe tomar meu coração;
Deixe acabar comigo
Sugue meu aroma;
Fortaleça, ou acabe com o que resta;
É a verdade total;
Venha, venha, venha comigo.
É você a beleza de um luar? É você a tristeza conveniente? Claro, uma coisa é certa, tu és a confiança de que eu encontrarei o que procuro.
Os religiosos garantem, que, nosso Deus nos observa, já os ateus garantem que a vida acaba em um piscar de olhos; nossa, não sei em quem acreditar, mas se eu fosse eu, viveria uma vida de amor à todas as pessoas independentemente de sua escolha, pois nossa vida é o suma do ágape.
Não precisas se esconder, venha até mim, tu és linda como a natureza, delicada como uma pétala de rosas, não precisas se esconder; feche a porta da sala e se aventure nesse mundo de ideias. Oh, como você é bela.
Ame como se fosse o último dia de sua vida; não ame como um tolo, nem como um justo, ame como um pecador.
Você pode pensar que eu sou um romântico solitário;
Mas quem diria, eu não sou o único;
São cinco vezes sete;
Cinco dias de alegria e sete dias de solidão;
Não têm nada além de um espaço em nossos pés;
Será que nós vamos viver para o certo?
Alguns dias da amputação e eu ainda levo a mão no lugar que eu costumava senti-lo. Também o procuro ao redor...
Nada.
O nome científico é síndrome do membro fantasma, mas popularizaram como saudade. Amigos dizem que foi uma fatalidade, outros dizem que não era pra ser.
Bizarro. Fez parte de mim de forma tão perfeita, tão natural, como uma extensão.
Se abrigou em meu coração como uma quinta válvula.
Como pode nos serrar ao meio e fugir com a minha metade?
Ou será que foi embora sem a própria metade?
Ainda sinto seu movimento. Sinto suas batidas. Mas logo percebo que é só minha memória recordando o passado.
Gostaria de voltar à página que eu amo. Trocaria uma metade pela outra. Talvez a metade que se foi esteja mais confortável de habitar que essa que ficou.
Queria ter tido um sinal, pressentido que seria a última vez. Mas então, me questiono se ter aproveitado mais me faria menos infeliz agora... (?!)
Acho que não.
O amor nos torna um "ególotra" sem cura. Sempre querendo mais daquilo que nos faz se sentir vivo.
