Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Pai
Pai, emoção disfarçada de razão
Aquele que chega quando o antes,
já não resolve.
Pai, poucas vezes te vi chorar
E o porquê eu sei, pai!
Foste criado a ser forte
Homem, pai, Homem não chora!
Pai, carrega o mundo nas costas e,
mesmo assim, pai,
Preferes silenciar.
Pai, guardião da família
Aquele que nos conduz no caminho
Desse nosso eterno caminhar...
Pai, seu amor é a minha fortaleza e,
mesmo diante das incertezas,
foi com você que aprendi
que não vale a pena chorar.
um alfinete que penetra, faz um estrago semelhante ao de uma espada empunhada por um cavaleiro templário. O pouco se fez muito, por amar sinto tudo, vê o que não se espera, desacelera, o ritmo se torna prolixo, coração quase não pulsa.
Pensamentos avulsa.
A beleza das estrelas já não é como antes...
Desde o seu retorno, pai, observei que elas ficaram ainda mais lindas.
Antes, olhava para o céu
e via toda a beleza das estrelas,
hoje, quando olho,
procuro logo o meu pai.
Só acredita em sorte quem não crê em Deus. Entregue seus sonhos nas mãos deles e, se de sua vontade for, ninguém impedirá de realizá-los!
Você me disse tchau, eu respeitei,
Mas continuo na sua espera, acreditando, no fundo, não ser um adeus.
A mesma aversão que você tem pela minha preferência política, eu tenho pela sua, mas isso, não muda em nada o respeito que eu tenho por ti!
Por mais empático que eu seja em relação ao sofrimento do outro, jamais saberei o real tamanho de sua dor.
Filha do norte
Sou o meu próprio Norte
Filha da Amazônia
E cria das lendas
que circundam a minha gente.
Cresci ouvindo muitas história
De Jurupari à Cobra Grande
Artifício dos antigos, talvez!
Freio para as crianças
Asas para imaginação.
Minha rede era a minha cama
Meu parque de diversão!
Nave que me levava
pra muito longe,
onde meus pés não tocavam o chão.
Sou viajante sem rumo
Que avistou um Belo Horizonte
E quis pousar.
Minha força vem da mãe natureza,
Das Amazonas,
Das caboclas ribeirinhas.
Nas minhas veias correm
sangue das guerreiras que,
como uma aranha em sua teia,
Prende o que a alimenta
e descarta o que lhe faz mal.
Não quer sua companhia? Deixe ir!
Não tire de sua árvore os frutos mais doces para quem te traz fruto qualquer.
Deixe as mais doces para quem te traz com reciprocidade e sinceridade.
Não espere meus pêssegos, trazendo limões.
