Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Até mesmo na felicidade escolheria voce como minha tristeza, voce é meu tudo, voce é meu mundo, voce é a minha natureza.
"A essência da vida...
está contida nos amores raros, verdadeiros,
não na mentira que contam para si mesmos."
"Tudo o que eu queria um dia pra mim,
vi em você desde o começo,
verão e primavera encontraram-se enfim,
virando o inverno pelo avesso"
Autor: Carlos Alberto de Oliveira Gonçalves
Vinhedo SP
Lembro-me de quando nos conhecemos, parece que foi ontem.
Você restava com sua farda do colégio com o nome escrito em sua costa. Confesso que fiquei curioso sobre essa pessoa, e então fui puxar assunto para conversar, ficamos a aula inteira jogando algum jogo (acho que era Geometry Dash), e desde desse dia não paramos de conversar e ficar longe um do outro.
No entanto tínhamos somente amizade, eu queria algo a mais, mas éramos novos demais para termos algo, mas eu sempre pensei em você do meu lado e hoje eu posso tê-la comigo.
Confesso que já tivemos nossos altos e baixos, e estamos tentando recuperar bastante tempo perdido. Portanto, estamos conseguindo, pois em cada abraço seu, cada beijo seu, cada cheiro seu, cada som que sai de sua boca, e cada movimento que você faz... Eu os observo e aproveito cada momento que se tem para que fiquem em minha memória.
Sei que sua situação não é fácil, mas sabes e conheces a minha pessoa, nunca que eu iria deixar você enfrentar tal situação sozinha.
Você teve a maior sorte do mundo, e nem tinha se tocado, mas ela voltou e eu estou de volta para você.
Sei que ainda teremos nosso momento encima de um altar, então me dê a mão, para fugirmos desta escuridão.
Para se viver razoavelmente bem e consciente nesse mundo é necessário
compreender que estamos todos trincados.
A vida nunca irá ser plena por mais de alguns minutos. Com sorte algumas
horas.
Estará sempre trincada, rachada, interminada.
Alguém disse que (Talvez Rousseau) somos perfectíveis, mas jamais perfeitos.
Aceitar e conceber as trincas que permeiam o meu ser me permite ser. Ser por
vias mais leves.
Sobretudo por compreender que a rachadura é compartilhada por todos nós.
Cada um à sua maneira.
Costumamos olhar para as pessoas ao redor e, ao menos momentaneamente,
acreditar que são completas (acredito também que seja um sintoma acentuado
pelo mundo contemporâneo e as redes).
É fácil acreditar que uma determinada pessoa por ter ou conquistar determinado
atributo está completa, terminada. Seja um atributo, uma conquista ou até um
item de consumo (importante lembrar que as relações em grande parte também
são itens de consumo).
No entanto esse fácil engodo cai por terra ao perceber que somos todos
trincados, e alguns de nós, até efetivamente quebrados.
As rachaduras, tais quais uma impressão digital, em muito se parecem. Contudo,
uma análise mais detida consegue comprovar que nenhuma é idêntica com
qualquer outra. Cada ranhura, traço de linha, espaçamento, largura, sofrimento
e bons momentos, são únicos.
Saber que todos estão trincados, e às vezes quebrados, nos dá poder. A partir
disso é mais fácil compreender que está tudo bem. E ainda, olhar para os feitos
de outros sob uma nova ótica. Apesar de trincados, incompletos, imperfeitos,
foram capazes dos seus feitos e méritos.
Dessa forma, se outro trincado/quebrado foi capaz, então talvez você também
seja. No mínimo, não há muito que se comparar já que cada um se trinca e se
quebra em sua própria medida.
Trincados/rachados/quebrados mas com a perspectiva da leveza de que não há
fuga, está tudo bem.
Em alguns momentos, ainda, é importante compreender que pode estar “tudo
bem” dentro de uma doce medida de não estar tudo bem.
