Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Há os que me chamam de velho gagá, zombam de meu magistério, da minha aula, da minha autoridade. Sou um profeta Eliseu sem Deus e sem ursas!
Qual é minha culpa e qual é a sua, por ter que me olhar mesmo torcido que seja? Eu sinto por existir, porém existo, logo penso, embora na contra mão! Fazer o quê! Mas, penso. E você pensa?
E por minha conta e risco, acrescento que de tanto as pessoas se "amarem", o mundo acabará também sem coração! Cego! Sem dente!
Cumprir uma promessa requer valor moral, fica para quem tem caráter. Aos volúveis, a conveniência em detrimento da própria vida!
Quando a pessoa perde a noção de si, sem controle, revela sua verdadeira identidade. O Diabo foi bom na personagem divina que viveu.
Quando se tem fezes no coração e não na cabeça, planeja-se a vingança. Estando esta cheia, desiste-se, depois de tanto lha querer.
Balaão foi amaldiçoar o povo Israelita e abençoou sem controle de sua boca. Até uma jumenta intercedeu! Assim, sou eu, quando critico a Educação, só você não vê! Talvez eu seja a jumenta falante. Mas, espancada para calar-se.
Não estou mais ensinando com "Palavras Cruzadas", utilizando jornais, pois fui criticado como malandro, por alguns da escola!
Pareço-me muito com poucos! Então mereço o salário que ganho. O que falta em nós para desocuparmos o lugar mal desenvolvido?
A mediocridade é rapidamente contagiante, se tão somente não for combatida eficazmente. Todos nós temos hábitos desagradáveis...
Forçosamente se coloca um exemplar das minorias incoerentemente em nome da igualdade de gênero. A moda escraviza os seres.
Quem muita justiça faz, por ela será condenado. O que é acima de qualquer suspeita, deixa indícios condenatórios. O juízo é já.
A consequência do primeiro erro é a certeza do não continuar, como do nada se ganha num jogo, mas se insistir, perderá tudo, e mais... É o valor da tentativa contra a permissão do insistir. É para doer menos a frustração por errar do que a vergonha por não tenta. O irônico é que nunca se saberá o certo sem medir as consequências. Sempre precisamos repetir o erro para confirmá-lo.
Sou um cronista desvairado, criticando milagres simples, acobertando santos vulgares. Carapuças minúsculas que só servem em cabeças pequenas.
O ruim por si só se destrói, mas não antes da reivindicação do bem em desequilíbrio. No fim último, estabelece-se a harmonia, quando o pêndulo parar. Excessos são ruins.
Na escola, quem ensina não tem o respeito e a referência dos alunos, mas o punidor. Atitude esta do coordenador e aquela do professor.
No sistema educacional, a verdade não impressiona. Aquele tablet amarelo não era para devolver, mas era emprestado.
Na escola é assim, os especiais são matriculados para socializar: desregradamente conversam, andam, enxergam, escutam, tateiam, atrapalham a aula dos outros. Errado é quem os apoia.
