Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Se a moral fosse filha do medo, ela desapareceria na ausência de vigilância; mas o amor a mantém mesmo no silêncio.
A criação não foi um ato de amor, foi um espasmo de tédio de uma entidade que não suportava o próprio vazio.
O amor é o único erro de cálculo que vale a pena cometer num universo indiferente; é a única forma de cuspir na cara do nada e dizer: "Hoje não, hoje eu escolhi a alucinação de ser importante para alguém".
Amor surge do caos como uma faísca em pólvora seca, incendiando almas que outrora congelavam no gelo do desespero solitário.
O amor que se estende a todos não alcança ninguém; é uma moeda inflacionada que perdeu o seu valor de compra.
"O amor é uma confluência de anomalias afetivas que subsumem a ígnea vontade de perpetrar o paroxismo na egrégora do outro. Amar é concatenar a inefabilidade do desejo com a contumácia do apego, resultando em uma simbiose estrambótica onde o solipsismo se dissolve na abjeção do eu em prol de uma quimera vituperável."
Quem não usufrui de amor e respeito, tende a desenvolver uma reação de ódio ou uma desconfiança em relação ao mundo à sua volta.
