Amor no Tempo Maduro- Carlos Drumond de Andrade
Começou um novo tempo, pelo menos pra mim. Uma nova chance de fazer direito, por mais errado que pareça.
Quanto tempo leva pra gente se refazer de um tombo que nos quebrou em mil pedaços?
De quantas semanas a gente precisa para recuperar o movimento das asas que um dia nos fizeram voar? Em que momento podemos considerar cicatrizadas as feridas abertas na nossa alma? Não dá pra mensurar. Cada qual sabe a tristeza e a dimensão da dor que sente.
Sofrer só seria evitável se a química do nosso universo fosse uma fórmula exata e as pessoas fossem perfeitas. Infelizmente não é assim. Vivemos num mundo em que cada indivíduo luta para viver o seu próprio sonho. Talvez, por isso, e não por egoísmo ou maldade premeditada, sempre haverá alguém sendo excluído de alguma forma dos projetos alheios. Eu sei que isso magoa, mas a vida é assim mesmo. Hoje a gente pode até penar, mas podemos fazer do amanhã um dia ideal para ser feliz.
Por ser assim, inevitável, e por mais que possa parecer um castigo cruel demais para quem só queria ficar bem, o sofrimento acaba se transformando numa espécie de escada para nossa evolução. Todo mundo, um dia, vai saber como é se sentir frustrado em seus planos de felicidade, mas uma desilusão inesperada não é o pior dos mundos. Sofrer é um aprendizado contra os revezes que o destino sempre poderá nos trazer na forma de desagradáveis surpresas.
E se tiver que sofrer, sofra com fé em dias melhores. Não adianta ter pressa, se desesperar e ficar obcecado pelo final de uma fase ruim. No tempo certo ela termina, assim como tudo na vida sempre chega ao fim. Naturalmente, voltaremos a ver a vida como antes, ou até de uma forma mais intensa. Sempre que ressurgirmos das cinzas, ressurgiremos muito mais preparados para enfrentar o fogo das incertezas. Por estarmos vivos, estamos sujeitos a tudo, inclusive a esses descaminhos que fazem a gente perder o rumo da nossa trajetória.
Cair e se levantar faz parte desse jogo sórdido da vida. Não se acostume a superestimar o tamanho do seu tombo, mas aprenda a valorizar o heroísmo do seu caráter. É ele que vai te colocar em pé novamente.
Heroísmo não se refere a uma fantasia que faz a gente parecer indestrutível, mas é o dom que todo mundo tem de poder superar qualquer adversidade imposta pela vida.
O tempo passa. Mesmo quando isso parece impossível. Mesmo quando cada tique do relógio faz sua cabeça doer como se fosse um fluxo de sangue passando por uma ferida. Ele passa desigual, em estranhos solavancos e levando a calmaria embora, mas ele passa. Mesmo pra mim.
(...) Faz muito tempo que você não vem, sei do tempo que você não vem porque guardei no meio das minhas roupas um pedaço daquela maçã que você me trouxe da última vez, e aquele pedaço escureceu, ficou com cheiro ruim, encheu de bichos, até que eles me obrigaram a jogar fora. Acho que os pedaços da maçã só se enchem de bichos depois de muito tempo, não sei. Parei um pouco de escrever, roí as unhas, preciso roer as unhas porque eles não me deixam fumar, reli o começo da carta, mas não consegui entender direito o que eu pretendia dizer, sei que pretendia dizer alguma coisa muito especial a você, alguma coisa que faria você largar tudo e vir correndo me ver ou telefonar e, se fosse preciso, trazer a polícia aqui para obrigá-los a deixarem você me ver. Eu sei que você quer me ver. Eu sei que você fica os dias inteiros caminhando atrás daqueles muros brancos esperando eu aparecer. Eles não deixam, acho que você sabe que eles não deixam. Não vão deixar nem esta carta chegar às suas mãos, ou vão escrever outra dizendo que eu não gosto de você, que eu não preciso de você. Mas é mentira, você tem que saber que é mentira, acho que era isso que eu queria dizer preciso escrever depressa antes que eu me esqueça do que eu queria dizer era isso eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro ou do outro lado. (...)
Eu acho graça e penso em como você também acharia graça se soubesse como eles repetem que você não existe. Depois eu paro de achar graça e fico olhando a porta por onde não entra o telefone por onde você não fala e me lembro do pedaço apodrecido daquela maçã e então penso que talvez eles tenham razão, que talvez você não venha mais, e com dificuldade consigo até pensar que talvez você não exista mesmo. Mas não é possível, eu sei que não é possível: se estou escrevendo para você é porque você existe. Tenho certeza que você existe porque escrevo para você, mesmo que o telefone não toque nunca mais, mesmo que a porta não abra, mesmo que nunca mais você me traga maçãs e sem as suas maçãs eu me perca no tempo, mesmo que eu me perca. Vou terminar por aqui, só queria pedir uma coisa, acho que não é difícil, é só isso, uma coisa bem simples: quando você voltar outra vez veja se você me traz uma maçã bem verde, a mais verde que você encontrar, uma maçã que leve tanto tempo para apodrecer que quando você voltar outra vez ela ainda nem tenha amadurecido direito.
E chega a ser patético lembrar que há pouco tempo atrás eu me cansava tanto pra fazer alguém feliz, e agora eu me canso horrores pra tentar esquecer disso.
Nós estamos tão atarefados olhando com que está a nossa frente, que não temos tempo de aproveitar onde nós estamos.
Deve ser incrível a vida de quem dispõe de tempo pra se preocupar com a vida dos outros. Como dizem por aí ''espirito sem luz''.
Deus está no controle e o tempo dele é perfeito – não importa o quanto seja difícil acreditamos nisso em alguns momentos.
A Dor do Esquecimento
Lembro-me das conversas longas, daquelas em que o tempo não existia, onde as palavras fluíam como se cada uma fosse uma promessa, uma descoberta. O brilho no olhar, o interesse genuíno, como se cada frase minha fosse uma novidade que valia a pena ser ouvida. Havia uma admiração que preenchia o espaço, onde as horas se tornavam invisíveis e a presença se tornava tudo.
Era uma troca constante, um cuidado silencioso, onde a preocupação com o outro se via em gestos pequenos, mas imensos. Como foi seu dia? Como posso ser o seu colo quando o mundo se torna pesado? O outro se tornava parte de nós, um reflexo de amor e carinho que parecia eterno.
Mas então, algo foi se perdendo. O olhar já não brilha da mesma forma. As conversas se tornam vazias, as palavras se dissipam no ar, como se já não houvesse mais interesse, nem admiração. O que antes era constante, tornou-se silêncio. E o amor, que deveria ser vivo e pulsante, começa a cair no esquecimento. Será que caímos no abismo do esquecimento de quem realmente nos amou de verdade?
O que acontece quando a presença já não é sentida? Quando a ausência, que antes era apenas uma pausa necessária, se transforma em um vazio sem fim? Será que, ao longo do tempo, a memória do amor se apaga, como as lembranças de um sonho esquecido ao amanhecer?
Sou rebelde como o vento,brinco com a vida e duvido do tempo, provoco, polemizo, solto o riso. Sou fera sem jaula, sou amante no cio, minha calma está sempre por um fio.
Deus traça Seus planos e mostra que Seu tempo pode não ser o mesmo que o seu, mas sempre será o certo.
Eu te amei muito sim, mas você não deu valor enquanto era tempo agora já é tarde demais. Mesmo assim, com isso, você ganha alguma coisa, o que aconteceu agora é uma lição pra você, pois agora você aprende a dar valor às coisas enquanto você tem, porque depois que perde...
