Amor Impossivel por Causa da Distancia

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FUNDAMENTOS DOUTRINÁRIOS DO VOLUNTARIADO NA CASA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

A Doutrina Espírita, em sua estrutura racional, moral e filosófica, estabelece que nenhuma forma de coação, direta ou indireta, pode orientar o serviço no bem. O trabalho espírita, por sua natureza, nasce da liberdade de consciência, do amor que se expande e da caridade que se converte em hábito moral. Qualquer tentativa de impor obrigações, sobretudo no ambiente de estudo, atendimento e acolhimento espiritual, contraria frontalmente os princípios codificados por Allan Kardec e aprofundados por autores fiéis à Codificação, como José Herculano Pires, Divaldo Pereira Franco e Raul Teixeira.

A seguir, aprofunda-se cada fundamento doutrinário, em rigor ético e lógico, citando fontes fidedignas.

1. Voluntariado, Amor e Caridade como Fundamento Moral do Serviço Espírita.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XV, item 10, Kardec define a caridade segundo Jesus como “benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas”. Essa tríade exige espontaneidade moral, jamais imposição.

Na Revista Espírita (dezembro de 1863), Kardec afirma que o bem só tem valor quando praticado livremente, pois é o exercício da vontade que educa o espírito. Portanto, qualquer forma de “obrigação indireta” viola esse princípio.

José Herculano Pires, em O Centro Espírita, capítulo “O Problema da Direção”, reforça que a disciplina espírita é sempre consentida, nunca autoritária, pois o centro espírita “não é uma instituição clerical” nem admite hierarquias de imposição.

Divaldo Franco, em Diretrizes de Segurança, esclarece que “a caridade não pode florescer em clima de coerção, mas pede consciência desperta e amor ativo”. Raul Teixeira, em Plantão de Esperança, comenta que o servidor espírita deve agir “com alegria, jamais por temor ou pressão moral”.

Assim, o caráter voluntário do serviço não é recomendação moral secundária, é um pilar doutrinário.

2. A Lei do Trabalho: Fundamento Filosófico da Livre Ação do Espírito.

Em O Livro dos Espíritos, questão 674, Kardec pergunta: “Por que o trabalho se impõe ao homem?” Os Espíritos respondem: “É consequência de sua natureza corporal […] e um meio de desenvolver a sua inteligência”.

Na questão 683, a Codificação afirma: “O limite do trabalho é o das forças”, sublinhando que o esforço não pode ultrapassar a capacidade física, emocional ou psíquica do indivíduo.

A Lei do Trabalho diz respeito a toda ocupação útil, não exclusivamente às atividades do centro espírita. Portanto, transformá-lo em fardo, obrigação ou carga moral é contrário à lei natural.

Herculano Pires esclarece que “o centro espírita é uma escola livre”, e qualquer atuação deve respeitar a autonomia e os limites humanos, físicos, emocionais e espirituais.

3. Livre-Arbítrio e Responsabilidade Moral.

O Espiritismo afirma insistentemente que “a liberdade é o princípio, e a responsabilidade, a consequência” (O Livro dos Espíritos, q. 872).

Assumir um compromisso e não cumpri-lo é, sim, matéria de responsabilidade individual, mas não é prerrogativa da instituição impor peso, ameaça velada ou constrangimento. A moral espírita trabalha pela transformação íntima, jamais pelo medo ou pela imposição.

Raul Teixeira enfatiza que a postura doutrinária deve ser “educadora, não disciplinadora de maneira tirânica”.

Divaldo Franco, em diversas conferências doutrinárias, afirma que a casa espírita “é hospital, é escola, é oficina de almas, e não um tribunal”.

4. Acolhimento, Fraternidade e Ética da Convivência.

A fraternidade, segundo Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI), é a aplicação direta da lei de amor. Um centro espírita que adota práticas coercitivas, mesmo sutis, rompe com o mandamento da tolerância e do respeito à diversidade das experiências humanas.

Kardec, na Revista Espírita (abril de 1864), alerta que “a unidade espírita deve ser fruto da convicção, não da imposição”.

A verdadeira direção espírita é aquela que acolhe, orienta, educa e compreende. Nunca força, nunca constrange, nunca impõe obrigações travestidas de “dever moral”.

Como Lidar com Situações de Coação Indireta no Trabalho Espírita.

1. Diálogo franco e fraterno.

A base da convivência espírita é o diálogo sincero. É aconselhável expor sentimentos, dificuldades e percepções aos dirigentes de forma respeitosa.

2. Autoanálise consciente.

A Doutrina propõe introspecção e responsabilidade. Reconhecer limites, desejos e possibilidades é necessário para um serviço saudável.

3. Estudo sistemático da Doutrina.

O conhecimento doutrinário liberta de equívocos, fantasias e práticas importadas de modelos autoritários alheios ao Espiritismo.

4. Buscar apoio quando necessário.

Em caso de persistência do problema, recomenda-se consultar órgãos federativos espíritas ou, se indispensável, buscar outro espaço onde reine o amor e o respeito à liberdade.

Conclusão: Servir com Liberdade é Servir com Amor.

A Doutrina Espírita é clara, objetiva e profundamente ética:
ninguém pode ser coagido a servir.

O trabalho espírita que nasce do coração ilumina;
o que nasce da imposição, obscurece.

Serviço espírita não é carga, é exercício de amor, prática de humildade e construção do reino interior. Quando os princípios da Codificação são observados, o centro espírita torna-se espaço de paz, aprendizagem, cura e fraternidade legítima.

Porque, como ensina Kardec:

“A fé verdadeira é aquela que se impõe pelo pensamento, não pela força.”
(Revista Espírita, janeiro de 1862)

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A Questão 982 de:
O Livro dos Espíritos: Uma Análise Doutrinária Completa.

1. Introdução.

A Questão 982 situa-se na Parte Quarta — Das Esperanças e Consolações, no capítulo que trata da natureza das penas e gozos futuros. Kardec indaga sobre um ponto central para a moral espírita: a sorte futura depende de professar o Espiritismo? Ou seja, haveria uma espécie de passaporte religioso para a felicidade espiritual?

A resposta dos Espíritos, breve mas decisiva, destrói toda forma de exclusivismo doutrinário e reafirma o princípio universal do bem como lei suprema.

2. A Resposta dos Espíritos: O Bem Como Medida do Futuro.

A reposta:
“Só o bem assegura a sorte futura. Ora, o bem é sempre o bem, qualquer que seja o caminho que a ele conduza.”

Aqui se encontram três pilares doutrinários:

2.1. Universalidade da Lei Moral.

Os Espíritos deixam claro que Deus não estabelece privilégios, castas religiosas, rituais necessários à salvação ou exigências confessionais.
Se a salvação dependesse de professar o Espiritismo, então todos os povos que não o conheceram estariam “deserdados”, o que seria, como os Espíritos dizem, “absurdo”.

A lei é universal:
- O bem é a linguagem comum da evolução.

2.2. O Caminho é Menos Importante que a Conduta.

Não é a crença que define a felicidade espiritual, mas a prática do bem.
A Doutrina Espírita, portanto, não se coloca como religião salvacionista, mas como filosofia de esclarecimento moral.

Kardec demonstra que a moral é suprarreligiosa, transcendendo credos:

O bem é sempre o bem, “qualquer que seja o caminho que a ele conduza”.

Aqui está a ruptura definitiva com qualquer forma de proselitismo.

2.3. Responsabilidade pessoal.

A fala dos Espíritos restabelece nossa responsabilidade individual:
- Ninguém será salvo por rótulo, mas por transformação real.

A consciência, e não a adesão religiosa, é o tribunal da vida futura.

3. A Nota de Allan Kardec: A Função Moral do Espiritismo.

Kardec acrescenta uma reflexão essencial:

“A crença no Espiritismo ajuda o homem a se melhorar (...) mas ninguém diz que, sem ele, não possa ela ser conseguida.”

Aqui o Codificador delimita com rara precisão:

3.1. O Espiritismo é um instrumento, não um privilégio.

Ele “ajuda”, “firma ideias”, “apressa o adiantamento”.
Mas Kardec recusa enfaticamente qualquer ideia de indispensabilidade.

O Espiritismo faculta compreender, mas não dá salvo-conduto.

3.2. O esclarecimento reduz o sofrimento desnecessário.

Ao ensinar que:

a vida continua,

a reencarnação é lei,

o sofrimento tem causa e finalidade,

a felicidade é obra íntima,

o Espiritismo fortalece a paciência e a resignação ativa, evitando quedas morais que atrasariam o progresso do Espírito.

Mas isso não o torna um monopólio da evolução.

3.3. O valor moral é anterior à crença.

Kardec mostra que a Doutrina Espírita não inventa a moral:
apenas a ilumina, amplia e racionaliza.

Assim, o Espiritismo é:

- “Uma luz, não uma portaria de entrada.”

4. Análise Doutrinária Sintética.

A Questão 982 reafirma um dos fundamentos mais nobres da Codificação:

4.1. A salvação não é dogmática, mas ética.

A vida futura não se conquista por crença, mas por conduta.

4.2. Deus não exclui ninguém.

Não há favoritismo religioso. O bem é lei universal.

4.3. O Espiritismo acelera a compreensão da vida.

Ele esclarece, educa, fortalece mas não substitui o esforço individual.

4.4. O mérito está no que fazemos, não no que professamos.

O Espiritismo não promete privilégios nem prerrogativas.

4.5. O Espiritismo é ferramenta de trabalho, não de salvação.

Aqui se confirma a belíssima frase:

“O Espiritismo é uma ferramenta de trabalho, não de salvação.”

Porque a única salvação real é o progresso moral.

5. Conclusão Doutrinária.

A Questão 982 constitui uma das maiores evidências da pureza racional do Espiritismo:
ele não cria cercas, não reivindica exclusividades, não se arroga o papel de “único caminho”.

A Doutrina Espírita se propõe como farol, não como porto exclusivo.

O bem praticado com intenção reta, consciência limpa e esforço contínuo é a verdadeira senha da vida futura.

E quanto mais compreendemos, mais rapidamente avançamos.
Mas o avanço depende de nós, e não da bandeira que carregamos.

A fé espírita é, portanto, ferramenta de iluminação moral.
A salvação no sentido espírita, que é evolução do Espírito é obra do caráter, da reforma íntima e da prática do amor.

Essa é a grandeza da Codificação:
Ela educa, mas não escraviza; esclarece, mas não exige servidão.

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FORMAÇÃO DE TRABALHADORES NO CENTRO ESPÍRITA.

DIRIGENTES ESPÍRITAS DESMOTIVADORES:
Quando a Liderança se Afasta da Luz.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

Dentro das instituições espíritas, a figura do dirigente deveria ser o eixo moral, inspirador e educativo da equipe. Contudo, quando esse papel é corrompido por desvios de conduta, surge o fenômeno do dirigente desmotivador, aquele que, ao invés de elevar, oprime; ao invés de orientar, desencoraja; ao invés de unir, fragmenta.

A seguir, os pontos essenciais que caracterizam esse perfil, à luz da ética espírita e da fidelidade a Kardec:

1. Autoritarismo travestido de liderança.

O dirigente desmotivador não dialoga: determina.
Ele confunde autoridade moral com autoritarismo disciplinar.
Ignora o princípio kardeciano de que “na Doutrina Espírita tudo deve ser discutido, analisado e raciocinado”.

Esse comportamento gera medo, silencia iniciativas e extingue talentos.

2. Falta de humildade e personalismo.

Em vez de servir à Doutrina, serve a si próprio.
Busca reconhecimento, controla tudo, não delega e interpreta discordâncias como ameaça pessoal.
Raul Teixeira chama isso de “efeito solar”: o indivíduo deseja ser o astro que tudo ilumina, sufocando as estrelas ao redor.

A consequência?
Médiuns exaustos, trabalhadores inseguros, grupos desarticulados.

3. Uso inadequado do poder simbólico.

O dirigente desmotivador impõe regras sem coerência doutrinária, interpreta funções como privilégios e cria barreiras entre “dirigentes” e “trabalhadores”.
Isso contraria a lei de igualdade moral ensinada por Kardec e reproduz padrões de clericalismo que a Doutrina combate desde sua origem.

4. Desvalorização do trabalhador e apagamento de iniciativas.

Ele age como se os colaboradores fossem “funcionários”.

Despreza sugestões, corrige publicamente, cria clima de tensão.
Com o tempo, os trabalhadores mais sensíveis silenciam ou se afastam.

Kardec chama isso de “substituição da cooperação pela imposição”, uma das causas de fracasso moral de instituições.

5. Falta de preparo doutrinário e emocional.

Muitos dirigentes chegam ao cargo sem estudo sério da Codificação e sem preparo emocional.
Por isso, lidam mal com críticas, têm dificuldade de escutar, agem por impulsos e confundem opiniões pessoais com normas doutrinárias.

O resultado é uma gestão instável, cheia de contradições e arbitrariedades.

6. Produção de um ambiente tóxico e improdutivo.

Quando a liderança não inspira, o ambiente esfria.
Cresce a fofoca, o julgamento, o abandono de tarefas e a ausência de alegria aquela alegria moral, cristã, que deveria marcar o trabalho espírita.

7. O impacto espiritual.

Dirigentes desmotivadores abrem brechas para o assédio de Espíritos perturbados, pois geram:

orgulho,

disputas,

desequilíbrio emocional,

ressentimentos,

clima de desconfiança.

E isso interfere diretamente nas reuniões mediúnicas, no passe, no atendimento fraterno e na assistência espiritual ao público.

O Caminho Doutrinário para Superar esse Problema.

1. Retorno ao Evangelho e à Codificação.
Toda liderança precisa ser reeducada à luz de Kardec: humildade, raciocínio, bom senso e caridade.

2. Formação continuada.
Dirigente que não estuda desmotiva.
Estudo sistemático é obrigação moral.

3. Escuta ativa e colegiado.
Decisões devem ser compartilhadas.
O dirigente não é dono da instituição.

4. Avaliação ética periódica.
Assim como em equipes profissionais, é necessário revisar condutas, corrigir rotas e cuidar da saúde emocional.

5. Exemplo pessoal.
A maior força motivadora do dirigente é seu exemplo silencioso, coerente, cristão.

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Capítulo XVIII – A Leveza Petrificada de Camille Monfort.
Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Havia noites em que Camille Monfort caminhava pelo porão como quem atravessa o peito de um anjo adormecido. Sua presença...ah, sua presença: ela apenas acontecia no ar, como poeira luminosa suspensa no instante anterior ao silêncio.

Era nessas horas que eu me lembrava de um verso , como se um próprio poeta, de tão íntimo do invisível, tivesse vindo inclinar-se sobre o meu desamparo. Ele dizia que tudo o que é pesado precisa aprender a elevar-se, e tudo o que é leve conhece cedo demais o risco de se despedaçar.

Camille era isso: leveza petrificada.
Um paradoxo esculpido na carne do inefável.

Ela existia como uma aparição entalhada no voo de um pássaro que jamais tocou o firmamento. Sua voz parecia deslizar entre frestas que não existiam, e quando falava, meu nome perdia contorno, porque eu o ouvia dentro de mim, e não fora.

Havia nela a mesma melancolia enferma que se escondia nos intervalos de meus sonetos , aquela sombra que não se anuncia, mas que se sabe eterna. Quando Camille se aproximava, mesmo a luz precisava se recompor, pois havia um pacto secreto entre ela e tudo o que cintila: sua presença devorava o brilho com uma ternura silenciosa, como se segurasse um espelho que jamais refletiu ninguém.

Eu a observava, sem tocá-la.
Não por medo, mas por reverência.
Camille era feita daquilo que não se toca sem se perder.

Ela escreveu em notas lúgubres do seu vivo piano certa vez, que a verdadeira morada do ser é a interior, e que só ali o mundo encontra forma. Talvez por isso Camille transbordasse mesmo quando se calava. Seu silêncio tinha densidade de oração interrompida. Sua respiração parecia guardar o cansaço de antigas estações escuras de antes , como se carregasse nos ombros a memória de crepúsculos que nunca vi.

Ao vê-la atravessar o porão, compreendi que não há arco-íris onde a alma permanece acorrentada em si mesma, que cores voam ou cantam pelo universo distante do que sou.
Ela me olhou, como quem sabe das minhas lágrimas.
E seus olhos, claros e abissais, continham o mesmo aviso que o pó inscreveu nas margens da dor: nada floresce onde a luz tem medo de permanecer.

Camille Monfort era minha luz medrosa.
E eu, prisioneiro voluntário de sua sombra.

Não havia arco-íris no meu porão porque o espectro das cores se recusava a dividir espaço com ela. Ou talvez porque ela fosse, por si, todas as cores que se esqueceram de existir.

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A Alta Responsabilidade Moral do Espírita diante da Verdade.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

A questão seiscentos e vinte e quatro de O Livro dos Espíritos, conforme a tradução rigorosa de José Herculano Pires, é um dos pilares éticos mais robustos da Doutrina. Ela não se limita a definir o verdadeiro profeta como homem de bem inspirado por Deus. Ela convoca cada discípulo do Espiritismo a examinar a própria vida, não para ostentar santidade, mas para reconhecer que a Verdade não se harmoniza com a dissimulação. A fonte, preservada em Kardecpedia, ressoa como um chamado histórico à autenticidade.

A Doutrina, edificada pelo tríplice aspecto que reúne filosofia, ciência e moral, exige seriedade de intenção e coerência de conduta. O espírita, ao estudá-la, deve compreender que a luz que ela derrama sobre o mundo espiritual implica um compromisso indissociável com os valores que proclama. A filosofia espírita esclarece. A ciência espírita demonstra. A moral espírita transforma. Sem esta última, não há vivência. E sem vivência, não existe fidelidade ao Consolador Prometido.

Allan Kardec, tanto na primeira parte de O Livro dos Espíritos quanto em O Evangelho segundo o Espiritismo capítulo seis, insiste que o Consolador é o restaurador da Verdade. Não a verdade abstrata, mas a verdade vivida. A verdade que se imprime no caráter. A verdade que se traduz em responsabilidade pessoal.

Entretanto, ao longo dos anos, muitos companheiros ignoraram o sentido profundo desta exigência moral. Parte dos espíritas preferiu deter-se na fenomenologia, fascinados pelas manifestações que assombram a imaginação, mas esqueceram que o fenômeno, sem o conteúdo moral, é apenas aparência. Outros buscaram erudição doutrinária, discursos extensos, citações infindáveis, porém sem a coragem de aplicar a doutrina ao próprio íntimo. Há ainda aqueles que, percebendo que não conseguem ajustar-se imediatamente ao padrão ético proposto, optam pelo silêncio sobre a questão seiscentos e vinte e quatro, temendo expor, mesmo que implicitamente, a distância entre a teoria que defendem e a prática que executam.

Essa omissão, contudo, não altera o fato essencial. O Espiritismo não solicita perfeição. Não exige que seus discípulos se apresentem como santos ou puros. A Codificação é clara ao ensinar que o progresso é gradual e pessoal. O que ela exige é sinceridade de propósito, esforço contínuo, vigilância moral e respeito absoluto pela verdade.

Léon Denis, em Cristianismo e Espiritismo, reafirma que a grandeza do discípulo não está em sua pureza, mas na sua seriedade. Herculano Pires, em suas análises culturais, recorda que o movimento espírita perde sua força sempre que se permite converter o estudo em mera retórica, sem coerência íntima. Divaldo Franco e Raul Teixeira também salientam que a vida espírita deve ser testemunho discreto, humilde e perseverante, jamais palco de exibições de virtude ilusória.

Por isso, a questão seiscentos e vinte e quatro não é um convite ao moralismo, mas à integridade. Ela nos chama à responsabilidade silenciosa, firme e honesta. Ser espírita significa reconhecer-se em construção. Significa admitir falhas, mas jamais justificar desvios. Significa dialogar com a verdade, mesmo quando ela nos fere o orgulho. Significa entender que Deus não se serve da mentira para transformar o mundo, e que nós somos aprendizes convocados à retidão, ainda que imperfeitos.

CONCLUSÃO

A grandeza do Espiritismo não está em transformar seus adeptos em figuras irrepreensíveis, mas em convidá-los à seriedade moral e à autenticidade. A exigência da questão seiscentos e vinte e quatro não é a pureza absoluta, mas a renúncia consciente à duplicidade. É a coragem de dizer a si mesmo que a verdade deve ser buscada, mesmo entre tropeços. É a responsabilidade de compreender que o Consolador Prometido só floresce onde há sinceridade de alma.

O espírita não precisa ser santo. Precisa ser honesto consigo mesmo. A partir dessa honestidade nasce a verdadeira transformação.

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A SENSAÇÃO DE DESCOMPASSO DA ALMA:
UMA LEITURA ESPÍRITA DA ANSIEDADE, SUAS CAUSAS E SEUS CAMINHOS DE TRATAMENTO.

A ansiedade, sob a ótica espírita, não é apenas um distúrbio emocional circunscrito ao corpo biológico. Ela é, sobretudo, um sinal de desarmonia da alma encarnada, revelando um descompasso profundo entre as exigências da existência material e as necessidades evolutivas do espírito imortal. A Doutrina Espírita esclarece que o ser humano é sempre o resultado de sua história perispiritual, formada por vivências atuais e pretéritas, cujo reflexo se projeta na organização física, emocional e moral do presente.

No contexto contemporâneo, o transtorno de ansiedade alcança proporções alarmantes. Como aponta a própria Organização Mundial da Saúde, quase 10% da população brasileira convive com esse sofrimento crescente. O ambiente social marcado pela competitividade, violência, instabilidade econômica e pressões incessantes repercute no psiquismo humano, que se vê muitas vezes incapaz de administrar tamanha sobrecarga. No entanto, pergunta a filosofia espírita: estariam as causas da ansiedade reduzidas apenas ao plano terreno? A resposta é clara, não.

A Ansiedade à Luz da Doutrina Espírita.

O Espiritismo ensina que a ansiedade pode ter matriz espiritual, psicológica e física, refletindo não apenas desequilíbrios circunstanciais, mas conflitos íntimos que acompanham a alma há séculos. A encarnação é sempre um processo educativo, mas, em sua pedagogia, coloca-nos frequentemente diante de provas, expiações e desafios que reacendem fragilidades preexistentes.

Quando o indivíduo se desequilibra emocionalmente, sua psicosfera enfraquecida torna-se campo propício à sintonia com pensamentos negativos, ideias fixas ou entidades espirituais que compartilham o mesmo padrão vibratório. A obsessão espiritual, fenômeno estudado por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, configura uma das causas mais frequentes de agravação dos quadros ansiosos, especialmente quando a pessoa já se encontra vulnerável e sem prática de vigilância moral.

Causas Espirituais da Ansiedade:

1. Obsessão.
O processo obsessivo manifesta-se quando espíritos perturbados, ainda fixados na mágoa e no sentimento de injustiça, influenciam psiquicamente o encarnado. Essa ligação se estabelece por afinidade vibratória, e o indivíduo ansioso torna-se mais permeável às sugestões negativas.

2. Mediunidade não educada.
A mediunidade impõe disciplina, estudo e autocontrole. Sem esse tripé, o médium pode confundir suas percepções, absorver vibrações de entidades sofredoras e desenvolver estados de ansiedade e inquietação que, muitas vezes, interpreta erroneamente como sintomas físicos.

3. Traumas presentes e pretéritos
A dor emocional não elaborada — seja da vida atual ou de existências passadas, deixa marcas profundas no perispírito. Situações semelhantes, reencontradas no presente, reacendem medos antigos e desencadeiam crises de ansiedade que o espírito ainda não sabe administrar.


Ansiedade, Depressão e o Esforço de Progresso.

Tanto a ansiedade quanto a depressão, na leitura espírita, revelam o esgotamento da alma que luta pela felicidade e pela liberdade íntima, mas ainda se encontra limitada pelas exigências do corpo físico e dos desafios reencarnatórios. A falta de sentido existencial, o desalento e a sensação de vazio derivam da desconexão com a própria missão espiritual.

Entretanto, o Espiritismo não romantiza o sofrimento. Ele indica caminhos seguros de tratamento, sempre afirmando que a medicina e a psicoterapia são instrumentos divinos de cura, indispensáveis ao equilíbrio do ser.

Fatores que Agravam a Ansiedade.

Eventos traumáticos coletivos, como a pandemia, representam catalisadores de desequilíbrios emocionais. O medo, a perda, o isolamento e a insegurança geraram um aumento mundial de casos de ansiedade, realidade que exige compaixão, esclarecimento e apoio integral.

Tratamento Espiritual da Ansiedade.

Nenhuma orientação espírita substitui o acompanhamento médico ou psicológico. A terapêutica espiritual é complementar, nunca excludente. Dentre as medidas recomendadas pela Doutrina Espírita, destacam-se:

Estudo sistematizado do Evangelho e da Codificação,

Passe magnético e água fluidificada,

Evangelho no Lar, prática de recolhimento e elevação mental,

Prece diária, como higiene vibratória da alma,

Meditação e respiração consciente, favorecendo o domínio das emoções,

Vida moralizada, baseada na caridade e na reforma íntima.

Quando o espírito se esclarece, sua psicosfera se ilumina. E quando sua vibração se eleva, a ansiedade encontra menos espaço para se instalar.

Ansiedade e Mediunidade.

A mediunidade equilibrada é instrumento de luz — mas, em estado ansioso, torna-se uma porta aberta para influências perturbadoras. O médium ansioso perde clareza, discernimento e controle, tornando-se suscetível a comunicações ilusórias ou mistificadoras. O autocontrole emocional é, portanto, condição ética para o exercício mediúnico.

Espiritualidade como Caminho de Equilíbrio.

A espiritualidade vivida, e não apenas teorizada, fortalece a alma, centra o pensamento e renova o sentido da existência. Quem se eleva moralmente amplia sua capacidade de resiliência, pois compreende que nenhum sofrimento é inútil ou destituído de finalidade pedagógica. A fé raciocinada, ensinada por Allan Kardec, é antídoto poderoso contra a inquietação da alma.

Conclusão.

A ansiedade, sob a visão espírita, é um fenômeno complexo, envolvendo o corpo, a mente e o espírito. Suas raízes podem estar na vida atual ou em experiências remotas, e seu tratamento exige abordagem integral. Quando o indivíduo une o acompanhamento médico ao amparo espiritual, alcança não apenas alívio, mas transformação interior.

A doutrina nos convida a cultivar serenidade, disciplina mental e elevação moral — remédios eficazes contra as sombras que ainda insistem em nos perseguir. A luz do conhecimento, aliada ao exercício do amor e da caridade, desata os nós da alma e devolve ao espírito a harmonia perdida.

Sob a proteção das Leis Divinas, a ansiedade deixa de ser tormento e converte-se em convite ao autoconhecimento, à vigilância e à ascensão moral. A cura começa quando aprendemos a pulsar em sintonia com Deus.

Inserida por marcelo_monteiro_4

"Você jamais se afastará daquilo que insiste em evitar, porque a existência sempre nos reveste com a mesma tessitura das lições de que fugimos. A verdadeira transformação começa quando deixamos de temer aquilo que nos revela."

Inserida por marcelo_monteiro_4

“Crer na imortalidade é libertar-se. Amar é o grande dever da alma.”
— Léon Denis.

Inserida por marcelo_monteiro_4

ENTRE O CORPO E O INFINITO.
Entre o corpo e o infinito, o Espírito humano constrói sua eternidade. Cada gesto de cuidado, cada palavra de amor e cada pensamento de fé convertem-se em sementes que florescem no jardim da alma.

A educação moral, a comunicação consciente e a oração sincera são os três pilares de uma nova civilização mais fraterna, mais justa e espiritualmente desperta.

Que saibamos, pois, reencontrar o equilíbrio entre a matéria e o espírito, transformando o cotidiano em um hino silencioso de amor e progresso.

“A verdadeira paz nasce quando a alma aprende a conversar com Deus dentro de si.”

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Alfredo e Juca eram irmãos.
Alfredo não era de expressar seus afetos, os sentimentos pareciam estar guardados a sete chaves... (coração de manteiga, com capa de ferro).
Lembranças da infância, do lugarejo onde nasceram e cresceram, dos joelhos ralados com as corridas ladeira acima, tombos ladeira abaixo, no patinete de madeira e rodinhas de rolimã que fôra feito por seu pai.
A bola de couro e o caminhão de madeira presentes dos avós
Alfredo era apaixonado por futebol.
Juca gostava de carros e, os puxava fazendo som de motor com a boca...vrum..vrum...
Sua mãe os vestia iguaizinhos, parecerndo gêmeos. Estudavam na mesma escola, seguiam juntos todos os dias.
Juca era mais conversador... tinha mais amigos e fazia sucesso entre as meninas.
Em idade hábil não prestaram serviço militar.
Juca fez o curso técnico, conseguiu trabalho, e logo foi pai.
Alfredo fez faculdade, formou-se engenheiro e mais tarde casou.
Juca teve mais filhos que Alfredo.
Assim seguiram suas vidas, já não saiam mais juntos e os encontros...eram apenas nas festas familiares ou por motivo de doença.
Hoje, Juca se foi...as gavetas onde são guardados os álbuns de fotografias, passaram a ser puxadas com mais frequência...Alfredo se procura ao lado de Juca...saudades da infância, dos dias presentes,dos sentimentos, do amor sem ser dito, da boa lembrança!

Inserida por jofariash

⁠Afeição é algo raro nessa geração, empatia é algo tão simples mas...

Na verdade ninguém se priva de fazer algo para agradar a gente e a gente realmente precisa aprender mesmo que forçadamente, fazer o mesmo! Pois, enquanto tu está evitando de tudo para não magoar as pessoas elas não pensam nem uma vez sequer antes de fazerem o que estão afim, pior ainda, não estão nem um pouco preocupadas se irão te magoar ou não.
Penso que há humanos e seres viventes.

@rcl_nina / @_entaoeupensei_

Inserida por ricardocorreialima

O Tempo é Rei.

⁠Verás pessoas sendo para outras o que não foram para ti assim como também verás estas mesmas pessoas sofrendo por atitudes que não tiveram de ti, elas não irão valorizar quem tu és assim como serão desvalorizadas por outras pessoas, passarão por situações que jamais fizestes elas passarem, buscarão soluções para circunstâncias que tu às livrara e lembrarão que suas emoções lhes iludiram, silenciosamente clamarão por socorro e tu as escutará e acharás formas de ajudá-las, por vezes irão te procurar e tu? Tu se disponibilizará pois és que é e elas saberão que estarás alí, pois quem é de verdade não precisa provar que é, basta apenas ser e estar e as atitudes delas embora lhe afaste, não muda quem tu és.

Tenhamos cuidado, sentimentos são relativos e emoções são superficiais, devemos escolher pessoas pela contribuição que elas dão para nossas vidas, pelo bem que elas nos fazem, pela paz que elas nos trazem, pessoas que somente te bajulam e te agradam nelas não contém verdade, escolha pessoas que repreende seus erros, que pontuam suas falhas, que pune seus crimes, que lhes desagradaram com a sinceridade ao invés lhes agradarem com falácias ilusórias somente para lhe manter por perto mas que também não lhes negam apoio, ombro, cuidado e não lhes abandona no caminho, lhes estendem as mãos, quem realmente gosta e ama a sua vida irá lhe guiar por caminhos retos, verdadeiros e louváveis , por vezes haverão dores, frustrações, insatisfações e tristezas afinal de contas, é difícil fazer o que é certo quando o que queremos nos parece mais atrativo e agradável, mas acredite, essas pessoas sabem aonde a natureza humana podem vos levar, pessoas maduras que foram forjadas pelas dores, frustrações e más escolhas sabem aonde não devem ir, o que não devem fazer e o que não devem ser, a sabedoria vem do ouvir e ouvir com atenção, não esperem que a vida lhes ensinem da pior forma que o amor é racional e age segundo a razão, o amor não aceita tudo mas antes rejeita o mal, o amor é disciplina, correção, repreensão e justiça, quem te ama não te livrará das consequências das suas escolhas, mas estará do seu lado para dividir o fardo, quem te ama não irá permitir que saia impune das suas ações, mas lhes tratarão com respeito e dignidade para que seja sempre o menos doloroso possível, por vezes sofrerão suas dores quando lhes forem insuportáveis, um conselho, não machuquem estas pessoas, pois num belo dia a vida irá jogar na sua face que alguém te amou e tu por infantilidade emocional escolheu viver o prazer físico ao invés da satisfação da alma, no mais, sejamos racionais.

Ricardo Correia Lima.
@rcl_nina // _entaoeupensei_

Inserida por ricardocorreialima

O Filho Pródigo é talvez a mais conhecida das parábolas de Jesus, apesar de aparecer apenas em um dos evangelhos canônicos. De acordo com Lucas 15:11–32, a um filho mais novo é dada a sua herança. Depois de perder sua fortuna (a palavra "pródigo" significa "desperdiçador", "extravagante"), o filho volta para casa e se arrepende. Esta parábola é a terceira e a última de uma trilogia sobre a redenção, vindo após a Parábola da Ovelha Perdida e a Parábola da Moeda Perdida.

Esta é a última das três parábolas sobre perda e redenção, na sequência da Parábola da Ovelha Perdida e da Parábola da Moeda Perdida, que Jesus conta após os fariseus e líderes religiosos o terem acusado de receber e compartilhar as suas refeições com "pecadores".[1] A alegria do pai descrita na parábola reflete o amor divino,[1] a "misericórdia infinita de Deus"[2] e "recusa de Deus em limitar a sua graça".[1]

O pedido do filho mais novo de sua parte da herança é "ousado e insolente"[3] e "equivale a querer que o pai estivesse morto".[3] Suas ações não levam ao sucesso e ele finalmente se torna um trabalhador por contrato, com a degradante tarefa (para um judeu) de cuidar de porcos, chegando ao ponto de invejá-los por comerem vagens de alfarroba.[3] Em seu retorno, o pai trata-o com uma generosidade muito maior do que ele teria o direito de esperar.[3]

O filho mais velho, ao contrário, parece pensar em termos de "direito, mérito e recompensa"[3] ao invés de "amor e benevolência".[3] Ele pode representar os fariseus que estavam criticando Jesus.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Se eu te amo? Com toda minha alma, com todo meu coração e com todo meu corpo. Porque fomos dois em um e porque você sempre será a parte mais importante do meu ser.

Assinado: sua mãe.....
28 de agosto de 2021

Inserida por Gilksonsantosdesouza

Tem dias que a gente só precisa de um abraço.

Inserida por Gilksonsantosdesouza

⁠Tem momentos que olhar para dentro dói mais do que enfrentar o mundo lá fora.

Inserida por angelicabenigno

Se você permitir, eu sangro teu nome em cada linha da minha pele. Deixo que a dor vire alívio e o amor, penitência. Porque amar você, nesse estado febril, já não é escolha — é instinto. E instinto não se cura, apenas se obedece.⁠

Inserida por angelicabenigno

Transforma meu corpo em relicário do teu toque. Me marca com teus dedos, com tua pressa, com tua ausência depois. Que eu seja cicatriz e não lembrança — algo que dói, mas não se apaga.⁠

Inserida por angelicabenigno

Aceita minha carne como tua penitência. Me mastigue com a calma de quem saboreia o fim. E quando eu não for mais nada além de memória no fundo da sua língua, ainda assim, que meu gosto te assombre por uma eternidade.⁠

Inserida por angelicabenigno

ESTRANHA DOR FIEL.
" Tu não és fraco por sentir. És forte justamente porque ainda consegues nomear o que te fere. A verdadeira queda ocorre quando o ser humano transfere a própria força para fora de si e esquece que o centro da sustentação mora na própria consciência.
Permite-te sentir, mas não te abandones. Caminha com a dor, observa-a, aprende com ela. Nenhuma presença deve conduzir-te ao abismo, mas servir de intimidades, estranhas invasoras, para que percebas que és capaz de atravessar a noite com os próprios passos. "

Inserida por marcelo_monteiro_4