Amor Espiritual
Pela boa moral da vida espiritual ruma a divina luz, a capacidade de perdoar, deve ser sempre bem mais forte do que a capacidade de revidar e se vingar.
A Evolução Anímica do Princípio Espiritual no Reino Mineral.
No Evangelho, encontramos a orientação segura de Jesus ao afirmar que Deus trabalha incessantemente. Uma das manifestações permanentes da Divindade é a criação contínua de princípios espirituais. Convém esclarecer que somente no estágio hominal, quando o ser adquire a razão, é que recebe propriamente o nome de Espírito, entendido como “os seres inteligentes da criação” (O Livro dos Espíritos, questão nº 76). Até esse ponto, fala-se em princípio espiritual, ainda em desenvolvimento nos reinos da Natureza. Essa compreensão harmoniza-se com as descobertas científicas modernas que apontam o Universo em constante expansão.
A física contemporânea, em especial a mecânica quântica, tem revelado que a realidade última da matéria é energia. Assim, na essência, o Espírito pode ser compreendido como energia espiritual em processo de evolução, criada por Deus para uma trajetória ascensional rumo à plenitude.
Segundo a Codificação Espírita, o princípio espiritual é criado simples e ignorante, sem complexidade, e percorre longos períodos de aprendizado nos reinos inferiores da criação — mineral, vegetal e animal — até alcançar a individualização, o despertar da inteligência e, posteriormente, do senso moral (O Livro dos Espíritos, questão nº 607-A).
Em nosso estágio atual de evolução, permanece um enigma a forma exata pela qual Deus cria o princípio espiritual e como este se manifesta, inicialmente, no reino mineral. Os Espíritos Superiores demonstram cautela ao abordar o tema, reconhecendo a limitação da linguagem humana para expressar processos que transcendem nosso campo de percepção. É, contudo, plausível supor que, com o avanço da ciência, novas luzes possam auxiliar na compreensão desse processo inicial.
A benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, em Iluminação Interior, esclarece:
> “Manifestando-se em sono profundo nos minerais através dos milhões de milênios, germina, mediante processo de modificação estrutural, transferindo-se para o reino vegetal...” (cap. “A Divina Presença”).
No mesmo sentido, Emmanuel, em O Consolador, sintetiza a marcha evolutiva:
> “O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade.” (questão nº 79).
Essas orientações revelam uma continuidade perfeita com os princípios expostos por Allan Kardec. Não há contradição, mas harmonia com a Codificação. Quando Kardec registra em A Gênese (cap. XI, item 10) que “Deus jamais uniria um Espírito a uma pedra”, refere-se ao fato de que o Espírito, já em estágio de razão ou em estágios mais avançados de individualização, não pode regredir ao reino mineral. Tal retorno seria incompatível com a lei do progresso.
Gabriel Delanne, em Evolução Anímica, oferece uma analogia esclarecedora: no reino mineral, o princípio espiritual conquista a “solidez”, símbolo da estrutura inicial que possibilitará o desenvolvimento ulterior (cap. II). De modo semelhante, o Espírito Camilo, na obra Nos Passos da Vida Terrestre (cap. I), pela mediunidade de José Raul Teixeira, confirma que o “átomo primitivo” referido em O Livro dos Espíritos (questão nº 540) corresponde ao átomo da matéria cósmica primitiva, ainda não plenamente conhecido pela ciência humana.
No capítulo XI da segunda parte de O Livro dos Espíritos, os Espíritos Superiores explicam:
> “É nesses seres, que se está longe de conhecer plenamente, que o princípio inteligente se elabora, individualiza-se pouco a pouco, e ensaia para a vida...” (questão nº 607-A).
Dessa forma, fica evidente que a elaboração do princípio espiritual inicia-se já nos reinos inferiores, o que naturalmente inclui o mineral.
A sequência evolutiva descrita pela Doutrina é coerente: após estagiar no reino mineral, onde o princípio espiritual se submete às leis de atração e repulsão, adquirindo estrutura e solidez, ele progride para o reino vegetal. Nesse estágio, começa a experimentar funções mais complexas, como a sensibilidade rudimentar, a respiração e a vitalidade orgânica. Posteriormente, no reino animal, desenvolve instintos e as primeiras manifestações de inteligência, preparando-se para alcançar a razão no reino hominal.
Essa progressão encontra ressonância na síntese poética de Léon Denis em O Problema do Ser, do Destino e da Dor:
> “Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente.”
Em complemento, poderíamos dizer que, no reino mineral, o princípio espiritual repousa em estado latente, estruturando-se energeticamente para as etapas subsequentes.
Ao refletirmos sobre a afirmação de Joanna de Ângelis em Iluminação Interior — “Deus prossegue criando sem cessar. O Seu psiquismo dá nascimento a verdadeiros fascículos de luz, que contêm em germe toda a grandeza da fatalidade do seu processo de evolução” — compreendemos que cada ser é expressão do Amor divino em marcha para a perfeição relativa.
Assim, confirmam-se as palavras do apóstolo João: “Deus é Amor” (1 João 4:8). Somos frutos desse Amor infinito e estamos destinados à angelitude, cabendo-nos, na atualidade, acelerar nossa evolução pelo esforço consciente na busca da verdade e da prática do bem.
Referências:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de José Herculano Pires. São Paulo: Edicel.
KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de José Herculano Pires. São Paulo: Edicel.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito Emmanuel). O Consolador. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB.
FRANCO, Divaldo Pereira (pelo Espírito Joanna de Ângelis). Iluminação Interior. Salvador: LEAL.
TEIXEIRA, José Raul (pelo Espírito Camilo). Nos Passos da Vida Terrestre. Niterói: Fráter.
DELANNE, Gabriel. Evolução Anímica. São Paulo: FEB.
DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Rio de Janeiro: FEB.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito Humberto de Campos). Boa Nova. Rio de Janeiro: FEB.
A mulher cristã é uma guerreira espiritual, vestida com a armadura da verdade e da justiça, lutando contra as trevas e espalhando a luz do evangelho por onde passa.
Viver, no sentido pleno do verbo, significa incorporar a natureza espiritual da qual todos fazermos parte, interagindo sabiamente, nas múltiplas transições do ser imortal. Podemos, nesse instante, sentir as pulsações magnéticas, através dos pensamentos elevados que constituímos e dissimulamos, restaurando a psicosfera enferma, na qual encontram-se aprisionadas as consciências, durante os dias "festivos" de "intorpecência"...Ou entregarmo-nos à delinquência dos sentidos e à animalidade cruel dos instintos desgovernados, ativando os "miasmas" da obscuridade, contraindo assim, meus amados, "manchas" devastadoras, que nos atrasarão gravemente a marcha do progresso...Permaneçamos então, em vibração, em corrente, e em sintonia contínua com as emanações do alto, pois assim, "materializaremos" um grande centro de energia e luz, capaz de neutralizar as infeizes investidas do mal...
O crescimento espiritual está nas mãos daqueles que sabem utilizar as ferramentas necessárias para vencer a batalha interna e externa.
O lótus representa a nossa expansão espiritual. Nascemos da lama e vamos evoluindo para chegar à superfície e emergirmos ao céu na totalidade da luz.
Vamos refletir sobre um tema profundamente enraizado em nossa jornada espiritual: a fé e o medo. O medo é um ladrão de sonhos; é uma força que impede as pessoas de alcançarem seus objetivos e realizarem seus sonhos. O medo pode paralisar, criar dúvidas e impedir que as pessoas se arrisquem ou saiam da zona de conforto. Quando permitimos que o medo domine nossos pensamentos e ações, podemos perder oportunidades e limitar nosso potencial. Uma das exortações mais frequentes na Bíblia é "não temas". A Bíblia está repleta de versículos que nos lembram que Deus está conosco e nos encoraja a não temer. A Palavra de Deus nos ensina em 1 João 4:18: "No amor não há medo, antes o perfeito amor lança fora o medo". "Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio" (2 Timóteo 1:7). Devemos confiar em Deus para nos guiar e fortalecer em nossas jornadas espirituais e pessoais. À medida que crescemos em nosso relacionamento com Deus, permitamos que Seu amor nos envolva e nos capacite a lançar fora todo medo que possa tentar nos dominar. Lembrem-se, no amor de Deus, encontramos força, coragem e a fé que nos guiará em cada passo de nossa jornada.
A essência da vida espiritual: a entrega total a Deus como um caminho para encontrar propósito, paz e transformação. Quando nos conectamos profundamente com o divino, nossa vida ganha um novo sentido, e os frutos dessa comunhão se manifestam em todas as áreas – desde nossos relacionamentos até nossa capacidade de enfrentar desafios com resiliência e esperança.
A metáfora da videira e dos ramos, apresentada por Jesus em **João 15:5**, ecoa essa verdade:
*"Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer."*
Esse versículo nos lembra que nossa força e capacidade de "dar frutos" – sejam eles ações de bondade, palavras de sabedoria ou perseverança em tempos difíceis – vêm exclusivamente de nossa conexão com Deus.
Assim como os ramos dependem da videira para sustentar a vida, nossa jornada espiritual prospera quando buscamos essa conexão diária com Deus. É nessa relação íntima que encontramos renovação e forças para enfrentar as incertezas e as adversidades. Além disso, ao entregarmos nosso coração a Ele, somos moldados para refletir Sua luz e amor no mundo, tornando-nos instrumentos de paz e esperança para os outros.
Portanto, este chamado à comunhão é mais do que um convite; é uma necessidade vital para uma vida plena e significativa. Que possamos, todos os dias, nutrir esse relacionamento com o Criador, permitindo que Seu amor nos transforme e nos torne luz em meio às trevas.
