Amor entre Almas
Por debaixo do teu manto de beleza, me cobri e coberto, mergulhei em teus encantos. Profundo é meu pranto, quando meu peito canta a tua ausência em silêncio e sem tua ode, a vida torna-se uma carme triste e insana.
Intensa como fogo perene e furioso, faminto por consumir tudo o que há pela frente. Teus olhos dilaceram os céus, sob a cólera das luzes das tempestades violentas, tal como um ensaio da fúria divina. Queimas, consomes a ti mesma, por teus amores, risos e dores, mas a violência da tua existência, como uma força da natureza, me lembra que existes e me questiono, livre de medos: Seria sadismo, desejar em doce agonia, infligir a minha própria carne e espírito esta doce pena, abraçando tuas chamas?
Eu poderia lhe dizer que você me lembra a lua, mas a lua precisa do Sol para brilhar, já você é como uma estrela, emite a sua própria luz, o brilho que ninguém é capaz de apagar.
A ARTE DO ACASO
Outrora, avesso ódio sentia,
Só podes Odiar o que amastes um dia,
Expressarei amargo em um papel,
Que amassarei e remessarei ao léu,
Do que vale lágrimas incompreendidas?
Borrando a imagem do que sonhei um dia.
Outrora, avesso amor sentia,
Não podes amar o que não se conhecia,
Expressa e amarga poesia,
Que foi lida sem nenhuma alegria,
Do que vale pessoas incompreendidas?
Borrando o desenho de nossas vidas.
Os versos que eu escrevi com lápis, foi pela incerteza das tuas palavras, senão escreveria com caneta, qual a borracha não apagaria facilmente nossa história.
Sinto no meu pesar que pude te amar tanto como pude contigo errar, meu peito pesa e minha cabeça se escurece me vejo em tão há lamentar um erro que podia evitar.
Existem duas palavras, com número de letras, sentido e entonação diferentes, porém se confundem e é muito difícil desassociar. Nem a teoria da relatividade que pode explicar segredos do universo, não consegue e, com certeza, jamais explicará. Palavras pequeninas de uma incomensurável dimensão: Amor e Mãe!
Via WhatsApp, recebi um breve vídeo de cerca de um minuto, registrando na praia, a beira do mar, casal de idosos, bem idosos, que brincam de chutar a água para molhar o outro, como crianças/adolescentes, uma cena de um lirismo, cumplicidade e carinho que emociona, ratificando que: amor não tem idade!
Uma avenida não é só um logradouro. A expressão ‘avenida’, pode também definir uma relação afetiva. O fluxo e a intensidade do tráfego nos dois sentidos são indicadores dos sentimentos, se existe ou não uma efetiva troca.
Pode ser considerado difícil, complicado, longe, inseguro e até inviável, todos adjetivos para justificar que não dá. Transpor as muralhas da China o melhor comparativo do desafio. Porém, se é amor, em duas vias, com mesma intensidade, desejo e crença, meros obstáculos.
Desafio, tanto para o ser humano ao longo dos milênios quanto agora para a ‘IA – Inteligência Artificial’, não é explorar o cosmos, as profundezas dos oceanos, as partículas atômicas, a genética molecular e bioquímica, mas sim entender, explicar e controlar: o amor!
Coisas do passado, hoje distantes: era o encontro dos blocos de rua das Petequinhas e dos Piu-Piu, das meninas com os meninos. Um momento de alegria geral, lúdico, com todos a caráter e, no final, o bônus do amor espontâneo, com cheiro de cerveja e licor de anis.
Infeliz de quem vê, acima de tudo, até na relação amorosa, registros contábeis de receitas e despesas. Se for deficitária, o estorno é inevitável. E o amor? Amor? Que amor?
O problema, se é que existe um problema, está na naturalização do afastamento como se todo ele, de toda espécie, fosse necessário.
Quando dizemos "eu te amo" afirmamos um compromisso para a vida. Não banalize um significado tão profundo.
