Amor e Bondade
Viver requer a nossa morte. Quando morremos (morte para o mundo), encontramos realmente a nossa verdadeira vida (vida nos caminhos de Deus). Tem um filosofo que diz “a vida é a soma de nossas escolhas” (Albert Camus). Concordava até observar que a Cruz também é sinal de vida. E também forma a soma. Logo a vida é a soma do Amor Vertical (Amor de Deus por mim, maior que todas as coisas) e o Amor Horizontal (Amor que tenho por mim e pelo meu próximo). Assim quando colocamos o Amor de Deus para fazer as nossas escolhas, poderemos nem entender o significado ou propósito, mas Deus sempre tem o melhor para as nossas vidas. Não temas. Apenas deixe-se guiar pelo sopro abrasador do Espírito Consolador.
Os melhores caminhos da vida são os que caminhamos com o coração alegre e transparente, para que, além do humano, possa-se ver os mais verdadeiros gestos do coração.
Antes de sair buscando por alguém que nos complete, o bom é se sentir completo em si mesmo, e conceder a outrem apenas o poder de nos transbordar.
Não te cobres a obrigação de amar aqueles em quem não consegues descobrir nada para admirar. Pode até servir para atestar tua inquestionável compaixão, mas não necessariamente tornará melhores os que se recusam a entender a linguagem universal do verdadeiro amor.
"O homem é sempre o homem; a parcela de inteligência que possa ter raras vezes conta, ou não pode ser admitida em absoluto, desde que suas paixões se desencadeiem e ele se veja acuado nos extremos da sua humanidade."
A Vida é Essa Eterna Busca Por Algo Que Nos Preencha. E as Vezes Nos Deparamos Com Que Nos Faz Sentir Vazio e Sozinho Acompanhado. Estamos Buscando Algo Que Deveria Ser Natural, Mágico e Tranquilo, Mas Que Foi Corrompido Pela Vaidade.
'ABELHAS'
Sob a mesa amarroada,
abelhas polonizam a carne crua.
Zumbidos ao redor de um copo caído parece infinita cena.
Embebidas com o cheiro acre,
destilado,
decalque...
Próximo a elas,
papéis jogados,
acolhendo a letargia de algumas,
veemente saboreando seu pedaço de carne.
Asas parecem bater mais fortes,
volúpias,
vaidades, ...
Para onde fora o própolis?
Sem significado,
os papeis sofrem:
abelhas já mortas,
sem voo,
empalhadas pelo próprio 'mel' que criara.
Vilipendias,
caminham lentamente na emoção...
Parado na reflexão,
a casa de palha observa-me petrificada.
Serás casa nos dias que virão?
Ou apenas lembranças de rodas dentadas?
Tudo será abelhas,
engrenagens?
E em meio a tantas,
sopeio as que ainda restam.
Mas outras voam sem rumo,
sempre a procura,
carnes cruas,
colmeias...
Tinha tudo e nada. Felicidade e castigo. Paraíso e inferno. O extremo disso tudo está além. Não tem rotas. Apenas acontece. Não dá para abraçar o que está íntimo e ao mesmo tempo distante. Nessa imensa e inóspita vida, somos gigantes e marionetes ao mesmo tempo.
'VOCÊ'
Tão desconhecida
Mas que existe aqui
Aqui próximo
A latitude pouco importa
O importante é que existe
E pode se tornar extensa
Tão extensa que...
Desconhecida será pretérito
'PAREDES'
As paredes dizem muitas coisas.
São olhos que rodeiam.
Algumas parecem falar.
Presenciam.
Quando mudamos e elas ficam,
um pedaço fica ali.
Gravado.
Cada parede é um retrato
que tanto presenciou.
E quando se tem uma ligação íntima,
elas fazem parte.
É um velho amigo de infância.
Tantas lembranças vêm.
Algumas estão intactas.
Vigorosas.
Outras caíram.
Rachaduras perceptíveis
quando mal construídas.
Tantas escondem suas vulnerabilidades com tintas.
Têm aquele esplendor aparente,
mas por dentro, apenas resíduos.
Poucos não a percebem.
Ali. Parada. Muda.
O essencial é saber que,
elas permanecem vivas.
Com suas particularidades.
Fazendo parte das nossas vidas.
A maioria delas, sem importância.
