Amor Dolorido
Para romper fronteiras valentes:
se fazem necessários e precisos
inevitáveis beijos quentes...,
Fecha a porta delicadamente,
são com as quatro paredes
é que fazemos o paraíso...,
Se não estás preparado:
- É melhor que não me leia!...
Para possuir veredas tranquilas:
se fazem necessários mistérios,
e imprescindíveis corpos ferventes;
Ama o amor imensamente,
são com todos estes beijos
que aumentamos os desejos,
Se não podes assumir:
- É melhor que só me leia!...
Porque me lendo aumentarás:
a sua loucura por mim,
o seu desejo e a paixão;
Certamente, amarás a mim
mais do que se pode imaginar,
Amando-me ao ponto de me ter,
Tendo a segurança que jamais
- Irei de esquecer
Por causa deste amor não irás
jamais por outra se interessar,
O amor aconteceu sem a gente
imensamente perceber!...
A lembrança chegou
com a chuvarada,
Abraçada ao oceano,
com a maré mexida,
com a areia molhada,
e com a alma lavada.
A tempestade bradou,
com os raios de metais,
Resoluta e decidida,
que não volta atrás,
que não pensa em você,
e que não te quer mais.
A lembrança surgiu
com os mil perfumes,
Acobertada pelas nuvens,
com o mistério da fé,
com um grande plano,
e derrubando totens.
A liberdade poética
com as suas asas,
Certa das tuas cismas,
que ignora detalhes,
que determina caminhos
e que aceita as tuas sinas.
A temperança não me deixa
com os seus perfumes,
Ainda destes versos morrerás
com todos os ciúmes,
Sentindo os lamentos,
Com o teu peito em mil rebentos.
Fostes além do imaginário
oculto na noite escura,
Varri todas as brumas,
escrevi o nosso rimário
nas flutuantes espumas.
Persiste em mim pleno,
revelado e prateado;
Casto como a sonata
tocando-me nas cordas
d'alma livre e apaixonada.
Viestes além do meu querer
escrito nas estrelas,
Gentil como o luar
beijando-me à beira mar,
bem no meio do anoitecer.
Porque este versejar dança
nos braços da abolição,
Sorri para Castro Alves,
gaba-se de ser constelação
a ocupar inteiro o teu coração.
Não me basta ficar só olhando,
Necessito tocar o corpo alheio,
Sem nenhum 'tipo de freio'...
Não me basta ficar te esperando,
Preciso tocar o teu coração,
Com toda a minha emoção.
Não me basta ficar te enganando,
Desejo revelar que sempre te amei,
Todo o amor do mundo eu guardei.
Dançam os corais nos oceanos,
- O mundo dá voltas
Colocaste-me dentro de ti,
Porque na verdade eu jamais saí.
Cantam os pássaros nos montes,
- O relógio dá voltas
Coloquei-te dentro de mim,
Porque na verdade és meu bandolim.
Posso olhar pelo buraco
Da fechadura do tempo,
Posso ouvir pelo recado
Da ternura misteriosa,
Deixaste-me garrida
Do amor pelo amor,
E por todo o amor pio;
Devotado sempre à ti:
Sofri, chorei e resisti.
Transformei a ausência
- tua -
Na mais fina vestimenta
Poesia intimista perfeita,
Para ser flecha no peito,
Com versos luxuriosos,
Cheios do meu veneno
Doce, delicado e sublime,
Para um peito impávido
- forte -
Para que flecheiro acerte,
E nunca mais ele cicatrize.
Posso amar muito além
Do destino e da espera,
Posso romper algemas
De tudo o quê te prende,
Deixaste-me em privação
Do amor fervente,
Da paixão pela paixão,
E por toda a paixão terna;
Eternizada na íris da mente:
Você me amará para sempre.
A minh'alma jamais se deixa
capturar - sou livre para amar,
A minha'alma nasceu livre,
e por isso sou a tua poesia...,
O amor da sua [vida]...,
e isso ninguém pode negar.
A poesia escrita intensa
é a dos loucos amores,
Desenho com todas as cores,
pinto a sua pele com a cor
Que vier a me [inspirar]...,
A minh'alma tu bem enaltece,
o perfume que ninguém esquece,
Ele só você bem conhece,
o rumo a se enveredar.
A minh'alma não cede nunca
a oportunidade de remar,
A minh'alma é embarcação
e emoção à beira mar....,
O amor nela [reside]...,
e ele ninguém pode despejar.
A poesia do mistério bailado,
e que nunca será desvendado.
É essa poesia a te convidar
para preencher a tua vida toda.
Para você amar e ser [amado]...,
e fazê-lo sempre sorrir à toa.
Devo-lhe imensamente tantas:
os risos, os gozos e os prantos
Tenho-lhe na minha alta conta:
não me perdi na tua ausência
Temos uma história para contar:
- não sei no que vai dar
O importante que venhas inteiro,
e eu seja o teu amor derradeiro.
Augusta e profunda sintonia,
- Aprendeste que és poesia! -
Suprema glorificação que tua alma
- exibe -
Amar-me em pensamento sublime.
Canto-lhe o meu soneto enluarado:
casto, sublime e apaixonado
Tenho-lhe em letras proibidas
escritas por todos os poetas,
Temos todas as noites para virar:
- revoadas para alçar
O emocionante você já entendeu:
és impávido e sempre serás meu.
Não paro de percorrer
Com os meus olhos,
Que não são mais meus,
Sim, eles são tão teus.
Não devo ir adiante
Com o meu intento,
Até ser alvorada,
Por tua mão colhida,
Não sei se sou a flor
Mais bela ou preferida.
Não paro de correr
Com as minhas letras,
Pois elas são as pernas,
Que por ti dobrarão,
Aqui elas por ti estão.
Não sou mais a mesma,
O poente dança em mim,
As nuvens são de cetim,
Eu sou violeta pequenina
No teu imenso [jardim].
A sua pele me deslumbra,
Ela tem a cor que tanto faz
Falta na minha pele,
A sua luz me 'domina'...,
Ela tem o tom que fascina
E me convida à luxúria...
Eu escolhi por ela me render
Sob sua 'guarda protetora';
Quero contar as estrelas
Na tua companhia sedutora.
A sua luz sublime na penumbra,
Ela vem da tua alma (capaz)
Intensa de manter-me nua...,
Ao modo de me tirar as letras,
No meu eu te declarar em poemas,
E assim desenhar mil esquemas,
No teu corpo com todas estrelas...
Eu escolhi por ela me prender,
Sob a tua égide me suspender,
Quero as tuas alegrias realizar,
E ser a tua cantiga de sonhar.
Eu escolhi acima de tudo:
Ser o teu forte sentimento
E devastador como mar...,
Que sabe ser oceano de amar.
Soltei os meus cabelos ao vento
Iguais aos seus olhos castanhos,
Contei os beijos tão [esperados].
Ambiciosa receberei um dia de ti
Mais do que uma declamação:
Uma rosa e uma [canção]...
Espero que você tenha gostado
De ter estado aos meios cuidados,
Quero você sempre ao meu [lado].
Ainda terei você de vez comigo,
Deste mundo bem protegido...
Pode ser até alucinação:
Quero ser poema e a sua paixão.
Somente entende quem tem peito,
E com ele fielmente escreve.
O destino imperfeito
É governado pela chama Celeste.
Compreenda que tudo tem jeito,
E com Ele tudo entra no trilho.
O Amor é perfeito,
É luz em nosso caminho...
Somente entende quem ama,
E por amor sofre, nunca reclama.
O impedimento não apagou a história,
É com ele que se tempera a chama.
Contando com as horas ao nosso favor,
Escrevendo poesia para esconder
- a minha dor -
De ter deixado para trás o nosso amor.
Alegria seminua que se prende
e liberta a macia cintura,
Entusiasmo que se sente
a cada letra indiscreta
De ter um amor na Terra.
Leve, irrepreensível e concreta
a libido que não se divulga,
Entre quatro paredes segreda
a promiscuidade evidente
Entre a Poesia, o Céu e a Terra.
Alegria redentora que se solta
e liberta o que tem na mente,
O canto silente das revoluções
quebrando o silêncio das prisões
Deste amor que chegou de repente...
Não há como esquecer da vez
que eu tirei você para dançar.
Não era impossível prever
que a gente iria se [cruzar.
O amor ainda vive no olhar
como composição essencial.
Nome ainda vivo no peito
como bailarina a [sapatear.
Não há como resistir a você
que chegou de vez para ficar.
Não sei como será adiante,
e o quê fazer para te [agradar.
O amor quando chega de vez
é como o vento a refrescar
que acaricia a face
em plena noite de [luar].
As estações passaram lentamente,
Estou no vazio dos teus abraços,
Na plenitude das tuas mãos,
As horas agem implacavelmente!...
As músicas presenteiam inteiramente,
Virei poesia reverente na canção,
Na altitude solar ardente,
Jurei virar um oásis de sedução.
As aspirações mais sutis subscrevem:
- Estou no ápice de te pertencer
No ponto que a Lua e Vênus convergem
As saborosas doçuras que hão de acontecer!...
As suratas e as femininas obediências,
Bem aprendidas desde cedo,
Tenho alma saharaui;
Carrego lições que não as esqueci,
Porque hei de amar-te e fazer-te ledo,
De um jeito que jamais vi!...
Como o barco que cruzou o [oceano
as asas da pomba bateram voo,
Como o tempo que não volta atrás
as areias se foram pelos dedos,
Como o curso do açude [desviado
as flores do jardim brotaram,
Regadas pela força do destino traçado.
O corpo dele é o meu cais,
Da boca desenhada sairão
Os mais eloquentes ais...
Das poções coralinas carregadas
para à beirinha da Praia de Salinas,
Dos amores que ficaram para trás,
existe apenas um que há tempos
- espero -
De um jeito que só ele sabe que é capaz.
O sorriso dele ao Sol
É o próprio Sol
A enfeitar o arrebol...
A existência dele é celeste
criada para servir à Humanidade,
Desde que eu o conheci
nunca mais fui mulher,
mudei de endereço,
mudei até de nome:
- Hoje respondo apenas por saudade.
Eu sou movida à paixão,
não temo caminhar ao sol.
Eu sou amante da vida,
te querer é a minha religião.
Em ti resiste a fogo brando,
- e a brasa mansa [recolhida
De uma paixão impensável
Por minh'alma [feminina.
Eu sou aquela [criatura],
que se perfuma para te ter.
Eu sou aquela [ternura],
que vira de verso para te ter.
Do melhor de mim para ti
oferto-te o meu inalterável:
o meu amor feito de poesia
Sublime, ardente e honorável.
Não havia me dado conta:
que nasci com um belo
- par de asas -
Nunca desejei fugir de nada,
a não ser em busca da paz
e de um destino que me valha;
Ir embora não significa fugir,
é seguir em frente - infrene,
é saber o caminho a seguir;
em busca do que o covarde
não tem coragem, é não desistir!
Não havia me dado conta:
que nasci alma delicada
- e guerreira
Da mesma forma que eu brincava
por horas com a espada,
Sabia apreciar a minha bailarina
dançando na caixinha de música
feita de ferro, com pérolas e prateada.
Não havia me dado conta:
Ainda há quem agrida a minh'alma
feita de fogo e de fé,
Ainda há quem duvide da minh'alma
feita de rosas e jasmins,
Cheia de surpresas para quem planta,
Surpreende durante a colheita
vou decorá-la com os mais belos jardins.
Mantenha a alma atenta:
Premedita, goza e silencia
Diante do mar de violeta.
Desarma a alma inquieta:
Procura o Ano Novo
Brinde-o com bom gosto.
Suspenda a ânsia intensa:
Entrega, sorria e repouse
Somos feitos de poesia.
Liberta o prisioneiro:
Procura a liberdade
Celebre a vida em verdade.
Proponha a vontade tua:
Desafia, ritualize e vivencia
Diante da minha letra nua.
Enfeite com o quê mais fulgura,
Eterniza com a tua doçura,
Inscreva-me no teu peito ternura.
Estou em todo o lugar
Nasci de um mistério
Misturado ao teu paladar
Cresci no teu coração
Mergulhei no teu olhar
Escolhi um pavilhão
Aceno de um doce amor
Solitário, e bem perdido
Resolvi resgatá-lo
Para desenhar o sorriso
Em versos bem protegido
- resguardá-lo -
Porque não tive a coragem
De ainda por ele lutar
- e atentá-lo -
Sobre os meus sensuais 'versos'
Você os aprecia como ninguém
E os interprete até como confissão
No giro das horas que passam
No baile de todos os formosos astros
Que nos brindam com demonstrações:
De dois que não resistem as distâncias;
E, não temem o tamanho dos oceanos.
Estou até no teu respirar,
Quando vier, que venha liberto!
Que venha para libertar,
Para elevar os graus dos amplexos.
Quando vier, que venha desprendido!
Como quem busca um colo,
Para ver o tempo passar.
E também só para de amor conversar.
Estou por todos os teus passos,
Em todos os abraços - não dados,
Estou presente no teu desassossego
- visível -
Por não me ter lado a lado,
No fundo bem sabemos,
O que cada um pensa e deseja,
O amor do jeito que vier não é problema,
Todavia, o quê nos falta é audácia,
Para beber desse escândalo tão íntimo,
Que para muitos não é mais segredo,
Com as tuas mãos no meu corpo,
Eu hei de escrever o mais belo enredo,
E as cenas de volúpia sem nenhum medo.
Ventos bons hão de te trazer!
Virão com o teu cheiro de liberdade,
Eu vou te dar, e te receber
De um jeito que irá te enlouquecer.
Todos os bons momentos hão de ser!
Virão com o nosso gozo abusado,
Eu vou transcrever em sonetos
De devassidão para não esquecer.
Hostes angélicas nos uniram,
Viram que temos química:
- envolvimento
Não conseguimos ficar sequer longe
Um do outro, não temos jeito;
Formamos um casal perfeito.
Na minha memória parece loucura:
a tua presença inunda,
A tua imagem fulgura vibrante
De uma forma alucinante,
É madrugada, estamos presentes:
De corpos, corações e mentes
Nunca me deparei com ninguém
De natureza tão envolvente e profunda,
Que me fez reler o Kama Sutra
Para te seduzir com toda a doçura...
