Amor de Pai para Filha
Alonga o teu olhar para ver
A figueira aos pés da duna,
Os frutos tão ricos da alma
De um segredo que é prece,
Eu pude colher os figos
Sob a Lua para fazer um doce,
E também para fazer sentido
- bendigo -
Só para ser exclusivamente tua.
Sempre fugimos do mundo,
Porque nos reconhecemos em tudo.
Sempre fugimos de gente,
Que não ama, não sorri e não protesta.
O amor não surgiu em vão,
Ele nasceu para iluminar a Terra.
Existe uma dolência que nos une,
Nunca chegará a se tornar escuridão,
Resistirá em nós o mesmo Sol,
Que nascerá e que se dobrará;
Persistirá como saliente brasa,
Deslizará como mão que afaga,
Com o doce beijo que não para,
Será muito mais do que chama...,
E queimará muito mais do que fogueira
Em noites de luar, e não tente duvidar!
Amor sempre teremos de sobra!
Tu és como mar que leva o barco,
Assim é a carência que nos dobra;
Afirmativa é a boca sedenta por água,
Nós chamaremos insistentemente - a toda hora,
Seremos uma luz que não se apaga;
Um nó do destino que não desata.
Existe um amor que o mundo enxerga,
Não há ninguém que discorde,
E muito menos nos afronte,
Estamos prontos para a epopeia,
Que há de fazer a história,
De duas almas severas;
Tão doces quanto valentes,
Sementes lançadas ao vento,
Resistindo ao veneno,
Do cotidiano que é quimera.
Amor: aprecie a cantiga do mar!
Observe como gingam as correntes,
Tenho que te confidenciar:
- Eu quero te mimar!
O quê pensam as gentes?
Que somos inconfidentes.
Eu sou a tua rosa solar,
Regada pela água do mar,
Poesia e repente de amar.
Dissolvida pela encruzilhada
Causada por uma decisão,
Esquecida pelo afastamento
Da tua presença fui lançada,
Cantante dos versos deste fado
Em companhia da solidão
Do luso-mineiro largo,
Derrotada pela autoridade
Que só o tempo é capaz de ter:
Eu jamais consigo te esquecer.
Entretida pela chuva e pelo sol,
Acompanhada só pelo vento,
Arrependida por não te ouvir,
Esperando-te a todo momento.
Entristecida pelo abandono
Que eu mesma me impûs,
Não ando enxergando nem a luz.
Sozinha por ter fugido do querer,
Sei que corro o risco de te perder.
Alcançada por ti
Iluminada fiquei
Só de me leres
Com os teus raios
Dóceis e solares:
Sim, eu te beijei!
Apaixonada por ti
Enfeitiçada fiquei
Só de me segurares
No fundo do teu olhar
Mergulhei no oceano
Do teu jeito de me amar.
Iluminada por ti
Não há como se deslumbrar
Escrevo o meu poema
Já que não há como conversar.
Falamos a mesma língua
A atração é sobrenatural
Sabemos o que queremos
É além do intelectual
Rejeitamos o banal
Do nosso cardápio particular
Colhemos no jardim dos beijos
Guardamos os nossos desejos
A hora certa acontecerá sensual.
Tomada por ti
Seduzida fiquei
Com os ouvidos
Só nos teus tons
- brotaram os meus
Semitonados, expressei.
Gotejam licores de Musa
Extasiada por nós
Sussurro devagar
Um versinho de Neruda
Para você se aproximar...
A tua experiência vibrante,
Como um beijo [ardente
A tua personalidade excitante,
Como um deserto [quente
Fez de mim odalisca saliente...
A tua poesia infindável
[Fascinante,
Oh, meu astro irretocável!
[Exuberante,
Fez o meu corpo inflamável!
A tua audácia indecente,
Fascina-me perdidamente,
Ao sabor do desacato,
Tenho por meu doce pedaço,
Quero perder-me infinitamente,
E tão intimamente entregar-me...
Sou a tua paz imperturbável,
A tua fonte amável,
Sou a menina dos teus olhos,
Escrita no profundo dos sonhos
Indelevelmente inconfessáveis
... impenetráveis!
Os teus olhos decifram
[Intimamente,
As aldeias que habitam
[Simplesmente,
Nas letras dos poemas
[Essencialmente,
E pertencentes a nós
[Seguramente,
Os teus olhos leem
[Secretamente,
Os versos do meu corpo
Rimando [discretamente.
Tão terna e discreta canção
Deste-me uma infinita [emoção],
De saber que moro no teu coração.
Não será difícil a gente se rever,
[Certamente,
Não será difícil a gente se tocar,
[Sensualmente,
Não será difícil porque o desejo age
Em nós [consensualmente].
Não precisamos sequer falar,
O teu desejo é o [meu,
Os nossos olhos sabem decifrar,
Tudo o quê o amor já [leu,
No beijo que sabe libertar-se, enfim.
Não há nada impossível para [nós,
O tempo um dia há de ser albatroz,
Que pousará num distante [cais,
E juntos deixaremos tudo para trás...
Navegando nas tuas águas
(ilimitadas)
Escrevendo o meu destino
(infinito)
Circundando a tua ilha
(exuberante)
Rodeando as 158 estrofes
(gloriosas)
Escutando o teu Hino...
Ramo de oliveira
No bico da pomba
Também é poesia
Sem se dar conta.
Encontrando nas areias
(paradisíacas)
Os beijos das sereias
- encantadoras -
Escutando as tuas lendas
(gregas)
Nas tuas vozes
(cipriotas)
Eu acredito, e confio
No desejo de paz duradoura.
Asa de poeta
No bico do verso
Rama poética
Você é parte do Universo.
Na tua gente escrita está
A poesia e o (mistério)
De cada Deus e sua musa
O cordão (etéreo)
Que faz o encanto cipriota
Viver para ser eterno.
Nas tuas ondas bravias
Nas espumas brancas
Desfeitas no (azul)
Recebam as linhas
Tecidas dos meus ventos
Vindos do meu (Sul).
No oceano do teu olhar,
Libertária,
Resolvi este verso buscar.
No celeste do teu olhar,
Envolvente,
Alcancei algo de estelar.
No infinito de nós dois,
Onipotentes,
Não existe 'o depois'...
Ainda bem que a poesia existe,
Assim temos como sonhar...
Nos tornamos ainda melhores,
Cúmplices,
Na medida em que amamos
Muito mais e melhor...;
Aprendemos todos os dias
Com a arte de amar...,
Infinitos em tudo,
Não nos contentar...
Ainda bem que a poesia existe,
Assim eu posso ir devagar...
A tua imensidão em secreto,
Da despedida não dada,
Do beijo ainda não 'provado',
Do corpo não 'despido',
A tua coragem embalada,
No afã de um caminho,
Do pecado não 'cometido',
A tua convicção apaixonada,
Por nossa poesia adocicada,
Por nossa loucura primaveril,
A tua bondade juvenil,
A tua exatidão feita de retidão,
A tua intensidade em devotar-me
Da melhor maneira, e com fina arte.
Ainda bem que a poesia existe,
Assim eu posso me declarar...
Na profundidade da história,
Só nos cabe a glória,
Do nosso amor segredar,
Você fica a me ler...,
E o meu eu a te escrever,
Essa história que eu não sei
Se terá final ou não.
Ainda bem que a poesia existe,
Assim eu posso divagar...
Sei escrever essa saudade
- sobrenatural -
Bem aqui no peito
De um jeito sem igual,
Só por este beijo fatal.
Sei remar entre os canais,
Em busca de você não é,
E nunca será demais...
O amor vira arte:
Literatura,
Conquista,
Cultura,
E semeia com ternura.
Sei amar, e sei ser cais:
De um novo ponto de partida,
Para que tenhas fé na vida...
O amor é um canteiro delicado
De finas tulipas
Que com jeito e trato,
Cabe poesias floridas
De uma poesia interminável
Desta primavera incontestável.
Sei também que o amor reforça a fé
Fazendo de nós uma fortificação,
Nos levando na mesma galé...
O tempo a fio da espada,
A pena em prol da vida,
O olhar e a tua coragem,
A glória é feminina;
O teu passo faz revolução.
Carrega no peito um hino,
Vivendo para a tua Nação,
Luta por toda a gente,
Nunca busca a consolação,
Nasceu para servir sempre.
A existência é infinita,
Sobrevivente e atemporal,
E talvez indizível;
Um mistério que tem nome
- feminino -
Ainda por mim desconhecido,
Que soube sobreviver ao tempo,
E se escondendo no meio dele:
apresentou-se descoberto.
O futuro ainda menino,
Dorme nos braços do tempo,
Aguardando o crescimento.
O futuro como tudo,
Aprende com o passado,
Desgarrado dele,
Se constrói com amor,
- sobrenatural
Com intenção renovada,
Com todo o fragor do peito
Para que a vida valha a pena.
O futuro menino travesso,
Não teme os marechais,
Ele é filho das horas,
Ele é filho do tempo,
- avesso
Aos que tentam comandar
E roubar-nos toda a paz.
Mergulhados um no olhar do outro,
Não há pecado que nos detenha,
Submergidos um no outro aos poucos,
Não há dogma que nos contenha,
Sabemos bem o que queremos:
juntos somos fogo e a boa lenha...
Não tenho pressa...
Tocando em meus poemas,
Tu me sentes silenciosamente
Na tua pele e ao teu lado;
Fazendo-te renovado sempre
O restante já faz parte do passado,
Eu sei que sou o teu maior presente;
Longe de ser um instante:
Eu sei que sou o teu futuro certo
O restante já não mais te interessa
Eu sei que sou o teu amor seguro.
Não tenho pressa...
Entretidos naquilo que dizem ser jogo,
Não há intenção que não se realize;
O melhor do jogo é violar as regras.
Neste curso não há quem se delicie,
- criamos o nosso próprio fetiche
Sabemos bem para onde ir:
juntos somos o altar e o rito...
Não tenho pressa...
Escrevendo o melhor conto,
- em segredo
Tu segues os meus versos
- eróticos
Ora santos, e ora desalinhados,
Tu me carregas como pupila
E o sorriso de canto...,
Sou a canção que fascina,
O sol da manhãzinha,
E a estrela que tanto admira.
Os segredos bailam
- docemente -
Nos ritmos das cascatas
- harmoniosamente -
As águas abrandam
- saborosamente -
A sede simplesmente
de uma forma espetacular.
Adornando como um colar,
- enfeitando lindamente
Com uma beleza de balbuciar,
As cascatas acariciam a terra,
que se pôs a [celebrar...
O cântico das cascatas
Dum jeito tão especial...,
A Natureza tão gloriosa
dando graças ao celestial.
O vento ao redor dos bosques
Acabou virando brisa,
E a carinhosa paz não acabou:
virou uma portentosa poesia.
Liberdade em todas as letras
Embarcada numa viagem,
Gentileza de todas as rimas
Encarada como miragem.
Liberdade por todos os ares
Escrevendo a tua história,
Mergulhando nos teus mares
Eternizando a tua memória.
Livremente refazendo o céu
A poesia virou altar,
Um soneto feito de mel
Navegando de tanto rimar.
A curiosidade é tanta
Que é capaz de peregrinar,
E de pôr os pés em terras,
E por outros mares navegar.
A liberdade é tão audaz,
Exuberante e garrida,
Despreocupada de rimas
É capaz de fazer poesia,
Vestida de trinta e três estrelas.
A liberdade foi tão cheia de paz,
Que largou as malas,
Voou com as minhas letras,
E aos passos de mil peregrinas
Foi ao encontro daquilo que é capaz.
Um peixinho colorido
em cima das conchas
brincando de faz-de-conta.
....
O pequeno bagre
bem parado
é feito de biscuit.
Ninguém pode
deter-me
Desejo é
pertencer-te
Ninguém pode
julgar-me
Anseio é
reencontrar-te
Ninguém pode
condenar-me
Eu hei de viver
só para amar-te.
Desejo que
só me pertence
Ninguém
pode deter
Anseio que só
me estremece
Ninguém
pode 'fazer'
Eu hei de vivê-lo
para sempre.
Recolha-me
e absorva-me
Toma-me, coma-me
e beba-me
Devora-me
com ganância
Repleta-me
sem moderação.
Confesso que estou
na tua [mão
Entretida
com o nosso tempo,
Alguém deu
forma a [paixão;
Surgiu lindo
como um dia de sol,
Iluminando carinhoso
o [coração.
Cada passo
nas areias, uma marca,
De um grande amor
que não passa,
E uma grande distância
que maltrata,
Nem o tempo o dissipa,
e o sossega;
Fazendo de todos dias
a minha entrega.
O mar baila
em [celebração,
O tempo se ergue
em oração,
Talvez seja
um grande sinal:
Que voltarás
para a minha vida
Para habitar
pleno de [paixão.
Cada momento
não foi em [vão,
Nem mil almas
te encantarão,
Sei que sou a mulher
da sua vida,
E para sempre serei...,
- a dona do seu
delicado [coração.
Do nada comecei a cantar
Na beira do mar
Não tive como te abraçar
Pûs-me a escrever nas areias
O belo amanhecer
Recolhi carinhosas conchas
Lindos presentes das sereias
Vendo o barco passar
No balanço das ondas do mar.
Cantei algumas músicas
Todas em espanhol
O meu coração se abriu a sonata
A mais bela celebração apaixonada
Tentativas de quem não sabe
Mas de quem de coragem
De um dia aprender
E os mares cruzar
Só para te rever.
Acariciando o mar
Enternecido amanheceu o sol
E eu bem longe de você
Louca para te amar
Espantando o frio do outono
Resolvendo com tudo romper
A poesia praiana irá te ter
Como o Universo se abre para a Terra
Tens todo o meu amor e minh'alma
Que o Mal do mundo jamais encerra.
Nesta vida nem tudo são [flores,
Quem não sabe, é porque nunca
viveu para morrer de [amores.
Edênica e suave [sensação,
Inteira e com toda a emoção
Para ser tua de todo o [coração.
Nesta vida nada é [impossível,
Mas tudo é possível...,
amar você sempre será [incrível.
Galgo o azul celeste das [hortênsias,
Peço a bençãos dos céus
Afastando o amor das [dolências.
Nesta vida há de sermos [prevenidos,
Cuidando para proteger o amor
de todos os mil [perigos...
Sob a égide da nossa [certeza,
Confiamos no amor em pureza
Sobre a nossa íntima [beleza...
.
O tempo tem a fúria louca,
Ele passa, e não perdoa...
Giram os ponteiros dele,
De saudades estou corroída,
Estou de tanta falta quase
(desfalecida),
Não é de momento,
É sentimento profundo
(fecundado),
Giram os ponteiros do tempo,
Chegou a hora de acertar
(os nossos ponteiros):
de ti não abrirei mão, e já
provei que sou a Beatriz
que por Dante foi ao Inferno
em busca do seu coração.
Não existe tempo para amar,
Todo o tempo sempre será
Tempo para amar, amar, amar...
Não existe amor diferenciado,
Todo amor sempre será amor,
Ele é o espetáculo em esplendor.
Não existe jeito de amar,
Amar sempre encontrará
O seu próprio jeito de amar...
Não existe amor perdido,
O que existe é amor
Que não foi concretizado.
Não existe receita para amar,
Amar sempre se reinventa
A forma com a qual se eternizará.
Não há como não cobiçar,
E muito menos não querer;
Ao ver o Sol dançando:
lembrei-me de você.
Não há como não deixar
De um só minuto de te amar,
Da aurora até o amanhecer.
Beijo doce, e imortal,
Trouxe-me um presente
- sem igual
Vendo o auge do passo doble
- mortal
O Sol dando no mar um beijo
- sensual
Acordes da [Tarragona] divinal.
Não há como não se curvar,
Vendo o azul do céu
- beijando -
Sensualmente o mar;
Não há como não querer
- passionalmente
Nessa festa não se misturar.
Para não parar de se
surpreender,
- ela sempre nos amando
A bailarina vida sempre
supreende:
ela sempre acaba nos [beijando
Seja através da balada da
- Catalunha -
- ou, mesmo através das andaluzas
Ela vai bailando, e [coreografando,
O seu passo de amor, coragem e juras,
Com a mesma coragem do Sol [dançando
Sobre as ondas do Mar Mediterrâneo,
Ao som de Paco de Lucia nos [tocando...
