Amor de Cão
Enquanto houver
Um palco
A rua
O chão
Amor e utopia
Contramão
A força de uma voz
Quando o sinal fechar
Não estaremos sós
O cão é igual a uma criança, mas nunca se perde na ganância ou na arrogância, porque ele nunca envelhece.
Eu descobri que os verdadeiros cães não são aqueles que aguardam pacificamente sob a mesa o cair de suas migalhas, mas sim os que sobre ela banqueteiam seus vícios!
MEU CÃO - A FIDELIDADE QUE SOBREVIVE AO TEMPO E À RUÍNA DOS CORPOS.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
* “Prefiro confiar em meu cão São Bernardo do que confiar na criatura humana.”
Dr. Axel. Munthe, autor do best-seller: O Livro De San Michele. Escrito originalmente em 1929.
A história de Argos, o cão que aguardou por vinte anos o retorno de seu senhor, permanece como uma das mais elevadas expressões éticas legadas pela tradição clássica. Mais do que um episódio secundário da epopeia homérica, ela constitui um testemunho silencioso acerca da natureza da fidelidade, da memória e da lealdade que resiste ao desgaste do tempo, à corrosão da matéria e à falência moral dos homens. Nessa narrativa, a condição animal não se apresenta como inferior, mas como depositária de uma virtude que a civilização, em sua complexidade, gradualmente perdeu.
O retorno de Odisseu a Ítaca não se dá sob o brilho do triunfo, mas sob o véu da decadência. Após vinte anos de ausência, dez consumidos pela guerra e outros dez diluídos em errâncias e provações, o herói regressa envelhecido, marcado pela dor, pela fadiga e pela experiência. Aquele que outrora fora símbolo de engenho e vigor já não possuía o corpo que o consagrara, mas carregava em si a memória viva de tudo o que fora perdido. A própria astúcia, outrora instrumento de glória, agora servia apenas à ocultação de sua identidade.
Atena, expressão da prudência e da razão estratégica, aconselha-o a ocultar-se sob a aparência de um mendigo. A pátria que deveria acolhê-lo transformara-se em território hostil. Os pretendentes haviam tomado sua casa, dissipado seus bens e ameaçado a integridade de sua linhagem. Nem mesmo Penélope, símbolo da fidelidade conjugal, foi capaz de reconhecê-lo sob o véu da decrepitude. A visão humana, condicionada pelas aparências, falhou. O olhar viu, mas não reconheceu.
Foi então que a fidelidade se manifestou onde menos se esperava. Argos, o velho cão abandonado à margem do palácio, esquecido entre a poeira e os detritos, conservava intacta a memória do seu senhor. O corpo exausto já não sustentava a vida com vigor, mas a essência permanecia desperta. Ao ouvir a voz e sentir o odor daquele que amara, ergueu-se como pôde, moveu a cauda e reconheceu. Nenhuma máscara, nenhum disfarce, nenhuma degradação física foi capaz de enganá-lo. O reconhecimento foi imediato, absoluto e silencioso.
O gesto de Argos possui uma força simbólica que transcende a narrativa. Ele não exige palavras, recompensas ou reconhecimento. Sua fidelidade não depende de promessas nem de reciprocidade. É fidelidade ontológica, inscrita na própria natureza do ser. Odisseu, impedido de revelar-se, contém as lágrimas, pois compreende que ali, naquele instante, se manifesta uma verdade mais profunda do que qualquer triunfo humano. Logo após cumprir sua última função, Argos morre. Não por abandono, mas por consumação. Sua existência encontra sentido no ato final de reconhecer aquele a quem sempre pertenceu.
Esse episódio, narrado no Canto XVII da Odisseia, ultrapassa o campo da épica para inserir-se no domínio da reflexão ética. Ele revela que a fidelidade não é produto da razão discursiva, mas da constância do ser. Enquanto os homens se perdem em interesses, disfarces e conveniências, o animal permanece fiel àquilo que reconhece como verdadeiro. A memória afetiva, nesse contexto, revela-se mais poderosa do que qualquer construção racional.
É nesse ponto que a reflexão de Axel Munthe se insere com notável precisão. Ao afirmar que * " Prefere confiar em seu cão a confiar no ser humano " , o médico e pensador não profere um juízo de misantropia, mas uma constatação ética fundada na observação da realidade. Sua experiência com o sofrimento humano ensinou-lhe que a razão, quando desvinculada da integridade moral, converte-se em instrumento de dissimulação. O cão, ao contrário, desconhece a duplicidade. Sua fidelidade não é estratégica, mas essencial.
A frase de Munthe revela uma crítica severa à condição humana moderna. O homem, dotado de linguagem, inteligência e consciência, frequentemente utiliza tais atributos para justificar a traição, disfarçar interesses e legitimar a ruptura dos vínculos. O animal, desprovido dessas faculdades, conserva uma coerência ética que o eleva moralmente. Ele não promete, mas cumpre. Não calcula, mas permanece. Não racionaliza, mas é fiel.
Há, portanto, uma convergência profunda entre a figura de Argos e a reflexão de Munthe. Ambos denunciam a fragilidade moral do homem civilizado e exaltam uma fidelidade que não depende de convenções sociais, mas de uma adesão silenciosa ao outro. Essa fidelidade não se anuncia, não se exibe, não se justifica. Ela simplesmente é.
Assim, a história de Argos e a sentença de Munthe convergem para uma mesma verdade essencial: a de que a grandeza moral não reside na eloquência, no poder ou na razão instrumental, mas na capacidade de permanecer fiel quando tudo convida ao abandono. Nesse sentido, o cão torna-se espelho daquilo que a humanidade perdeu ao longo de sua história. E ao contemplar esse espelho, resta ao homem reconhecer que, por vezes, a mais elevada forma de humanidade habita silenciosamente no coração de um animal.
Pisa na cabeça do cão e faz barulho santo, pisa na cabeça do cão e faz barulho santo pra Jesus... e pula e pula, pula na cabeça do cão e faz barulho santo...
Chopin Bukowski
este é meu piano.
o telefone toca e as pessoas perguntam,
o que você está fazendo? que tal
encher a cara com a gente?
e eu digo,
estou ao piano.
o quê?
desligo.
as pessoas precisam de mim. eu as
completo. se não podem me ver
por um tempo ficam desesperadas, ficam
doentes.
mas se as vejo muito seguido
eu fico doente. é difícil alimentar
sem ser alimentado.
meu piano me diz coisas em
troca.
às vezes as coisas estão
confusas e nada boas.
outras vezes
consigo ser tão bom e sortudo como
Chopin.
Amor de cães e gatos.
Nós, cães e gatos, quando partimos dessa vida, os nossos pais dizem que nos transformamos numa estrelinha do céu.
Quando eu virar uma estrelinha, senta com a tua filha, mostra-lhes o firmamento, escolhe uma estrela, e diz: esse gato virou estrela porque foi descuidado.
Mas ele, tentou nos dar o seu melhor, "acariciou as nossas pernas com a sua cauda, massageou a nossa barriga com as suas patinhas gordas, nos trouxe lagartixas de presente” para demonstrar o seu amor, ele foi um bom gato, e hoje ilumina a nossa noite.
MEUS CÃES
Meus cães bradam de amor
Uivam no cio em noite escura
Em suas narinas: o cheiro do amor
Em seus olhos: o brilho da lua
Ah! Cães selvagens que perturbam meu sono
Que não me deixam dormir
Que se degolam dentro mim
Querendo resistir ao amor
Visão do Mundo
Olho para as arvores vejo amor
Olho para as aves vejo paixão
Olho para os cães vejo felicidade
Olho para os gatos vejo carinho
Olho para ser humano vejo dor
Vejo angustia
Vejo crueldade
Vejo pessoas que não sabem viver
Não tem amor ao próximo
Vejo seres que simplesmente são ocos por dentro.
Cães e gatos vivem a plenitude do amor, são ternos e doces por toda a sua breve existência, pois, não precisam viver tanto, a plenitude é o máximo da perfeição. Que possamos ser como cães e gatos, viver em amor intenso, mesmo com as adversidades da vida. Que sua vida seja tão intensa e profunda em beleza, como as horas de sono de nossos mais inteligentes animais.
Cães são encantadores e mestres em demonstrar amor
São puros, leais, bons companheiros
Mas o mundo não tem sido fácil para muitos deles
São tantos em condições precárias e de sofrimento.
São tantos que neste momento se encontram acorrentados a beira da loucura
São tantos amparados em um canil minúsculo, porque é tudo que o abrigo tem
São tantos caindo em mãos erradas
São tantos com fome, frio e medo nas calçadas.
São tantos sendo chutados e afastados
São tantos crédulos na última esperança
São tantos levados para o sofrimento
São tantos com as asas arrancadas
São tantos e tantos cães em diversos contextos envolvendo maus tratos, que não se dá conta de listar.
E tudo que nos resta, além de se indignar, é entender cada vez mais esse tanto de sofrimento, e lutar.
A gente só luta com o que conhece, é ele, o conhecimento, que impulsiona e da combustível para Lutar
Lutar, Dar Voz, Compartilhar, Conscientizar e Acreditar.
Colaborar para o andamento desta grande jornada que é a causa Animal, para um mundo mais justo, onde os animais possam viver com respeito e dignidade.
Há que ter esperança.
Deveríamos ter amor, respeito, carinho e cuidado
com todos os animais, não somente com cães e gatos.
Desde crianças sempre tivemos este amor
com todos os bichinhos.
Se vissemos alguém maltratar ou matar
uma vaquinha, um porquinho ou seja qual fosse o animal,
nós choraríamos... gritaríamos...
e provavelmente, entraríamos na frente do agressor
para defender o pobre bichinho.
O que aconteceu com este amor pelos animais?
Permita-se pensar diferente
e se reconecte com a natureza.
