Amor
"Já não te faço poesia,
Já não moras aqui dentro.
Da casa do amor, vazia,
Joguei teu retrato ao vento
Do fogo antigo que ardia,
Sobrou cinza, desalento,
E uma história tardia,
De vida e pertencimento.
Já não te faço poesia,
Não te lembro, nem lamento
Rasguei o sonho que havia
E enterrei no esquecimento."
Lori Damm ("Leaozinho", Contos, Crônicas & Poesia)
Era uma noite chuvosa
Bateu em minha porta uma tal de dor
Ela estava molhada,amargurada com o Amor
Perguntou ser podia entrar ate a chuva passar
Eu sei saber oque fazer, deixei ela entrar
Ela falou que ia ser só alguns minutos
Mas dos minutos passou horas,das horas passou messes
E nesses minutos,horas e messes
A dor ficou muito mais louca
Ela fez uma festa muito doida
Chamou a raiva, a tristeza e a decepção
A festa foi tão louca
Que quebrou a minha casa toda
Chamada coração.
O amor não é uma alucinação romântica; é o único ato político capaz de sabotar o niilismo e a indiferença.
O amor não dói por ser intenso, dói porque revela o quanto somos dependentes do reconhecimento do outro.
O amor é o único erro de cálculo que vale a pena cometer num universo indiferente; é a única forma de cuspir na cara do nada e dizer: "Hoje não, hoje eu escolhi a alucinação de ser importante para alguém".
Amor surge do caos como uma faísca em pólvora seca, incendiando almas que outrora congelavam no gelo do desespero solitário.
O amor que se estende a todos não alcança ninguém; é uma moeda inflacionada que perdeu o seu valor de compra.
A criação não foi um ato de amor, foi um espasmo de tédio de uma entidade que não suportava o próprio vazio.
Se a moral fosse filha do medo, ela desapareceria na ausência de vigilância; mas o amor a mantém mesmo no silêncio.
