Amo essa minha Vida Louca
Solilóquio de Guerra
Minha armadura sangra em silêncio sob o peso do mundo,
Enquanto o abismo sussurra o meu nome na escuridão.
Caminho entre os espectros de sorrisos falsos e atos contraditórios,
Que tipo de dêmonios eles são?
Sem exército, cercada pelo deserto da solidão.
Cota de malha enferrujada e couro rasgado.
Espada sempre ao lado.
Fui lançada a uma trincheira que jamais aceitei,
Nem a carta da convocação me enviaram.
Busco a saída deste campo devastado, Seja pela vida ou pelo pó,
Persisto na travessia, até que as sombras me abracem,
E o último suspiro desapareça e se dissipe no mundo.
- Ramile Godon
Juramentos De Fogo
Eu sinto a sua falta,
Vamos bailar.
Queria a sua calma ao lado da minha,
A tranquilidade ao pôr do sol.
Lembro-me de você por completo.
Eu sinto a sua falta.
Não demore pra voltar ou pra ir.
Só há um fantasma de você aqui,
Uma memória antiga me perturbando.
Não espero que volte,
Mas você ainda me acompanha por algum motivo.
Você decidiu ir e eu passei pelo deserto de fogo sozinha.
Juramentos quebrados do escudeiro.
Nunca mais será o mesmo, não se agarre a isto e vai embora.
Eu sinto sua falta.
- Ramile Godon
No meio do barulho que me cerca, minha alma inquieta chora baixinho, soluçando ao ver meu coração dividido em quatro pedaços.
Ao longo da minha trajetória, muitos se foram, mas não sinto falta, o que partiu, na verdade nunca me pertenceu.
A escrita me encontra na noite, instante em que a melancolia se aproxima e se torna minha mais fiel companhia.
Sentado aos pés de uma figueira, imerso em pensamentos que desafiam até minha própria compreensão, percebo a tênue fragilidade do tempo. As horas se dissolvem como grãos de areia escapando pelos dedos da consciência, e o mundo ao redor se reduz a murmúrios sutis, o canto distante de um galo, o sussurro das folhas, ecos de lembranças e dilemas que insistem em me perseguir. Sem perceber, sou tragado para dentro de uma introspecção que transcende o instante, como se cada fragmento de percepção fosse simultaneamente revelação e enigma.
Ultimamente, sinto-me no automático, como se minha existência estivesse programada para repetir incessantemente as mesmas tarefas diárias. Cumpro cada gesto sem reclamar, contendo pensamentos inquietantes que ousam emergir, pois sei que, aos olhos da sociedade, questionar ou sentir demais é rotulado como rebeldia. Ironia cruel: a conformidade, esse silêncio interno imposto, revelou-se a verdadeira prisão, mais implacável do que qualquer algema visível.
Quase não restam lembranças boas da minha infância. Talvez nunca as tenha vivido, ou talvez algo em mim tenha morrido antes mesmo de aprender a ser feliz, deixando apenas um vazio frio onde deveriam habitar memórias e calor.
Quando as lembranças da infância se entranham no meu peito, rasgam-me as entranhas e arrancam minha carne ao ritmo de memórias que não perdoam, tudo o que superei , daquele passado terrível com tanto esforço vira pó, e eu fico a arrastar o cadáver de quem fui.
Minha alma ergue muralhas invisíveis, mais forte que qualquer dor, abrigo que nenhuma sombra destrói.
O silêncio cresce em minha mente como uma floresta de ossos. Cada palavra que escrevo é uma ave de vidro, tentando voar sem quebrar.
Corvos voam sobre mim, refletindo em suas penas os labirintos da minha própria mente. Observam meu cansaço, aguardando o momento em que me dissolverei em minhas próprias sombras.
As noites ensinaram disciplina. Pela manhã, transformei cansaço em obra. Minha rotina é a minha vitória.
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