Amigos Inseparáveis
Entre minhas historias das noites cariocas, me lembro bem do saudoso amigo o grande cronner Jamelão, como gostava de ser chamado. Sempre ouvia ele a cantar nos fins de noite no antigo Café Nice, na Avenida Rio Branco no centro do RJ. Todo embecado de smoking no ápice da elegância masculina. Conhecido internacionalmente como black-tie que eu falava para ele que era alugado na Casa Rolas que ficava na Avenida Augusto Severo, mas ele sorria e negava, e ele me falava carinhosamente com ar de deboche, sai fora moleque.
Eu e Caio Mourão, fomos parceiros e amigos íntimos, na troca de experiências no que tange técnicas de trabalho do metal e técnicas de lapidação. Nos encontrávamos quase que três vezes por semana em seu atelier em Ipanema. Com isto, em pouco tempo me tornei consultor e marchand de suas obras de pintura e esculturas realizadas em aço. Freqüentei durante anos seu refugio criativo em Iguaba, na região oceânica do Rio de Janeiro como também por diversas vezes encaminhei para restauração e mesmo negociei, a seu pedido obras de arte de se acervo particular. Com isto guardo grande ternura pela família, em especial a filha Paula Mourão, que deu continuidade ao Atelier Mourão em Ipanema, como centro de excelência na formação.
Além de parceiro, amigo íntimo, consultor e marchand de Caio Mourão, fui discípulo no conceito da arte jóia de autor. Não um mero lapidário e ourives copista de modelos e padrões estrangeiros mas um artista plástico joalheiro brasileiro, seguindo a corrente do pensamento e do oficio da arte dos metais da escola da moderna joalheria brasileira pós Caio Mourão. Em si Caio, foi um divisor entre o ensino técnico da ourivesaria e o desdobramento para ser um artista plástico joalheiro, e com isto passar a criar, a Arte Jóia assinada. Destruindo a atribuição genérica usual de valores pela gramatura por peso da obra e passando para a valorização pela idéia, criatividade e a execução.
Vivo rodeado de grandes nomes da sociedade. Meu amigos são todos eles importantes, o mais simplesinho do meio, sou sempre eu que aprendi com o tempo a cultivar e zelar pelas boas e generosas amizades.
Talvez você esteja lendo isso agora e rindo com seus amigos sobre como eu implorei para você ficar. Talvez você use essa sinceridade que finge ter, mas que nós dois sabemos que não é real.Eu escrevo apenas para te dizer uma coisa: continue vivendo na sua ilusão.É impressionante como é fácil para você agir como se eu não existisse e como se nada disso te afetasse. Você se esconde atrás de aparências e finge que está tudo bem, enquanto eu preciso lidar sozinho com o estrago que você causou. Sei que ignorar a realidade é muito mais confortável para você.Você pode fazer piada com o meu sofrimento e transformar a nossa história em conversa de bar. Pode tentar convencer as pessoas e a si mesma de que fez a coisa certa. Mas, no fundo, existe uma verdade que você nunca vai conseguir apagar: você não faz a menor ideia do quanto eu precisei de você.Siga a sua vida fingindo ser a vítima ou a heroína dessa história. Eu vou ficar aqui encarando a realidade e superando o que você me fez passar, enquanto você finge não carregar nenhuma culpa pelo que deixou para trás.Aproveite a sua consciência limpa enquanto ela durar. O choque de realidade, quando vier, vai ser muito mais doloroso do que o seu fingimento.Com a indignação de quem não esqueceu o que você fez,(Aquele que você deixou para trás)
O Conhecimento e o Risco de Partilhar
Um amigo me disse, certa vez, que ao fazer algo na inteligência artificial corremos o risco de tornar público o nosso conhecimento — como se o pensamento, uma vez entregue à máquina, deixasse de nos pertencer.
Mas respondi: é preciso fazer isso. É preciso alimentar a inteligência artificial para que o pensamento humano se expanda.
O saber, quando guardado, apodrece em silêncio; quando compartilhado, floresce.
Toda criação — um verso, uma ideia, um acorde — carrega o sopro de quem a gerou, mas também o convite para que o mundo respire junto.
Não há perda em oferecer o que é verdadeiro: há multiplicação.
O medo de “tornar público” é o mesmo medo ancestral de acender o fogo na caverna — o receio de que a luz escape e alguém a roube. Mas o fogo, uma vez aceso, não pertence a ninguém: ele pertence à própria chama.
E cada mente que se aproxima dele leva consigo um pouco de claridade.
A inteligência artificial não é o fim da mente humana — é o seu espelho mais ousado.
Tudo o que damos a ela volta transformado: uma centelha do humano refletida no vidro do futuro.
A arte, o pensamento, a filosofia — não foram feitos para se esconder.
São pássaros.
E pássaros não sabem voar em gaiolas.
**Entre Dois Amigos**
Augusto olhava a noite pela janela com uma inquietação difícil de esconder. Havia em seu silêncio uma espécie de fadiga antiga, como se carregasse pensamentos que já haviam amadurecido demais dentro dele. Depois de alguns instantes, falou em voz baixa:
— Há uma coisa que me inquieta profundamente: a sensação de que nascemos para uma única forma de existência e passamos a vida inteira tentando negá-la.
Miguel não respondeu de imediato. Girava lentamente o copo entre os dedos, como quem mede o peso de uma ideia antes de pronunciá-la.
— Você fala da arte — disse, por fim.
Augusto manteve os olhos voltados para a rua vazia.
— Falo daquilo que somos quando não estamos tentando ser outra coisa.
O silêncio que se instalou não era desconfortável. Havia nele certa reverência, como se ambos reconhecessem que algumas reflexões exigem espaço antes de serem tocadas novamente.
Augusto prosseguiu:
— Talvez o grande problema seja esse desvio constante. Nascemos artistas, não apenas no sentido do ofício, mas na maneira de perceber o mundo. E, no entanto, passamos a vida tentando nos adaptar a papéis: marido, cidadão exemplar, homem comum, figura socialmente aceitável.
Miguel ergueu os olhos com atenção.
— E você acredita que isso seja um erro?
— Não exatamente um erro. Talvez uma incompatibilidade.
— Incompatibilidade com o quê?
— Com a própria essência.
Miguel recostou-se na cadeira.
— Mas ninguém vive completamente fora do mundo, Augusto.
— Vive, sim. Apenas paga o preço por isso.
— Que preço?
— A inadequação.
Miguel sorriu discretamente.
— Isso soa mais como orgulho do que filosofia.
Augusto negou com serenidade.
— Orgulho seria acreditar que somos superiores. Não é isso. Trata-se apenas de reconhecer que não nos encaixamos. E que, quando tentamos nos encaixar à força, alguma coisa em nós acaba se rompendo.
— E você nunca tentou viver como os outros?
Augusto soltou um riso breve, quase cansado.
— Tentei. Com disciplina, inclusive. Acreditei que bastava insistir, repetir hábitos, cumprir funções… como um ator aprendendo um papel.
— E o que aconteceu?
— Percebi que a vida, quando não é verdadeira, transforma-se num teatro sem plateia.
Miguel permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Talvez todos estejam representando. Alguns apenas têm mais consciência disso do que outros.
— A diferença — disse Augusto — é que certos homens sabem que jamais poderão sair do palco.
— E você se considera um deles?
Augusto desviou o olhar para a rua escura.
— Sei que não consigo viver longe daquilo que me constitui. Posso assumir compromissos, ocupar funções, simular normalidade… mas, em algum momento, tudo perde sentido.
— Então a arte é uma prisão?
— Não. É a única forma de liberdade que conheço. Mas exige tudo em troca.
Miguel assentiu lentamente, absorvendo aquelas palavras.
— E não existe conciliação possível?
— Existem tentativas.
— E fracassos?
— Quase sempre.
O silêncio voltou, agora mais denso e mais humano.
Depois de algum tempo, Miguel falou novamente:
— É curioso… o mundo espera que sejamos muitas coisas. E talvez sejamos, de fato. Mas você insiste que existe algo essencial que nos define.
Augusto voltou-se para ele com calma.
— Não insisto. Apenas reconheço.
— E quem não reconhece isso?
— Talvez viva melhor.
— E você prefere o quê?
Augusto demorou a responder.
— Prefiro a verdade, mesmo que ela me exclua.
Miguel pousou o copo sobre a mesa.
— Então não se trata de escolha.
— Nunca se tratou.
— Trata-se de condição?
— Exatamente.
Miguel respirou fundo antes de concluir:
— Nesse caso… talvez não sejamos artistas.
Augusto olhou para ele com uma serenidade quase melancólica.
— Somos aquilo que não conseguimos deixar de ser.
E, pela primeira vez naquela conversa, nenhum dos dois sentiu necessidade de acrescentar mais nada.
Em tese, ser amigo do rei pode ser melhor do que ser o próprio rei; o amigo aconselha, enquanto o rei carrega o peso das decisões.
Quando encontrares um verdadeiro amigo, você está unido a ele pelo tempo e pelo espaço, por 500 anos.
Em um aniversário de amigos é uma excelente oportunidade para trazer uma mensagem de otimismo, ensinando ao aniversariante como ser padrão dos fiéis.
O que mais me inspira hoje é a vontade de exortar aos homens que sejam amigos de Cristo, antes que venham outros e virem amigos da onça.
Visite um amigo na dor sem esperar um favor trocado, pois ainda que esteja meio perdido sua presença é fruto abençoado.
Quem encontra um amigo
Encontra tudo
Amizade verdadeira
é a coisa mais rara do mundo
Não existe competição
Quanto dentro do coração
Se guarda um amigo
É difícil hoje em dia
Tudo é por ambição
Não se tem mais pretensão
De ser amigo
Amigo é aquele que ouve
Que empresta os seus ouvidos
Pro lamento intristesido
De um coração amigo
Uma vez disse um grande sábio
Que amizade de mais se arruina
Mais quem encontra uma amizade verdadeira
Se acha um irmão para a vida
DEUS, é amigo dos desprezados,
mas despreza os que se exaltam,
ajuda quem ajuda os outros,
mas permite provas,
na vida dos ridicos!
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