Amigo sem Vc Nao sei o que seria de Mim

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*Atraso Bendito*

Sempre nos atrasamos por alguma razão ou por alguém,
O ônibus que não veio, a chuva na janela,
O copo de café que caiu sem querer.

Eu reclamava do tempo perdido,
Das horas que escorriam entre os dedos,
Sem saber que o relógio conspirava a meu favor.

Foi num atraso desses, sem pressa e sem mapa,
Que meu caminho tropeçou no teu.
E no meio da correria que eu não tive,
Encontrei o que a vida inteira almejei:
(Saul Beleza)

*Pro Zé Beleza*

Sou filho do Zé Beleza, pode ter certeza,
Aqui não mora tristeza.
Ele passou deixando riso na calçada,
E proeza em cada fala contada.

Era mestre de causo e de solução,
Transformava aperto em gargalhada e união.
O que ele deixou não foi só saudade,
Foi luz, foi jeito, foi humanidade.

Se o mundo perguntar quem foi esse homem,
Diz que foi aquele que fazia tristeza ir embora.
E que o filho dele seguiu o costume:
Espalhar alegria por onde for.
(Saul Beleza)

"Cegueira"*

Teu olhar vai buscar distante
o que tens aqui,
mas você não percebe.

Se esses teus olhos
prestassem atenção no meu olhar,
saberia o quanto
meus olhos te desejam.

Eles te chamam baixinho
em cada esquina do dia.
Eles guardam teu nome
no fundo da pupila.
Mas você procura em outro lugar
o que teima em ficar bem aqui.
Mesmo que de soslaio...e calado.
(Saul Beleza

*Se um dia a gente se encontrar de novo, o meu amor vai estar igual. Só mais vivido. E se não, ele continua aqui, sem envelhecer.*
(Saul Beleza)

*"Climas Diferentes"*

Já não bastava a distância que afasta,
quilômetro virando muro entre nós.
Agora esse silêncio que machuca,
peso de palavra que não veio e ficou.

O frio que te aquece aí,
coberto, seguro, sem saudade.
E o calor que me congela aqui,
suando por dentro, tremendo de verdade.

É ironia da vida, né?
Você quentinha no teu inverno,
e eu gelando no meu verão
só porque você não tá.
(Saul Beleza)

*"SAUDADE"*
(Saul Beleza)

Gente, hoje me bateu uma saudade...
Mas não é aquela saudadezinha romântica de filme, sabe?
Não. Me bateu uma saudade VIOLENTA.

Aquela que chega igual boleto vencido.
Sem avisar. 22h numa terça-feira.
Você tá de boa, comendo arroz, e do nada: PÁ!

Porque a pessoa esteve na sua vida por MUITOS e MUITOS anos.
Quando é pouco tempo, ok. Você esquece.
"Ah, foi só um verão".
Mas quando é muito tempo... meu irmão, o corpo vira HD externo.

Eu vou no mercado e meu cérebro:
"Compra aquele iogurte que ela gostava".
Mano, ela nem mora mais aqui!
Eu tô comprando iogurte pra fantasma.

E o pior é a playlist.
Toca uma música e na hora meu corpo já sabe a coreografia da saudade.
O peito faz "tum".
O olho faz "brilha".
E a dignidade faz "some".

Aí você tenta explicar pra alguém:
"Ah é que eu sinto falta..."
Falta do quê, Saul?
Falta de tudo! Falta do café que ela fazia ruim.
Falta da briga por causa de toalha molhada na cama.
Falta até do silêncio que era confortável.

Porque quando a pessoa fica MUITOS anos,
ela vira móvel da sua casa.
Você não repara até mudar de casa e perceber:
"Caramba, aqui tá vazio. Cadê o sofá?"

E o Google ainda ajuda, né?
Você digita só a primeira letra do nome e ele já completa.
Obrigado Google. Queria esquecer, mas você tá aí lembrando.

Saudade violenta é isso.
Não é que você quer voltar.
É que você queria que ela tivesse visto você hoje.
Só pra contar uma besteira.
Só pra dizer: "olha que idiota que eu sou".

E no fim... a gente ri.
Porque chorar todo dia dá espinha.
E porque se foi tanto tempo,
foi porque em algum momento valeu MUITO a pena.

Obrigado, gente. Boa noite. E se bater saudade aí, bebe água. Ajuda em nada, mas hidrata.

*Se ela vai e volta...*
O problema não tá só nela. Nem só em você.
Tá na dança que os dois criaram.

Ela volta porque sabe que tem porta aberta.
Você aceita porque a saudade violenta grita mais alto que o orgulho.

É igual tomada e fio desencapado.
Um dá o choque, o outro encosta de novo.

*Quem tá errado?*
Ela, por brincar de vai e vem com sentimento que não é brinquedo.
Você, por confundir "voltar" com "ficar".
E os dois, por achar que tempo junto apaga padrão repetido.

O pior não é ela ir.
O pior é ela voltar e você fingir que dessa vez vai ser diferente.
E o pior do pior é você já saber que não vai.

Amor não é teste de resistência, meu irmão.
Se virou vai-e-volta, virou elástico.
E elástico estica, estica... até arrebentar na cara de alguém.

A real é: o problema tá em quem não escolhe de vez.
Ficar ou ir. Amar ou soltar.
Esse meio-termo mata os dois devagar.

E eu te pergunto de verdade:
Quando ela volta, ela volta pra somar... ou volta só pra você não esquecer ela?
(Saul Beleza)

*PRESENTE*

O passado vai estar sempre presente,
ele não pede licença,
ele senta na cama,
ele deixa cheiro no travesseiro,
ele deixa a vaga vazia,
ele deixa a porta encostada.

Ele vai estar presente no teu riso,
quando você ri e lembra que já riu assim com alguém.
Vai estar presente no teu choro,
quando você chora e lembra que já chorou por alguém.

Mas não deixa ele dirigir.
Deixa ele no banco de trás.
Ele pode olhar a paisagem,
mas não pode tocar no volante.

Jamais deixe que ele interfira em nada,
não deixa ele escolher quem você beija hoje
com medo de quem te beijou ontem.
Não deixa ele trancar a porta
que alguém deixou encostada pra você.

Porque só assim,
só quando você para de brigar com o ontem,
o futuro te presenteia.

E ele te presenteia simples:
com um endereço novo,
uma vaga nova,
uma cama que ainda não tem cheiro,
mas tem espaço.

O passado fica,
mas o futuro...
o futuro te abraça.
(Saul Beleza)

*Estafeta*

Você quer algo sério?
Porque se não quer,
é melhor a gente seguir um rumo.
Não um rumo juntos.
Um rumo cada um pro seu lado.
Eu me apego fácil.
Eu já tô me apegando agora
só de escrever isso.
E isso vai me fazer mal.
Vai me fazer virar boneco de novo,
coleção, diversão.
Eu não quero ser teu quase.
Eu não quero ser teu depois a gente vê.
Então me diz agora, sem soslaio, sem arapuca:
Você quer algo sério?
Se não,
segue tua vida
que eu juro que tento seguir a minha.
Mesmo com a porta encostada.
Mesmo com teu cheiro no travesseiro.
Mesmo sendo nada pra ti.
Eu sigo.
Mas se for pra ficar,
fica direito.
Porque meu coração não sabe ficar pela metade.
Ou ele fica inteiro,
ou ele se quebra inteiro.
(Saul Beleza)

condenado sem culpa.

que culpa ela teve
se eu não soube amar?
nenhuma.
ela veio inteira,
eu vim com medo.
ela veio com tempo,
eu já vinha atrasado.
A vida foi curta
para nós dois,
e longa demais
para o que eu não fiz.
Agora carrego
o que não dei:
o amor que ficou preso
na garganta.
e ela se foi
leve,
sem culpa.
e eu fiquei,
condenado
não por ela,
mas por mim, que não soube dizer o quanto amei.
(Saul Beleza)

Eternamente

Não quero que esse amor seja eterno.
eterno pesa,
eterno prende,
eterno cansa até o que é bonito.
e se for pra ser eterno,
que eu morra
sem te amar de verdade.
que eu morra amando pouco,
amando torto,
amando de longe.
porque te amar de verdade e pra sempre
seria morrer todo dia
um pouco mais.
(Saul Beleza,)

Sem despedida


não me cobre uma despedida.
basta que eu suma da tua vida
sem deixar marcas,
sem barulho,
sem cena.
despedida é abandono que dói,
é palavra que corta,
é porta que bate.
eu prefiro ir
como quem nunca esteve,
do que ficar na tua memória,
como quem faz doer na hora de ir.
(Saul Beleza)

Se quiser
tem um quartinho ali nos fundos,
fique à vontade.
não é o quarto principal,
não tem vista bonita,
mas tem silêncio
e cabe alguém que não quer fazer barulho.
pode deixar suas coisas espalhadas um pouco,
pode chorar baixinho se precisar,
eu já me acostumei com visitas
que ficam pouco.
só tem outra coisa,
quando sair
arrume toda a bagunça,
aquela que você fez,
e aquela que já estava antes de você.
apague as luzes,
feche as janelas,
não deixe cheiro,
não deixe recado na geladeira.
E principalmente,
não esqueça nada,
nenhum casaco,
nenhuma desculpa,
nenhum beijo pela metade.
para que não precise
vir buscar.
porque quem volta pra buscar,
volta pra ficar,
e eu já não sei mais receber mais ninguém.
Não venha me bagunçar de novo.


(Saul Beleza)

Não tenho mais aquela eloquência ao teu ouvido,
não nos abraçamos mais com carinho,
não nos beijamos mais com desejo.
Nossa conchinha se separou,
ficou um espaço frio no meio da cama,
onde antes cabia o mundo.
Nossas gargalhadas não têm mais graça,
viraram riso sem vontade,
só pra disfarçar o silêncio.
Nosso banho é cada vez mais curto,
antes era demora,
agora é pressa de sair.
E o nosso amor...
esse nosso amor?
onde foi que a gente se perdeu
dentro da própria casa?
A gente ainda se ama,
ou só tem medo de admitir.

*- Saul Beleza*

O amor não pode esfalfar.
Ele tem que ser estimulante,
gratificante e duradouro.
Amor que cansa, pesa e esgota,
não é amor, é fardo.
Amor de verdade é descanso,
é fôlego,
é vontade de ficar.

*- Saul Beleza*

Se você não vier alegrar a minha sexta-feira,
tenha certeza...
eu serei a alegria
no sábado de alguém.
Não é ameaça,
é amor-próprio.
Quem não valoriza a minha presença,
vai ter que lidar com a minha ausência.

*- Saul Belezza*

Não posso amar sozinho.
A madrugada é fria
e eu rolo na cama vazia
sonhando contigo.
O lençol não te abraça como eu,
o travesseiro não tem aquele teu perfume que me entontece e fica jogado no piso frio e sem brilho,
e a noite...
ah, a noite não acaba sem você aqui.

*- Saul Beleza*

Quem deveria estar aqui comigo
nesse exato momento,
era você.
E não as tuas lembranças
espalhadas pela casa,
no cheiro por todo quarto,
na xícara que ficou pela metade.
Quem deveria me abraçar agora
era você.
E não essa saudade fria
que deita do meu lado
e finge ser teu corpo.
Quem deveria me dizer boa noite
era você.
E não o silêncio
que repete teu nome
a noite inteira.

*- Saul Beleza*

Lembra do passado,
mas não mora nele.
Vive o presente,
porque é só nele que a gente se toca.
E tem esperança
de um lindo futuro.
Porque o que foi bonito nos ensinou,
o que temos agora nos sustenta,
e o que vem pela frente
pode ser ainda maior.

Saul Beleza

Tentei abrir a porta
de um mundo que não era o meu,
forcei a fechadura com a alma,
achei que ali morava o céu.
Entrei descalço, com fé,
achei que era amor,
mas lá dentro não tinha meu nome,
só tinha esplendor que não era pra mim.
Foi tudo ilusão,
um filme lindo que eu criei sozinho.
Eu e você...
dois caminhos bonitos,
mas que nunca se cruzam no fim.
Cada um com seu destino já traçado,
e eu aqui,
aprendendo a fechar portas
que nunca deveriam ter sido abertas.

Saul Beleza