Amigo Leal
Errei com pessoas chaves. Que poderiam ter mudado meu rumo.Agora, me sobrou o consolo do sono noturno, e mais nada.
A vida não é mar de almirante , nem céu de brigadeiro. A vida é contingente, é acidentalmente perfeita. Conturbadamente segura.
"Alguém me disse um dia que eu não gosto de esportes radicais. Respondi:' Como não? Viver é tão seguro assim?'
"E ele não deixo ela terminar, a beijou entre o hiato das palavras. Ela se perdeu no que ia falar. O alfabeto sumiu."
Nem tudo pode-se dizer ou admitir para alguém, alguma coisa;
afinal, as pessoas gostam de usar daquilo que sabem de você, para lhe atingir, favorecendo a elas.
"Era como nos velhos tempos, era bom saber que ainda arrancava sorrisos sem querer.Era um lamento,mas ao mesmo tempo uma aliviante alegria."
Não tenho a pretensão de consertar o mundo e nem as pessoas, mas procuro me manter em vigília 25 horas por dia, e moverei o céu e a terra, se preciso for, para que nem o mundo e nem as pessoas me estraguem ou me impeçam de pensar.
Eu vi o menino no lixo,
Eu vi o urubu...No luxo.
Que prato vai comer o bicho?
A carne ou o lixo?
Quem é lixo?
Quem é carne?
Quem é bicho?
Quem viu adiante o destino,
Tendo a frente um futuro nu?
Terá sido o urubu-menino?
Ou foi o menino-urubu?
Altair Leal/ direitos reservados
poesia publicada no livro
Marginal Recife vol.05
