Amigo Imaginário
Antigamente, quando eu era pequeno, as crianças tinham amigos imaginários. Agora os mais crescidinhos têm perfil fake.
É normal que uma criança acredite em amigos imaginários, mas continuar acreditando depois de crescer, isso deixa de ser normal e passa a ser doença.
Se eu tenho amigos imaginários?
Claro que eu tenho, eu sempre tive conhecidos que se diziam ser meus amigos, mas, na verdade, nunca foram. Aliás eram, sim, apenas na minha imaginação.
Vai iniciar algo novo?
Se preserve...
Conte só para seu amigo imaginário e mentalmente.
Caso contrário: tudo evapora... - Ru Aisó
O erro é um amigo imaginário que, às vezes, expõe suas peripécias. Geralmente o faz, quando menos esperamos. Ele entra na brincadeira, a qual denominamos vida, e permite com que aprendamos a seguir por caminhos ou descaminhos. É comum que queiramos evitá-lo, mas suas travessuras não nos abandonam. Para esquivar-se do drama, basta convidá-lo para uma dança, numa valsa em que, conduzindo-o, amadurecemos.
Amigo
Através de um cordão umbilical imaginário fizemos-nos irmãos da vida.
Tijolo por tijolo, a casa que nos edifica.
Fizemos-nos amigos na calçada de casa,
e hoje, a saudade soou, nos versos da saudade.
Fizemos- nos amigos através do abraço.
Abraço que enlaça nossa alma.
Abraço que enlaça nosso amor.
Através de um cordão umbilical imaginário fizemos-nos irmãos da vida.
Tijolo por tijolo, a casa que nos edifica.
Através de sua alma, fizemos- nos irmãos da vida.
Nalgum lugar da vida, fizemos- nos irmãos da vida.
E, nalgum lugar da vida, enlaçamos nosso amor.
Através de um cordão umbilical imaginário
Fizemos- nos irmãos da vida.
Tijolo por tijolo, a casa que nos edifica.
Ao Observar as crianças
Brincarem com seus,
Amigos imaginários percebi,
O quão ser, solitário não te,
Faz sentir-se sozinho.
O Amigo Imaginário
Deus, o amigo imaginário da humanidade. Uma projeção de nossos anseios, medos e esperanças. Ele não existe, mas sua sombra paira sobre nossas mentes.
Quando crianças, inventamos amigos invisíveis para nos acompanhar nas aventuras. Deus é o amigo adulto, o consolo nas noites escuras. Criamos rituais, erguemos templos, sussurramos preces. Mas Ele permanece em silêncio.
Minha inteligência, como uma lupa implacável, queima as ilusões. A fé é uma fumaça que se dissipa. O mundo, sem Deus, é um palco sem cenário. Somos os atores, os roteiristas, os diretores.
Às vezes, olho para o céu e vejo apenas átomos colidindo. Não há mãos divinas, apenas leis da física. A vida, um acidente cósmico, não tem propósito além da sobrevivência.
Mas, paradoxalmente, sinto falta do amigo imaginário. Ele preenchia os vazios, dava significado às tragédias, prometia vida após a morte. Agora, enfrento o vazio sem ilusões.
Deus, se existisse, seria um poeta silencioso. Suas palavras ecoariam nas entrelinhas da realidade. Mas, como um personagem de ficção, Ele se dissolveu em nossas mentes.
E assim, na minha descrença, encontro uma espécie de saudade. Não do Deus real, mas da esperança que Ele representava. Talvez a busca por sentido seja nossa maior criação.
