Amiga ele Nao te Merece
Já me perguntaram a razão de tantos pensamentos lançados sem destino certo. Respondo que não escolho fazê-lo, pois que brotam de mim como lavas de um vulcão a que não resta alternativa senão lança-las para fora. Assim como ao pensador, ao vulcão não importa que distância alcançam, e menos ainda o tipo de terra que cobrem. O que a ambos suscita é que a mesma lava que parece tão destrutiva no momento da erupção, ao longo de toda a eternidade continuará fertilizando o solo que a acolhe.
Qualquer pessoa que te inspira a ser melhor do que és é aquela que não deves poupar esforços para ter sempre por perto. Contudo, nas que percebes claros sinais para te tornarem pior do que já foste algum dia, o bom-senso manda que te mantenhas à mais segura distância que possas.
A percepção da realidade não é uma escolha, mas um despertar espontâneo e automático como o que nos é oferecido todas as manhãs, após uma noite de repouso obrigatório: os olhos se abrem e somos avisados pelo cérebro de que acordamos. Porém, fica na decisão de cada um erguer-se ou aceitar o convite da preguiça para voltar a dormir por quanto tempo consiga. Mas a paciência da mente cósmica também é limitada: em dado momento terá que decidir entre levantar-se ou aceitar o coma de modo irreversível.
O que me impele a “deletar” alguém do meu contexto de vida não é sua limitação cognitiva, mas quando exibe sua ignorância como um tributo à imbecilidade deliberada e, pior ainda, quando se orgulha dela como se fosse a consagração vista pela ótica de um asno.
Para quem não acredita nenhuma evidência é suficiente, e para quem acredita nenhum argumento é necessário.
A ruptura com o estabelecido em qualquer meio social nem sempre – ou até na maioria dos casos – não se trata de escolha, mas de necessidade inadiável para resgate do estado de normalidade. Pode-se dizer que a diferença entre um povo pacífico e uma legião de extremistas fanáticos não é sentida apenas na forma como atuam para consegui-lo, mas também pelo tamanho do pavio. O que está acontecendo é que nossos governantes ainda não acordaram para o fato de que estão diminuindo a distância entre um e outro, bem como reduzindo em ritmo acelerado o tamanho de ambos os pavios.
Não importa qual dos extremos você acabe defendendo nem a falta de opção que use para justifica-lo, que sempre será lembrado não apenas como “um deles”, mas tendo ainda o agravante de que o lado escolhido pelo menos tinha vontade e ideias próprias, e você, indigna e covardemente, abriu mão das suas.
A vida é uma professora rígida e impiedosa, porém honesta. Ela nos ensina que os que não se calam e não aceitam a infâmia sob o manto da falsa harmonia são os que acabam alijados como incômodos, pois que não compactuam com as mentiras que todos preferem ostentar para não terem maculado seu histórico de pessoas “bem resolvidas”.
Não se engane: os culpados de todos os conflitos humanos acabarão sendo sempre as vítimas – porque não se calaram – e os que lhes tomaram a defesa, porque se indignaram.
Equivocam-se os que defendem o perdão incondicional, pois que não se presta a semear a consciência do erro e tão somente confirma a crença de que o mal compensa. Se devesse ser concedido a todos sem distinção, o divino Crucificado não usaria o chicote para expulsar os mercadores do Templo, nem teria direcionado o perdão aos que "não sabem o que fazem" em seu momento mais supremo. Daí nunca haver pregado sua concessão indiscriminada aos conscientes e contumazes, e muito menos àqueles que escolheram não considerar qualquer correção de rota.
Não tenho qualquer pretensão de ser perfeito, e quero continuar humano o bastante para cometer erros, apenas trazendo a certeza de os haver cometido com as pessoas certas.
Só não se engana quem não ama.
Só não erra quem não se importa.
Só não cai quem não se levanta.
Só não aprende quem nunca acorda!
Não subestime a capacidade criativa de gente não confiável: elas conseguirão surpreendê-lo nas coisas mais inusitadas e improváveis!
Resumir o homem ao seu universo visível não passa de uma grotesca simplificação do infinito por quem coloca um ponto no final do prólogo pra não se dar ao trabalho de ler o livro.
Ainda que não sendo fácil aceitá-lo, a receita para a harmonização interna permanece inalterável: Não queiras mais do que precisas, nem pede além se já tens o necessário. Dá aos outros o que podes e não sofre com o que não podes. Dá a ti mesmo as soluções para o que surge e oferece-as aos outros com a consciência dos teus limites. E caso para eles não seja o bastante, busca auxílio no limite do indispensável.
Qual a melhor parte de não esperar que os outros façam nada por você? É que os seus dois lados – o que faz e o que recebe – estarão sempre buscando o mínimo que não sacrifique o outro: seu lado servidor só irá fazê-lo até o ponto em que o consiga, e o lado servido sabe que precisa respeitar esse limite para continuar recebendo. Com isso o todo encontra harmonia automática entre o que se quer e o que se pode, mantendo-se imune a frustrações ou sentimentos de culpa e sem cobrar nada além do necessário para sentir-se satisfeito e feliz. Nossas relações conseguiriam o mesmo se exigíssemos dos outros o mesmo que cobramos de nós mesmos.
O que pode nos acontecer de pior não é morrer antes de chegar aos 100 anos. O pior mesmo é atravessar um século inteiro e não aprender nada com isso.
Diante da parte imensurável que não se conhece, o inexplorado pode ser no máximo improvável - algo do que meramente ainda não se obteve as provas - o que não é a mesma coisa que "inexistente".
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