Amar um Inutil

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A beleza sem graça é um anzol sem isco.

O homem que criou a ideia de Deus foi um génio.

Um asno será sempre um asno, mesmo se o cobrires de ouro.

A verdadeira história de um ser não está naquilo que fez, mas naquilo que pretendeu fazer.

Na mesma noção de corpos em arte
Nós somos um símbolo
Mistério de ser.

Preso na cascata
um instante:
o verão

Há quem creia ser um grande escritor porque todos o lêem; e há quem creia ser um grande escritor porque ninguém o lê.

Não importunes um homem cuja amizade prezas, pois o mendigares dele te desacreditaria no seu conceito.

O gosto de contentar um amigo é um demónio tentador.

Todo o cumprimento é uma sujeição. Obriga a um cumprimento maior.

Flores

De um pequeno degrau dourado -, entre os cordões
de seda, os cinzentos véus de gaze, os veludos verdes
e os discos de cristal que enegrecem como bronze
ao sol -, vejo a digital abrir-se sobre um tapete de filigranas
de prata, de olhos e de cabeleiras.

Peças de ouro amarelo espalhadas sobre a ágata, pilastras
de mogno sustentando uma cúpula de esmeraldas,
buquês de cetim branco e de finas varas de rubis
rodeiam a rosa d'água.

Como um deus de enormes olhos azuis e de formas
de neve, o mar e o céu atraem aos terraços de mármore
a multidão das rosas fortes e jovens.

Meus filhos nunca gozaram de um privilégio que eu tive: nascer pobre.

Com que direito os deuses imortais rebaixariam um homem virtuoso ao ponto de o recompensar?

O espectador, considerado individualmente, é por vezes um homem inteligente; mas os espectadores, considerados em massa, são um rebanho que o génio ou até o simples talento têm de conduzir de chicote em punho.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Que grande peso é um nome demasiado famoso.

Cada um quer apoderar-se daquilo que só pertence a todos.

Disse um dos nossos estadistas: «A maldição deste país são as pessoas eloquentes».

Escreve claro quem concebe ou imagina claro; com vigor, quem com vigor pensa, por ser a língua um vestido transparente do pensamento.

Nunca vi ainda um homem que analise tão profundamente os seus erros que se acuse a si mesmo.