Amar um Inutil
Coletânea contraditória,
Rompendo com a dita cautela,
Ele faz sua dedicatória,
Uma sinfonia, um Hino a Ela.
Um Hino a Ela
Ensaiei, ditados inexistentes,
Martelei, aforismos famosos,
Revisei, a locução convincente,
Repassei, teus tiques nervosos,
Consultei, os baralhos videntes,
Aceitei, teus ataques mimados,
Pratiquei, as vontades urgentes,
Como os gomos, fomos tão atrelados,
Inventados, em notações e lembretes,
Findando, eis o resultado:
Na declaração que ressoa,
Falo a ti na primeira pessoa.
Prevemos o imprevisto
E não nos prevenimos,
Somos improváveis
E imprevisíveis.
Nossas precauções,
Não foram precavidas
E na pressa persistimos,
Permanentes, inalteráveis,
Incontroláveis, irreprimíveis.
Somos improváveis
E imprevisíveis !
Na declaração que ressoa,
Falo a ti na terceira pessoa.
Coletânea contraditória,
Rompendo com a dita cautela,
Ele faz sua dedicatória,
Uma sinfonia, um Hino a Ela.
Analogia duma Antologia, uma sinfonia, um Hino a Ela.
Ex-pediente
Insuportável calor,
Mormaço infernal.
Um cordão avermelhado
Cingia teu pescoço.
Mantinha-se deslizante,
Na aflição apavorante
De que alguém entrasse.
Não fazia nada de errado,
Era nem tão bom
Em coisa nenhuma.
Tolamente cumpria sua função.
Atmosfera densa,
Produzindo superiores
Oprimindo subordinados;
Colegas delatando,
Colegas delatados.
Cadeia alimentar empresarial,
Subsistindo a plenos sacrifícios.
Desequilíbrio profissional,
Rondando os indivíduos,
Que compunham aquele
Inacertável grupo
De péssimas pessoas.
Constranger o adulto, animar criançada,
Atiçar um tumulto, disparar a risada,
Anular timidez,
Estrear temporadas,
Inteiras, lotadas,
Entradas fechadas.
Par de brincos e um adorno,
Uma foto três por quatro,
As pantufas, as polainas,
Enlace firmado em contrato.
Seus sussurros versus meus urros
No aposento alagado,
Um acervo apinhado,
A morada do que marcou.
Par de brincos e um adorno,
Uma foto três por quatro,
As pantufas, as polainas,
Enlace firmado em contrato.
Seus sussurros versus meus urros
E você me vence,
Perco Feliz.
Encharcado e remendado,
Bate o arrependimento,
Desbarrancado e resgatado,
Que pende e não decai.
Tornando a remoer,
O que foi abandonado,
Rever o insuperável
Sendo superado.
Seus sussurros versus meus urros
E você me vence,
Perco Feliz.
Absolvição de um Pecado Imperdoável
Perdoe-me Pai.
Peço desculpas Senhor todo poderoso,
Peço que me absolva Deus meu, porque errei,
Um erro imperdoável (inaceitável).
Transgredi o mais importante,
Grandioso e definitivo mandamento
E como se não fosse o bastante,
Violei também o segundo maior,
Aquele que o teu próprio filho proclamou.
Mas não espero que me perdoe,
Não espero perdão, por cometer
A mais grave dentre todas as faltas,
Porque meu pedido não é sincero,
Não, não o é.
Se me entregasse à sinceridade,
Expondo-lhe tudo aquilo que interiorizo,
Lhe confessaria que descumpri
Os mandamentos mais sagrados,
Pois acurralado por meus sentimentos,
Não pude defender-me e cedi.
Cedi ao que me foi avassalador,
Dominante, devorador, atropelante,
Predominante, preponderante.
Cedi a Ela.
Entreguei-me a Ela.
Vendi-me a Ela.
Engrandeci, amadureci, desfaleci,
Me restitui por Ela.
Te amei mais do que me amei.
Te amei mais do que ao próximo.
E em meu pecado imperdoável
Te amei mais do que a Deus
E sobre todas as coisas.
Contudo, se o ato de amar liberta,
Cumpro minha pena livre.
Sou um condenado,
Obrigado a responder em liberdade.
Te amei mais do que me amei.
Mais do que ao próximo.
Mais do que a Deus.
Mais e sobre todas as coisas.
Ps. Absolvição de um pecado imperdoável,
concedida a um condenado respondendo em liberdade.
Esmalte Craquelado
Faiscava mais
Que um colar de strass,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.
Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan.
Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.
Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.
Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.
Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.
Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.
Síntese Nossa em Minha Sinopse
Sinto-me fraco,
Síndrome da falta,
Porto um vácuo,
Uma pausa na pauta.
Estagnado em minha lauda,
A cobertura sem a cauda.
Ouso escutar a cantoria,
Ouço executar a sinfonia,
Simpática força que culmina.
Sinto-me Senhor
Da minha própria sorte,
Síntese nossa em minha Sinopse.
Sou sua serifa,
Tu és minha haste,
Me mantém proporcional,
Irracional em minha arte.
Não escrevo mais
O que vem da inspiração,
Pira-me a tua tenaz convicção.
O diário está mudo,
Nada mais me diz,
Fui criado graúdo
E a grafia não condiz.
Mas antes de ontem
Se antecipou,
Hoje é a conseqüência
Do que passou
E também somou
E tão bem semeou.
Sinto-me Senhor
Da minha própria sorte,
Síntese nossa em minha Sinopse.
Sente-se agora,
Sinta-se com vontade,
Sossegue e levante sem alarde,
Ainda não é tarde
Para aliar, para obter, para habitar.
Sinto-me Senhor
Da minha própria sorte,
Síntese nossa em minha Sinopse.
Poderia ser um índio anônimo,
Impetuoso em seu frenesi,
Mas consagrou-se como São Gerônimo,
Salvador dos Apaches, protetor dos colibris.
Presentearam-no com usura,
Na fúria que se sucedeu,
Vinte anos de clausura,
Por um crime que não cometeu.
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