A beleza do amanhã mora nas tarefas invisíveis de hoje. Enquanto espero milagre, faço as coisas pequenas com exatidão. Lavo pratos, escrevo bilhetes, rego vasos sem testemunhas. Pequenos atos acumulam-se e, sem barulho, erguem futuro. E o amanhã, quando chega, parece menos miragem e mais casa.
Sinto falta de uma infância que talvez nem tenha existido, um tempo de barro e sol onde o amanhã era apenas uma hipótese irrelevante. Hoje, o futuro é um monstro que se alimenta das minhas horas de sono, sussurrando que o tempo é uma ampulheta cheia de vidro moído.