Alma
Que a sua boca se torne a adega onde a minha alma bebe o vinho do esquecimento de todas as tristezas passadas.
A cura é um ofício demorado, a alma não se regenera, ela é pacientemente remendada, ponto a ponto, com o fio da perseverança.
O fardo da alma não é a matéria que nos pesa, mas o custo da teatralização de uma leveza que inexiste.
Há uma serenidade selvagem em entender que certas feridas da alma não precisam de testemunhas, apenas de silêncio para cicatrizar.
A exaustão transcende o físico: é a fadiga da alma que trava uma guerra invisível nas trincheiras da própria consciência.
Deixar ir não é amnésia emocional, é a cirurgia de sobrevivência que a alma exige para preservar seu futuro.
Existe uma estética da resistência na alma que, sob a compressão do fardo, escolheu o florescimento em vez da ruptura.
O cansaço existencial é o alarme da alma exaurida pela dieta forçada de superficialidade que a rotina impõe.
Perdemos a vida tentando mapear o oceano da nossa alma para quem só possui a capacidade de navegação em águas rasas.
O terror não reside na intensidade da tormenta, mas na secura da alma que se recusa a invocar a Fé no meio do caos.
O Milagre diário é o sim renovado à jornada, quando todas as circunstâncias gritam o óbvio e a alma escolhe a permanência n'Ele.
O medo é o custo da negligência da alma, o sintoma visível da oração que foi insistentemente adiada.
O corpo cansa, mas a alma só se exaure quando a fé na mudança se torna mais leve que o peso do passado.
Nessa nova ordem, onde o divino se curva à força sedutora da luxúria, a alma rebelde abraça o erro. O olhar, revelação mundana do desejo, provoca uma mudança de rumo para o proibido, criando um culto falso onde o poder da fé se desfaz em chama louca. A conexão entre culpa e satisfação se mistura, assegurando que o ciclo vicioso da paixão jamais termine.
A melhor versão não é definida pela vitória, mas pela obstinada resistência da alma ligada ao Alto, mesmo na derrota.
A sociedade ovaciona o palco, mas a metamorfose da alma é um evento silencioso, forjado na solidão dos bastidores.
