Aline eu te Amo
Faz assim não. Não me liga perguntando o que foi que aconteceu comigo. Não questione minha decisão. Tive que fazer o que foi preciso para preservar minha sanidade emocional. Ver você assim todos os dias estava me cortando a pele. Tão lindo e tão bobo. Nem percebe que você está nos meus pensamentos mais sórdidos, e não nos meiguinhos.
Minha mente é realmente suja. Ele lá de pé me explicando como o trabalho dele é importante e grandioso, e eu ali... só imaginando a grandiosidade que ele poderia ter sob a calça.
Bebe amor. Pode beber, é no álcool que você encontra a coragem para me dizer as tais insanidades que estão guardadas. E que essa pose de homem sério, culto, não permite mostrar.
Bebe amor. Que essa noite eu fico sabendo o que fazer para deixar um pensamento de quero mais.
Vou ficar em formação para amar, andei me preparando para entrar novamente ao tal negócio. Limpei tudo que estava empoeirado, arrastei alguns ex amores para fora do Ap. Joguei um cloro naquelas marcas que teimavam em ficar, e olha só. Não é que sumiu. Agora sim, pode entrar.
Querido tempo a quantos anos não nos falamos não é ?! Parece até que não somos mais amigos,antigamente costumávamos nos divertir juntos,olhar as paisagens,os sorrisos então ... Os sorrisos pareciam eternos ao seu lado, mas infelizmente como tudo você também é imperfeito.
Mostrou me que igual aos sorrisos a saudade ao seu lado torna-se traiçoeira e dolorosa,mas mesmo assim te agradeço velho amigo por me proporcionar momentos dos quais você jamais me fará esquecer.
Não sou analgésico,
Não sou antibiótico,
Não sou termogênico,
Não sou tarjada,
Nem injetável,
Nem gotas,
ou pastilha,
Muito menos comprimido,
quiça pílula.
Sou as letrinhas miúdas,
Sou o que muitos ignoram,
no fundo da caixa,
no fundo da vida,
Não trago a cura,
Nem proporciono conforto,
Não ajudo a dormir,
Ou dou paz.
Sou a exaltação da contra indicação,
e dos efeitos colaterais.
Gosto do desafio de crer no que não se vê,
Gosto da química imperfeita que salpica emoções,
Gosto da brisa de primavera e da chuva breve,
Do cheiro do orvalho, do impalpável vento e suas canções...
Sou um pedaço de confusão sendo levada pelas águas
Sou o que chamam por aguada, me falta açúcar e tenho pouco sal,
Sou a chuva enlatada, a fruta consumida.
Sou um circulo entre retas, a cegueira com visão,
Demorei a perceber...
Que a vida é como um rio,
Correndo em uma só direção.
Exceção
“- (...) o murchar das flores é o sinal do nascimento dos frutos; e dos frutos vem a semente e o ciclo do coração... se as flores não murcharem, como há de existir frutos e sementes? Até os lírios murcham.
- Eu queria que as flores durassem para sempre.
- Assim como as primaveras?
- Mas a gente guarda pelo menos a lembrança delas, não é? De certo modo, elas nunca morrem. Entende?
- Entendo. Também concordo. Se você quer eternizar é só guardar direitinho, como uma flor dentro de um livro.
- Eu tenho flores guardadas assim.
- Eu tenho amores guardados assim.”
Engraçado que independentemente do tempo correr ou passar se arrastando, a gente tá no mesmo lugar, morrendo de saudade um do outro. Não importa se um dia foi espinho ou se já é flor de novo, eu te guardava – e guardo – de todo jeito, desde sempre. Você bem sabe dessa minha mania de passado, essa coisa de lembranças, detalhes. Canceriana demais. Cancerianos demais.
Amor-amizade: talvez a melhor definição de alguma coisa que a gente já fez. Esse amor raro, misturado, feito para nos levantar e derrubar ao mesmo tempo. Tão nosso. A gente nunca conseguiu se deixar ir. Mesmo com todos os desapegos, tentativas de expulsar de dentro do coração, investidas falhas e limites incertos: a gente nunca parou de se guardar. Nem que tenha sido de uma forma escondida ou escancarada - mas mentida -, a gente nunca conseguiu quebrar nossa promessa. Nem mesmo quando a primeira música que te mostrei dizia que eu ia embora.
É bom saber que no fundo, no fundo, a gente nunca mudou. Nem iremos. Uma delícia ouvir que ainda te causo sorrisos. Você sabe que por aqui também. O jardim continua bagunçado, como sempre, mas bem cuidado. A cada flor que nasce, lembro do significado de “cativar”. Lembro de você, nem que por meio segundo. Lembro tanto de como me deixei ser cativada por uma pessoa tão inconstante quanto eu. Logo nós, que mesmo tão cancerianos, temos toda essa falta de certeza.
A gente sempre vai ser esse parêntese em aberto.
Guardo flores assim. Cartas, caixas. Você.
Amores também.
Quantos mil degraus?
Cair do telhado e quebrar a perna, jamais impediu que prosseguisse naquela busca insana por um pedaço do céu. Planejava ter uma escada tão alta, apoiada no Everest, para contar com exatidão quantas estrelas habitavam no espaço e tocar o firmamento com a ponta dos dedos.
Desde que nasceu lhe ensinaram a olhar para o alto. Jamais baixar os olhos diante qualquer desafio que a vida colocasse em sua frente. Seu paraíso era ali, o agora, o momento de incerteza e de acreditar em adivinhações tolas do futuro. Foi assim que decidiu escalar as montanhas, pular alguns muros velhos e despintados e colocar seu balanço feito de pneu em meio os prédios da cidade.
Mas por mais que subisse todos os degraus, o firmamento continuava distante. Teve a impressão de que não passava de uma ilusão de óptica, um delírio de consumo impagável, o máximo que seus olhos conseguiam ver. Mas ainda assim era azul. Azul celeste.
Olhou outra vez para o céu.
__ E aí, será que chove?
Perguntou o cara parado ao seu lado, enquanto esperavam o ônibus que estava atrasado como sempre.
Ainda precisava perder o medo de altura.
Sobre mares, olhos e chuvas
Tô me guiando na sorte, pelo acaso. Coisa rara, de uns tempos pra cá. Quem sabe até dê certo, valha o risco que a gente corre cada vez que insiste em abrir a alma e deixar pegar no coração. Sim, não. Talvez. As incertezas nunca foram tão certas.
Mesmo que as palavras acabem, ainda existem os olhos. E os olhos, benzinho, duram uma eternidade. Nem que o coração salte pela boca e a gente prenda no último instante; nem mesmo quando esse músculo tá cansado, parando de bater: os olhos ficam com a gente, custe o que custar. Mesmo sendo involuntário ver o reflexo dos seus quando fecho os meus, no interior das minhas pálpebras. Mesmo doendo, os olhos continuam bem guardados. Perto, longe, não importa. Vejo teus olhos daqui; eles conversam com os meus.
Entenda logo como sou e saiba me contornar vez ou outra. É que essa minha mania de contradição acaba atrapalhando muita coisa e eu vou ficando cada vez mais perdida dentro de mim. Quero que você fique, mas vai ter um momento em que vou espernear e pedir pra você desancorar o seu barco do meu cais: não vá, é só confusão minha. Quero mais é que você fique e explore meus mares. Entenda que minha maré é muito difícil de prever e que quase lua nenhuma dá jeito nisso. Entenda que você me dá vontade de navegar até onde for possível, só pra poder te encontrar de novo, no caso da gente se perder. Sou tempestade em copo d’água, mas quero que você me derrame por aí. Me espalhe, me guarde. Entenda que quase sempre isso aqui tá uma bagunça, mas se for problema dos grandes, eu dou um jeitinho de arrumar a casa. Mas quero que você mergulhe no meu mar, sim?
Hoje a maré tá calma. Com vontade de você, cada vez mais. Chove um pouco. A areia tá toda pontilhada, marcada da água, sabe como é? Acho uma delícia andar pela praia quando o chão tá assim, fazendo cócegas nos pés. Gosto quando a chuva sai de mim e vai molhar o mundo.
