Aline eu te Amo
Você errou. Mesmo depois de eu ter te dado mais uma chance. Mesmo depois de eu ter confiado em você, contrariando todos os conselhos que recebi. E eu me culpei, achei que fui ingênua, muito inocente por ter acreditado em você, acreditado no amor, em segundas chances. Mas quer saber? Eu não deveria carregar esse peso, ele é só seu.
Foram várias tentativas até aqui, e mesmo quebrado, eu conseguia me quebrar em mais e mais pedaços. Estamos sempre em busca da resiliência, e não sabemos o quão duro é suportar certos trincos em nosso tão cristalino coração.
Há bem pouco tempo eu queria seguir com você num caminho sem fim.
Hoje é tão bom respirar fundo e dizer: você não significa mais nada para mim!
Eu escolhi plantar sementes de amor... Agora colho o que plantei. E você, o que estará plantando no terreno da vida?
Agora você volta
E balança o que eu sentia por outro alguém
Dividido entre dois mundos
Sei que estou amando, mas ainda não sei quem
E eu, com muito mais consciência para sentir sua morte dessa vez. Imenso prazer que vem acompanhado da dor.
O medo de que eu fosse seguir seus passos começou a se desfazer, mas eu continuei achando que você, Elena, estava dentro de mim, era um estar em mim...
Poema Melancólico – Hemorragia da Alma
Eu te amei com uma fidelidade ingênua,
daquelas que a gente oferta sem cautela,
como quem deposita o coração inteiro
numa promessa frágil, de aparência tão bela.
Mas tu eras narcísica inconstância,
um vazio requintado em forma de gente,
um afeto de porcelana: vistoso,
mas que se estilhaça facilmente.
Eu, tolo, fiz vigília sobre teus silêncios,
buscando migalhas onde só havia desdém.
E cada gesto teu — tão miúdo, tão ínfimo —
era um corte discreto, mas profundo também.
Hoje trago no peito essa hemorragia etérea,
sangramento que não se vê, mas consome.
Um padecer sem alarde, clandestino,
que corrói o que resta do meu nome.
E percebo, enfim, com amarga lucidez,
que o amor que te dei, vasto, plúmbeo, inteiro,
não foi capaz de redimir tua secura,
nem de salvar meu próprio travesseiro.
Resta-me agora a cura lenta e austera:
recolher meus cacos com serenidade tardia,
e permitir que o tempo, senhor indulgente,
estanque o que sobra dessa triste hemorragia.
Você diz: Eu não queria amar ele, mais acabei me apaixonando.
Eu digo: Eu queria amar ele, mais acabei não me apaixonando.
