Alguem que Voce Gosta te Chama de Irresponsavel

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"Qual pipa não sonha em ser livre, sabendo que para ela voar tem que estar presa à alguém".

“Sempre evito lugares fechados, onde não posso sair quando alguém peida e quando começam uma conversa inútil.”

⁠"Quem quer aprender, não espera alguém ensinar."

⁠"Homem e mulher são como flores, muito fácil de cuidar, mas quando alguém deixa de regar, o relacionamento morre."

"Não adianta dar conselhos a alguém que não consegue esquecer o caminho da ignorância."

"Não existe algo no mundo que não pertença a alguém."

"Por que a vida deveria dar uma oportunidade a alguém que é capaz de perder as chaves da própria casa várias vezes?"

"Dói ver alguém sendo humilhado, mas é ainda mais humilhante ser incapaz de libertá-lo(a) dessa humilhação."

"A vida não é um circo, mas nunca se sabe quando alguém vai lhe fazer de palhaço."

"Enquanto houver pombos nas praças, sempre haverá alguém para lhes dar migalhas."

"Como posso confiar em alguém que quer vender flechas, sem nunca ter acertado um alvo?"

"Quem sabe por onde anda não perde o equilíbrio quando alguém lhe dá uma rasteira."

"Com tantos escândalos sobre o inferno, alguém deixou de pecar?"

⁠Apenas se importe - II
Não consigo imaginar que alguém realmente piscaria antes de tomar uma posição resoluta contra essas coisas, contra matar, desprezar (pois mata tanto quanto uma arma).
Além de nações e nacionalidades fabricadas, preconceitos ideológicos e movimentos de xadrez geopolíticos.
É preciso estar do outro lado da ameaça para não desejá-la para o outro?
ouvir o som ensurdecedor de mísseis e jatos militares
contemplar todos os tons de cinza em um céu matinal.
cheirar a morte.
perder lamentavelmente um ente querido.
ver o terror nos olhos de um pai e uma avó e presenciar a fragilidade da pele humana?
Vejam que estou sendo mais direcionado por minha mente a citar guerras e guerras e guerras. Mas tanto quanto as guerras literais, o que ocorre nos bairros miseráveis, sujos e desprovidos de cuidados da administração do Estado, fazem parte dessa tal “guerra”.
Se é verdade que os líderes mundiais são o reflexo sombrio de nossa psique coletiva, então você é importante.
E você importa muito.
Sua semente de empatia é importante.
Por mais árdua que seja, sua vontade de ser responsável é importante.
Russo, ucraniano, sírio, líbio, iemenita, palestino, israelense, iraquiano, Iraniano, americano, libanês e **** favelados **** são todos nomes de marcas defensivas para uma divisão ilusória.

Paulo H Salah Din

Se alguém pensa que os textos que publico são indiretas, sermões ou broncas para quem me acompanha, está olhando para o lugar errado. Eu escrevo sobre mim. Cada linha é uma confissão, uma prestação de contas que faço diante do espelho quando a madrugada já expulsou todas as desculpas.
Mas há algo mais aqui — uma segunda camada de confissão, mais silenciosa e mais desconfortável: a percepção de que existir não é estar parado, mas estar em travessia.


Eu não começo essa viagem — ela já está acontecendo quando percebo. E isso muda tudo o que eu acreditava sobre controle, direção e destino. A imagem da Terra como uma nave não é futurismo nem metáfora científica; é apenas a forma mais honesta que encontrei de olhar para o fato de que nada em mim, nem fora de mim, está fixo.


Escrevo como quem revisita a própria vida como uma casa abandonada. Abro portas que preferia manter fechadas. Encontro erros mofando nos cantos, covardias escondidas atrás de boas intenções e verdades que sempre estiveram ali, enquanto eu insistia em olhar para outro lado. Escrevo porque preciso organizar esses escombros antes que a cortina se feche. O fim não avisa o dia nem a hora. Apenas chega.
E no meio disso tudo, percebo que a ideia de “vida” muitas vezes foi apenas um nome mais confortável para o movimento. Uma tentativa de fingir estabilidade onde só existe deslocamento contínuo.
Não há um ponto de partida claro. Não há um retorno verdadeiro. O que chamei de começo e fim sempre foram apenas pausas dentro da mesma travessia. E aquilo que chamamos de “eu” talvez não seja mais do que o rastro momentâneo dessa viagem, algo que existe enquanto se move e desaparece quando tenta parar.


A *juventude acredita que sabe*. A idade descobre que quase nunca soube. Só o tempo nos concede a crueldade da lucidez — essa clareza de que muitas derrotas poderiam ter sido evitadas, mas também de que sem elas talvez nunca enxergássemos nada com precisão.
Há quem passe a vida tentando preservar a pele, o coração e a alma de qualquer cicatriz. Mas essa cautela não compra um minuto sequer. Não impede a travessia. Apenas reduz o que poderia ter sido vivido a uma forma mais leve de ausência.


Eu não escrevo para ensinar ninguém. Escrevo porque preciso encarar o fato de que estou dentro do que descrevo. Não há fora.
E se vou partir marcado, que seja. Que minhas rugas contem histórias. Que minhas cicatrizes denunciem os lugares onde a vida — ou melhor, onde essa travessia — me atingiu em cheio.
Prefiro carregar o peso de ter vivido ao vazio de ter apenas sobrevivido.

O problema nunca foi tratar alguém com respeito. O problema começa quando a virtude vira uniforme e a consciência passa a usar crachá.
Chamam isso de "politicamente correto". Eu chamaria de maquiagem para um cadáver. A mesma sociedade que transforma gente em número, afoga velhos na solidão, vende infância como produto, mede amor por conveniência e dignidade por seguidores, agora quer ensinar boas maneiras. É como um açougueiro discursando sobre vegetarianismo enquanto afia a faca.
Trocaram a ética pela etiqueta.
Antes, um homem podia ser um canalha sem pedir desculpas. Hoje ele destrói vidas durante o expediente e, antes de ir para casa, publica uma frase sobre empatia. A crueldade aprendeu gramática. A hipocrisia descobriu o vocabulário da inclusão. A mentira fez faculdade.
Não é civilização. É cosmética moral.
O ser humano continua o mesmo animal assustado, egoísta, faminto por poder e aprovação. Apenas aprendeu quais palavras lhe rendem aplausos. Descobriu que é mais lucrativo parecer bom do que tentar sê-lo.
A verdadeira decência nunca precisou de cartilha. Ela aparece quando ninguém está olhando. Quando você pode humilhar e escolhe compreender. Quando pode esmagar e prefere estender a mão. Quando discorda sem desejar exterminar quem pensa diferente.
Todo o resto é teatro.
E o teatro sempre foi o esconderijo favorito dos covardes.
Talvez o maior escândalo do nosso tempo não seja que existam pessoas más. Pessoas más sempre existiram. O escândalo é que elas aprenderam a vestir a roupa da virtude e convenceram o mundo de que a aparência vale mais do que o caráter.
No fim das contas, não temo o homem que admite suas sombras. Temo aquele que sorri com a máscara da moral enquanto troca, silenciosamente, os valores que sustentam a condição humana por slogans convenientes.
Porque quando a ética é substituída pela aprovação coletiva, sobra apenas uma multidão educada demais para dizer a verdade e vazia demais para reconhecer a própria humanidade.

*O QUARTZO E O BASALTO*


*SiO₂*


O primeiro número apareceu na tela antes que alguém terminasse o café.


Era uma reunião de escritório.


Daquelas que começam com uma apresentação cheia de gráficos e terminam com alguém dizendo que precisamos melhorar os indicadores.


No meio, vieram os números.


Depois as queixas.


Depois mais números.


Perguntas.


Repreguntas.


Questões que não tinham sido pontuadas direito e deixaram dúvidas em alguns.


Era só ter explicado antes.


Mas isso seria esperar demais de uma reunião.


Alguns perguntaram.


Outros ficaram quietos.


Era mais seguro.


A sala era bonita. Cara. Vidros por todos os lados. Mesa grande. Ar-condicionado. Uma tela enorme na parede.


O nome da empresa também era bonito.


Dava a impressão de que ali se fabricavam soluções.


Nomes assim são úteis.


Fazem parecer que existe alguma coisa acontecendo.


Eu olhava para a tela e pensava que talvez existisse.


Mas não.


Existiam números.


E pessoas tentando fazer os números parecerem importantes.


Foi aí que uma coisa começou a me incomodar.


Não eram as cobranças.


Cobrança faz parte do trabalho.


Todo mundo cobra alguém.


E quase sempre existe alguém cobrando quem está cobrando.


É uma cadeia alimentar.


Só que, naquela sala, havia uma combinação que me incomodava.


Número e ser vivo.


Caso 1847.


Protocolo 3921.


Atendimento concluído.


Meta atingida.


Parece simples.


Só que o número não acorda de madrugada.


O número não perde o emprego.


O número não tem uma mãe doente.


Não fica olhando para o teto tentando descobrir como vai pagar uma conta.


Não sente vergonha.


Não sente medo.


Não se arrepende.


O número não sabe que existe.


O sujeito atrás dele sabe.


E essa diferença parecia não caber naquela sala.


Precisamos dos números.


Eu sei.


Seria idiota dizer o contrário.


É preciso registrar.


Classificar.


Medir.


Organizar.


Sem isso, ninguém sabe quantos entraram, quantos saíram, quantos foram atendidos.


O problema começa quando o número deixa de ser ferramenta.


Quando passa a ser o objetivo.


Quando a pessoa deixa de ser alguém que precisa de uma solução e vira apenas mais um caso atendido.


Atendido.


Essa palavra me incomodou.


Atendido não significa resolvido.


Uma ligação é atendida.


Um telefone é atendido.


Uma torneira pode ser atendida.


Uma pessoa também.


Mas uma pessoa não é uma torneira.


Embora, naquela sala, às vezes parecesse.


As pessoas que queriam os números estavam longe.


Não em quilômetros.


Em outra coisa.


Talvez nunca tivessem visto um daqueles rostos.


Talvez tivessem visto.


Depois de algum tempo, isso não faz muita diferença.


Um rosto vira estatística quando você precisa justificar uma meta.


E o mais engraçado era que essas pessoas também estavam sendo pressionadas.


Por quem?


Por gente que queria solução.


Aí estava a piada.


Queriam solução.


Cobravam números.


Queriam mais casos assistidos.


Mais atendimentos.


Mais produtividade.


Mais eficiência.


Mais indicadores.


E, no final, mais números.


Poucas soluções.


A máquina estava funcionando perfeitamente.


Só não estava resolvendo nada.


Foi quando pensei no quartzo.


Não porque eu entendesse de geologia.


Não entendia.


Mas algumas coisas aparecem na cabeça quando você está cansado de ouvir a mesma conversa.


O quartzo é comum.


Está por toda parte.


A matéria-prima não tem nada de especial.


Talvez nós também sejamos assim.


Gostamos de acreditar que somos únicos.


É uma necessidade humana.


Ajuda a suportar a própria existência.


Dizemos que somos diferentes.


Que temos nossa história.


Nosso jeito.


Nossos problemas.


Mas a matéria-prima é quase sempre a mesma.


Medo.


Desejo.


Raiva.


Solidão.


Vergonha.


Esperança.


Vontade de ser reconhecido.


Todo mundo carrega alguma coisa disso.


O que muda é a formação.


E então pensei no basalto.


Na minha cabeça, ele era o mundo.


A pressão.


O lugar.


A família.


O trabalho.


As perdas.


Os fracassos.


As humilhações pequenas.


As pessoas que ficaram.


As que foram embora.


As que deveriam ter ficado.


Tudo aquilo que chega de fora e, depois de algum tempo, deixa de parecer de fora.


O basalto não fica simplesmente ao redor.


Ele entra.


Deixa marcas.


Algumas ficam tanto tempo que começamos a chamá-las de personalidade.


Foi aí que percebi que talvez a reunião tivesse alguma coisa a ver com isso.


O sistema também entra na gente.


Começa pedindo um número.


Depois pede uma meta.


Depois um resultado.


Depois uma justificativa.


Quando você percebe, está falando como a planilha.


Usando as mesmas palavras.


Pensando nos mesmos números.


Medindo pessoas pelo que pode ser contado.


Talvez fosse isso que me incomodava.


O mundo nos forma.


O sistema nos classifica.


E nós confundimos as duas coisas.


Uma coisa deixa marcas.


A outra coloca etiquetas.


Uma participa daquilo que nos tornamos.


A outra quer saber onde nos colocar.


É mais fácil assim.


Cargo.


Função.


Resultado.


Histórico.


Currículo.


Nome.


Número.


Tudo cabe numa planilha.


Menos a parte que interessa.


A planilha não quer saber quem você era antes.


Não pergunta o que fizeram com você.


Não pergunta o que você fez consigo mesmo.


Quer uma célula preenchida.


E nós preenchemos.


Porque é mais fácil.


Talvez seja essa a parte mais miserável.


Nós mesmos ajudamos a desaparecer.


Depois reclamamos que ninguém nos enxerga.


É uma piada ruim.


Mas também não dá para jogar o basalto fora.


Essa é a parte desagradável.


Se eu arrancar tudo o que me formou, o que sobra?


Não sei.


Talvez uma pedra.


Talvez nada.


Durante muito tempo pensei que identidade fosse encontrar alguma coisa escondida dentro de nós.


O verdadeiro eu.


Uma espécie de núcleo intacto.


Hoje acho isso bonito demais para ser verdade.


O que existe em mim antes do mundo?


Não sei.


O que o mundo colocou em mim?


Isso eu sei.


Algumas coisas eu aceitei.


Outras eu recusei.


Algumas tentei arrancar.


Não consegui.


Outras entraram tão fundo que passaram a parecer minhas.


É difícil separar.


Talvez não seja para separar.


O basalto me feriu.


Também me deu contorno.


Não agradeço pelo que doeu.


Não sou tão idiota.


Mas reconheço as marcas.


Existe uma diferença.


Talvez identidade seja isso.


Não uma coisa pura.


Não uma essência esperando ser descoberta.


Uma disputa.


O que sou.


O que fizeram de mim.


O que aceitei.


O que recusei.


E o que ainda consigo fazer com tudo isso.


Foi quando pensei novamente no homem dentro do protocolo.


Talvez fosse esse o problema.


O protocolo não era o homem.


O número não era o homem.


Mas, depois de algum tempo, todos começaram a agir como se fosse.


E fazemos isso fora do escritório também.


Transformamos alguém em um erro.


Em uma dívida.


Em um cargo.


Em um passado.


Em uma aparência.


Em uma opinião.


Depois esquecemos o resto.


É mais confortável.


Um ser humano inteiro dá trabalho.


Um número não.


Saí da reunião com a sensação de que havíamos contado tudo.


Menos o que importava.


Os números estavam corretos.


As planilhas fechavam.


Os indicadores provavelmente seriam apresentados como bons.


No dia seguinte, tudo estaria ali novamente.


As metas.


Os protocolos.


As cobranças.


Os gráficos.


As pessoas.


Ou o que sobrasse delas depois dos gráficos.


Fiquei pensando no quartzo.


No basalto.


No número.


Talvez os três tivessem mais em comum do que eu gostaria.


O quartzo não escolheu onde nasceu.


Nós também não.


O basalto participou da formação.


O mundo também.


O número veio depois.


Esse, pelo menos, deveria ser apenas uma ferramenta.


Mas talvez a pior coisa não seja virar número.


Talvez seja começar a acreditar que somos um.


E aí fica difícil saber onde termina o que somos e começa aquilo que colocaram em nós.


Talvez seja isso que chamamos de identidade.


Não saber exatamente quem somos.


Mas ainda conseguir perceber quando estão tentando nos transformar em outra coisa.


Somos quartzo.


Somos basalto.


Somos a pressão.


Somos as marcas.


E, às vezes, somos também o idiota que olha para tudo isso e tenta entender.


Saí da sala.


Ninguém perguntou pelo homem dentro do protocolo.


Também não esperava que perguntassem.


Afinal, a reunião tinha terminado.


E o indicador precisava fechar.

Não estamos sós, em qualquer esquina, alguém já chorou.

Amizade com alguém, faz a gente se alegrar, etoda dor se encerra.

⁠03/02

Quando alguém tirar
a sua paz ignore ou manifeste
serenidade com uma carga maior,
Não permita que ninguém
tire o seu descanso e o seu andor.