Agradecimento aos Meus Pais Já Falecidos
Tchau
Me deixa, me deixa aqui, daqui eu já sei o caminho, então me deixa sozinho, deixa falar do meu jeito, deixe eu seguir meu destino
Deixa eu lembrar da infância,onde era só menino.
Voa, voa, voa passarinho, voa, voa,voa passarinho, como é lindo seu conto, você é tão feliz sozinho.
Sonhei,um sonho cabuloso, um momento muito prazeroso, puro e sem maldade, curtindo a liberdade, sendo fiel a minha verdade.
Voa, voa, voa passarinho voa voa voa passarinho, estás livre para viagem,
Logo estamos de passagem
E não passará sozinho.
Uma dor de cabeça, um semblante cansado, lembrando de várias tretas, vendo que estou mudado.
Oh passado eu tentei, bati na porta perguntei,mas hoje como passarinho, para gaiola jamais voltarei.
Decisão da Morte -
De suspirar a cada dia já cansado
deitando no meu leito a solidão
eis que junto a mim pegando a mão
senti um toque longo e velado!
Era a Senhora dona Morte
mensageira de todas as nortadas
espalhando pela noite a cor do nada
trazia um tal silêncio no seu porte!
Tinha olhos frios e desgarrados
trajava negro luto sobre o corpo
vi-lhe traços pálidos d'um morto
passos lentos, tristes e pesados!
Falou da solidão onde me afundo
falou da dor que visto no meu corpo
disse que sou vivo mas estou morto
por isso não me leva deste mundo!
Ela já está cansada de fazer a mesma coisa sempre e nada mudar, mas nunca irá desistir de tentar...
— Queres casar comigo?
— Não!
— Porquê?
— Porque já sou casada.
— Casada? Com quem?
— Com a tua alma!
A Boca
Da boca saem múltiplas palavras
discursos vãos: vão-se e já não voltam.
Na boca refreiam-se palavrões
contidos no palato
e livres, aos pulos, no pensamento.
De boca em boca tentam os beijos
empoleirarem-se,
apertados ou indecisos,
a querer nidificar o silêncio
ou o gemido que desfolha a pele.
Antes que a noite comece a salivar
vamos amarrar as nossas bocas
até que os nossos corpos se calem.
Escuridão
Já há alguns poemas que não te vejo
talvez estejas escondida entre os versos
ou entre as minhas amarrotadas madrugadas
aquelas que eu respiro na tua pele
cada vez que escrevo os meus
movediços e sonoros vazios
de amar-te até à exaustão dos poentes.
Sei que irei encontrar-te onde estou perdido
naquele lugar naufragado em mim.
Já ajudei pessoas a emergir do abismo, mesmo quando eu próprio nesse momento, estava no fundo desse abismo.
É doloroso sentir a falta de alguém que já não está vivo.
E é muito escuro sentir a falta de quem está vivo.
Menina em flor
Tem os olhos mais negros que já se viu
O olhar mais meigo que já existiu
Seu rosto é perfeito tal como uma flor
Uma espécie de beleza traduzida em amor
Ninguém pode imaginar que em cada espinho
Haja uma inesgotável fonte de carinho
Sua intenção é manter uma distância segura
De tudo o que não lhe traga ternura
Numa primavera desabrochou para a vida
Dentre rosas e tulipas a mais colorida
Depois suas pétalas cairão ao chão
Num longo processo de transformação
Parte de você se modificou no outono
Como um anjo que caiu no sono
Dormiu menina e acordou mulher
E o fruto já se podia colher
Ele chegou em pleno verão
Na forma de um pequeno botão
Que foi preenchendo todo o seu coração
No balbuciar de cada canção
Não foi preciso chegar o inverno
Para que despertasse seu extinto materno
Pois cada mãe é comparável a uma flor
E a sua semente é o mais puro amor.
Gamp — com Gisele Pereira.
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