Agradecimento á Escola

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Minha mente é um canteiro de obras infinito, sempre há algo sendo demolido para que uma nova versão de mim tente nascer.

Existe um certo luxo em poder desmoronar sem plateia, em deixar que as lágrimas corram sem a pressão de ter que explicar o motivo para quem só entende de sorrisos. A dor é um território privado, uma propriedade onde só entra quem já teve o próprio chão roubado.

A tristeza é um mar calmo onde a gente pode afundar sem fazer barulho, deixando que a pressão da água nos abrace até que não sintamos mais o frio da superfície. É um refúgio perigoso, um abraço de ferro que nos protege do mundo ao custo de nos tirar o ar.

​A saudade é uma onomatopeia que ninguém consegue pronunciar, um eco de passos que nunca chegam a tocar o chão do corredor. Escrevo o teu nome no vidro embaçado, esperando que o frio traduza em som o que o peito tenta, mas falha em organizar. No fim, resta apenas esse vocábulo estranho, um balbucio oco, a onomatopeia de um adeus que não teve coragem de fazer barulho.

O corpo é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, um terreno baldio cheio de placas de “vende-se” que ninguém se interessa em comprar. Mas eu ainda cultivo algumas flores nesse solo cansado, umas orquídeas de esperança que teimam em brotar entre as rachaduras. E mesmo quando o vento leva embora o pouco de cor que resta, há raízes silenciosas insistindo em permanecer, como se soubessem algo que eu ainda não entendi. Porque dentro desse abandono aparente, existe uma vida que não se rende, uma força quase invisível que recusa o esquecimento. Talvez ninguém veja beleza nesse cenário quebrado, mas há uma espécie de milagre discreto acontecendo aqui, uma resistência quieta, que não pede aplauso, só espaço para continuar existindo. E é nessa teimosia delicada que eu ainda me reconheço.


- Tiago Scheimann

A vida no Sul é feita de horizontes que parecem não ter fim e de um silêncio que não é vazio — é carregado de memória, de ausência e de tudo aquilo que o vento insiste em contar para quem aprende a escutar. Aqui, o tempo não corre; ele se assenta. Ele respeita quem finca raiz e não se dobra à pressa de um mundo que esqueceu de sentir.


Entre o frio cortante das manhãs e o calor denso de um chimarrão amargo, existe um ritual que sustenta a alma: o sorgo que gira na roda, a caninha boa que aquece o peito e as lembranças de um povo que aprendeu a resistir antes mesmo de aprender a sonhar. Não é só costume — é sobrevivência transformada em tradição.


Há pegadas de marujo marcadas no chão, há couro curtido pelo sal do litoral e uma identidade moldada entre o campo bruto e a água inquieta. Aqui, a gente aprende cedo que viver é manter o equilíbrio mesmo quando tudo balança — seja no lombo de um cavalo ou no balanço incerto de uma canoa. Aprende-se a ler o céu como quem lê o destino e a entender o silêncio das marés como se fosse linguagem.


Foi assim, olhando o velho pai, que vieram os primeiros ensinamentos — não em palavras, mas em gestos. Nos tiros de laço lançados contra o vento, na paciência quase sagrada da tarrafa aberta na lagoa, na firmeza de quem nunca precisou dizer muito para ensinar tudo. É nesse chão que se aprende que herança não é o que se recebe, é o que se honra.


E quando o olhar encontra o reflexo de uma lagoa verde e azul, não é só paisagem — é espelho de uma identidade inteira. É memória viva, é música que atravessa gerações sem pedir licença, é sentimento que não cabe em explicação. Ali, naquele instante, tudo faz sentido sem precisar de tradução.


Viver no Sul não é apenas existir em um lugar — é carregar um estado de espírito que mistura dureza e sensibilidade, silêncio e profundidade. É entender que a vida não precisa ser alta para ser intensa, nem rápida para ser verdadeira.


É um jeito de viver que não se explica — se sente.
Se carrega no peito como marca definitiva.
E se honra, todos os dias, como quem sabe exatamente de onde veio e por que permanece.


- Tiago Scheimann

Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.

Nem toda solidão nasce da ausência de companhia. Algumas surgem da incapacidade de encontrar alguém que suporte a profundidade do que sentimos.

Carrego dias quebrados como quem leva vidro no bolso: com cuidado, com medo e com a estranha gratidão de ainda sentir o peso das coisas.

⁠A força só se torna virtude quando é testada pela própria ruína. Enquanto a adversidade pertence ao outro, resistir é apenas um papel social. Quando ela nos escolhe, somos obrigados a encarar nossos limites, e é nesse confronto que entendemos que reconhecer a própria fragilidade é o primeiro ato de verdadeira coragem.

⁠“A libertação começa no campo da decisão. A virada de chave acontece quando se deixa de buscar no outro aquilo que só pode ser encontrado em si mesmo. A partir daí, o vínculo deixa de ser dependência e passa a ser escolha.”

"A pior sensação não é ser deixado para trás, mas perceber que o carinho de alguém tinha prazo: terminava exatamente onde acabava a sua utilidade."

"A mente humana foi criada para ter dúvidas e respostas,mas não aparentar ter resposta concreta, no meu psique permanecer neutro."⁠

Dificuldades aproximam ou afastam as pessoas. No caso de aproximação, seja sempre grato (a) à Deus, à vida, à família, aos amigos e aos que se aproximaram. Em caso de afastamentos, agradeça muito mais!

⁠A linha entre fazer tudo por uma pessoa para mantê-la sob seu controle e para realmente ajudá-la é tão tênue, que se ultrapassado o limite o remendo ficará sempre a olhos nus.

Se não podemos mudar o destino, então o que devemos temer? Se o destino não pode ser mudado, então que culpa temos? Todo temor vem da responsabilidade de escolher o caminho certo, e toda culpa vem da nossa negligência, mas se tudo isso já está determinado, então temor e culpa perde todo o sentido ao ser aplicado em um ser que não é senhor das próprias escolhas e do próprio destino, pois quando o destino pender para o mau, toda tentativa de fazer o bem pode se tornar em um desastre sob o governo deste destino, tornando o indivíduo vítima de uma força maior e maléfica de qualquer ponto de vista, pois este mundo já contribui mais que o suficiente para o erro: Pense em um alvo logo à frente, uma única rota levará a flecha ao centro do alvo, mas para errar o centro há milhares de rotas.

Um manipulador não se interessa por sua gratidão, o que quer é sua cooptação. Te cobrar gratidão é só um modo desesperado de não aceitar sua independência.

“A inteligência artificial corre o risco de produzir um ser humano pensado e manipulado, em vez de um ser humano pensante, livre, sonhador e visionário. A tecnologia deve ampliar a capacidade humana de refletir, criar e decidir — jamais substituir a autonomia da consciência.” F. Meirinho

É difícil ser pobre. É difícil pagar um preço para ter patrimônio.

É difícil ser obeso, É difícil tentar emagrecer.

É difícil ser ignorante. É difícil passar anos estudando.

Escolha o seu difícil.

Singular: Jogo. Plural: Jogos.


Aprenda, participe, obedeça, conheça,
ganhe, cumpra, atenda,
premiação, recompensa.


Tempo curto, tempo médio, e tempo longo.
Como funciona?
Existe o fácil, e o difícil.
Um dia, um mês, um ano, anos.