A Vida nos Ensina
Vivemos cercados por ilusões e indecisões, e só não tomamos as rédeas da vida, por falta de persistência.
Vida são todos os seres que nela habitam, portadores de uma magia capaz de nos revelar a sua verdadeira magnitude.
A vida me ensinou a ser batalhadora e a seguir sem medo. Ensinou-me a não parar, a não me acostumar com o meio-termo nem com o pouco. Ensinou-me que, lá fora, a vida grita, esperando que eu vá ao seu encontro, e que parar é morrer lentamente.
Ensinou-me que, quando caminhamos sem olhar para o passado, seguimos sem medo de viver plenamente o presente. O futuro, esse, pertence somente a Deus. Lá fora, há um mundo nos esperando de braços abertos. E quando temos fome de viver, encontramos coragem para ir além das nossas próprias possibilidades.
Rita Padoin
O destino é escrito nas linhas tênues do livro da vida, que nos conduz a um mundo criado por nós, realizado à medida que componhamos nossa história.
A vida é um breve sopro. O que se esconde por trás das cortinas invisíveis é o que verdadeiramente nos alimenta. Observemos com atenção: O caminho pode ter tropeços, mas pode ser próspero.
Estejam preparados. A qualquer momento tudo muda, tudo passa e tudo se desfaz. A vida é um estalar de dedos e, se não estivermos atentos, não veremos nada passar.
Somos protagonistas do que a vida nos impõe, mas não autores daquilo que sentimos. Há em nós vontades e emoções que florescem sem nos avisar; portanto, somos nós que decidimos o que fazer – ou não – diante desses acontecimentos.
Estou de partida,
cansei desta vida,
procuro, em silêncio,
na penumbra dos dias a porta escondida.
Levo nos olhos
o sal das marés,
um céu despedaçado
e muitos antigos porquês.
Fui ave ferida,
sem ninho, sem canto,
voando entre abismos,
bebendo o fel do pranto.
Mas há, sob as cinzas,
uma brasa acesa;
um sopro pequeno
de pura e doce surpresa.
Talvez a saída
não seja partir,
mas abrir as asas
e aprender a voar por caminhos opacos
me equilibrar entre os que realmente estão a existir.
Talvez o caminho a se fazer... se refazer...
comece no chão,
quando a própria queda
se torna impulso e mão.
Se a noite me cerca com seu véu profundo,
ainda há estrelas espiando o mundo.
E, mesmo cansada,
minha alma se atreve:
há vida escondida neste instante tão breve.
Não parto do mundo,
parto do que me dói;
deixo para trás um medo que me estrangula e me corrói.
Recolho meus cacos,
reaprendo a voar:
sou ave ferida,
mas posso pousar...
e, assim que curada, recomeçar.
Amanhã, talvez,
com o peito aberto,
descubra na estrada
um recomeço perto...
faça eu um voo certo.
Como o espelho que só ganha vida diante do corpo que dança, a realidade é um labirinto estático onde o mundo só pode mudar por nossas ações; somos, ao mesmo tempo, os passos perdidos e o próprio caminho que se inventa.
Reno Fioraso
Quanto da minha vida foi escolha minha, ou uma tentativa de caber no desejo dos outros?
Apesar de dolorosa, talvez essa seja a pergunta mais importante da vida adulta. Porque chega um momento em que precisamos distinguir aquilo que realmente queremos daquilo que aprendemos a querer para sermos aceitos, amados ou aprovados.
Quantas decisões tomamos por vontade própria, e quantas nasceram do medo de decepcionar alguém?
Quantas vezes permanecemos em lugares, relações, profissões ou versões de nós mesmos apenas porque sair dali significaria contrariar expectativas?
Talvez amadurecer seja perceber quantas vezes chamamos de escolha aquilo que, na verdade, era apenas medo de decepcionar os outros.
Passamos tanto tempo tentando corresponder às expectativas alheias, evitando conflitos e buscando aprovação, que podemos acabar construindo uma vida que agrada a todos, menos a nós mesmos.
Talvez uma das descobertas mais dolorosas da vida adulta seja perceber que, de tanto tentar caber no mundo dos outros, acabamos nos tornando estranhos dentro da nossa própria história.
Liberdade, então, talvez seja descobrir quais desejos são realmente nossos.
No fim, a pergunta já não é quanto da minha vida vivi pelos outros, mas quanto da vida que me resta estou disposto a viver por mim.
Assim é o paradoxo da vida, conhecidos se tornando estranhos, estranhos se tornando conhecidos, dando uma trabalheira danada embalar para presente, para fazer doação.
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