A Vida nos Ensina
As pessoas que só levam sim na vida possuem o ego muito inflado. Por isso, o não também é importante para o nosso crescimento e pode ajudar a nos fortalecer. Na vida é preciso aprender a lidar com as vitórias e as derrotas. Psicopatas narcisistas são sedutores e têm amor-próprio em exagero. Logo ,se ame sem exageros.Mantenha a cabeça erguida e seja paciente, que o sim virá naturalmente por distração.
Uma pessoa que não sabe perder não é madura.A vida é feita de altos e baixos.Por isso é preciso aprender, a levantar.
A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS: A JUSTIÇA DIVINA, A EVOLUÇÃO DA ALMA E O SENTIDO DA VIDA SEGUNDO O ESPIRITISMO
PARTE III — REENCARNAÇÃO, CIÊNCIA, FILOSOFIA E ESPIRITUALIDADE: UM DIÁLOGO ENTRE KARDEC, PITÁGORAS, PLATÃO E A RAZÃO HUMANA
16. A REENCARNAÇÃO NO CAMPO DA FILOSOFIA ANTIGA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Antes de Allan Kardec formular uma análise sistematizada da pluralidade das existências, a humanidade já refletia profundamente sobre a origem e o destino da alma.
A pergunta fundamental era:
A consciência humana nasce no momento do corpo físico ou possui uma história anterior?
Essa questão atravessou escolas filosóficas, religiosas e espirituais de diferentes épocas.
No pensamento antigo, especialmente entre os gregos, encontramos reflexões sobre a imortalidade da alma e sua trajetória evolutiva.
Kardec, na Questão 222 de O Livro dos Espíritos que é uma das mais extensas e que nos solicita ampla análise submetida ao bom senso , reconhece que Pitágoras não criou a ideia da transmigração das almas, mas encontrou esse conceito em tradições mais antigas, especialmente entre povos orientais e egípcios.
Entretanto, o Espiritismo estabelece uma distinção essencial:
A antiguidade de uma ideia não basta para provar sua veracidade.
Uma doutrina deve ser examinada pela razão, pelos seus fundamentos morais e pela coerência com as leis universais.
17. PITÁGORAS E A BUSCA PELA PURIFICAÇÃO DA ALMA.
Pitágoras compreendia a existência humana como uma jornada da alma em direção à harmonia.
A escola pitagórica valorizava a disciplina interior, a busca pelo conhecimento e o aperfeiçoamento moral.
Para os pitagóricos, a alma não estava limitada à existência corporal presente.
Havia uma preocupação profunda com a purificação espiritual e com o progresso da consciência.
O Espiritismo aproxima-se dessa visão ao considerar que a alma possui uma trajetória de crescimento, mas rejeita a ideia antiga de retorno aos corpos animais.
Segundo a Doutrina Espírita, o Espírito humano progride sempre dentro da condição humana, pois possui uma individualidade espiritual própria.
18. PLATÃO E A IMORTALIDADE DA ALMA.
Platão desenvolveu importantes reflexões sobre a alma, especialmente nos diálogos Fédon, A República e Mito de Er.
Para Platão, a realidade espiritual possui uma dimensão superior à realidade material.
A alma busca elevar-se pelo conhecimento e pela prática da justiça.
Embora sua concepção não seja idêntica à visão espírita, existem pontos de aproximação:
a existência da alma antes da experiência corporal;
a continuidade da consciência;
a necessidade de aperfeiçoamento moral;
a superioridade da vida espiritual sobre as limitações materiais.
Kardec utiliza raciocínio semelhante ao de alguns filósofos antigos quando demonstra que a existência humana apresenta desigualdades que exigem uma explicação mais profunda.
19. A DIFERENÇA FUNDAMENTAL ENTRE METEMPSICOSE E REENCARNAÇÃO ESPÍRITA.
Um erro frequente é afirmar que a Doutrina Espírita simplesmente repetiu antigas crenças sobre transmigração das almas.
Essa afirmação ignora uma diferença essencial.
A metempsicose tradicional, encontrada em algumas correntes antigas, admitia que a alma poderia passar para corpos animais.
O Espiritismo rejeita essa hipótese.
Na visão espírita:
o Espírito humano não retrocede à condição animal;
o progresso é contínuo;
a evolução ocorre pela aquisição de conhecimento e virtudes;
cada existência representa uma etapa educativa.
A reencarnação espírita não é uma troca aleatória de corpos.
É um processo de desenvolvimento moral e intelectual.
20. A RAZÃO COMO CRITÉRIO DE ANÁLISE ESPÍRITA.
Um dos aspectos mais importantes da metodologia de Allan Kardec é que ele não fundamenta a doutrina apenas na autoridade dos Espíritos.
Na própria Questão 222, Kardec afirma que, mesmo abstraindo qualquer comunicação espiritual, a hipótese da pluralidade das existências permanece racionalmente superior porque explica problemas que outras teorias deixam sem solução.
Essa postura é característica do método espírita:
fé raciocinada.
O Espiritismo não propõe uma crença desligada da reflexão.
A razão é apresentada como instrumento de avaliação.
Na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec afirma que a fé necessita enfrentar a razão em todas as épocas.
Uma crença que teme a análise racional revela fragilidade.
Uma verdade legítima não teme investigação.
21. O PROBLEMA DAS DESIGUALDADES HUMANAS.
A Questão 222 apresenta uma das mais profundas reflexões sociais e antropológicas da Codificação.
Kardec questiona:
Se todas as almas começam exatamente no nascimento físico, como explicar diferenças tão profundas?
Por que alguns demonstram elevada capacidade intelectual?
Por que alguns revelam grande sensibilidade moral?
Por que outros apresentam tendências primitivas?
A resposta espírita é:
As diferenças atuais são consequências de trajetórias espirituais diferentes.
Não existem raças superiores ou inferiores em essência.
Existem Espíritos em diferentes momentos evolutivos.
Esse ponto possui grande importância ética.
A Doutrina Espírita combate qualquer interpretação de superioridade humana baseada em origem, cultura ou condição social.
Todos os seres caminham para a perfeição.
22. A CRÍTICA À IDEIA DE UMA ÚNICA EXISTÊNCIA.
Kardec apresenta um argumento filosófico:
Se uma única existência determinasse eternamente o destino da criatura, haveria uma dificuldade diante da justiça divina.
Considere-se uma pessoa que nasceu em ambiente sem educação, sem oportunidades e sem conhecimento moral.
Ela teria exatamente as mesmas condições de escolha de alguém que recebeu instrução, proteção e exemplos elevados?
A reencarnação apresenta uma resposta:
Deus oferece oportunidades proporcionais às necessidades de cada Espírito.
A vida não é uma prova única.
É uma sequência de experiências.
O Espírito aprende gradualmente.
23. O SOFRIMENTO SEGUNDO A VISÃO ESPÍRITA.
A dor é um dos maiores questionamentos humanos.
O Espiritismo não afirma que todo sofrimento seja simples consequência de erros anteriores.
Essa interpretação seria limitada.
A dor pode possuir diversas funções:
consequência natural de escolhas equivocadas;
experiência educativa;
oportunidade de desenvolvimento da solidariedade;
prova voluntariamente aceita pelo Espírito em processo evolutivo.
Emmanuel, nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier, enfatiza que o sofrimento, quando compreendido à luz espiritual, pode transformar-se em instrumento de crescimento.
A visão espírita não glorifica a dor.
Ela procura compreender seu significado.
24. CIÊNCIA E PESQUISAS SOBRE MEMÓRIA DE VIDAS ANTERIORES.
No século XX e XXI, alguns pesquisadores investigaram relatos de crianças que afirmavam lembrar de existências anteriores.
Entre os estudiosos mais conhecidos encontra-se Ian Stevenson, da Universidade da Virgínia, que estudou centenas de casos relatados em diferentes culturas.
Essas pesquisas são objeto de debates acadêmicos e não constituem consenso científico definitivo.
Entretanto, representam um campo de investigação que dialoga com uma das afirmações centrais da Questão 222:
A ideia da reencarnação não deve ser analisada apenas como tradição religiosa, mas também como hipótese filosófica e investigativa.
25. A GRANDE SÍNTESE DA QUESTÃO 222.
Ao final de sua longa argumentação, Kardec apresenta uma conclusão fundamental:
A pluralidade das existências:
explica as diferenças humanas;
preserva a justiça divina;
oferece esperança ao Espírito;
estimula a transformação moral;
apresenta Deus como Pai educativo, não como juiz vingativo.
A reencarnação, dentro da visão espírita, não diminui o valor da vida atual.
Ao contrário:
Ela amplia sua importância.
Cada momento torna-se oportunidade de construção espiritual.
Cada escolha possui significado.
Cada gesto de amor representa conquista definitiva.
A existência humana deixa de ser um breve intervalo entre o nascimento e o desaparecimento.
Transforma-se em uma etapa consciente dentro da eternidade.
- CONTINUA NA PARTE IV - “JESUS, O RENASCIMENTO ESPIRITUAL E A CONVERGÊNCIA ENTRE O EVANGELHO E A DOUTRINA ESPÍRITA”
Na próxima parte serão aprofundadaremos:
O diálogo de Jesus com Nicodemos;
Elias e João Batista;
o conceito de nascer da água e do Espírito;
Evangelho e reencarnação;
Emmanuel e André Luiz;
a visão espiritual da evolução humana.
DÁDIVAS DA VIDA - LOUCO QUE FUI...!
O sol buscava a linha do horizonte e o manto escuro da noite já se espalhava pelos campos, quando o trabalhador deixou a lavoura e tomou o caminho de volta para casa.
Caminhava a passos largos com a colheita do dia às costas, quando notou que, em sentido contrário, vinha luxuosa carruagem revestida de estrelas.
Contemplando-a fascinado, viu-a parar junto dele e, quase assustado, reconheceu a presença do Senhor do Mundo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas...
O quê? Refletiu espantado. O Senhor da Vida a rogar auxílio a mim, que nunca passei de mísero escravo na aspereza do solo?
Mas, como o Senhor continuava esperando, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e entregou ao Divino Pedinte apenas um grão da preciosa carga.
O Senhor agradeceu e partiu.
Quando, porém, o pobre homem do campo voltou a si do próprio assombro, observou que doce claridade vinha do alforje poeirento...
O grão de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola transformado em uma pedra de ouro luminescente...
Deslumbrado gritou:
Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?
* * *
O apólogo retrata um pouco da atual realidade da Terra.
Quando o materialismo compromete edificações veneráveis da fé, no caminho dos homens, o Cristo pede cooperação para a sementeira do Seu Evangelho, junto ao Seu rebanho sofrido.
No entanto, nós costumamos agir como o lavrador.
Não estamos dispostos a ofertar a nossa dádiva em benefício do bem comum. E quando fazemos, damos apenas uma pequena migalha.
O Senhor da Vida não necessita das coisas materiais porque todas lhe pertencem, no entanto, solicita a nossa autodoação em prol da edificação de um mundo moralmente melhor.
Assim como o verme executa sua tarefa embaixo do solo, a chuva e o vento fazem seu papel no contexto da natureza.
Assim como o sol, a lua e os demais astros trabalham para que haja harmonia no Universo...
Assim como as abelhas e outros insetos fazem a tarefa da polinização, possibilitando a fecundação da vida... assim também o Senhor da Vida espera de nós a dádiva da polinização do Seu amor junto aos Seus filhos.
A pequena dádiva da paciência e da tolerância...
A esmola convertida em salário justo, dignificando o homem...
Uma migalha de afeto doada com sinceridade...
O sorriso capaz de despertar a alegria em alguém....
Um minuto de atenção a um enfermo solitário...
A palavra sincera capaz de esclarecer e consolar...
Uma semente de esperança plantada no coração de alguém que sofre... São nossas pequenas dádivas que se converterão em luz a iluminar nossa própria caminhada.
* * *
O Senhor da Vida está sempre a solicitar a nossa colaboração para que Seus objetivos nobres se concretizem na face da Terra.
Sabedores de que nossas pequenas dádivas se converterão em tesouros eternos, não as economizemos como o lavrador. Agindo assim não teremos que dizer:
Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?
Redação do Momento Espírita com base no cap. Dedicatória,
do livro Cartas e crônicas, pelo Espírito Irmão X,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 9.7.2020.
EQM — UM MUNDO REAL - VIDA PÓS-MORTE.
“NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS”:
UMA REFLEXÃO SOBRE A CONSCIÊNCIA ALÉM DA VIDA FÍSICA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A morte, eis o grande enigma diante do qual a humanidade se detém. Desde os filósofos da Antiguidade até os pesquisadores contemporâneos, permanece a pergunta fundamental: a consciência humana desaparece com a falência do corpo físico ou continua sua trajetória em outra dimensão da existência?
Durante séculos, muitos imaginaram a morte como um ponto final, o último capítulo de uma história encerrada definitivamente. Entretanto, milhares de relatos de Experiências de Quase Morte (EQM), estudados por pesquisadores de diferentes áreas, trouxeram novamente ao debate científico e filosófico uma questão que acompanha o ser humano desde suas origens: a possibilidade da sobrevivência da consciência após a morte corporal.
É nesse contexto que ressurge, com extraordinária profundidade, a afirmação de Jesus:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas.”
(João 14:2)
Para a visão espírita, essa frase não representa apenas uma metáfora religiosa, mas uma revelação acerca da pluralidade dos mundos e dos diferentes estados de evolução espiritual. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, apresenta a ideia de que o Universo é muito mais amplo do que a limitada percepção humana, sendo composto por diferentes mundos e condições espirituais adequadas ao progresso dos seres.
Limitar as possibilidades da vida espiritual seria, de certa maneira, limitar a própria grandeza divina. O orgulho humano frequentemente tenta enquadrar Deus dentro dos estreitos limites daquilo que consegue compreender. Entretanto, a inteligência humana, ainda em processo de desenvolvimento, não pode transformar sua própria limitação em medida absoluta do infinito.
A CIÊNCIA DIANTE DO MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA.
A Experiência de Quase Morte tornou-se um dos fenômenos mais estudados na atualidade. Pesquisadores como Raymond Moody e Elisabeth Kübler-Ross reuniram inúmeros relatos de pessoas que, após situações críticas de parada cardíaca ou coma profundo, descreveram experiências semelhantes:
sensação de paz profunda;
desprendimento do corpo físico;
percepção do ambiente por uma perspectiva diferente;
encontro com familiares ou seres luminosos;
revisão dos acontecimentos da própria vida;
sensação de uma realidade mais ampla e intensa que a experiência material.
Um dos casos que despertou grande repercussão foi o do neurocirurgião Eben Alexander III, que relatou uma experiência durante um coma profundo causado por meningite. Antes do acontecimento, como muitos profissionais formados dentro de uma visão estritamente materialista, considerava improvável a ideia de consciência independente do cérebro. Após sua vivência, passou a defender que a realidade da consciência poderia ser muito mais complexa do que a simples atividade cerebral.
Naturalmente, a ciência ainda debate as interpretações desses fenômenos. Existem pesquisadores que procuram explicações neurológicas, enquanto outros consideram que certos aspectos das EQMs desafiam completamente uma explicação materialista simples. O valor dessas experiências está justamente em ampliar a investigação sobre aquilo que ainda não compreendemos plenamente.
A MORTE COMO TRANSIÇÃO, NÃO COMO FIM.
A Doutrina Espírita não apresenta a sobrevivência da alma como uma crença baseada apenas na fé, mas como resultado de uma análise racional dos fenômenos espirituais. Desde as pesquisas de Allan Kardec até estudos posteriores sobre fenômenos psíquicos, diversos pesquisadores não ligados ao Espiritismo investigaram manifestações que apontariam para uma realidade além do corpo físico.
Entre essas obras, destaca-se a trilogia de Camille Flammarion sobre os fenômenos relacionados à morte e à sobrevivência da alma, analisando aspectos como:
a independência da alma em relação ao corpo;
manifestações durante o processo da morte;
fenômenos de aparições e comunicações;
a possibilidade de continuidade da existência espiritual.
A grande questão não é apenas saber se existe vida depois da morte, mas compreender que tipo de vida é essa e qual o sentido moral de nossa existência atual.
Para o Espiritismo, a vida física é uma etapa educativa. O Espírito não nasce no corpo para simplesmente desaparecer depois de alguns anos, mas para desenvolver inteligência, sentimento e responsabilidade diante das leis divinas.
A GRANDEZA DE DEUS NÃO CABE NA PEQUENEZ HUMANA.
Negar qualquer possibilidade além da matéria pode ser tão precipitado quanto aceitar qualquer ideia sem reflexão. A verdadeira postura diante do infinito deve ser a humildade intelectual.
Deus não necessita da aprovação humana para existir. A verdade divina não diminui porque o homem ainda não conseguiu compreendê-la plenamente.
A arrogância de querer reduzir o Universo ao tamanho de nossa percepção é apenas outra forma de ignorância. O sábio não é aquele que afirma conhecer tudo, mas aquele que reconhece a vastidão daquilo que ainda precisa aprender.
A frase de Jesus permanece como uma chave de esperança:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas.”
Talvez essas moradas sejam muito mais amplas do que imaginamos: mundos físicos, dimensões espirituais, estados de consciência e caminhos infinitos de evolução.
A morte, portanto, não seria o silêncio definitivo, mas a passagem para outra etapa da jornada.
Porque, diante da eternidade, a pergunta mais profunda talvez não seja:
“Existe vida após a morte?”
Mas sim:
“Estamos preparados para a vida que continua depois dela?”
O corpo termina sua jornada. O Espírito prossegue seu caminho. E a vida, em sua essência divina, jamais deixa de existir.
REVISTA ESPÍRITA — ABRIL DE 1858. JÚPITER:
UM MUNDO ONDE O BEM ORGANIZA A VIDA
REVISTA ESPÍRITA — ABRIL DE 1858.
JÚPITER: UM MUNDO ONDE O BEM ORGANIZA A VIDA.
TEMA:
A DIFERENÇA DE EVOLUÇÃO ENTRE OS ESPÍRITOS, OS HABITANTES DE JÚPITER E O CONTRASTE MORAL COM A TERRA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Existe uma diferença entre olhar para Júpiter com os olhos da curiosidade e contemplá-lo com os olhos do estudo espírita.
A curiosidade pergunta:
Como são os habitantes de Júpiter?
O estudo pergunta:
O que a condição desses habitantes revela sobre o progresso do Espírito?
É nessa segunda perspectiva que a descrição apresentada por Allan Kardec na Revista Espírita de abril de 1858 adquire verdadeira profundidade.
O texto integra as chamadas “Conversas familiares de além-túmulo” e registra uma comunicação atribuída a Bernard Palissy, célebre oleiro do século XVI, evocado em 9 de março de 1858. Kardec afirma que, por evocações anteriores, já sabia que Palissy habitava Júpiter e observa que as informações recebidas coincidiam com descrições anteriores obtidas por diferentes médiuns. Ele considera essa concordância uma presunção de exatidão.
Mas existe uma frase que deve permanecer como chave de leitura de todo o estudo.
Ao ser perguntado sobre a finalidade dos desenhos que transmitira por intermédio de Victorien Sardou, Palissy responde que o objetivo era inspirar os homens a se tornarem melhores.
Portanto, antes de perguntarmos como é Júpiter, precisamos compreender por que Kardec publicou a descrição de Júpiter.
OS NOMES DOS ESPÍRITOS ASSOCIADOS A JÚPITER.
É importante não generalizar nem acrescentar nomes que as fontes não apresentam.
Na comunicação de abril de 1858, o Espírito que fala é Bernard Palissy, que afirma habitar Júpiter.
O próprio Palissy menciona ainda São Luís quando Kardec pergunta se poderia nomear Espíritos habitantes de Júpiter que tivessem desempenhado uma grande missão na Terra. A resposta é simplesmente:
“São Luís.”
Assim, dentro dessa comunicação, temos explicitamente Bernard Palissy e São Luís associados a Júpiter.
Posteriormente, na Revista Espírita de agosto de 1858, ao tratar das habitações de Júpiter, Kardec menciona expressamente Palissy ou Mozart como habitantes daquele mundo, convidando o leitor a confrontar as informações por meio das evocações.
E, em setembro, a Revista publica observações relacionadas ao desenho da casa de Mozart em Júpiter.
Portanto, considerando exclusivamente essas referências da Revista Espírita de 1858, encontramos associados a Júpiter:
Bernard Palissy - São Luís - Mozart.
É importante, contudo, fazer uma distinção: eles não aparecem todos da mesma maneira na comunicação de abril. Palissy é o comunicante; São Luís é citado por Palissy; Mozart surge posteriormente nas matérias da Revista relativas a Júpiter.
Essa precisão é necessária para que o estudo não transforme referências diferentes em uma única comunicação.
POR QUE HAVERIA ESPÍRITOS MAIS ADIANTADOS EM UM MUNDO DO QUE EM OUTRO?
Aqui entramos no cerne da questão.
A doutrina espírita não apresenta os Espíritos como seres criados prontos, acabados e desiguais por determinação arbitrária de Deus.
Eles percorrem uma trajetória de desenvolvimento.
É por isso que a descrição de Júpiter não pode ser separada da questão 222 de O Livro dos Espíritos.
Nela, Kardec desenvolve extensa consideração sobre a pluralidade das existências e sobre a necessidade de compreender a vida humana dentro de uma perspectiva muito mais ampla do que uma única encarnação.
A existência atual não encerra a história do Espírito.
Isso permite compreender, dentro da lógica espírita, por que existem diferenças tão profundas entre os seres: conhecimento, experiência, tendências, aptidões e conquistas morais não surgem todos simultaneamente.
O Espírito progride.
E, se progride, é natural que existam diferentes graus de adiantamento.
(Ver também O Livro dos Espíritos, questões 100 Escala Espírita,114, 115 e 121.)
É justamente essa chave que permite compreender a passagem da Revista Espírita em que Kardec pergunta sobre os habitantes de Júpiter.
A resposta não diz que todos são absolutamente iguais.
Diz que são todos bons, todos superiores, mas existem diferentes graus, relacionados à soma de conhecimentos e experiências.
Isso é extraordinariamente importante.
Ser superior não significa ser perfeito.
Mesmo num mundo mais adiantado existem Espíritos mais adiantados que outros.
A EVOLUÇÃO NÃO É UM PRIVILÉGIO: É UMA CONQUISTA.
Essa concepção impede uma interpretação equivocada.
Não existem, segundo a doutrina espírita, Espíritos criados para serem eternamente superiores e outros destinados eternamente à inferioridade.
O que existe é uma trajetória.
Um Espírito que hoje se encontra em condição inferior não está condenado a permanecer nela.
E aquele que alcançou uma condição elevada não recebeu um privilégio gratuito: percorreu um caminho.
É por isso que a existência em mundos superiores deve ser entendida como consequência do progresso.
(Ver O Livro dos Espíritos, questões 100, 172 a 188, sobre as diferentes condições das existências nos mundos.)
Júpiter, nessa perspectiva, não é simplesmente “um planeta onde moram seres especiais”.
É apresentado como um mundo correspondente a um grau mais avançado de desenvolvimento espiritual.
A TERRA NÃO É UM FRACASSO.
Essa comparação também não deve produzir desprezo pela Terra.
A Terra é um mundo de provas e expiações dentro da classificação apresentada pela Codificação, e seus habitantes ainda carregam numerosas imperfeições.
Mas estar num mundo inferior não significa estar abandonado.
Significa estar em processo.
A própria lógica da reencarnação dá sentido à luta.
O Espírito que ainda não alcançou determinado grau terá novas oportunidades de aprendizado.
É justamente por isso que a questão 222 possui importância tão grande.
A pluralidade das existências impede que uma única vida seja transformada em medida absoluta da justiça divina.
O que hoje parece desigual quando observado apenas através de uma existência ganha outra dimensão quando considerado através da trajetória do Espírito.
“MAS JÚPITER? ISSO NÃO É ABSURDO?”
É possível que alguém leia essas páginas e zombe.
Pode achar estranha a ideia de habitantes de Júpiter, de corpos menos densos, de comunicação pelo pensamento, de cidades e habitações em outro mundo.
Mas há uma diferença entre questionar e ridicularizar.
Questionar é legítimo.
Investigar é saudável.
Discordar é possível.
Ridicularizar sem conhecer o objeto da discussão, entretanto, não constitui estudo.
E há uma razão adicional para a prudência.
Kardec não apresenta essas descrições como se fossem resultado de uma viagem física ao planeta.
Ele está tratando de comunicações mediúnicas, submetidas ao método de observação que empregava em seus estudos.
Em março de 1858, ao escrever sobre Júpiter e outros mundos, Kardec já explicava que as informações deveriam ser consideradas à luz da escala espírita e do princípio do progresso dos Espíritos.
Mais tarde, em agosto, ao publicar “As habitações do planeta Júpiter”, Kardec registra inclusive que havia pessoas que consideravam aquilo motivo de gracejo e afirma que as informações poderiam ser confrontadas por novas evocações.
Isso revela algo muito importante sobre o próprio procedimento de Kardec:
ele não exigia que o leitor abandonasse o raciocínio.
Ao contrário, convidava-o a examinar.
Esse é um ponto que frequentemente se perde quando se fala superficialmente do Espiritismo.
NÃO PRECISAMOS INVENTAR PARA DEFENDER A DOUTRINA.
Também não é necessário exagerar.
Não precisamos dizer que a descrição de Júpiter constitui uma fotografia astronômica.
Não precisamos afirmar que a ciência terrestre contemporânea confirmou cada detalhe da comunicação.
E não devemos acrescentar nomes de Espíritos que as fontes aqui consultadas não apresentam como habitantes de Júpiter.
A força do texto está justamente em outra parte.
Está no quadro moral.
Palissy descreve um mundo em que não há guerras; em que o necessário não falta a ninguém enquanto outro possui o supérfluo; em que os dirigentes são superiores pelo grau de perfeição; em que os habitantes se unem pelos laços do amor; em que a principal ocupação dos Espíritos superiores inclui auxiliar os habitantes dos mundos inferiores.
Isso é muito mais importante para a reflexão espírita do que uma discussão precipitada sobre detalhes físicos.
JÚPITER NÃO É APENAS UM LUGAR.
Observe-se a diferença.
Na Terra, ainda encontramos a guerra.
Em Júpiter, a comunicação a apresenta como desconhecida.
Na Terra, o egoísmo ainda estabelece profundas barreiras.
Em Júpiter, o progresso moral já modificou as relações.
Na Terra, a riqueza pode conviver com a miséria.
Em Júpiter, a resposta afirma que ninguém possui o supérfluo enquanto outro carece do necessário.
Na Terra, a autoridade frequentemente se apoia na força.
Em Júpiter, ela é relacionada ao grau superior de perfeição.
Na Terra, muitas vezes o conhecimento é utilizado para dominar.
Em Júpiter, os mais adiantados dedicam-se também a auxiliar os menos adiantados.
A comparação não foi feita para humilhar a humanidade.
Foi feita para mostrar uma possibilidade de futuro.
O ESPÍRITO SUPERIOR NÃO ABANDONA OS INFERIORES.
Esse talvez seja um dos pontos mais belos.
Kardec pergunta quais são as principais ocupações dos habitantes de Júpiter.
A resposta afirma que eles procuram os mundos onde existem infortúnios, para auxiliar aqueles que ainda lutam.
A elevação espiritual, portanto, não conduz ao afastamento dos que sofrem.
Conduz à aproximação.
Quanto mais o Espírito se liberta do egoísmo, mais compreende a solidariedade.
Isso se harmoniza profundamente com a moral de O Evangelho Segundo o Espiritismo, particularmente com os ensinamentos sobre caridade, amor ao próximo e aperfeiçoamento moral.
(Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulos XI, XV e XVII.)
A DIFERENÇA ENTRE OS ESPÍRITOS NÃO É UMA CASTA.
Há aqui uma distinção essencial.
Se existem Espíritos em diferentes graus de desenvolvimento, isso não significa a existência de castas espirituais.
A diferença é dinâmica.
Hoje um Espírito pode estar atrás.
Amanhã poderá estar adiante.
O progresso não é um privilégio reservado a poucos.
É uma lei.
E justamente por isso a comparação entre Terra e Júpiter pode ser lida sem humilhação.
Júpiter representa aquilo que o Espírito pode alcançar.
A Terra representa uma etapa de sua caminhada.
E nós, individualmente, estamos em algum ponto desse caminho.
O TEMPLO E O CULTO.
No final da comunicação, Kardec pergunta se existem diferentes religiões em Júpiter.
A resposta é particularmente significativa:
“Por templo há o coração do homem; por culto, o bem que ele faz.”
Depois de toda a descrição, corpos, alimentação, linguagem, animais, habitações, autoridade, riqueza, organização social, a comunicação termina onde o Espiritismo sempre precisa retornar:
na moral.
Não basta saber.
É preciso transformar.
Não basta falar sobre o bem.
É preciso realizá-lo.
Não basta admirar os Espíritos superiores.
É preciso caminhar na direção daquilo que eles representam.
(Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII.)
O QUE JÚPITER NOS PERGUNTA.
Talvez essa seja a maior contribuição dessa página da Revista Espírita.
Ela nos obriga a inverter a pergunta.
Não:
“Será que existem pessoas em Júpiter?”
Mas:
“Que espécie de humanidade precisaremos nos tornar para que a Terra deixe de reproduzir aquilo que ainda nos prende aos mundos inferiores?”
Não:
“Como vivem Palissy, São Luís ou Mozart em Júpiter?”
Mas:
“O que esses nomes representam na perspectiva do progresso espiritual?”
Não:
“Por que eles seriam superiores a nós?”
Mas:
“Que distância moral ainda precisamos percorrer?”
Essa é a lucidez espírita.
Nem credulidade ingênua.
Nem zombaria ignorante.
Nem fantasia.
Estudo, comparação, prudência, raciocínio e consequência moral.
Kardec oferece o quadro.
A doutrina fornece os princípios.
E a consciência de cada um precisa decidir o que fazer diante deles.
Júpiter, então, deixa de ser apenas um mundo distante.
Torna-se uma pergunta dirigida à Terra.
E, sobretudo, dirigida a cada um de nós.
Porque se a diferença entre os Espíritos é diferença de progresso e não de criação, então ninguém está condenado a permanecer para sempre onde hoje se encontra.
O caminho permanece aberto.
A evolução continua.
E talvez seja precisamente essa a mensagem mais luminosa escondida entre as páginas antigas da Revista Espírita:
o Espírito não está pronto; está a caminho.
FONTES:
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, março de 1858 — “Júpiter e alguns outros mundos”.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, abril de 1858 — “Conversas familiares de além-túmulo — Bernard Palissy (9 de março de 1858) — Descrição de Júpiter”.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, agosto de 1858 — “As habitações do planeta Júpiter”, por Victorien Sardou.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, setembro de 1858 — “Observações sobre o desenho da casa de Mozart”.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 222 e questões relativas à pluralidade das existências, progresso dos Espíritos e pluralidade dos mundos.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões,100, 114, 115, 121 e 172 a 188.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Princípios referentes à natureza das comunicações e ao exame das manifestações espíritas.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulos XI, XV, XVI e XVII.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Primeira Parte — considerações sobre o futuro e as consequências dos atos.
#ESPIRITISMO #ALLANKARDEC #REVISTAESPIRITA #REVISTAESPIRITA1858 #JUPITER #BERNARDPALISSY #SAOLUIS #MOZART #MUNDOSSUPERIORES #MUNDOSHABITADOS #PLURALIDADEDOSMUNDOS #PLURALIDADEDASEXISTENCIAS #REENCARNACAO #PROGRESSOESPIRITUAL #PROGRESSOMORAL #EVOLUCAODOESPIRITO #LEIDOPROGRESSO #FRATERNIDADE #CARIDADE #EGOISMO #MORALESPIRITA #DOUTRINAESPIRITA #ESPIRITISMOSEMKARDEC #OLIVRODOSESPIRITOS #OLIVRODOSMEDIUNS #OEVANGELHOSEGUNDOOESPIRITISMO #OCEUEOINFERNO #REFORMAINTIMA #VIDAESPIRITUAL #IMORTALIDADEDAALMA
*Grandes Anões*
A vida nos faz ser grandes anões
Cabeça cheia de planos, peito cheio de sermões
Sonhamos castelos, acordamos em vão
E o futuro nos cobra em forma de chão
Choramos o tamanho que não alcançamos
As lágrimas medem o que imaginamos
Mas mesmo pequeno, mesmo em ruína
O sonho insiste, teima, ilumina
Porque anão que sonha ainda é gigante
Num mundo que esquece quem vai adiante.
(Saul Beleza)
*"FASE GOOGLE"*
Gente... eu cheguei na pior fase da vida.
É a fase que eu sei a resposta pra TUDO.
E ninguém pergunta.
Sabe aquela fase que você vira o Google da família?
Minha mãe: "Filho, como é que faz pra tirar mancha de café?"
Meu amigo: "Mano, tu acha que ela ainda gosta de mim?"
Meu chefe: "Explica esse relatório pra mim em 5 minutos."
O Google: "Precisamos da sua localização pra continuar."
CARACA. Até o Google me pergunta mais coisa do que as pessoas.
O Google pelo menos fala "obrigado por usar nossos serviços".
As pessoas só falam "ah, valeu" e somem.
Eu virei FAQ ambulante.
"Como supera término?" - 2 minutos de podcast de graça.
"Como faz arroz?" - Receita, modo de preparo e história do arroz.
"Tu tá bem?" - ...silêncio.
Eu sei de cor a solução pra crise mundial, pra ressaca, pra chifre.
Mas ninguém sabe a solução pra "cara, eu só queria um abraço hoje".
O pior é que eu respondi tanto que agora eu respondo até pra mim mesmo:
"Cérebro: e agora?"
"Eu: Pesquisa no Google."
Porque se nem eu me pergunto mais... quem vai?
Obrigado, gente! Se cuida. E se alguém quiser me perguntar como eu tô... eu aceito pix também. Brincadeira... ou não.
(Saul Beleza)
*"Única Realidade"*
A única realidade que eu tenho na minha vida
é sonhar com você.
Te querendo sem que você saiba.
Perdendo você sem eu saber.
É viver em dois lugares ao mesmo tempo:
acordado, onde você não tá.
dormindo, onde você é minha.
E o pior?
Acordar é perder.
Dormir é esperar para perder de novo.
É um loop que só eu conheço a senha.
Um amor que não tem testemunhas.
Só eu, você na minha cabeça,
e o silêncio depois que o sonho acaba.
(Saul Beleza)
*"Muitos e muitos anos"*
Quando a pessoa esteve tanto tempo na sua vida
o corpo até esquece que ela não tá mais aqui.
A mão procura no lugar errado.
A música toca e o peito responde antes da cabeça.
A cidade inteira vira lembrança.
E o pior é que não é só saudade de quem a pessoa era.
É saudade de quem você era com ela.
De todos os anos que viraram rotina, risada, briga boba, silêncio confortável.
Dói porque foi longo.
Dói porque foi raiz.
E raiz quando arranca, leva um pedaço da terra junto.
(Saul Beleza)
Sem despedida
não me cobre uma despedida.
basta que eu suma da tua vida
sem deixar marcas,
sem barulho,
sem cena.
despedida é abandono que dói,
é palavra que corta,
é porta que bate.
eu prefiro ir
como quem nunca esteve,
do que ficar na tua memória,
como quem faz doer na hora de ir.
(Saul Beleza)
Não será a vida que irá me apagar, tampouco a morte que me trará o brilho, é o amor que faz cantar, rir e chorar, nosso tempo não estará muito distante, o que acalma a ilusão são, as verdades escondidas nas mentiras de amar eternamente...
(Patife)
*Você pode voltar pra minha vida a hora que quiser, mas não se assuste, poderá não mais me encontrar.*
(Saul Beleza)
" Que jamais olvidemos podemos encontrar nas lições da escada vida, alguém que poderá estar no degrau acima, mas ainda assim é na mesma escada. "
SOBRE O PERISPÍRITO.
A ARQUITETURA FLUÍDICA DA VIDA E A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO.
O estudo da obra “A Evolução Anímica” apresenta uma das mais elaboradas reflexões acerca da relação entre espírito, perispírito e corpo físico. A análise conduz o leitor a compreender que a existência humana não se reduz a fenômenos meramente biológicos, mas constitui uma complexa interação entre elementos espirituais, energéticos e materiais.
Segundo a exposição doutrinária, o perispírito é o invólucro semimaterial que liga o princípio inteligente ao organismo físico. Não se trata de uma abstração metafísica, mas de um elemento real que atua como intermediário entre a alma e o corpo. Essa ligação realiza-se por intermédio do chamado princípio vital, força dinâmica que anima a matéria organizada e permite ao espírito agir sobre o corpo.
A encarnação, portanto, não se estabelece de maneira arbitrária. Ela ocorre porque o fluido vital impregna o gérmen material, estabelecendo uma ponte funcional entre o espírito e a matéria. Assim, o perispírito conecta-se a todas as moléculas do corpo, estruturando-se como verdadeiro molde organizador da forma física. Essa concepção explica por que os tecidos corporais, ainda que se renovem continuamente, mantêm a mesma configuração estrutural. O invólucro perispiritual conserva o modelo da forma orgânica e assegura a continuidade da identidade corporal.
Outro aspecto de elevada importância filosófica refere-se ao processo evolutivo da alma. O pensamento espiritualista apresentado afirma que o espírito não surgiu em estado de perfeição. Ao contrário, desenvolveu-se gradualmente através das experiências da vida. A luta pela existência, muitas vezes dolorosa, constitui o mecanismo natural que estimula o desenvolvimento das faculdades latentes do princípio inteligente.
A doutrina rejeita, portanto, a ideia de uma queda de seres originalmente perfeitos. A humanidade não provém de uma condição angélica perdida. O espírito iniciou sua jornada em estágios rudimentares da existência e, por meio de sucessivas experiências evolutivas, conquistou progressivamente a consciência, a razão e a moralidade.
Nesse contexto surge também a explicação do instinto. O instinto representa a manifestação mais primitiva da atividade da alma. Trata-se de um conjunto de reações adaptativas acumuladas ao longo da evolução e inscritas no perispírito. As ações repetidas durante as existências anteriores deixam marcas no invólucro espiritual, formando disposições automáticas que se transmitem como tendências naturais do ser.
A ciência materialista procurou explicar a atividade mental afirmando que o pensamento seria uma simples função do cérebro. Entretanto, a filosofia espiritualista apresenta um argumento decisivo contra essa interpretação. Após a morte do corpo físico, o espírito continua a manifestar inteligência, memória e consciência. Esse fato demonstra que o pensamento não depende essencialmente do cérebro, mas apenas utiliza o sistema nervoso como instrumento de expressão durante a vida corpórea.
O sistema nervoso, nessa perspectiva, constitui apenas a condição orgânica das manifestações psíquicas. Ele funciona como uma reprodução material das estruturas do perispírito. Alterações graves na substância nervosa perturbam a manifestação da inteligência, não porque destruam a alma, mas porque danificam o instrumento através do qual ela se expressa no mundo físico.
A fisiologia moderna confirma a estreita relação entre o estado do organismo e as manifestações mentais. Entretanto, a filosofia espiritualista amplia essa compreensão ao demonstrar que tais fenômenos resultam de uma interação entre três elementos fundamentais.
O corpo físico, que representa o instrumento material.
O perispírito, que constitui o campo intermediário de transmissão das forças.
O espírito, princípio inteligente que pensa, quer e sente.
Quando um estímulo externo impressiona os sentidos, produz-se inicialmente uma alteração física no aparelho sensorial. Essa alteração gera uma sensação que é conduzida pelos nervos até o cérebro. Nesse momento podem ocorrer dois fenômenos distintos. Se o espírito toma consciência da alteração, temos a percepção. Caso contrário, a sensação permanece registrada de forma inconsciente.
Esse processo evidencia a presença do “eu” consciente, princípio que transforma fenômenos físicos em experiências psíquicas. Sem admitir a existência desse sujeito espiritual, torna-se impossível explicar a passagem da sensação material para a percepção consciente.
Outro ponto notável refere-se à natureza vibratória da realidade. Toda sensação deriva de movimentos vibratórios. A luz que impressiona a retina, o som que faz vibrar o tímpano ou a pressão que estimula os nervos táteis constituem diferentes formas de vibração. Esses movimentos propagam-se através do sistema nervoso até determinadas regiões do cérebro, onde se transformam em percepções.
Ao mesmo tempo, tais vibrações modificam o estado da força vital e repercutem no perispírito, registrando novas experiências na estrutura do ser. Assim, cada vivência imprime marcas duradouras no invólucro espiritual, contribuindo para a construção progressiva da individualidade.
Esse conjunto de ideias conduz a uma visão profundamente dinâmica da existência. Nada permanece estático na natureza. Tudo é movimento, transformação e desenvolvimento. O espírito evolui através das experiências sucessivas, gravando no perispírito as aquisições conquistadas ao longo de sua jornada.
A vida corporal torna-se, portanto, uma etapa educativa da consciência. Por meio das lutas, dificuldades e aprendizados da existência terrena, o espírito amplia suas faculdades e prepara-se para estados mais elevados da vida espiritual.
Assim compreendida, a evolução anímica revela-se como um processo grandioso de aperfeiçoamento. Cada existência representa um capítulo na longa ascensão do ser, que avança lentamente da inconsciência instintiva para a plena lucidez moral e intelectual.
E nessa lenta construção do espírito reside uma das mais profundas leis da vida. Nada se perde no universo moral. Cada esforço, cada dor e cada conquista convertem-se em patrimônio permanente da consciência, ampliando indefinidamente os horizontes da alma no vasto cenário do Cosmo.
"A vida presente é apenas um fragmento da longa travessia da consciência. O que hoje se chama destino é, na verdade, a repercussão silenciosa de escolhas feitas em existências que o esquecimento velou."
- Relacionados
- Frases da vida para transformar os seus dias ✨
- 67 frases para pessoas especiais que iluminam a vida
- Charles Chaplin sobre a Vida
- Frases de efeito que vão te fazer olhar para a vida de um novo jeito
- Charles Chaplin Poemas sobre a Vida
- Mensagens de reflexão para encarar a vida de outra forma
- Frases sobre a morte que ajudam a valorizar a vida ✨
