A Resposta de um Desejo
Esses dias eu tenho praticado o silêncio.
O silêncio é a melhor resposta para as pessoas que não querem ouvir.
Me perdoe, Deus, por sempre te questionar, só queria uma resposta. Às vezes me pergunto onde estás e se realmente existes. Será que é medo? Medo de nada disso ser verdade. Sinto falta de você, não sei por que sinto.
Há noites em que a única resposta possível é continuar confiando.
A fé, às vezes, é isso.
Fechar os olhos sem entender o que Deus está fazendo... e, ainda assim, descansar.
É despertar no dia seguinte com uma esperança tranquila, dessas que ninguém sabe explicar.
Nem sempre a luz aparece diante dos nossos olhos.
Muitas vezes, ela já está sendo acesa por Deus no caminho que ainda vamos alcançar.
Edna de Andrade
Talvez você tenha ido rápido demais, ficou esperando um "não" e nem resposta teve, aí ficou imaginando será que ela tá pensando ainda ou será que fui direto demais? Cai na real.
Cada pessoa conhece uma versão diferente de nós — porque não somos espelho fixo, somos resposta:
para os pacíficos, oferecemos calma;
para os que são meio arco-íris e meia tempestade, viramos céu nublado ou sol aberto;
e diante de trovões e sombras, revelamos uma agitação urgente, aquela pressa intensa de resolver tudo mesmo sem calma.
Nem todo silêncio é ausência de resposta; às vezes, é o tempo organizando aquilo que ainda não conseguimos compreender.
O que é que vale à pena?
Talvez tudo
Talvez uma pequena parte
Não há resposta precisa
Nenhuma decisão é clara
A única certeza
É que nesta vida cara e indecisa
haverá um dia um ponto final.
Até lá vamos nos perguntando
Ou vivendo sem nos dar conta
Nenhuma resposta
Exposta após o sinal de igualdade
estará isenta
De uma nova descoberta
causar-lhe inadiável desmonta
e tudo começa de novo
A resposta escondida
Pode estar dentro de um peixe
Que aparenta inocência
Te olhando através do vidro do aquário
Pode estar dentro do espelho
Ou no conselho daquele andarilho
a quem você negou uma moeda
Tudo na vida vale à pena
Mesmo quando parece que não
Um dia no passado
Você se sentia enfadado
Na companhia de gente
A quem deixou de perguntar
Algo que hoje
Essa ausência de resposta te tortura
Me responda realmente
Será que não vale à pena
Ou é a gente
Que não sabe onde buscar
Aquilo que muitas vezes
Esteve tão evidente?
Eu queria saber
Por que é que eu insisto em me perguntar
Sobre coisas que não tem resposta
É como morrer mil vezes
Enquanto se vive uma vida
Que nem chega a ser assim ...
Tão longa
O mundo esconde o valor das coisas
Enquanto a vida vai vendendo
O que não vale quase nada
Até que um dia
Vem o tempo e nos desvenda
A esses e a tantos segredos
Carregados de mais perguntas
Somos cegos
Seguindo os caminhos traçados
Guiados pelas vozes de lobos vorazes
Que a bem da verdade sempre foram
Muito mais cegos do que nós
Não percebem, não sabem
Que aquilo a que se busca
Não se pode alcançar
É como um raio de luz colorido
Caindo do Sol pela manhã
E o azul do Céu, que desaparece
No momento em que a gente o toca
Felicidade, uma ilusão
O brilho da Estrela deixou de estar lá
E a vida não é como se pensa
Durante a guerra sempre os rios congelam
E os seus invernos são mais frios
Parece que foi sempre assim
A vida nos nega um sorriso
Justamente nos momentos
Em que tudo que mais se precisava
Era de um sorriso, simplesmente
Eu queria ter palavras
Pra explicar que não tenho respostas
Tem dias que o que mais desejo
É saber a verdade das verdades
Mas a única palavra que me vem
Me causa o querer e a vontade
de não querer saber mais nada.
Edson Ricardo Paiva.
Não sei a resposta para a pergunta que não foi feita. Não sei onde está o sentido que procuro, perdido entre palavras soltas. A procura é um labirinto de silêncios e ecos. Um texto precisa de mais do que letras; precisa de alma. Isto é só um teste, um rascunho do pensamento. Então estamos sós, eu e a página em branco, à espera de um significado que teima em não chegar. A única certeza é a dúvida, e o único caminho é seguir escrevendo, mesmo sem saber ao certo para onde.
O amor cala, acalma e para a fome do corpo que não existe.
O amor é a última resposta, depois do espelho e da morte.
Ele é o nosso jeito de celebrar o corpo de verdade, o corpo aqui e agora.
Talvez seja a nossa única resposta.
RESPOSTA
O que fica
não é necessariamente
o que foi deixado.
Há coisas que atravessam uma vida
e desaparecem sem testemunha.
Outras permanecem
num lugar que sequer conhecemos.
Uma palavra pode morrer
em quem a escreveu
e continuar respirando
em outra pessoa.
Uma ausência pode ser apenas ausência
para quem partiu,
e tornar-se linguagem
para quem ficou.
Por isso, nenhuma história termina
quando a última palavra acaba
O que foi dito
já não pertence inteiramente
a quem disse.
O que foi vivido
também não permanece intacto
em quem viveu.
Cada pessoa recolhe
uma parte diferente dos acontecimentos.
Uma guarda o silêncio.
Outra, a ofensa.
Outra, a ternura.
Outra sequer sabe explicar
por que determinada coisa
nunca deixou de doer.
E sempre haverá algum idiota
disposto a interromper o texto
com a grande descoberta:
“É inteligência artificial.”
Como se nomear uma ferramenta
fosse suficiente para desqualificar
aquilo que ela produziu.
Curioso é que, às vezes,
a única coisa artificial na sala
é justamente a inteligência
de quem acusa.
Porque escrever não é juntar palavras.
É sustentar uma ideia.
É construir pensamento.
É saber onde uma frase termina
e onde outra começa.
E há quem não consiga sequer
organizar o próprio argumento
sem tropeçar nele,
mas se sinta suficientemente preparado
para julgar a literatura alheia
com três palavras e uma acusação.
No fim, pouco importa
quem escreveu primeiro,
quem escreveu melhor
ou quem utilizou qual ferramenta.
O texto precisa sobreviver
ao autor, ao método
e principalmente ao julgamento
de quem não conseguiu compreendê-lo.
Talvez seja essa
a única propriedade impossível de confiscar:
o significado que algo adquire
depois de passar por nós.
O que tu fica
não é o que eu fico.
E talvez seja justamente aí
que começa a literatura.
“Dizem que o amor é a resposta… enquanto você decide a pergunta, eu vou enchendo a taça com o vinho Casillero del Diablo.”
Refletir é aceitar que nem tudo precisa de resposta imediata.
Algumas coisas só pedem tempo, distância e honestidade suficiente para não mentir pra si mesma.
Crescer dói menos quando a gente para de brigar com o que já aconteceu e começa a escolher melhor o que fica.
RESPOSTA:
Sim.
Existe beleza na atividade.
Há beleza em quem continua, mesmo cansado. Em quem trabalha sem aplausos. Em quem constrói aos poucos aquilo que ainda não pode mostrar ao mundo.
A atividade é movimento. E tudo que vive se move.
Uma árvore cresce em silêncio. Um rio segue seu caminho sem pedir licença. Uma pessoa luta todos os dias para manter os sonhos de pé.
Isso também é beleza.
Porque não está apenas no resultado, mas no ato de fazer, tentar, aprender, cair e continuar.
"Existe beleza na atividade, porque é nela que a vida acontece."
O luto
O luto é resposta emocional profunda.
É natural a uma perda significativa,
Não se limita apenas à morte sentida,
Mas também às rupturas da vida
Que nos atingem em momentos aflitos
Com angústias no silêncio no peito que as abriga.
O luto angustia a alma,
Abala as emoções
E enche o coração de tristeza.
Todavia, Deus cria situações
Para nos dar a certeza
E curar as nossas aflições.
Raimundo Nonato Ferreira
Setembro/2026
