A Medida que o Tempo Passa
Sorrateiro
Os olhos se viam felizes
Refletidos pelo espelho
Mas o tempo, sorrateiro
Envelheceu seu rosto
Ao longo de um dia inteiro
Como gotas de chuva
As noites que desabam
Sobre nossas casas,
Nossas coisas, nossas vidas
As horas correm felizes,
suaves por uma fenda
O sinal de saída, o apito do trem na curva
Hora de dormir e descansar
O brotar das uvas em novembro
Felizes idas e vindas
Pode ser que a vida seja
Não um fim em si mesma
Mas um laço indefinido, que liga
Entre futuro e passado
Uma pergunta retórica
Mesmo assim, ser respondida
Depois deixada de lado
Pra no fim, passar despercebida
Por ser o assunto indissolúvel
Questão que, de mal resolvida
A gente vai se apegando
Às alegrias passageiras
Que o tempo vai trazendo, sorrateiramente
Nada nessa mão, nada na outra também
Sorria! Você viveu mais um dia!
Edson Ricardo Paiva
"vida x azar: a gente precisa acertar o tempo todo, o azar só precisa acertar uma vez."
Edson Ricardo Paiva
Criança sorridente
A alma arguta
Aproveita teu tempo
Meu anjo
Teus pedidos, Deus escuta
Perceba, não faz sentido
Abrir mão do pouco tempo
Que possuis
A querer viver depressa
A vida aqui na frente
É muito astuta
Crescer se faz premente
Se soubesses realmente
O que é a vida
Deixaria-se ficar
Pra sempre assim
Os jardins da vida adulta
Não tem flores
Parece ter
Mas você não poderá
Jamais tocá-las
Aproveita um pouco mais
A voz materna
Que te embala.
Por muito tempo eu estive assim
Esperando por quem não me quis
pensei que iria ser feliz
Sem perceber, que algo não era verdade
e já havia passado do fim
E eu aguardava o dia todo pra estar
com quem não quer saber de mim
Quer saber?
Até que não foi tão ruim
A saudade
que haverá de doer depois
Se tiver que escolher um dos dois
Vai fazer como eu fiz
e querer ficar com ela
Que fugiu de viver um amor
E pela vida sem sabor de nada
Me trocou
e achou, então
Que era bom rir assim
Enquanto eu sofria
Mas eu não vou estar perto nesse dia
Quando seu peito deserto
Vai chorar de madrugada
Vai me buscar e descobrir
que eu já hei de estar feliz
vai procurar, então, os poemas que eu fiz
e que ela rasgou, de malvada que era
Sem pensar nas lágrimas que a esperam
desesperada
Vai então, nessa hora descobrir
Que ao meu lado não tem mais lugar
E que já não será para mim
Mais nada.
Era somente o silêncio
De um tempo que se foi
Era noite
Todo mundo queria
E um dia eu também quis
Amanhecer distante dali
Porque pensei
Que poderia voltar lá
A qualquer instante
Percebia em meus ouvidos
O ruido mágico e único
Na paz do silêncio
Que de longe vem
Naquele mágico momento
Que o silêncio a tudo diz
E tudo faz sentido
Era o encanto do não saber
Que a brisa a soprar lá fora
Depois de ir embora, não volta
Era um pensar inocente
Que tudo aquilo nos pertencia
Era da gente
O silêncio em silêncio ficou
Pediu ao tempo que dissesse
Que a vida ao redor
Tem vontade própria
E nos convida a viver
Mas o viver da vida
Obedece
À sua própria vontade
E não a nossa.
Edson Ricardo Paiva.
Pode ser
Que o tempo endureça tanto
Os corações
Tão sofridos da gente
Que quando a gente não vê
Chega uma hora
Que ninguém mais chora por nada
Pode ser
Que a gente chore escondido
E até brigue com o vento
Sempre que lembrar
Que ele levou pra sempre embora
Um simples balão colorido
Mas que tanto a gente o queria
Pode ser
Que essas coisas já estivessem escritas
E sejamos nós somente
Pessoas imaginárias
Personagens de um livro bobo qualquer
Cuja capa não chega nem a ser bonita
E tudo se repete, quando alguém o quer lêr
E estejamos passando pela etapa triste
Coisas que acontecem, quando um coração acredita
Pode ser tanta coisa
Pode ser ... não sejamos nada
Ninguém sabe o que se passa
Dentro de cada coração
Atrás de cada porta, após fechada
Acho que nem mesmo nós sabemos
Assim, o balão se foi
A capa do livro desbota
Se o coração dói ou não dói
Ninguém viu e nem se importa
Assim como o vento leva
Um dia o vento traz de volta
Pode ser
Que o tempo endureça tanto esse coração
Que quando o balão voltar ...tanto faz
Poder ser
Que a gente não queira mais.
Edson Ricardo Paiva.
Do Meu Tempo
Demétrio Sena - Magé
Fui menino de fato menino, embora fosse um pensador e isso levasse a pensar que eu fosse maduro para minha fase.Tive medos infantis de mentiras, lendas, e levava parlendas a sério. Quando a menor das dores atacava meu corpo, minha mente se achava na hora da morte.
Era um jovem de arroubos, paixões e raivas típicas da juventude. Sentia-me no meu espaço e me aceitava exatamente assim, muito embora maldissesse o planeta. Como sei que fazem os jovens. Como faziam e continuarão a fazer.
Sempre fui um ser humano do próprio tempo. Jamais estive ou tentei estar além do que me era cabível, como indivíduo. Ao alcançar a meia idade, não tive crises de plenitude frustrada. Fui sem enxertos e drenos, por dentro e por fora.
Neste momento, arrasto meus passos para uma marcha lenta. Cada vez mais lenta. Sequer passa pela minha cabeça, forjar uma alma jovem nesta carcaça idosa. Muito menos apelidar a velhice de melhor idade. Não quero ter o meu corpo em conflito com a minha essência.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
O tempo é o escaravelho que, sob asas de falcão, rola a poeira do nada para gerar a luz, provando que o amanhã é a memória de um sol que ainda não raiou.
Reno Fioraso
É estranho pensar que, depois de tanto tempo com o coração fechado, foi você quem conseguiu fazer eu sentir tudo de novo. E dessa vez, do jeito certo.
AMIGOS DAS ANTIGAS
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
No terreiro da infância,
Tudo era simplicidade;
Cada amigo era um irmão,
Criado na lealdade.
Não havia interesse,
Só carinho e amizade.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Era bola, era peteca,
Era pipa pelo céu;
Carrinho de rolimã,
Sonho doce feito mel.
Quem caía logo via
Outro amigo ser fiel.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Na tarefa da escola,
Sempre havia união;
Um emprestava o caderno,
Outro dava explicação.
Se um não sabia a resposta,
Todos davam solução.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Também tinha em casa o jeito
De ajudar sem reclamar;
Varria o terreiro cedo,
Ia a água buscar.
Terminada a obrigação,
Já corria pra brincar.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Nos passeios de domingo,
Cada riso era canção;
Piquenique lá na praia,
Com farofa e emoção.
O mar lavava os pés,
E a amizade o coração.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Vieram os quinze anos,
Festa, encanto e emoção;
Vestido rodando ao vento,
Brilhava o salão.
Os amigos celebravam
Mais um sonho em construção.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Depois veio a formatura,
Conquista de cada irmão;
Abraços, fotos e risos,
Misturados à emoção.
O futuro abria portas
Para uma nova estação.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Cinquenta anos passaram
Como um sopro pelo ar;
Mas as velhas brincadeiras
Ainda fazem gargalhar.
Quando a turma se reencontra,
A infância volta a morar.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Nem só de festa viveu
Nossa bonita jornada;
Também houve despedidas
Na estrada iluminada.
Alguns partiram primeiro,
Deixando a saudade guardada.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Cada nome é uma lembrança,
Cada riso uma oração;
Quem partiu vive na história,
Na memória e no coração.
A amizade vence o tempo
E também a separação.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
Se existe riqueza eterna
Que dinheiro não comprou,
É o abraço de um amigo
Que o destino conservou.
Deus abençoe essa amizade
Que o tempo nunca apagou.
Amigo das antigas, tesouro que o tempo não levou.
Quem o guarda sabe seu valor.
CARRO DE BOI
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Nasceu de madeira bruta,
Talhada por boa mão;
Do machado e da enxó,
Do talento do artesão.
Feito com força e paciência,
Virou nobre criação.
Sem luxo, ferro ou riqueza,
Só madeira e precisão;
Cada peça bem medida,
Respeitando a tradição.
Era a ciência da roça
Guiando a civilização.
Foi companheiro do homem
Nas veredas do sertão;
Levando pedra e madeira,
Colheita, sonho e feijão.
Era o braço da esperança
Na mais dura plantação.
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Foi herança dos antigos,
Dos avós e dos bisavós;
Cada sulco que deixou
Ainda hoje fala a nós.
Sua história permanece
Na lembrança de todos nós.
Ajudou na colonização,
Rasgando o Brasil inteiro;
Abriu estrada e caminho,
Venceu barro e atoleiro.
Foi desbravador valente
Do sertão ao tabuleiro.
Na frente seguia o guia,
Experiente condutor;
Atrás vinha o boi de coice,
Também forte trabalhador.
Dois parceiros da jornada,
No serviço e no suor.
Quando o eixo reclamava
Num chiado agudo e forte,
Era um canto da madeira
Desafiando a própria sorte.
Parecia uma cantiga
Ecoando de sul a norte.
Levou engenho e farinha,
Levou cana e algodão;
Levou gente, levou vida,
Levou fé no coração.
Foi estrada sobre rodas,
Foi sustento da nação.
Carro de boi é memória,
que o tempo nunca venceu;
leva o passado nas rodas
e o futuro que nasceu.
Hoje dorme em museus,
Ou na sombra do terreiro;
Mas quem ouve o seu chiado
Vê renascer o vaqueiro.
Pois o carro de boi vive
Na alma do povo guerreiro.
"Chega uma hora em que é preciso parar de perder tempo com aquilo que não nos leva a lugar nenhum, deixar o passado para trás e ter coragem de recomeçar do zero, construindo um futuro melhor."
No tempo, temos o passado, o presente e o futuro. O passado, por definição, é imutável; o futuro, imaginável, e o presente, realizável.
Como o passado é imutável, tudo o que aconteceu não poderá ser alterado.
Como o futuro ainda está por vir, ele somente é imaginável.
O presente, em especial, é o momento em que vivemos.
Como o pessimismo e o otimismo causam o realismo, como poderia o futuro e o passado causar o presente? Simples!
Tendo como base os erros do passado, toda a nossa história e feitos, fortificamos a nossa base no solo. Mas para construirmos o nosso prédio, precisamos da imaginação. E é aí que entra o futuro; onde tudo é possível.
Usamos as possibilidades, as inovações que terão no futuro para imaginarmos, criamos o nosso prédio. Para fazermos o nosso presente.
Se você não entendeu, leia abaixo:
Otimismo = Futuro
Realismo = Presente
Passado = Pessimismo
Como o realismo é nada mais que a união do pessimismo com o otimismo, basta juntarmos os feitos, a história, a imaginação do passado e do futuro para fazermos o que chamamos de Presente.
Tem dias em que tudo dentro da gente quer voltar no tempo. Rever, refazer, sentir de novo. Mas a vida não anda em círculo. Ela segue. E a gente aprende a seguir com ela, mesmo com o coração olhando pra trás.
— Jair F.
DEUS ME DEU VOCÊ
Pedi a Deus o sol...
Mas o tempo passou, e Ele não me deu.
Pedi a lua, tão bela, tão serena .
E o tempo passou, e Deus não me deu.
Então, pedi as estrelas.
Para admirá-las nas noites silenciosas...
Mas os anos se foram., e Deus também não me deu.
Foi então que, num dia comum,
Quando eu já não esperava mais nada,
Você cruzou o meu caminho.
“Quem é essa?” pensei.
Era o Amanhecer.
E uma voz suave sussurrou ao meu coração:
“Vai lá... e vê.”
Naquele instante.
Eu soube:
Era você.
Mais radiante que o sol,
Mais linda que a lua,
Mais admirável que todas as estrelas.
Deus me deu você.
Mais do que pedi,
Mais do que sonhei para mim.
Deus não me deu o sol.
Porque guardava a luz dos teus olhos.
Não me deu a lua.
Porque tua beleza já bastava.
Nem as estrelas.
Porque preparava o brilho da tua alma.
Agradeço a Deus todos os dias.
Por ter você ao meu lado.
Minha amada
Meu amanhecer.
Meu amor eterno.
A paixão encanta os olhos, mas a convivência revela o caráter. O tempo mostra aquilo que o encanto esconde. Se quiser conhecer alguém antes que a vida revele tudo, converse com os pais.
O Primevo nunca nasce nem morre. Precede o tempo, sobrevive à memória e permanece indiferente às metamorfoses da identidade. Apenas aguarda o instante em que as máscaras se enfraquecem para recordar ao homem aquilo que jamais deixou de ser.
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