A Medida que o Tempo Passa

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Lembrança


Velho destino, poeira do tempo
Para o olfato, o suor como pimenta
Para o paladar, o corpo todo

Amor


Há quanto tempo me desejo, mas tinha medo do desejo porque não me reconhecia. A solidão é quando estamos perdidos de nós mesmos. Compreendo o mundo, é como uma garrafa que jogamos no oceano, é a esperança de encontrar maior riqueza além de nós, naquilo que não viveríamos se não soubéssemos usar o desejo.

Eu perdia tempo me procurando, sem saber que eu sou tudo.

O tempo é a consciência da comparação dos movímentos.

Enxergando a totalidade, não há tempo nem movimento, só a consciência se expandindo.

Perspectiva inversa


A algum tempo atrás começou um processo na minha mente, que poderia ser chamado de delírio. Tudo o que eu acreditava foi encoberto por pensamentos vagos, ambivalentes, improváveis, disformes. Era como um quebra cabeças em que eu fazia força para encaixar as peças. Assim A era a, 6 era 9, o som das cigarras era igual ao de um apito. Isso funcionou muito bem e eu senti o poder da compreensão de tudo. No entanto, uma falha naquele sistema, mais a minha habitual tendência à desconfiança me levou à estaca zero, ao pensamento comum dos mortais. Foi uma ducha de água fria, mas muito do que eu aprendi, naquela época, ficou. A sensação de que a realidade é uma sequência de eventos sincronizados, de que as minhas memórias são apenas duplicatas do que está acontecendo agora, já que o passado é gerado pelo que acontece no momento.

As vezes fica tudo assim aluviado
Tudo assim tão misturado
Tudo e nada ao mesmo tempo
É um ser e não ser, onde tudo é apenas quase
e nada é o que parece ser
Nesses momentos, os sentidos me confundem e entorpecem o que restou da minha racionalidade
Palavras ficam soltas pelo ar, e são ditas mesmo quando o verbo está ausente
A essência do existe ultrapassa os rótulos dos dicionários
Me permito ir além, pois sei que a loucura real é ficar presa aos limites da definição.

É verdade que tá foda hoje
É verdade que deu vontade de tudo e nada ao mesmo tempo

Erudição
não sou ateu nem sigo qualquer religião, isso só me empata o meu tempo disponível para outras coisas...

“Compreender o TDAH é devolver humanidade a quem passou tempo demais sendo chamado de problema.”
Do livro TDAH: A Mente que Não Descansa, de Nina Lee Magalhães de Sá.

A falta de tempo é discurso de desinteressado!

As reminiscências são a forma mais sutil de percorrer o túnel do tempo, não com o corpo, pois o tempo não retorna, mas com a alma, que revisita o passado para resgatar momentos, imagens e encontros que se tornaram inesquecíveis.

:As reminiscências é a forma de percorrer o túnel do tempo, não fisicamente, porque o tempo não volta, mas revisitar o passado para resgatar momentos, imagens, encontros, que se tornaram inesquecíveis."

“Pode-se maquiar as marcas que o tempo imprime, mas não se pode bani-las. Elas persistem como testemunhas silenciosas da jornada, lembrando que o tempo é juiz imparcial: não persegue, não perdoa, apenas cumpre sua marcha.”

“Quando a vida é conduzida com vocação, o tempo deixa de ser agente de erosão e se transforma em critério de verdade. Aquilo que nasce do mero impulso se esvai, contudo, o que brota da vocação resiste, amadurece e se legitima. O tempo, nesse caso, não corrói, apenas revela.”

"Tudo o que é visível se curva ao tempo. Impérios caem e certezas se dissolvem, revelando a nossa vulnerabilidade. Mas há um ponto fixo sobre o qual a história não tem poder: Deus continua sendo Deus. Confiar nessa permanência é o que nos permite caminhar com passos firmes, mesmo quando o mundo ao redor parece desabar."

“A mulher foi venerada como símbolo da vida e, ao mesmo tempo, vigiada como se sua força fosse ameaça.”
Do livro Mulher: Entre Correntes e Asas, de Nina Lee Magalhães de Sá.

No verso ameno a deslizar no tempo, escondem-se espaços de alvorada no céu estrelado que arbóreo faz a lua fluvial de rios inaudíveis que correm para o mar. O deleite se faz na criação e não levo o poema tão a sério, que cego se escreve nas linhas inquietas de minha mão a esculpir seu rosto na multidão. Elísios se fazem seus olhos se tons etéreos pintam o fulgor do espírito que caminha estradas incipientes que densas se fazem no verão tropical do país, no momento fugaz de pintar sua íris no lânguido estar de dedos em crise, que magnânimos se fazem no melífluo estar de cores a apascentar a face desmedida de minha vida oblíqua, que tanto se faz em despedidas e não deixa passar o ocaso plácido de um recôndido estágio ancestral, que busca no passado mais estrelas para fulgurantes brilho do corpo altivo que porventura será esquecido nas ramagens da terra vermelha. O trono da liberdade gloriosa se faz ainda mais formoso se foi conquistado com grande esforço. Silentes todas as palavras em reverência e o ser taciturno abre os braços e se alegra nas praças telúricas em que colinas encontram o horizonte e se constrói uma ponte entre as vicissitudes em zéfiro refrencante na brisa doce que enumera as dádivas do ser etéreo. Os ouvidos da liberdade se escutam em pássaros numerosos na terra frondosa de exuberantes cachoeiras em que se esquecera o numinoso caminho da paz, em longas ondas que o mar traz. Os olhos do amor vão sérios se não descortinam os mistérios que fazem as mãos entrelaçadas, pois que são distintas as jornadas, e a figura amada anda em outras várzeas de veredos caminhos desencontrados. Mais forte arde a criação que se compartilha em silêncio e fazem crescer edifícios de poemas e suas largas janelas amenas onde dormem as açucenas na sagaz repetição que a poesia aumenta. E lanço flores em seu corpo a consagrar o momento e parto fugidia, pois o encanto se passa como o dia nas cores do arrebol. Eis um bálsamo de alegria e esplendor, pois os corpos não se encontram e mais fartos encontram o amor que resistiu incansável ao tempo da dor, que é já passado. Seguimos encantados e a natureza observa os versos e aprova o deleitoso cámalo cerúleo no conspectro da admiração crisálida em tons de alvorada e amanhece nosso amor após longa madrugada e as almas são estradas de nossa felicidade rara.

Você é um produto mercantilizado, não mais seu corpo, e sim seu tempo e atenção. É mais valioso quando seu comportamento é previsível. Tão valiosos quanto mais for viciados, indignados, distraídos, polarizados e desinformados, do que se fôssemos humanos livres e vivos. A nova tecnologia de informação e contato social nos domesticou para ser um novo tipo de humano.

Você é um produto mercantilizado, não mais seu corpo, e sim seu tempo e atenção. É mais valioso quando seu comportamento é previsível.