A Cartomante Machado de Assis Poemas
Na primavera, outono, verão
É sempre o mesmo discurso furado
Inverno reina no seu coração
Parece um músculo enferrujado
Caminho nesse ir infinito
repleto do silêncio
que há em meu ser
incapaz de digerir esse amargor passageiro
resta apenas o natural
entre ir e voltar
converso com minha alma
em demasia intensa.
o instante
é escasso
não há como planejar...
se perigoso é
ninguém doa
porque doação
não há valor
só há banalidade
É preciso valorizar a vida,
a oportunidade de viver, a dádiva de existir. Sua existência foi uma vitória, portanto
já é um vencedor, veja as soluções,
veja além para poder vencer.
Um homem no chão da minha sala
alonga sua raiz
galo que estufa o pescoço
cana-de-açúcar e bronze
poças, chuva, telha-vã
rio que escorre na velha taça empoeirada
O homem no chão da minha sala
cidades de ouro
castelos de mel
velhas metáforas
sinos línguas gelatina
O céu no chão da minha sala
Esse homem no chão da minha sala
provoca o veneno da cobra
pulgas atrás das orelhas
mexeu nos meus bibelôs
consertou aquela estante
revirou a roupa suja
desenterrou flores secas
fraldas
chifres
quatro cascas de ferida
um disco todo arranhado
e um punhado de pelos
Aquele homem no chão daquela sala
me fez cruzar o ribeirão dos mudos
estufa de tinhorões gigantes
no piso do meu mármore
ele acordou a doida
as quatro damas do baralho
uma ninfeta de barro
e a cadela do vizinho
Daquele homem no chão da minha sala
há meses não tenho notícia
desde que virei a cara
saltei janela
fugi sem freio ladeira abaixo
perdi o bonde
estraguei tudo
vim devolver o homem
assino onde
o peito desse cavaleiro não é de aço
sua armadura é um galão de tinta inútil
similar paraguaio
fraco abusado
soufflé falhado e palavra fútil
seu peito de cavalheiro
é porta sem campainha
telefone que não responde
só tropeça em velhos recados
positivo
câmbio
não adianta insistir
onde não há ninguém em casa
eu, a amada
eu, a sábia
eu, a traída
agora finalmente estou renunciando ao pacto
rasgo o contrato
devolvo a fita
me vendeu gato por lebre
paródia por filme francês
a atriz coadjuvante é uma canastra
a cena da queda é o mesmo castelo de cartas
o herói chega dizendo ter perdido a chave
a barba de mais de três dias
NUVEM
babado de organdi
floco de algodão
carneirinho regredido p
rimeira comunhão
beleza que é o cúmulo
Angústia
aspero ser
aspero existir
não há o que gere
falta, ausência
se o amargor
é inevitável
solitude é ter instante
para apreciar a miséria do mundo
e buscar propria vertente de existir.
Do alto da Montanha
vejo como há beleza
em viver, em conectar
com sensações
sentidas nos ventos
e no silêncio intenso
de minha alma.
Não ver com coração
porque a ação repúdio
do significado
se ver com olhos físicos
da peversidade
maldade em falsas promesas
em falso sentimentos.
Sobreposição
Sobre o silêncio
onde acomodo
o belo olhar
posiciono a frente de casa
para ver o por do sol
Com a companhia de pássaros.
Admirar
É um mirar de olhos
que aprecia detalhes
no intuito de aventurar
no mar de amar
rende-se a atração
que falta o ar.
Lutar
Levo em passos
um dia de cada vez
como uma luta necessária
tentando manter a esperança
de acreditar, que realmente
existe um propósito intrigante
de lutar por uma vida
Uma vida melhor, mesmo que seja
aspero viver.
Ando devagar
vagando no meu pensar
direcionado a enteder o vasto que a vida
gera a oportunidade
de degustar os pequenos detalhes.
Amizade
Abraço mútuo
intensa forma de zelar pelo outro
abre a porta
dizendo sim a empatia ao próximo
Ruim quando se magoa,
Quando por impulso, descontrole
Feri quem não merece
Idas e voltas de feridas
De certa forma destroem a si proprio.
