31 anos
Sampa faz 472 anos, gigante cheia de decoro.
A outra é Dona Elba, se eu falar a idade eu morro.
São Paulo é história viva, orgulho que sempre floresce,
Elba é minha cúmplice, beleza que não envelhece.
Benê Morais
Cícero Romão Batista, há 182 anos, permanece como chama viva; fundou uma cidade que, há 115 anos, vem semeando trabalho e esperança ao povo do Nordeste. Apenas a minha Igreja Católica parece não enxergar o milagre que se ergue diante de nós.
Benê Morais
Nos anos 90, a fotografia seguia dentro de um envelope, levando até 8 dias para chegar. Nesse intervalo, a saudade virava poesia. Hoje, o WhatsApp dissolve a distância em segundos, mas roubou da fotografia o encanto da espera.
Benê Morais
Hoje, faz 80 anos da bomba de Hiroshima. Foi só o começo; o homem já aperfeiçoou o fim do mundo.
Benê Morais
O hipócrita se diz um grande defensor da família, mas passa anos sem visitar a própria mãe.
Benê Morais
Hoje a Dona Elba completa 44 anos de casada...parabéns pra essa guerreira que conseguiu segurar por tanto tempo um marido tão lindo feito eu!
Benê Morais
Todo cristão deve ser dotado de dons espirituais ao longo dos anos para que o seu progresso seja manifestado e edifique a todos.
Parkinson
Deu-me o Parkinson, quando tinha 35 anos de idade. Mas na verdade me apareceu, quando eu era muito mais novo. Aos 20 anos, estava eu no secundário, quando já sentia dores nas costas, sem que eu soubesse o porquê! Também comecei a ter, muita dificuldade em escrever. Nos testes que fazia, os professores, não conseguiam ler o que eu escrevia! Por causa disso, eu era prejudicado nas classificações. Tudo isto em 1983! Em 1984, fui trabalhar no Hotel Dom João II em Alvor, como empregado de mesa, no restaurante do Hotel. Aí continuava a ter dificuldade em escrever os pedidos dos clientes. Mas sempre lutando, sem saber o que realmente tinha, eu continuava a trabalhar.
Fui ao psicólogo, que me disse que o que eu tinha era nervos. O médico de família, receitou-me para as dores compridos.Em 1989, fui tirar carta de condução. Mas também com alguma dificuldade. Em Setembro de 1990, deixei o Hotel, tendo ir tirar um curso de pastor evangélico, no ano lectivo de 1990/91. Os professores continuavam a não entender, o que eu escrevia nos testes. Em Agosto de 1991, casei.
Em Setembro de 1991, comecei com pastor em Monchique. Em Maio de 1993, fui pai. Estive em Monchique até Novembro de 1995. Altura em que fui pastorear, a igreja de Évora. Em 1998, comecei a tremer de uma das mãos. Fui ao Neurologista no Hospital de Évora. O Dr. Costa Guerra, disse-me que eu tinha A doença de Parkinson. Comecei logo a fazer medicação. Em 1999, fui pastorear a igreja em Monção, onde estive até 2003. Nesse mesmo ano, vim para Lamego, onde permaneci até 2005.
Por causa da doença, deixei o pastorado e vim um ano de Baixa para Alcobaça. Em 2006 fui aposentado por invalidez. Mesmo assim vinha às consultas a Braga, até 2013. Nesse período de tempo terminei o casamento. Em 2014, depois de piorar da doença, vim morar para o Algarve. Ainda assim em 2015 fui dois meses à Suiça. Por ir piorando em 2022, fui operado no hospital de santa Maria, onde me puseram implantes no cérebro. Foi aí, que fiquei um pouquinho melhor.
Actualmente continuo na Unidade de longa Duração e Manutenção de Albufeira. Tenho 63 anos de idade.
Vinte anos atrás...
O teu rosto não sai da minha cabeça, principalmente quando tocam aquelas músicas cheias de magia atemporal,
Chego as vezes a sentir o teu cheiro no ar de tanto pensar naquilo que vivemos com tanta intensidade,
No intervalo da escola quando nos achávamos pelos corredores era tão bom,
Tudo era tão simples e real, parecia até um sonho,
Quando você teve que partir com a sua família para outro estado eu não consegui segurar as lágrimas e a saudade por muitos anos, cheguei a implorar a Deus pelo meu coração ser entregue com a tua volta, mas fiquei sem respostas,
O gosto dos teus beijos ainda me visitam, as nossas mãos juntas quando estou de olhos fechados me intrigam, fomos embora um do outro por coisas da vida, mas o sentimento que eu vive com você nunca deixou de me abraçar.
Onde estás?
Sinto a tua presença, você acordou há vinte cinco anos e eu sinto suas batidas do coração,
Por onde andas que ainda não apareceu para continuarmos a viver o nosso amor de vidas,
A distância machuca, mas saber que você reascendeu me dá esperança,
Não sei em que lugares te procurar, não sei em que rua ou estrada vamos nos achar, só posso afirmar que vai ser lindo quando nos reencontrarmos neste plano de vida.
Haruto, o Peregrino de 93 Anos*
No vigésimo dia da minha caminhada pelo Caminho Francês, no sentido contrário a Santiago de Compostela, em direção a Saint-Jean-Pied-de-Port, avistei ao longe um peregrino caminhando em minha direção.
À medida que nos aproximávamos, percebi, pelos seus passos, que se tratava de um homem bastante idoso. Quando nos encontramos, fiquei impressionado. Com a coluna levemente curvada, apoiando-se em apenas um bastão, usando botas, um chapéu de estilo japonês e uma mochila com um saco de dormir preso a ela, transmitia serenidade e determinação.
Estávamos próximos ao topo dos Pireneus. Eram cerca de onze horas da manhã de um dia muito frio. Eu seguia para Logroño, enquanto ele caminhava em direção a Nájera, em uma etapa de aproximadamente 30 quilômetros.
Com a ajuda de um aplicativo tradutor, perguntei-lhe se era do Japão. Sorrindo, confirmou com a cabeça. Apresentei-me como português, residente no Brasil havia quase cinquenta anos, e perguntei seu nome.
— Haruto.
Perguntei de onde era.
— Osaka.
Em seguida, quis saber sua idade.
— Ontem completei 93 anos.
Fiquei sem palavras.
Então ele explicou:
— Quando meus filhos começaram a me dar pequenas tarefas para ocupar um idoso, eu lhes disse: "Enquanto eu tiver pernas, vou caminhar para não dar trabalho a vocês." Já faz cerca de vinte anos que não paro de caminhar.
Perguntei se os filhos não se preocupavam com ele.
Ele respondeu com sabedoria:
— Eles é que deveriam se preocupar consigo mesmos. A vida nas grandes cidades, longe da natureza, tira das pessoas a alegria de viver.
Também contou que já havia caminhado por todos os continentes, exceto a África, por causa do calor intenso e da pouca infraestrutura.
Conversamos por cerca de quinze minutos. Ao nos despedirmos, desejei-lhe uma boa caminhada e alertei sobre as longas e perigosas descidas que enfrentaria.
Sorrindo, ele respondeu com um antigo provérbio japonês:
"Caia sete vezes. Levante-se oito."
Ele fez uma reverência com a cabeça. Eu ergui a mão e disse:
— Que Santiago nos proteja.
Naquele instante compreendi que a verdadeira juventude não está na idade, mas na vontade de continuar caminhando.
O senhor Haruto, aos 93 anos, tornou-se um dos maiores incentivos da minha vida para jamais desistir dos meus próprios caminhos.
Peregrino Nino Carneiro
Mamãe
Você está morta há 27 anos agora
E eu preciso te dizer
Que eu não sou mais o velho Aldo
Que você costumava conhecer
Também você costumava dizer que
Eu não era totalmente adulto
Mas todo dia, quando eu
Ouvia
Você dizendo isso
Meus sentimentos ficavam muito magoados
E eu também ficava muito chateado
Eu já era um homem naquela época
Você não me deixava ter
Amigos
Você também costumava me dizer
Que eu não sabia me socializar
Com as pessoas
Mas você também nunca me deixou
Ter
Liberdade na minha vida
Mamãe
Hoje, se você estivesse aqui
Para ver o Aldo maduro
Que eu me tornei
Hoje eu tenho 58 anos
Mamãe
E também tenho muita
Liberdade
Na minha vida
Eu simplesmente amo que você esteja
Morta
Porque assim eu posso ter minha
Vida
E ser maduro
Também você odiava tanto
Minha poesia
Mas hoje estou escrevendo poemas
Há 27 anos
E nunca vou parar de
Escrever
Poemas porque é terapia
Para mim
Mamãe
Eu ainda tenho minha vida aqui
Na Terra
E tenho bons amigos
Que me apoiam
No meu dia a dia
Mamãe
Espero que você esteja descansando
No céu
Mamãe
No dia em que eu morrer, irei
Para o céu
E lá estaremos
Reunidos novamente
Eu mudo de rota a cada dez anos porque me recuso a ser o museu de mim mesmo. Se eu não me trair de vez em quando, acabo virando estátua, e estátua só serve para os pombos da mediocridade cagarem em cima.
Rezar é como mandar um e-mail para um suporte técnico que faliu há dois mil anos: você se sente melhor por ter reclamado, mas o problema continua lá, rindo da sua cara.
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