William Shakespeare Poema de Crianca

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Um Poema de Amor

Todas as mulheres
todos os beijos as
diferentes formas que amam e
falam e carecem.

suas orelhas todas elas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

na maioria das vezes
as mulheres são muito
quentes elas me lembram
torrada com a manteiga
derretida
nela.

está estampado no
olhar: elas foram
tomadas elas foram
enganadas. eu nunca sei o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas eu apreciei suas variadas
camas
fumando cigarros
olhando para o
teto. não fui nocivo nem
desleal. apenas
um aprendiz.

eu sei que todas têm
pés e descalças elas andam pelo piso enquanto
eu olho suas modestas bundas no
escuro. sei que gostam de mim, algumas até
me amam
mas eu amo muito
poucas.

algumas me dão laranjas e vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
loucas mas nenhuma delas deixa de fazer
sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre são as
melhores em outras
coisas; cada uma tem seus limites como eu tenho
limites e nós aprendemos
cada qual
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos
os tapetes as
fotos as
cortinas, é
algo como uma igreja
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto
e a carência eu tenho
agüentado eu tenho
agüentado.

Charles Bukowski
BUKOWSKI, C., War All the Time – Poems 1981-1984

Seja você quem for, agora eu coloco minha mão em cima de você, que você seja meu poema;
Eu sussurro com meus lábios perto de seu ouvido,
Eu tenho amado muitas mulheres e homens, mas eu amo ninguém melhor do que você.

Sei, é o que eu poderia esperar
Ver você tão perto e mesmo assim longe
A se esquivar.
Se aproxima, belisca, sussurra coisas malucas
E quando eu olho, volta a se esquivar.
És um tiro no escuro, nunca sei o que esperar.
Suas duas faces o condena...
Uma me ama, a outra insiste em me odiar.

⁠Livre

As grades sendo derrubadas
Um novo mundo exposto
Com a liberdade alcançada
Caminharei ao teu encontro.

Eu saberei reconhecer
Meus erros e qualidades
Sem tanto esforço
Já que irei amanhecer
Nesses fortes lindos braços.

Temer também não temo mais
O medo ficou em outro tempo
Está bem longe de nós.

As grades sendo derrubadas
Um novo mundo exposto
Com a liberdade alcançada
Caminharei ao teu encontro.

E poderei contigo viver
Entre luzes, amigos e flores
Todas as tardes, todas as noites...
Livre de antigos aprisionadores.

⁠Cuidado Onde Pisa

Tudo o que te paralisa
Na verdade te controla,
Cuidado onde pisa
Passe reto, sem demora.

Você procura uma boa fé
Mas não consegue encontrar
Ilusão e terror é o que vê
E fica difícil de acreditar.

Não deixe que te imponham
Uma doutrina que não é sua
Não deixe que te condenem
Por uma culpa que não é sua.

Tudo o que te paralisa
Na verdade te controla,
Cuidado onde pisa
Passe reto, sem demora.

Você descobre a luz na razão
Que te ilumina a caminhada,
Sem terror ou ilusão
E a carga fica menos pesada.

Não deixe que te manipulem
Com dogmas e rituais
Não deixe que te excluam
Pelas suas características essências.

Tudo o que te paralisa
Na verdade te controla,
Cuidado onde pisa
Passe reto, sem demora.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Mais Clara, Mais Crua

De noite, na rua, em frente ao parque
A minha solidão é sua
Decerto sei que você vaga em qualquer parte
Sob essa vaga lua

De noite, na rua, em frente ao parque
A minha solidão é sua
Decerto sei que você vaga em qualquer parte
Sob essa vaga lua

A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maltratos
A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maltratos

De noite alguém decerto lhe ampara
Por onde hoje você anda
Mas sem olhar sua ciranda louca
Daquele jeito que lhe desmascara

De noite alguém decerto lhe ampara
Por onde hoje você anda
Mas sem olhar sua ciranda louca
Daquele jeito que lhe desmascara

A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maltratos
A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maltratos

Agora, bêbada, você estremece
Como se ainda não soubesse
Em frente à porta desse bar
Em que embarca sob essa vaga lua

E a luz da lua apura a nitidez da marca
Mais nua, mais clara, mais crua

Depois de algum tempo você descobre a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Veronica Shoffstall

Nota: Trecho adaptado de poema de Veronica Shoffstall. Link

Tal como o espaço vazio numa pintura, o tempo em que nada acontece tem seu propósito.

A escrita da criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um processo de construção pessoal.

A verdadeira pergunta é inocente e é por isso mais própria da criança. A resposta perdeu já a inocência e é assim mais própria do adulto.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, Bertrand, 1992

A vida não dá o que espera dela a criança caprichosa mas apenas o que lhe arrancam à força os corajosos e os audaciosos.

Só um gênio conseguiria inventar um vidro de aspirinas impossível de ser aberto por uma criança que consegue fazer funcionar um gravador de vídeo.

Ampara e ajuda a todos, desde a criança desvalida, necessitada de arrimo e luz para o coração, até o peregrino sem teto, hóspede errante das árvores do caminho.

A criança responde às impressões que as coisas lhe causam com gestos dirigidos a elas.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de você.
É ter maturidade para falar: "Eu errei."
É ter ousadia para dizer: "Me perdoe."
É ter sensibilidade para confessar: "Eu preciso de você."
Ser feliz é ter a capacidade de dizer: "Eu te amo!"

Augusto Cury

Nota: Frase adaptada do livro "Dez leis para ser feliz", de Augusto Cury. Link

esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade, é lembrança
saudade só é saudade
quando morre a esperança

MEU IRMÃO

Quando criança
sentíamos a cumplicidade no olhar
as brincadeiras
as broncas
No sentar para comer
as fantasias próprias da idade.
Horas de cochicho na cama
até pegar no sono.
Fomos crescendo
junto, o peso da responsabilidade
o distanciamento
outros quereres
planos que se traçam
e se frustram
sonhos que ficam perdidos na memória
Olhar longe
com receio de cruzar os olhares.
Se perdendo no muito em fazer.
Que o meu entardecer
seja o seu amanhecer,
só que esse sol é o mesmo
eu sou a mesma.
Toda vez que ver uma rosa
saiba que ela simboliza o amor
esse meu irmão que sinto por você.
Quando sentir uma brisa leve
sou eu a te abraçar
Ao olhar pro mar
ele estiver revolto
é a saudade dentro do meu peito.
A distância é um detalhe.
O pulsar do coração
é a esperança de alcançar o sucesso.
A chegada é a alegria
de ver um irmão à casa retornar.

Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto

Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura
Quando chegar aos 30
Serei uma mulher de verdade
Nem Amélia nem ninguém
Um belo futuro pela frente
E um pouco mais de calma talvez

E quando chegar aos 50
Serei livre, linda e forte
Terei gente boa do lado
Saberei um pouco mais do amor
E da vida quem sabe

E quando chegar aos 90
Já sem força, sem futuro, sem idade
Vou fazer uma festa de prazer
Convidar todos que amei
Registrar tudo que sei
E morrer de saudade

Tenho urgência de tudo
Que deixei pra amanhã

Acho que não sou daqui
Paro em sinal vermelho
Observo os prazos de validade
Bato na porta antes de entrar
Sei ler, escrever
Digo obrigado, com licença
Telefono se digo que vou ligar

Não sou querida, me atrevo
A cometer duas vezes o mesmo erro

Espelho, espelho meu
Existe no mundo alguém
Que reflita mais do que eu?

Mesmo tendo juízo não faço tudo certo
Todo paraíso precisa um pouco de inferno

Ser bela e calma, quanta inutilidade
Mais vale um bom olhar profundo
E uma vida de verdade

Me corrijam se eu estiver errada
A realidade é nossa maior fantasia

Pudesse eu viver tudo o que imagino
Nem sete vidas me dariam tanto fôlego...

Martha Medeiros

Nota: Mistura de poemas retirados do livro "Poesia Reunida"

Tem cara de insuportável, pose de metida e coração de criança.
Ela é real.
Ela que vive com a cabeça na lua, com música nos ouvidos e coração na boca.
Ela é gorda, magra, feia e bonita, da mesma forma e quando quer.
Ela que tem defeitos, mas tá sempre em busca da perfeição, sabe-se lá como. Só ela sabe.
Ela não gosta do que vê, mas sorri pra quem a odeia.
Ela não sabe disfarçar.
Ela se diverte até sozinha.
Ela vai te amar mesmo te odiando.
Ela sorri bonito e deixa os outros querendo descobrir qual é o segredo que faz ela ser feliz.
Ela é crente, tem Deus acima de todas as coisas, supera o preconceito, faz amigos onde vai.
Já brigou, já lutou, já pediu perdão.
Já foi orgulhosa, mais já se humilhou.
Odeia briga, não suporta falsidade.
Ela ama, sente e chora.
Ela é menina e mulher, ela sabe muito bem o que quer. Porque apesar de tudo, ela é HUMANA!