Vou Tentando te Esquecer

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Não vou generalizar, mas muitos de vocês sobem no púlpito da própria arrogância para ditar quem vai para o inferno, usando a Bíblia como escudo para não olhar no espelho. A fé dessa gente virou um fetiche de superioridade. O meu espírito não precisa da aprovação de um fã-clube que finge amar a Deus enquanto torce pelo tropeço do vizinho.

Para você que está com o coração partido e pensando em fazer uma besteira, vou te dar o conselho de uma pessoa que também já passou por isso e hoje está vivendo.
O que você sente no peito não é uma metáfora ou drama; é o seu corpo inteiro trabalhando para sobreviver a uma fratura que os olhos não conseguem ver. Seu cérebro foi desconectado à força de uma fonte de anestesia e afeto, e agora ele está disparando alarmes na tentativa de te proteger do vazio. Essa dor atual não é o seu destino final, é apenas a velocidade máxima do impacto. O seu peito aperta porque ele está recolhendo os destroços, se contraindo para suportar o peso do agora. Não tente ser forte para o mundo e nem tenha pressa de esquecer. Cada lágrima é o seu organismo limpando os excessos de uma química que já não te pertence mais. O tempo não vai apagar o que foi vivido, mas ele vai devolver o oxigênio para o seu pulmão. Você não sumiu junto com quem partiu. O seu coração continua aí, batendo assustado, mas batendo. Respire. Sobreviva aos próximos minutos. A calmaria sempre volta para o corpo que resiste à tempestade.

Posso mudar o meu futuro inteiro, mas nunca vou conseguir apagar o passado lindo que escrevi com você.

Nós dois viramos a história mais bonita que eu nunca mais vou poder contar para ninguém.

Juro que não vou mais chorar,
Embora a dor ainda seja um mar.
Guardo o que foi no peito apertado,
Um amor lindo, hoje, passado.
​Teu nome é um espinho a ferir,
No silêncio que escolhi para seguir.
Mas cada lágrima que agora seco,
É um adeus que à saudade ofereço.
​O palco da vida precisa de sol,
Não desta peça fria, sem farol.
Juro, de novo, que não vou mais ceder,
Vou aprender a ser, sem você.

Ainda vou te mostrar, com o tempo e com gestos, a verdade que o meu silêncio já gritava: eu sempre fui o grande amor da sua vida.

O destino pode dar voltas, mas ele sempre vai estacionar no mesmo lugar. Ainda vou te provar que, em cada detalhe, eu sempre fui o amor que você tanto procurava.

Não importa quanto tempo passe, eu guardo em mim a certeza de que o meu abraço é o seu lugar. Vou te mostrar que o 'sempre' começou no dia em que te vi.

Tomei uma decisão dolorosa, mas necessária: decidi seguir em frente. Não vou mentir dizendo que é fácil, porque não é, mas tornou-se inevitável. Cansei de esperar por algo que nunca vai acontecer e meu coração cansou de apanhar da realidade.
​A verdade é que eu ainda te amo muito, mas percebi que não faz sentido insistir em algo que só eu luto para manter. Mesmo querendo muito que fosse diferente, entendi que o 'nós' não existe mais. Venho aqui te dizer o meu último 'eu te amo'. Eu não queria que terminasse assim, mas infelizmente aceitei que não era para ser.

Um dia você vai me ligar e eu não vou atender.
Um dia você vai me mandar mensagem e eu não vou responder.
Um dia você vai me pedir para voltar e eu não vou aceitar.
Um dia você vai tentar me procurar para pedir desculpas por tudo, e eu não vou estar mais aqui nesse mundo.
Nesse exato momento, a sua ficha vai cair e a dor de ter me rejeitado vai se tornar real.

Tem momentos onde percebo muito claramente que nunca vou encontrar alguém como eu, e nem que seja capaz de me entender em algum nível. Eu sempre vou estar sozinha. Sempre será assim. Mesmo que houvesse milhões de pessoas aqui, ainda estaria completa e absolutamente só.
- Marcela Lobato

Vou-me embora pra Pasárgada: minha Pasárgada


Estou de partida,
malas prontas...
é hora da despedida.
À cidade que me acolheu
digo adeus...
parto sorridente,
good bye a toda gente...
Nem sente,
coração ingrato...
Fato!
Verdade convincente:
saudade... meu coração nem antessente...
Lágrimas tantas derramadas...
mil sorrisos no rosto falsamente costurados...
dor profunda (in)disfarçada...
vou-me embora tão contente.
Adeus, bye bye, good bye, so long
até logo... até mais...
Mentira:
até nunca mais.
Voltar!? Jamais...
Sou "rainha e falsa demente".
Minha Pasárgada bem à minha frente
Abre as portas... abre alas... e me recebe – tão maravilhosamente eu chego contente.
Uma vida de deslumbramento do seu portão pra frente.
Deixo pra trás meu passado rasgado, pisoteado, picotado, amargurado, acabrunhado, desalmado, pra sempre acabado.
Re-ta-lha-do... propositalmente da minha mente deletado.
Rosangela Calza

Não importa se você vai ou não
Eu vou e sem medo de nada

Eu amei. Eu amo, e por milênios ainda vou amar...

E olha… eu vou te contar uma coisa que a gente só entende depois de apanhar emocionalmente igual tapete em dia de limpeza pesada… amor que marca é barulhento. Faz escândalo, quebra prato invisível, deixa cicatriz que a gente até mostra com um certo orgulho, tipo troféu de guerra que ninguém pediu pra disputar. Já o amor que permanece… ah, esse quase não faz barulho nenhum. Ele chega de mansinho, senta do seu lado e, quando você percebe, já está ali há anos, dividindo até o último pedaço de pão e o último suspiro de paciência.


Eu já fui dessas que confundia intensidade com destino. Achava que quanto mais difícil, mais verdadeiro. Quanto mais lágrimas, mais profundo. Basicamente uma novela mexicana ambulante, só faltava a trilha sonora dramática e uma câmera dando zoom no meu rosto enquanto eu olhava pro nada pensando “por quê?”. E o pior é que a gente romantiza isso. A gente acha bonito sofrer. Olha que perigo.


Mas aí a vida, essa professora sem paciência e sem filtro, vem e fala “minha filha, senta aqui que você ainda não entendeu nada”. E foi aí que eu comecei a perceber que o amor que fica não precisa te convencer de nada. Ele não te deixa em dúvida, não te faz virar detetive emocional, não exige interpretação de texto às três da manhã.


O amor que permanece é quase sem graça… e é justamente por isso que ele é extraordinário. Ele não te dá frio na barriga todo dia, porque te dá algo muito melhor: paz. E paz, minha querida, não viraliza, não rende história caótica pra contar pras amigas, não dá engajamento… mas sustenta uma vida inteira.


Entre o amor que marca e o amor que permanece, eu também fico com o que fica. Porque o que marca às vezes só prova que doeu. O que permanece prova que deu certo. E no final das contas, depois de tanto drama desnecessário, tudo o que a gente quer é alguém que fique. Que fique quando o encanto dá uma cochilada, quando o dia é comum, quando a gente não está interessante, quando a gente só é… humana.


E é curioso, porque o amor que fica não grita “eu sou o amor da sua vida”. Ele só… fica. E nisso, ele vence.


Agora me diz, você ainda está escolhendo emoção ou já está escolhendo permanência?

Eu vou te dizer uma coisa que ninguém gosta de ouvir, mas todo mundo já sentiu na pele em algum momento: não é o silêncio que machuca, é o que a gente imagina dentro dele. Porque o silêncio, por si só, é só ausência de som… mas na cabeça da gente ele vira roteiro de filme dramático, com trilha sonora triste e direito a prêmio de sofrimento interno.

Tem gente que olha pra vida como quem olha pra um espelho quebrado e pensa assim, vou deixar um pedaço meu espalhado por aí, quem sabe assim eu não sumo por completo. Aí faz filho como quem planta uma placa escrita “eu estive aqui”, como se o tempo fosse um porteiro educado que respeita avisos. Mas o tempo não respeita nada, minha filha. O tempo entra sem bater, apaga luz, leva os móveis e ainda sai assobiando.

A gente cresce ouvindo nomes de família como se fossem heranças eternas, como se aquele sobrenome fosse uma espécie de colete à prova de esquecimento. Só que aí você para pra pensar com calma, numa terça-feira qualquer, lavando uma panela ou dobrando roupa, e percebe que mal lembra o nome dos seus bisavós. Às vezes nem foto tem. Viraram um vulto, uma história mal contada, uma frase começando com “dizem que...”. E pronto. Foi assim que uma vida inteira virou rodapé.

E não é falta de amor, não. É excesso de tempo mesmo. O tempo vai empilhando gerações como quem guarda caixa em cima de caixa no fundo do armário. Uma hora ninguém mais abre. E lá dentro ficam risadas que ninguém mais escuta, medos que ninguém mais entende, sonhos que ninguém mais sabe que existiram. Tudo guardado, tudo esquecido, tudo tão humano.

Aí me vem essa ideia de imortalidade através de filho, e eu fico meio assim, meio rindo, meio pensativa. Porque não é sobre permanecer no mundo, é sobre ter feito sentido enquanto esteve aqui. Não adianta querer eco eterno se a própria voz nunca foi ouvida de verdade nem por si mesma. Não adianta deixar descendência se a existência foi vazia de presença.

No fim, a gente não fica. O que fica é um gesto, um jeito, uma frase repetida sem saber de onde veio. Fica um costume, um traço no rosto de alguém, uma mania de rir em hora errada. A gente vira detalhe. E talvez isso seja até mais bonito do que virar monumento. Monumento ninguém toca. Detalhe vive sem pedir licença.

Então talvez o segredo não seja tentar não ser esquecida. Talvez seja viver de um jeito que, mesmo esquecida, tenha valido cada segundo. Porque a verdade, meio sem glamour nenhum, é essa: o esquecimento não é o contrário da importância. É só o destino comum de quem passou por aqui.

E eu, sinceramente, acho libertador. Dá um alívio danado saber que não preciso carregar o peso de ser eterna. Já basta ser inteira enquanto dura.

Eu vou voltar a cuidar de mim.

Existem pessoas que ainda vou conhecer.
Existem lugares que ainda vou descobrir.
Existem sonhos que ainda vou realizar.
Eu sou mais forte do que imagino.

Tem portas que eu fechei, não porque nunca mais vou abri-las, mas porque quem me feriu, nunca mais deixarei entrar.