Vou dar Volta ao Mundo
Imagine como seria o mundo se o dinheiro doado para as religiões fosse doado para pesquisas científicas e médicas.
As pessoas são felizes porque são indiferentes ao sofrimento, indiferentes a feiura do mundo, portanto há uma relação entre felicidade e maldade. O mundo é feio e mal porque a maioria das pessoas está mergulhada numa felicidade enlouquecedora
Ser bom no xadrez é sinal que você talvez poderia fazer coisas que são úteis para o mundo, mas escolheu fazer coisas que são inúteis.
AH, ESTE MUNDO!
Deveríamos antes perguntar para as pessoas que vão nascer neste inferno chamado mundo: Você tem dinheiro suficiente para nascer e sobreviver por aqui? Caso não tiver, nem venha.
Não podemos deixar o mundo pior que encontramos, isso não seria justo para com as futuras gerações.
Jamais aceitarei viver em um mundo que tolere a escravidão humana. Esse fardo pesa como uma sombra insuportável sobre minha existência. Como suportar um mundo onde o espírito se curva diante de correntes, onde a dignidade humana é pisoteada em nome da ganância ou da apatia? Se a escravidão é o ápice daquilo que a humanidade pode oferecer, então que valor há em sua continuidade? Melhor seria abraçar, com uma fúria serena e definitiva, a extinção absoluta desta sociedade. Pois viver em tal sujeira é morrer a cada instante; preferível seria que o horizonte se desfizesse por completo, levando consigo o vil teatro que chamamos de civilização.
Na maturidade nós paramos. O mundo desinbesta, corre, compete, compara, julga. Você descobre que a sua vida não pertence aos outros. Ela é a sua pessoal e personalizada dádiva.(Walter Sasso)
DESPERTAR
Quando escurece o mundo,
Abro teus olhos pulsantes,
Para colher-te descoberta em minhas mãos.
Tenho vontade de me morrer em ti,
Se é que me posso nascer de amar,
Para me despertar em tua eternidade.
Carlos Daniel Dojja
Quando enxergamos o mundo em que vivemos e o sentimos.
Somos tomados por duas vertentes potentes.
A sensibilidade mostra-nos o que deve ser percebido, e em olhando para além das aparências, aprofundarmo-nos como a raiz na terra.
Daí advém a capacidade de sentirmo-nos encorajados a semear mudanças.
Reflexão sobre o Dia Mundial da Terra
"Tudo muda, a muda vira planta, a planta fica muda mas ouve tudo e se muda para mover seu mundo, por isso fico mudo, sou muda, estou me mudando, tchau".
O Amanhecer do Orvalho
Desperto antes do Sol, quando o mundo ainda respira em segredo. Levanto-me com o silêncio de Oxalá, aquele que traz a paz e a pureza das manhãs. Me alongo como se estendesse meu corpo até os troncos mais altos de Iroko, pedindo força e equilíbrio.
Respiro fundo. O ar da madrugada ainda carrega o hálito de Nanã — o mistério antigo das águas paradas, do tempo que não corre, mas mergulha. Ouço músicas como se fossem orikis, louvores antigos aos que me guardam. E quando entro no ônibus, sei: não é apenas um transporte. É um navio de tempo, conduzido por Ogum, senhor dos caminhos e das encruzilhadas.
As montanhas de Minas me acolhem com braços de Xangô — firmes, justos, cheios de presença. O Sol começa a romper o céu como a machadinha que corta o véu entre mundos. A garoa se dissolve nas folhas, e cada gota do orvalho é um axé que Exu espalha pelo chão: movimento, transformação, recado.
O céu avermelhado anuncia Iansã, que dança com o vento e sacode as nuvens com sua energia tempestuosa. Ela não pede licença: ela liberta. Sinto sua força nos fios do cabelo, no arrepio da pele, na velocidade do mundo que desperta.
As folhas pingam em silêncio, e Oxóssi, o caçador que conhece os segredos da floresta, caminha ao meu lado. Ensina-me a observar. A natureza me fala em símbolos, em aromas, em pequenos gestos. O cheiro da terra molhada é saudação a Omolu, senhor da cura e da renovação.
Na luz que esquenta devagar, vejo o sorriso de Obá, guerreira discreta, força que é ternura. E quando o calor toca a pele, é Xangô de novo, com sua justiça luminosa dizendo: “É hora de viver com coragem.”
Estou dentro do ônibus, sentado, vendo tudo passar depressa, mas dentro de mim tudo é lento, ancestral. O tempo gira em círculos, como os giros de Oxum nas águas doces, como os passos de Iemanjá nas espumas do mar. Tudo passa, mas tudo permanece.
Sou parte do mundo. Sou feito de terra, de água, de fogo, de ar. Sou filho do tempo, guardado pelos Orixás. O amanhecer não é só um momento do dia. É um rito. Um reencontro com aquilo que nunca dorme: a força sagrada da vida.
Passei uma vida vestindo armaduras, aprendendo a me proteger em um mundo que me testava a cada instante. Fui forjada pela necessidade de ser forte, de erguer muralhas ao redor de um coração que não podia sentir, tinha que suportar. Mas dentro dessa força, sempre existiu uma essência, pura e verdadeira, esperando pelo momento de respirar livremente.
A Singularidade que Move o Mundo
Autoria: Diane Leite
Há algo de extraordinário no mundo que ainda é ignorado por muitos. São pessoas que, no silêncio de suas existências, carregam um poder que não pode ser medido pelos padrões típicos. São os autistas, especialmente os de nível 1, aqueles que um dia foram conhecidos como portadores da Síndrome de Asperger. E enquanto muitos tentam moldá-los para caber em caixas que nunca foram feitas para eles, a verdade é que essas caixas nunca foram grandes o suficiente para conter sua genialidade.
O que seria da nossa sociedade sem eles? Pense na internet que usamos diariamente, nas redes sociais que conectam bilhões de pessoas ao redor do mundo, no avanço tecnológico que nos coloca em contato com o futuro. Quem você acha que está por trás disso? Não precisa ir longe: Elon Musk, considerado um dos maiores visionários da atualidade, é autista. Ele não foi moldado para ser "como todo mundo". Ele é o que é porque aceitou sua diferença como sua maior força.
Mas antes de falarmos dos grandes nomes, olhemos para dentro de casa. Meu filho mais velho, aos 3 anos, lia e escrevia; aos 10, falava várias línguas sem nunca ter tido uma aula formal. Meu filho mais novo seguiu o mesmo caminho. E eu, com 4 anos, já estava anos-luz à frente do que se esperava de uma criança comum. Somos autistas. Não encaixamos. Não seguimos a manada. Mas isso não é um defeito. Isso é nosso poder.
Por que a sociedade insiste em ver o autismo como algo a ser "consertado"? Por que as escolas reclamam da dificuldade em lidar com essas crianças, ao invés de enxergarem o potencial que elas trazem? Um autista pode ter dificuldade em amarrar os cadarços, mas pode criar uma nova tecnologia que mude a forma como vivemos. Ele pode parecer alheio às conversas sociais, mas está hiper focado em algo que revolucionará o mundo.
A sociedade precisa parar de tentar tornar o autista um típico. Inclusão não é moldar; é respeitar e utilizar as habilidades únicas de cada indivíduo. Nos Estados Unidos, as escolas estão anos-luz à frente nesse quesito. Elas identificam as altas habilidades dessas crianças e as direcionam para áreas em que podem brilhar. Enquanto aqui muitos autistas ainda precisam provar que são "bons o suficiente", lá, eles são incentivados a serem exatamente quem são.
O hiperfoco de um autista é sua maior arma. Enquanto um típico se distrai com questões sociais, o autista vai fundo, termina o que começou, e faz isso de forma brilhante. É assim que grandes mentes mudaram o mundo. Pense em Temple Grandin, que revolucionou o manejo de animais com sua sensibilidade e visão única. Pense em Anthony Hopkins, cuja profundidade como ator é incomparável.
E é justamente essa singularidade que precisa ser respeitada. Não precisamos de pena. Não somos vítimas. Somos geniais à nossa maneira, e o mundo só tem a ganhar se aprender a nos respeitar e utilizar nossas habilidades de forma inteligente.
Querem inclusão? Então entendam que o autista não foi feito para ser igual. Ele foi feito para ser extraordinário. Aceitar isso é o primeiro passo. Respeitar é o segundo. E, por fim, permitir que floresçamos em nosso próprio ritmo e com nossas próprias cores é o que realmente mudará o mundo.
Aos pais, professores, e à sociedade como um todo, digo isso: parem de reclamar. Observem. Incentivem. Não tentem nos encaixar em moldes. Deixem-nos ser quem somos. Porque enquanto vocês se preocupam em nos corrigir, nós estamos ocupados mudando o mundo.
E que um dia, as futuras gerações não precisem gastar energia provando seu valor. Que elas possam ser quem são, desde o início, e que sejam vistas, não como desafios, mas como presentes. Porque é isso que somos: presentes únicos, destinados a transformar tudo ao nosso redor.
E o que resta a vocês é apenas uma coisa: respeitem-nos. Porque o futuro que tanto desejam já está sendo construído por nós.
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Nota da Autora: Essa crônica é uma celebração da singularidade dos autistas, um chamado à empatia e à admiração por aqueles que veem o mundo de uma forma única. Que ela inspire reflexão, respeito e ações que realmente façam a diferença.
CAPÍTULO I
APRENDER A FECHAR AS PORTAS DA ALMA.
Filtrar os acontecimentos não é negar o mundo. É restabelecer hierarquia interior. O que tudo invade é porque tudo recebeu o mesmo peso. A alma, quando não seleciona, adoece por excesso de realidade.
O primeiro filtro é o discernimento do que merece permanência. Nem tudo que acontece fora exige hospedagem interior. Há fatos que devem ser reconhecidos e depois deixados seguir. A tradição sempre ensinou que a sabedoria começa quando se aprende a distinguir o essencial do ruidoso.
O segundo filtro é o ritmo. A vida moderna impõe simultaneidade. Antigamente, as dores vinham uma a uma. Hoje chegam em bloco. Recuperar o ritmo humano é reduzir a exposição. Escolher quando ouvir. Quando ler. Quando silenciar. O excesso de informação desorganiza a sensibilidade e dissolve as defesas naturais do espírito.
O terceiro filtro é o recolhimento consciente. Não se trata de fugir do mundo, mas de retornar a si. Momentos de solidão escolhida restauram limites internos. A interioridade sempre foi o lugar onde o ser humano reorganiza o sentido antes de voltar ao convívio.
O quarto filtro é a linguagem interior. Aquilo que não se consegue nomear tende a invadir de forma difusa. Dar nome ao que afeta é conter. Pensar é organizar. Escrever é delimitar. O que ganha forma perde poder invasivo.
Por fim, há o filtro ético. Nem toda dor alheia é incumbência pessoal. A compaixão verdadeira não se confunde com absorção. Ajudar não é carregar. É sustentar sem se perder.
Filtrar os acontecimentos é um exercício antigo. Sempre foi assim. O mundo nunca foi leve. Leve precisa ser o olhar que aprende a escolher o que entra. Porque quem não fecha as portas da alma acaba transformando a própria sensibilidade em campo de batalha.
Eis exemplos claros, ancorados na experiência humana tradicional, sem romantização do excesso moderno.
ANTIGAMENTE, AS DORES VINHAM UMA A UMA. HOJE CHEGAM EM BLOCO.
Antigamente, a dor tinha rosto e tempo. Um luto era vivido até o fim antes que outro começasse. A escassez de notícias fazia com que o sofrimento fosse localizado. Morria alguém da aldeia. Havia o velório. O silêncio. O luto compartilhado. Depois, a vida retomava seu compasso. A dor era profunda, mas circunscrita.
Hoje, em um único dia, o indivíduo é exposto a uma tragédia distante pela manhã, a uma violência simbólica ao meio dia, a um conflito social à tarde, a uma crise econômica à noite e a uma dor íntima antes de dormir. Nada se encerra. Tudo permanece aberto. O espírito não encontra fechamento.
Antes, o sofrimento vinha pela experiência direta. Hoje vem pela exposição contínua. Não é vivido. É absorvido.
RECUPERAR O RITMO HUMANO É REDUZIR A EXPOSIÇÃO.
Escolher quando ouvir. Antigamente, escutava se quando alguém batia à porta ou quando a comunidade se reunia. Hoje, escuta se o tempo todo, mesmo sem consentimento. Recuperar o ritmo é desligar o fluxo. Não atender a todas as vozes. Não se sentir moralmente obrigado a reagir a tudo.
Escolher quando ler. A leitura era um ato deliberado. Um livro. Um texto. Um tempo reservado. Hoje, lê se fragmentos incessantes. Manchetes. Opiniões. Julgamentos. Reduzir a exposição é resgatar a leitura lenta e profunda e recusar o consumo contínuo de conteúdo que apenas excita a angústia.
Escolher quando silenciar. O silêncio era parte da vida cotidiana. Caminhadas. Noites sem estímulo. Trabalho manual. Hoje, o silêncio causa desconforto porque revela o cansaço oculto. Recuperar o ritmo humano é reaprender a ficar sem ruído, sem resposta imediata, sem explicação.
O TERCEIRO FILTRO. O RECOLHIMENTO CONSCIENTE.
Antigamente, o recolhimento era natural. A noite encerrava o dia. O inverno recolhia a vida. A velhice diminuía o ritmo. Hoje, recolher se é visto como fraqueza ou improdutividade.
O recolhimento consciente é escolher sair de circulação por um tempo. Não responder imediatamente. Não opinar sobre tudo. Não se expor quando o interior pede abrigo. É a pausa deliberada que impede o colapso silencioso.
Exemplo concreto. A pessoa que sente o mundo invadir não precisa explicar se. Ela precisa se recolher. Caminhar sem destino. Escrever sem publicar. Pensar sem compartilhar. Orar sem espetáculo. Esse recolhimento não é fuga. É higiene da alma.
Porque o espírito humano nunca foi feito para carregar o mundo inteiro ao mesmo tempo. Ele precisa de intervalo. De fronteira. De retorno ao seu ritmo ancestral. E quando esse ritmo é respeitado, as defesas naturais voltam a existir.
A Luz Que Dança no Silêncio
À medida que a noite cai e o mundo silencia, algo desperta dentro de nós — uma presença suave, que não tem nome nem forma, mas que sentimos com clareza no coração.
Ela vem com o vento que toca a janela, com a brisa que embala os pensamentos, com a luz da lua que se deita sobre o travesseiro como um sussurro da alma.
Essa luz não julga, não cobra. Ela apenas convida.
Convida você a fechar os olhos e voltar para dentro.
Voltar para o centro calmo onde mora sua verdade.
Aquele espaço onde não existe medo, apenas lembrança:
Você é feito da mesma matéria das estrelas.
Respire. Sinta. Lembre.
O universo inteiro pulsa em você.
E mesmo nos dias mais escuros, essa luz nunca se apaga.
Ela apenas espera…
Pelo silêncio que permite encontrá-la.
Boa noite.
Boa luz.
Boa alma.
– Diane Leite
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