Voce foi meu Pecado
Foi ontem, quando começou nossa eternidade! Quando nos reconhecemos, assim o amor se fez, de uma vez para nunca mais se repetir igual e tão perfeito!
Chamava-se Laura.
Não foi um amor como os outros. Não começou com febre no corpo nem com a vertigem dos impulsos súbitos. Começou com silêncio. Um silêncio atento, desses que antecedem as revelações. Ele a conheceu num curso de literatura, numa sala de paredes altas e ventiladores lentos, enquanto discutiam um conto de Machado de Assis. Ela, ainda insegura, confessou que sentia algo no texto que não sabia explicar. Não era tristeza, não era ironia, não era encanto. Era outra coisa.
Ele sorriu com a delicadeza de quem reconhece um território fértil. Disse que literatura não se explica, se atravessa. Que às vezes a compreensão vem depois da vertigem.
Foi ali que começou.
Não houve anúncio, nem consciência imediata de que algo raro se instalava. Apenas uma sequência de encontros que passaram a acontecer com naturalidade. Ele lhe emprestou A Paixão Segundo G.H., sublinhado nas margens com sua letra inclinada, como se oferecesse não apenas o livro, mas suas próprias interrogações. Deu-lhe um exemplar gasto de O Livro do Desassossego, dizendo que aquele livro não se lê, se suporta. Advertiu que ali não havia respostas, apenas espelhos.
Ela recebia cada obra como quem recebe um rito de passagem. Lia devagar, fazia anotações, voltava com perguntas. Ele a ensinava a ouvir o silêncio entre os versos. Mostrava que um poema não termina no ponto final, mas na respiração de quem o lê. Falava sobre a diferença entre emoção e sentimentalismo, entre lirismo e exagero. Ela o escutava com olhos vivos, mas não submissos. Havia nela uma inteligência em formação que não queria imitar, queria compreender.
Tomavam café no fim da tarde, sempre na mesma mesa junto à janela. A luz entrava oblíqua, pousava nos livros abertos, desenhava sombras sobre as xícaras. Falavam de Carlos Drummond de Andrade como quem fala de um parente distante, às vezes incômodo, às vezes necessário. Riam de versos que pareciam simples e eram abismos.
Ela anotava frases dele num caderno azul. Ele fingia não perceber, mas percebia tudo. Percebia o modo como ela inclinava a cabeça ao discordar. O jeito como ficava em silêncio antes de formular uma ideia. A maturidade que surgia pouco a pouco, como uma construção interna.
Andavam de mãos dadas pelas ruas do centro, não como amantes clandestinos, mas como dois pensadores que haviam encontrado abrigo um no outro. Não havia pressa. Não havia corpo colado. Havia calor, mas era um calor que vinha da palavra, do reconhecimento, da partilha de mundo.
Nunca houve beijo.
Nunca houve quarto fechado.
E, ainda assim, havia algo que doía como se tivesse havido tudo.
Porque havia possibilidade.
E possibilidade é uma das formas mais agudas de sofrimento.
Havia momentos em que ele sentia o impulso de atravessar a linha invisível que os separava do gesto definitivo. Bastaria inclinar o rosto. Bastaria permitir que a mão que já segurava se tornasse abraço. Mas algo o detinha. Talvez a consciência da diferença de tempo entre eles. Talvez o medo de macular aquela pureza intelectual com a concretude do desejo. Talvez a intuição de que certas experiências sobrevivem justamente por não se consumarem.
Ela, por sua vez, nunca pediu mais. Mas havia instantes em que seus olhos demoravam um segundo além do necessário. Instantes em que o silêncio se tornava denso demais. Nenhum dos dois era ingênuo. Sabiam que algo pulsava ali. Escolheram não nomear.
Ela partiu primeiro.
Um convite para estudar fora. Uma bolsa. Um futuro promissor que se abria como estrada. Ele a encorajou com a generosidade dos que sabem que amar também é não prender. Disse que o mundo era maior do que aquela cidade, maior do que os cafés, maior do que a cumplicidade que haviam construído.
No dia da despedida, caminharam longamente sem falar. A cidade parecia suspensa. O tempo, dilatado. No final, ela apertou a mão dele com força, como quem segura a borda de um precipício. Não disseram eu te amo. Talvez porque amor dito exige consequência. E consequência exigiria coragem.
Depois disso, apenas distância.
Os anos passaram com a indiferença própria do tempo. Ele publicou poemas. Dedicou alguns que nunca tiveram destinatário explícito. Quem lia não sabia, mas havia sempre uma interlocutora invisível entre as linhas. Cada metáfora lapidada tinha algo do rigor que aprendera ao dialogar com ela. Cada silêncio poético carregava ecos daqueles cafés.
Às vezes via notícias dela nas redes sociais. Um livro publicado. Uma palestra. Um reconhecimento. Sorria com uma mistura de orgulho e perda. Pensava que fora ele quem abrira aquela porta. E logo depois se envergonhava do pensamento, como se o amor verdadeiro não devesse reivindicar autoria.
À noite, às vezes, relia as mensagens antigas. Não havia promessas ardentes nem declarações dramáticas. Havia debates sobre metáforas. Havia áudios discutindo a diferença entre lirismo e sentimentalismo. Havia risadas espontâneas, comentários sobre o mar, sobre o medo de não ser suficiente para a própria vocação.
E havia aquilo que não aconteceu.
O que dói não é o que foi.
É o que poderia ter sido.
Ele sabe que, se tivessem atravessado aquela linha invisível, talvez tudo tivesse se queimado rápido demais. Talvez o encanto tivesse se tornado cotidiano. Talvez tivessem se ferido na banalidade das expectativas. Talvez o amor concreto não suportasse a altura da idealização.
Mas há noites em que ele deseja ter arriscado.
Deseja ter trocado a lucidez pela vertigem. A elegância pela entrega. A ordem pelo caos.
Porque viver é administrar o caos, e ele, naquela história, escolheu a ordem.
Ela segue outro caminho. Ele também. Não se falam. Não se procuram. Mas às vezes, ao abrir um livro antigo, ele encontra uma dobra numa página que marcou para ela. Passa os dedos sobre o papel como quem toca uma cicatriz. E sente uma melancolia fina, quase elegante.
Não é arrependimento.
É a consciência de que existiu um amor que não precisou de corpo para ser inteiro e, ainda assim, ficou incompleto.
Boa noite!
Senhor, gratidão pelo dia que passou
e por tudo o que foi cuidado em silêncio.
Entrego a Ti o que pesa,
o que não entendo,
e o que só o tempo pode curar.
Abençoa meu descanso, meu lar,
minha família e meus planos.
Que Tua paz nos envolva
até o novo amanhecer.
Amém.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Tem milagre disfarçado de silêncio.
Naquela dor que não veio.
Naquela pessoa que foi.
Na saúde que ficou.
Tem cuidado escondido no simples:
no alimento na mesa,
no teto que protege,
no abraço que chega mesmo de longe.
É que, às vezes, o que a gente chama de rotina…
é só Deus agindo nos bastidores.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Não foi sorte… Foi coragem.
Não foi por acaso… Foi escolha.
Teve lágrima engolida, medo escondido e noites em claro.
Mas teve também fé teimosa, joelhos no chão e um coração que nunca deixou de sonhar.
Eu lutei.
Acreditei.
Me levantei cada vez que caí — e fui em frente.
Porque quando a gente confia em Deus e não desiste de si,
até o impossível muda de direção.
A fé reescreveu a minha história.
E pode reescrever a sua também.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Quando Deus age, Ele não precisa explicar.
Ele desfaz o que não era,
reconstrói o que foi quebrado
e faz florescer onde parecia fim.
Ele é Deus — e isso basta.
- Edna de Andrade
Nem tudo o que dói foi Deus quem escreveu.
Ele nos deu escolhas —
e a vida, às vezes, devolve
o que a gente plantou sem perceber.
Deus não castiga.
Ele cuida.
Mesmo quando seguimos por caminhos
que Ele nunca quis que a gente fosse.
Não é sobre culpa.
É sobre consciência.
E sobre saber que, mesmo assim,
Ele continua ali — amando, guiando, esperando.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Bom dia!
Que esta semana comece com a leveza de quem confia —
porque Deus já foi adiante, abrindo caminhos,
acalmando ventos e cuidando de cada detalhe.
Que não falte fé para recomeçar,
nem gratidão para reconhecer o cuidado divino em cada instante.
Respira fundo, entrega os planos,
e segue com o coração sereno.
Há promessas que florescem no tempo certo
— e Deus nunca se atrasa.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Boa noite.
Que a calma desta noite embale seu descanso
com a doçura de quem sabe que foi cuidado o dia inteiro…
Que os anjos de Deus estejam ao redor da sua cama,
protegendo cada suspiro, cada pensamento, cada sonho.
Gratidão por hoje.
Esperança para amanhã.
Deus está aqui.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
A gente aprende a agradecer pelas grandes conquistas...
mas esquece que foi no caminho, e não na chegada,
que o coração mais precisou de gratidão.
Porque tem beleza no silêncio que acolhe,
na força que levanta devagar,
no abraço que chega sem alarde
e na paz de um dia comum —
vivido com verdade.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
A vida nunca foi feita só dos grandes acontecimentos.
Ela se revela mesmo é nas entrelinhas:
no cheiro do café que abraça a manhã,
no sol atravessando a janela,
no olhar que acolhe sem dizer uma palavra.
É um “tô aqui” sussurrado no silêncio,
um bilhete esquecido sobre a mesa,
um carinho que chega sem alarde — e permanece.
A vida pulsa nos detalhes que quase passam despercebidos…
mas são eles que fazem tudo valer a pena.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Hoje não foi perfeito,
mas teve amor, tentativa, presença.
Se olhar bem… teve muita luz também.
— Edna de Andrade
Nem tudo o que permanece
foi feito para continuar.
Há coisas que ficam
mesmo depois de deixarem
de fazer sentido.
E, às vezes,
o maior gesto de amor-próprio
é soltar com carinho
o que já não caminha ao lado da gente.
Que o seu coração tenha sabedoria
para reconhecer o que merece abrigo
e coragem para despedir-se
do que já cumpriu o seu tempo.
Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Há uma alegria serena em olhar para trás e reconhecer o caminho que me trouxe até aqui.
Não foi sorte — foi escolha.
Foi coragem de me mover, mesmo quando o coração tremia.
As maiores mudanças nasceram no silêncio,
quando entendi que estava tudo bem deixar para trás
o que não me fazia crescer.
A vida foi se abrindo,
como quem diz:
“eu sabia que você viria”.
Hoje, carrego comigo o orgulho do que vivi
e a gratidão pelo que me tornei.
E sigo — confiante —
porque sei que a história continua,
e ainda há muito de mim para florescer.
— Edna de Andrade
A Vida foi feita para se gastar, não a economize. Tem gente que morre velha com a vida novinha em folha.
Fia foi-se e eu, cá, sem ela
Na sua infinita jornada
Mais uma etapa se realizou --
Caminho de todos nós.
Seja lá no que cada um acredita,
Esta instância terrena se encerrará.
Novos...
Caminhos
Jornadas
Lances e
Encontros.
Não importa...
A porta do outro plano sempre estará aberta para todos!
Alerta aos incautos e descrentes:
__O fato é que ninguém escapa do que é certo
E o certo é o amor que nos une
e continuará nos unindo em todas as etapas.
Com afeto e amor a você, Fia!
Da amiga Hidely
06.01.2023
O PASSADO
O passado é miragem
É um cacto isolado
É história que foi dita
É recado que foi dado
É um livro que foi lido
É um fruto consumido
É baú que foi fechado
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