Voce a Luz do meu Viver
Deixar a vida nos levar, deixar as coisas acontecerem naturalmente, é a forma mais leve de se viver. A ansiedade e a impaciência podem acabar com momentos maravilhosos que rolariam e se desenrolariam de maneira natural se deixássemos que as coisas fluíssem por si só...
A santidade significa viver para Deus e o pecado significa viver para si mesmo.
Viver para min, DE VERDADE, significa concretizar ou renunciar a algo com consiência, conquistar e despedir-se, ser feliz e sofrer.
Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.
Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.
É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. Ser brotinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar sonso-vagaroso, abraçada a uma porção de elepês coloridos. É dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e natural. É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.
Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento exato de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois cruzeiros com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.
É telefonar muito, estendida no chão. É querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. É fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento, pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.
Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite e sem roupa, completamente. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.
É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. É ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do Porto e ter dado um vexame modelo grande. É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.
Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado ballet e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gatinho magro que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue-jeans. Ter horror de gente morta, ladrão dentro de casa, fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. Eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. É fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. É policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar songamonga de quem nada vê, nada ouve, nada fala.
Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.
Cultive o seu melhor sorriso e sinta a felicidade de receber esta dádiva de simplesmente VIVER! A felicidade está nos pequenos detalhes de carinho que graciosamente florescem nos nossos dias!
Se viver significa ter que me vergar perante escumalha como vocês, eu prefiro morrer de pé com a minha cabeça erguida.
A mulher negra tem força de viver no sangue, e, de todas as mulheres, de todas as raças, cores e credos, a mulher negra é a mais sábia, porque ela teve que passar por todos os preconceitos e machismos que toda mulher passa ao longo dos séculos, porém, ela teve que esfregar na marra, sua força, seu valor e sua capacidade na cara de uma sociedade imbecil e racista, que aos poucos e muito lentamente, se desprende de conceitos idiotas baseados apenas na cor da pele.
Hoje, graças a força que corre nesse sangue guerreiro, a mulher negra é sinônimo de sabedoria, liderança, beleza e inteligência, porque teve que fazer e saber, tudo em dobro das demais, para provar sua genética guerreira e sua capacidade de vitória.
Se hoje é o dia da raça? Da abolição? Da luta contra o preconceito? De algum tipo de data hipócrita que lembra a significativa cor? Pois digo que não!
Simplesmente porque sua força e sua história de conquistas, estão presentes todos os dias em nossas vidas, nos dando orgulho e nos servindo de exemplo, porque a nossa capacidade está no caráter, na personalidade e no modo de agir, a cor, a altura, a gordura ou o raio que o parta, nada tem a ver com a nossa potencialidade de vencer na vida.
Cito então 3 exemplos de Conquista, de beleza e de sabedoria:
Benedita da Silva, exemplo de determinação...Formou-se aos 40 anos de idade em estudos sociais e serviço social. Em 1982, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na câmara de vereadores da Cidade do Rio de janeiro e já foi deputada federal 2 vezes.
Naomi Campbell, uma das mulheres mais lindas do mundo, top internacional, seguindo carreira mesmo depois da idade padrão para o mercado de moda.
Luislinda Valouis, a primeira juíza negra do país, com uma história de sabedoria e amor ao próximo, hoje desenbargadora.
Entre, tantas e tantas e tantas que nos orgulham. E, se ontem foi o dia de todas as mulheres, faço hoje, 9 de março, um dia especial para lembrar que todos os dias, devemos lembrar da importância da mulher negra na sociedade.
Agradeço cada recomeço, por mais difícil que seja, porque viver bem, muitas vezes, é só uma questão de recomeçar, reaprender, reciclar-se. Então, hoje, eu só agradeço…
A Linha do Extremo
Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.
De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.
Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.
Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.
Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.
E talvez seja essa a parte mais inquietante:
saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...
e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.
Não quero alguém que me arraste para o extremo.
Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.
Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.
Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.
Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.
A eutanásia é um direito de escolha por quem já não pode ter o direito de viver uma vida onde o livre arbítrio permanece morto
"Muita gente se preocupa com o fim do mundo. Eu me preocupo com o fim do amor. Quem quer viver sem amor?"
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