Voce a Luz do meu Viver
Meu maior luto é por esta fase: pueril. Dói perder. Casa, lar e infância; para mim, sinônimos. Dói crescer. Saudade.
Hoje, adulta, mas, todos os dias, uma eterna criança (cada vez mais fragmentada).
Ah, Deus, se eu tivesse um pingo do teu poder,
Livraria todos esses bichos dos miseráveis humanos.
Com raiva e ira, castigaria esses humanos miseráveis.
Miseráveis, que batem, matam, superiores se colocam,
Mas batem e matam, Cruéis, Ascorosos,
Esses miseráveis humanos.
Eu os jogaria em um vasto abismo
Com sofrimento eterno e doloroso.
Mas, Deus, Tu és Sábio
E, na verdade, sabe a hora de agir.
Ah, Deus, eu sou fraca
Minha ira tomaria conta de mim
E eu me tornaria a humana miserável
Que bate e maltrata humanos miseráveis,
com um pingo do teu poder.
E para as dores incuráveis
Jamais mensuráveis
Vastas
E eternamente nefastas
Eu digo: Ei, aqui estou
tu não és simples, custou
Ergui minha muralha
Com a madeira que talha
O destino incerto
Mas, eu desperto
E caio em mim
Como quem desvenda o tal latim
Que a vida é muito mais
Do que dores que a própria traz
Só quero que seja feliz. Sei como é difícil achar um cara legal. Mas, quando achar, agarre-se a ele, querido.
Comida é uma linguagem universal. Quando faz algo delicioso para alguém, está dizendo que se importa. Está demostrando amor.
Eu odeio ficar parada, eu odeio não ter rumo, eu odeio estar perdida, eu odeio esperar, eu odeio mentir, eu odeio omitir. Mas no fim de tudo, de cada dia, de cada hora, eu fico na mesma, eu continuo odiando tudo isso... Mas o que realmente eu odeio é não estar do seu lado, é te amar, é sentir tudo isso e ter que ficar quieta. Amor dizem que é bom, mas eu ainda não descobri, porq não estou do seu lado, agora me diz, se eu estivesse com vc, eu não odiaria tudo isso, eu suportaria cada segundo, porq eles seriam mágicos ao seu lado. No fim de tudo só odeio não ter vc. '------'
Meu Jeito
E agora o fim está próximo
E, portanto encaro o desafio final
Meu amigo, direi claramente
Irei expor o meu caso do qual eu tenho certeza
Eu tenho vivido uma vida plena
Viajei por todas as estradas
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz do meu jeito
Arrependimentos, eu tive alguns
Mas, pensando bem, pouquíssimos para mencionar
Eu fiz o que eu devia ter feito
E passei por tudo consciente, sem exceção
Eu planejei cada caminho do mapa
Cada passo, cuidadosamente, ao longo dessa estrada
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz do meu jeito
Sim, em certos momentos, tenho certeza que tu sabias
Que eu mordia mais do que eu podia mastigar
Todavia, quando restavam dúvidas
Eu engolia e cuspia fora
Eu enfrentei a tudo e continuei de pé
E fiz tudo do meu jeito
Eu já amei, ri e chorei
Cometi minhas falhas, tive a minha parte nas derrotas
E agora que as lágrimas vertem
Eu acho tudo tão divertido
E pensar que eu fiz tudo isto
E posso dizer, não foi de uma maneira tímida
Ah não, não, não eu
Eu fiz tudo do meu jeito
E para que serve um homem, o que ele possui?
Senão tem a si mesmo, então ele não tem nada
Para dizer as coisas que ele realmente sente
E não as palavras de alguém que se ajoelha
Os registros mostram, eu recebi as pancadas
E fiz do meu jeito
O que importa é que você entra por um ouvido meu e sai pelo outro, sabia? Você não fica. Você não marca. Eu sei que fico em você, eu sei que marco você. Marco fundo. Eu sei que, daqui a um tempo, quando você estiver rodando na roda, vai lembrar que, uma noite, sentou ao lado de uma mina louca que te disse coisas, que te falou no sexo, na solidão, na morte.
Meu amor. Sabe, hoje eu acordei morrendo de saudades de você. Com os olhos ainda fechados, estiquei o braço e deixei minha mão deslizar pela cama à sua procura, mas você não estava lá...
Ainda naquela vigília, quase desperta mas ainda dormindo, permiti que meus dedos tocassem minha coxa e tentei reproduzir o peso e a força da sua mão, imaginando você me acorda de um especial... Senti vontade do toque da sua boca em minha pele e do calor do teu hálito a arrepiar todos os meus pelos.
Aos poucos fui despertando mais e mais. Deixei que a outra mão também passasse a percorrer outras partes de meu corpo, sempre de olhos fechados, sempre imaginando que você estava realmente comigo. Fiz das minhas mãos as suas mãos e aos poucos comecei a ter uma sensação gostosa, fui ficando mais e mais excitada, mas não o tanto quanto fico quando você realmente está ao meu lado.
Então quero que você venha para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além da janela, que agora é outra, quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado, aqui, sob este teto curvo e quebrado, entre estas paredes cobertas de guirlandas de rosas desbotadas. Vem para que eu possa acender incenso do nepal, velas da suécia na beirada da janela, fechar charros de haxixe marroquino, abrir armários, mostrar fotografias, contar dos meus muitos ou poucos passados, futuros, possíveis ou presentes impossíveis. Dos meus muitos ou nenhuns eus. Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida. Porque nada mais sou além de chamar você agora, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim, vem e me leva outra vez para aquele país distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. Vem, então, e me leva de volta para o lado de lá do oceano de onde viemos os dois.
O SOL
Para que curvaste
no beiral da ventana
e pelo chão se arraste?
É por seres luz soberana
querendo luzir meu verso?
O meu poetar está sem gana
A alegria na alegria submerso
E estou quieto, de carraspana
Deixe-me a sós, no breu inconfesso
Fica-te por aí na ilusão mundana...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Agosto de 2017
Cerrado goiano
NOVEMBRO, soneto no cerrado
A nuvem de chuva, está prenha
A lua na noite longa enche de luz
Novembro, aos ventos ordenha
Amareladas folhas que nos seduz
Meditação, finados aos pés da Cruz
O colorido pelo seco cerrado grenha
As floreadas pelos arbustos brenha
Trovoadas, relâmpagos no sertão truz
Águas agitadas, o mês da saudade
Num véu dançante... Vem novembro!
Linhas de poema e prosa, fertilidade
Décimo primeiro, antecede dezembro
Em ti é possível notar a instabilidade:
Fogo e água, da transição é membro
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
novembro de 2016
Cerrado goiano
novembro
a nuvem de chuva está prenha
a lua na noite longa enche de luz
novembro, aos ventos, ordenha
amareladas folhas que nos seduz
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
novembro de 2016
Cerrado goiano
ALGUNS VERSOS (soneto)
Alguns versos vazios, diáfano, me espiam
Atrás da luz natural do cerrado afogueado
Inquietos no quase nada do olhar fustigado
Em pé ao fundo da vastidão que os afaziam
Vejo o sol avermelhado, ali tão angustiado
Entre as quaresmeiras que no clarão, cerziam
Criando ilusões que nas saudades doeriam
Em silêncio, que um dia no peito foi tatuado
São letras ocas de um entardecer perverso
Que tenta brotar de um devaneio imerso
À tona em trova de lágrima da recordação
De fora do presente, tão vário é o universo
E eu pareço apenas durar no meu reverso
De cujo alguns versos escorrem da solidão
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2017, abril. 05'40"
Cerrado goiano
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