Voar como um Passaro Ate seu Coracao

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Quando a razão abandona o Direito, a força costuma ocupar seu lugar.

A justiça não pergunta quem possui poder, mas quais razões justificam seu exercício.

Dividir o poder é reconhecer que nenhum ser humano deveria confiar excessivamente em seu próprio poder.

A hermenêutica jurídica encontra seu limite na dignidade daquele que sofrerá os efeitos da interpretação.

Nenhuma instituição permanece exatamente igual quando o ambiente social ao seu redor se transforma.

A lei é produto de seu tempo, mas sua legitimidade depende de sua capacidade de sobreviver ao tempo.

Interpretar é, muitas vezes, adaptar uma norma antiga a uma realidade nova sem destruir seu núcleo de sentido.

Uma sociedade que elimina todas as diferenças intelectuais reduz também seu repertório de respostas.

Toda civilização jurídica carrega vestígios de seu passado e sementes de seu futuro.

Nenhum direito existe isoladamente quando seu exercício produz dano injustificado a terceiros.

Quando a razão adormece, o dogma começa a falar em seu nome.

Uma consciência livre não precisa negar Deus para recusar que alguém fale em Seu nome.

A publicidade aprendeu a falar com o desejo antes que a razão tenha tempo de lhe perguntar seu nome.

Nenhuma mercadoria é inteiramente material: parte de seu preço reside na história que aprendemos a contar sobre ela.

A omissão é a retórica silenciosa pela qual uma verdade pode ser preservada enquanto seu sentido é cuidadosamente deformado.

A personalização é a promessa de uma comunicação feita para cada indivíduo; seu risco é transformar cada indivíduo em objeto de uma estratégia que somente o sistema conhece.

No Brasil, a ciência pode investigar a origem do universo, a religião pode perguntar por seu significado, o Direito pode proteger ambas e o agnosticismo pode permanecer diante do mistério com a única certeza que lhe é permitida: talvez ainda não saibamos.

Uma crença religiosa pode sobreviver à ausência de prova científica porque seu fundamento pode ser metafísico; uma alegação científica não pode reivindicar o mesmo privilégio quando se apresenta como empiricamente verificável.

Quando a religião pretende governar o Estado, a liberdade de consciência começa a perder seu território, sobretudo para aqueles que não conseguem afirmar como certo aquilo que outros afirmam como revelado.

O poder do tirano termina quando seu corpo desaparece; o poder daquele que morre por uma convicção pode começar justamente quando já não possui corpo para defendê-la.