Viva a Vida como se Fosse a Ultima

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O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Os moços de juízo honram-se em parecer velhos, mas os velhos sem juízo procuram figurar como moços.

O amor deve considerar-se como um grande poema, cujo primeiro canto é o casamento.

Muita luz é como muita sombra: não deixa ver.

A experiência é como uma mulher a quem todos rendem homenagem sem tratar de averiguar se o seu passado é irrepreensível.

O estilo não é a roupa, mas a pele de um romance. Faz parte da sua anatomia como as entranhas.

Ninguém se conhece tão bem como aquele que mais desconfia de si próprio.

Tememos tudo como mortais, mas desejamos tudo como se fossemos imortais.

Aquele que sem autoridade mata um criminoso, torna-se tão criminoso como este.

Autoridade: sem ela o homem não pode existir e, no entanto, ela traz consigo tanto o erro como a verdade.

O luxo, assim como o fogo, tanto brilha quanto consome.

Os nossos desejos confusos encontram expressão na questão confusa assim como na força da natureza e eletricidade. Mas a resposta que queremos não é a resposta para esta questão. Não é por encontrar mais relações e conexões que se alcança a resposta, mas sim através da remoção das contradições existentes entre as já conhecidas e talvez reduzindo o seu número. Quando estas contradições dolorosas são removidas, a resposta à força da natureza não foi respondida. Mas as nossas mentes deixam de ter vergonha e param de fazer perguntas ilegítimas.

O governo é como toda as coisas deste mundo: para o conservarmos temos de o amar.

Um homem bom não necessita de monumentos: os seus atos permanecem como o seu santuário.

Os abusos, como os dentes, nunca se arrancam sem dores.

O verdadeiro mérito é como os rios: quanto mais profundo, menos ruído faz.

A cólera dos amantes é como as tempestades de verão, que só servem para deixar mais verdes os campos.

Nunca conseguimos fazer nada corretamente enquanto não pararmos de pensar em como o fazer.

O mal que fazemos não nos suscita tantas perseguições e ódio como as nossas boas qualidades.

A diferença do sucesso ou não sucesso está dentro da gente. Está na forma como nós pensamos, na forma como nós agimos.