Vigiar Vida
Voltando para mim...
Ás vezes, eu parecia deslocada na minha própria vida. Eu me sentia como se nada pertencesse verdadeiramente a mim. Talvez não pertencesse mesmo. Talvez tudo não tenha passado de uma aprovação. Uma mera aprovação, para ver do que eu seria capaz de aguentar. Ou seria apenas uma aprovação para o meu caráter. A resposta para isso é complicada, pois, ela pode vir em forma de um impulso. E eu não quero isso. O que eu quero, é o que eu tenho. Eu tenho coisas instáveis, claro, por que nada na vida é estável, tudo absolutamente tudo vai mudar... É a lei da vida. Para algo nascer ou florescer, outro tem que morrer de uma forma completamente horrível, mas linda para quem olhar com cuidado. Nós só damos valor a algo na vida quando perdemos. Quando não temos mais o olhar ou o amor que tanto nos hipnotizou antes. Quando não encontramos mais nada do que nos proporcionamos aos outros, resta-nos uma só coisa. Mais nada a fazer. Por isso digo, quando perdemos alguém em nossa vida, um alguém que não sentirá tudo o que já sentiu um dia por você, saiba que não há nada à fazer. Basta-nos procurar mais a frente o sentimento que nós foram negados. Quem sabe você encontre alguém... Um alguém que te amará como eu nunca pude. À dias eu estava com essa dúvida que consumia o interior de minha mente. Como eu podia fazer tanto mal a mim mesma? Como? Como eu alimentava coisas e, paranoias que certamente não eram verdade? Como eu ERA TÃO CRUEL COM A MINHA MENTE? Talvez eu até saiba a resposta, mas nunca terei a coragem de dizer. Eu só posso dizer que, pelo bem da minha mente e da minha 'eu' me encontro em um estado de alívio. Alívio. Alívio depois de tudo o que passei. Talvez eu devesse apenas aproveitar minha vida. E usar todo os meus pensamentos e sentimentos para algo melhor. Algo melhor do que ficar eternamente me torturando em um limbo de dor e sofrimento constante.
Te conhecer foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Você chegou e virou tudo dentro de mim: despertou sentimentos que queimam, desejos que me arrepiam e um amor tão profundo que já não sei imaginar meus dias sem você. Em cada olhar seu, eu me perco; em cada abraço, encontro meu lugar. Você não apenas conquistou meu coração — tomou conta da minha alma. E quanto mais eu te conheço, mais eu te quero, mais eu te amo e mais tenho certeza de que é você quem faz meu coração bater mais forte.
Minha vida
Minha vida quero viver
bem do jeito que eu quiser...
sem nenhum controle -
descontrole total...
ela é minha afinal.
Quem manda nela sou eu -
eis um fato beeemmm real!
Beleza, amigo...
segure as rédeas na sua mão,
escolha você a direção...
siga na mão...
ou na contramão...
Você é o piloto
sua própria vida pode pilotar,
seu próprio ar a própria hélice girar,
e deixa o mundo a rodar, a rodar, a rodar
e você com ele se entontear.
A vida que não tenho
Há uma vida que me chama
do outro lado dos dias,
onde os sonhos não se escondem
atrás de portas vazias.
Nessa vida, acordo leve,
sem o peso antigo no peito;
o sol repousa em meus ombros,
e o medo perde o direito.
Caminho por ruas tranquilas,
com as mãos cheias de esperança,
e cada passo que dou
tem o ritmo de uma dança.
Há abraços que não vivi,
palavras que não foram ditas,
janelas abertas ao vento,
noites menos infinitas.
Talvez eu more nessa vida
em algum lugar dentro de mim,
numa pequena luz teimosa
que se recusa a chegar ao fim.
Porque a vida que eu queria
não é apenas miragem:
é semente sob a terra,
é vontade, é passagem.
Mesmo que hoje eu não a tenha,
mesmo que doa esperar,
ainda guardo em meus olhos
o horizonte onde hei de chegar.
E, enquanto o mundo me atravessa,
aprendo, enfim, a respirar:
às vezes, a vida desejada
começa quando ousamos recomeçar.
G A N G O R R A
Quando tudo na sua vida estiver muito calmo, água tranquila, barulho apenas do cantar dos pássaros ou do vento a tocar nas folhas das árvores, não se acomode. A "paz" aqui não é duradoura.
De uma hora para outra tudo muda. Um turbilhão de situações desagradáveis nos cerca, leva-nos para regiões abissais.
É nessa hora, embora com dificuldade, que precisamos compreender o verdadeiro balanço da vida, a gangorra na qual vivemos.
Uma hora no alto, com o vento a favor.
Outra hora embaixo, aprendendo a respirar fundo e a encontrar força onde parecia não haver.
Nem a calmaria é eterna, nem o caos é o fim.
Tudo é movimento. E é esse movimento que nos mantém vivos.
NÃO DESISTA DA VIDA.
Há vida por toda parte: no infinitamente pequeno e no infinitamente grande. A vida pulsa nas galáxias e nos átomos, nas florestas e nas sementes, no nascer do sol e no silêncio da noite. E tu?
Tu és filho da Vida e do Pai da vida. Foste chamado não apenas para existir, mas para viver, aprender, amar e ser esperança. Sê vida na vida de alguém. Às vezes, uma palavra de carinho, um gesto de bondade ou um olhar de compreensão basta para reacender a luz de um coração quase vencido pelo desalento.
Ainda que os dias pareçam cobertos por nuvens espessas, o sol continua existindo acima delas. Há dores que nos fazem acreditar que tudo terminou, quando, na verdade, estamos apenas atravessando uma estação difícil da existência. Nenhuma tempestade possui autoridade para apagar definitivamente a luz que habita a alma.
A vida não se mede apenas pelos momentos de alegria, mas também pela coragem silenciosa de continuar caminhando quando o coração está cansado. Cada lágrima derramada pode tornar-se a semente de uma compreensão mais profunda, de uma força que ainda desconhecemos em nós mesmos. É justamente nas noites mais escuras que aprendemos o verdadeiro valor da aurora.
Talvez hoje você não consiga enxergar sentido. Talvez o amanhã pareça distante. Ainda assim, permaneça. Há encontros que ainda não aconteceram, abraços que ainda não foram dados, páginas que ainda não foram escritas e amanheceres que esperam apenas que você esteja presente para contemplá-los.
Nenhuma noite é eterna. O tempo transforma a paisagem da alma. Feridas cicatrizam, saudades aprendem a conviver conosco e esperanças, por menores que pareçam, renascem quando menos esperamos. O que hoje parece um fim poderá revelar-se, amanhã, como o início de uma história mais bela e mais madura.
Se o peso estiver grande demais, não o carregue sozinho. Procure alguém de confiança, um familiar, um amigo ou um profissional. Pedir ajuda não diminui ninguém; ao contrário, é um gesto de coragem, humildade e amor pela própria vida.
A sua existência possui um valor que não diminui por causa do sofrimento. Você importa. Sua história importa. Sua presença faz diferença, ainda que você não consiga percebê-la neste instante. Enquanto houver um único sopro de vida, haverá também a possibilidade de um novo começo, de uma reconciliação, de uma alegria inesperada e de uma esperança renovada.
Não desista da vida.
Permaneça.
O amanhã pode revelar aquilo que hoje as lágrimas ainda não permitem enxergar.
Vive. Ama. Espera. E, por onde passares, sê vida na vida de alguém.
REFLEXÃO AMIGA.
Essa mensagem, ela pode servir como incentivo a quem atravessa um momento difícil. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que, para quem está em intenso sofrimento emocional, palavras de esperança podem ser um primeiro passo, mas buscar apoio de pessoas de confiança ou de um profissional também é um ato de coragem e cuidado consigo mesmo.
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A Vida.
Ó vida, monstro de matéria impura,
Que em carne podre o espírito encarceras,
Tu és o pântano onde a desventura
Germina larvas, vermes e quimeras!
Teus dias são cadáveres que andam,
Arrastando o peso de átomos em dor;
A ilusão no crânio humano expande
E o cérebro apodrece em seu fulgor.
Que importa o riso, o amor, a efêmera glória?
Tudo se extingue em húmus e em lodo vil;
A vida é um câncer que devora a história
E entrega o homem ao sepulcro hostil.
Assim caminha o bicho racional.
Orgulho vão de célula enferma e cega,
Rumo ao nada, ao eterno charco igual,
Onde a morte, por fim, o esqueleto entrega.
TEU SORRISO EM ALGUÉM.
"Cada novo amanhecer é um convite da vida para que você se torne a razão do sorriso de alguém e, ao fazê-lo, descubra a grandeza que sempre existiu dentro de si."
" Às vezes, uma única lágrima contém mais verdade sobre uma vida inteira do que todas as palavras pronunciadas. "
"A vida não se mede pelos anos que atravessamos, mas pelas verdades que descobrimos enquanto caminhamos."
" Não lamente o que a noite levou. Algumas perdas são apenas espaços que a vida abre para novos significados. "
"A vida raramente se revela em clarins. Quase sempre ela se anuncia no canto de um pássaro, na luz de uma janela ou na coragem silenciosa de quem decide levantar-se mais uma vez."
"Não te preocupes com a ingratidão dos teus filhos. A vida é a grande educadora. Um dia, compreenderão que o amor que hoje ignoram foi o mesmo que lhes sustentou os primeiros passos."
ERRATICIDADE:
O INTERVALO SAGRADO ENTRE AS EXISTÊNCIAS. A VIDA DO ESPÍRITO APÓS A MORTE E ANTES DA REENCARNAÇÃO.
INTRODUÇÃO: A MORTE COMO TRANSIÇÃO, NÃO COMO FIM.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Na visão espírita, a morte não representa o desaparecimento da individualidade espiritual, mas apenas a libertação do Espírito dos limites temporários impostos pelo corpo físico. Ao abandonar o envoltório carnal, o ser inteligente retorna ao seu estado natural: a vida espiritual.
Entre uma encarnação e outra existe um período denominado erraticidade, conceito fundamental da Doutrina Espírita apresentado por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos.
É importante compreender que erraticidade não significa vagar sem rumo, estar perdido ou condenado à inatividade espiritual. Ao contrário, representa uma fase dinâmica de aprendizado, reflexão, preparação e progresso.
Como esclarecem os Espíritos a Kardec:
“Os Espíritos errantes são mais ou menos felizes segundo o seu grau de adiantamento. O estado errante não é sinal de inferioridade dos Espíritos.”
(O Livro dos Espíritos, questão 224).
Portanto, a erraticidade é uma condição temporária de todos aqueles que ainda necessitam de experiências reencarnatórias para alcançar a perfeição espiritual.
O QUE É A ERRATICIDADE SEGUNDO ALLAN KARDEC?
A palavra “errante” poderia sugerir, no entendimento comum, alguém que anda sem direção. Porém, no contexto espírita, possui outro significado.
O Espírito errante é aquele que aguarda uma nova oportunidade de encarnação, permanecendo no mundo espiritual entre duas existências corporais.
Kardec esclarece que:
“A erraticidade é o intervalo entre as existências corporais.”
(O Livro dos Espíritos, questão 223).
Assim, a erraticidade não é propriamente um lugar, mas um estado de existência espiritual.
O Espírito continua vivendo, pensando, sentindo, aprendendo e relacionando-se com outros Espíritos. Ele não deixa de possuir sua personalidade, suas tendências, seus conhecimentos e suas imperfeições.
A desencarnação não transforma imediatamente um Espírito ignorante em sábio, nem um Espírito desequilibrado em perfeito. A morte física apenas muda o campo de manifestação.
Como afirma a orientação espírita:
“A morte não produz milagres.”
O Espírito leva consigo aquilo que construiu interiormente.
OS ESTÁGIOS DA ERRATICIDADE NA ÓTICA ESPÍRITA.
Embora a Codificação não estabeleça uma divisão rígida em “fases” da erraticidade, podemos compreender, através dos ensinamentos de Kardec e das obras mediúnicas posteriores, diferentes momentos que caracterizam a caminhada espiritual após a desencarnação.
1. O PERÍODO DE ADAPTAÇÃO APÓS A DESENCARNAÇÃO.
O primeiro momento é aquele em que o Espírito se desprende dos vínculos materiais.
Esse período varia profundamente conforme a condição moral e intelectual de cada indivíduo.
Um Espírito equilibrado pode despertar com serenidade, reconhecendo a continuidade da vida.
Já aquele que cultivou apego excessivo à matéria, vícios, ódio ou sentimentos inferiores pode experimentar dificuldade em compreender sua nova realidade.
Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta sobre a perturbação que segue à morte:
Questão 163:
“A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo?”
A resposta espiritual demonstra que existe um período de adaptação:
“A alma passa algum tempo em estado de perturbação.”
Essa perturbação não é uma punição divina, mas uma consequência natural da transição.
2. O MOMENTO DE REFLEXÃO E RECONHECIMENTO.
Após a adaptação, o Espírito começa a perceber com maior clareza sua própria realidade.
Muitos relatos espirituais descrevem esse momento como uma avaliação da existência anterior.
O Espírito compreende:
as oportunidades aproveitadas;
os erros cometidos;
os sentimentos cultivados;
os compromissos assumidos;
as necessidades de renovação.
A consciência torna-se o grande tribunal interior.
Não existe condenação arbitrária, mas a compreensão das próprias escolhas.
Como ensina O Evangelho Segundo o Espiritismo, a responsabilidade moral acompanha o Espírito além da morte:
“O homem sofre sempre a consequência de suas faltas; não há uma só infração à lei de Deus que não tenha sua punição natural.”
3. O ESTÁGIO DE APRENDIZADO E TRABALHO ESPIRITUAL.
A erraticidade é também um período de estudo.
Segundo a Doutrina Espírita, os Espíritos podem adquirir conhecimentos, desenvolver virtudes e preparar-se para novas experiências.
A questão 227 de O Livro dos Espíritos esclarece:
“De que modo se instruem os Espíritos errantes?”
Resposta:
“Estudando o seu passado e procurando meios de se elevarem.”
O Espírito não permanece parado. A vida espiritual é uma continuidade educativa.
Nas obras complementares, especialmente na série atribuída ao Espírito André Luiz, encontramos descrições de comunidades espirituais organizadas, onde existem atividades de auxílio, estudo, tratamento e preparação.
A obra Nosso Lar, psicografada por Francisco Cândido Xavier, apresenta uma visão de uma colônia espiritual onde Espíritos em recuperação trabalham e aprendem antes de novas experiências.
4. O PLANEJAMENTO REENCARNATÓRIO.
A erraticidade culmina na preparação para uma nova existência corporal.
A reencarnação não seria, segundo a visão espírita, um acontecimento aleatório, mas uma oportunidade educativa.
O Espírito, auxiliado por benfeitores espirituais, analisaria suas necessidades evolutivas e as experiências capazes de favorecer seu progresso.
A questão 258 de O Livro dos Espíritos aborda a escolha das provas:
“Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá durante a vida?”
A resposta indica que o Espírito pode entrever suas necessidades e participar das escolhas relacionadas à nova jornada.
O TEMPO NA ERRATICIDADE.
Analisando uma das características mais profundas desse conceito é a relatividade do tempo espiritual.
Não existe uma duração fixa.
Um Espírito pode permanecer pouco tempo ou muitos séculos antes de uma nova encarnação.
Tudo depende:
do seu desejo de progresso;
do seu preparo;
das necessidades evolutivas;
das oportunidades disponíveis.
O Espírito superior pode desejar retornar rapidamente para auxiliar.
O Espírito ainda preso às imperfeições pode retardar sua renovação por resistência própria.
ERRATICIDADE NÃO É INFERIORIDADE ESPIRITUAL.
Um dos equívocos mais comuns é imaginar que “Espírito errante” significa Espírito atrasado.
Kardec esclarece que todos os Espíritos que ainda não atingiram a perfeição encontram-se na erraticidade.
Inclusive Espíritos elevados podem estar nessa condição.
Somente os Espíritos puros, completamente depurados, não necessitam mais de encarnações.
A erraticidade é, portanto, uma etapa universal da evolução.
A GRANDE LIÇÃO DA ERRATICIDADE.
O estudo da erraticidade oferece uma profunda reflexão moral:
A vida não termina no túmulo.
Cada pensamento, sentimento e atitude constrói a realidade espiritual futura.
O Espírito não foge de si mesmo.
Ele leva consigo:
sua consciência;
seus valores;
seus conhecimentos;
suas imperfeições;
suas conquistas.
A erraticidade revela a justiça e a misericórdia divinas: nenhum esforço sincero se perde e nenhuma criatura está condenada eternamente ao sofrimento.
A evolução é uma lei universal.
CONCLUSÃO.
A erraticidade, segundo o Espiritismo, é uma escola entre duas existências. Não é abandono, vazio ou espera passiva, mas uma etapa viva da caminhada espiritual.
Entre a morte e o renascimento, o Espírito aprende, trabalha, reflete e prepara-se para novas experiências.
A compreensão desse período amplia a responsabilidade humana, pois demonstra que a existência terrestre é apenas um capítulo de uma história muito maior: a longa ascensão do Espírito rumo à perfeição.
FONTES CONSULTADAS:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Paris, 1857. Questões 100 a 113; 223 a 263.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Paris, 1864.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Paris, 1865.
KARDEC, Allan. A Gênese. Paris, 1868.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito André Luiz). Nosso Lar. FEB, 1944.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito Emmanuel). Roteiro. FEB, 1952.
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O CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA - SOB A ÓTICA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
“A cada um segundo suas obras” (Mateus 16:27)
Apocalipse 22:12 diz: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (na tradução Almeida Revista e Atualizada).
Três núcleos fundamentais de “O Céu e o Inferno”, obra codificada por Allan Kardec em análise das informações obtidas dos próprios Espíritos, todos ligados ao princípio evangélico “A cada um segundo as suas obras”. Ele permite compreender a justiça divina na visão espírita: a responsabilidade pessoal, a reencarnação como instrumento de progresso e a ausência de penas eternas.
A LEI DIVINA DA RESPONSABILIDADE E DO PROGRESSO ESPIRITUAL.
No capítulo V da primeira parte de “O Céu e o Inferno” (1865), Allan Kardec apresenta uma das ideias centrais da filosofia espírita: a alma não é condenada definitivamente nem salva por privilégios externos; ela progride mediante o próprio esforço moral.
A afirmação:
“Em cada existência, uma ocasião se depara à alma para dar um passo avante.”
revela a finalidade educativa da encarnação. A vida corporal, para o Espiritismo, não é uma punição arbitrária, mas uma oportunidade de aprendizado, reparação e aquisição de virtudes.
Cada existência representa uma etapa no caminho evolutivo. A criatura pode avançar rapidamente, transformando suas tendências inferiores pelo exercício do bem, ou permanecer estacionada, adiando sua própria libertação.
Kardec explica que as imperfeições não desaparecem por simples passagem do tempo, mas pelo trabalho consciente de renovação interior:
“É, pois, nas sucessivas encarnações que a alma se despoja das suas imperfeições.”
A reencarnação surge, assim, como expressão da misericórdia divina. Deus não cria seres destinados ao sofrimento eterno; oferece infinitas oportunidades para que todos alcancem a perfeição relativa possível.
A CRÍTICA À IDEIA DE PENAS ETERNAS.
No capítulo IV de “O Céu e o Inferno”, Kardec analisa a questão dos limbos e das doutrinas tradicionais que atribuíam destinos definitivos às almas sem considerar o conhecimento, a intenção e a responsabilidade individual.
O raciocínio espírita parte de um princípio essencial: não pode existir verdadeira justiça sem proporcionalidade entre culpa e responsabilidade.
A criança que desencarna sem ter praticado atos conscientes, ou aquele que ignora completamente determinados princípios morais, não poderia receber a mesma responsabilidade de quem age deliberadamente contra a própria consciência.
Kardec estabelece:
“Obras, sim, boas ou más, porém praticadas voluntária e livremente, únicas que comportam responsabilidade.”
Esse pensamento aproxima-se do ensino de Jesus, pois o mérito e o demérito dependem da liberdade de escolha e do grau de consciência.
O CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA.
No capítulo VII da primeira parte de “O Céu e o Inferno”, Kardec apresenta uma síntese das leis espirituais que regem as consequências morais.
O chamado Código Penal da Vida Futura não representa um tribunal humano no além, mas a explicação das consequências naturais dos atos praticados pelo Espírito.
Seus princípios fundamentais são:
1. O sofrimento nasce da imperfeição.
O sofrimento espiritual não é uma vingança divina. Ele resulta do desequilíbrio produzido pelo afastamento das leis morais.
Assim como o excesso prejudica o corpo físico, os excessos morais geram consequências para o Espírito.
2. Toda falta traz consigo suas consequências naturais.
Kardec compara essas consequências às leis da natureza:
o abuso prejudica;
o egoísmo isola;
o orgulho impede o progresso;
a ociosidade produz vazio interior.
Não há necessidade de uma condenação externa para cada erro, porque a própria consciência e as leis espirituais estabelecem os efeitos correspondentes.
3. A transformação é sempre possível.
O ponto luminoso da doutrina está na possibilidade de libertação:
“Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos.”
A justiça divina, portanto, está inseparavelmente ligada à misericórdia. A criatura nunca fica aprisionada eternamente ao passado; através do arrependimento sincero, da reparação e da prática do bem, pode reconstruir seu destino.
“A CADA UM SEGUNDO SUAS OBRAS”: A SÍNTESE DA JUSTIÇA DIVINA.
“A cada um segundo suas obras” (Mateus 16:27)
A frase de Jesus, registrada nos Evangelhos, torna-se para Kardec a expressão perfeita da lei espiritual:
“A cada um segundo as suas obras.”
Ela significa que cada Espírito recebe segundo aquilo que constrói em si mesmo.
Não é uma lei de punição, mas de correspondência:
o amor gera paz;
o egoísmo gera sofrimento;
a caridade eleva;
o orgulho retarda.
O futuro espiritual não é determinado por privilégios, aparências ou fórmulas exteriores, mas pelo patrimônio moral que cada ser conquista.
A grande mensagem de “O Céu e o Inferno” é que ninguém está condenado ao fracasso definitivo. A evolução é uma lei universal, e a justiça de Deus se manifesta oferecendo a todos os Espíritos os meios necessários para alcançar a perfeição.
A cada um segundo suas obras, no Céu como na Terra: tal é a lei da Justiça Divina.
FONTES CONSULTADAS:
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Primeira parte: capítulos IV, V e VII. Paris, 1865.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões sobre lei de progresso, responsabilidade moral e consequências dos atos.
Evangelho de Jesus Cristo — princípio: “A cada um segundo suas obras” (Mateus 16:27; Apocalipse 22:12).
“Cada (a) um segundo suas obras: O Céu e o Inferno”.
Nossa História, Nosso Amor
Não foi o acaso que nos uniu,
foi a vida pedindo recomeço.
A dor de lá encontrou a dor de cá,
e no meio da tempestade
a gente descobriu o nosso abrigo.
Ele veio lá do Sul,
com o vento frio e o peito ferido.
Eu, aqui no asfalto paulistano,
com a alma aflita, cuidando dos meus.
A vida nos testou com força,
mas do meio dos espinhos
nasceu o carinho mais bonito
que o coração humano pode ter.
O tempo olhou para nós dois
e contou trinta anos no relógio,
mas o amor não sabe contar anos.
O amor só sabe contar abraços,
só sabe contar o desejo, a entrega,
o arrepio na pele ao segurar a mão.
A Avenida Paulista parou para ver
o nosso primeiro encontro.
Enfrentei o vento forte das terras dele,
o frio gelado que assusta a gente,
mas o calor que recebi no peito
deixou a vida quente de novo.
Que não seja eterno posto que é chama,
mas que seja infinito enquanto dure.
Hoje a gente vive assim:
corpo, alma, paixão e verdade.
Ele é meu porto seguro, meu homem,
meu presente e meu futuro.
A prova viva e bonita
de que o amor de verdade
sempre vale a pena.
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