Vida Amorosa
As Mãos Que Dão Forma
Pai,
há homens que passam pela vida,
e há homens que deixam marcas.
Tu aprendeste a conversar com a matéria,
a ouvir o silêncio da pedra,
a descobrir formas onde outros
apenas veem um bloco sem vida.
Com as tuas mãos,
dás rosto ao que era vazio,
forma ao que era bruto,
e alma ao que parecia apenas matéria.
Mas a tua maior obra
talvez não esteja numa escultura.
Está nas pessoas que tocaste,
nos caminhos que abriste,
nos ensinamentos que deixaste,
e em mim.
Porque, sem perceber,
também foste escultor da minha vida.
Com paciência, firmeza e amor,
foste moldando quem hoje sou.
E como toda grande obra,
a tua história não se mede apenas
pelo que as tuas mãos criaram,
mas pelo legado que elas deixam.
Hoje celebro o homem,
o artista,
o pai.
Que a vida continue a oferecer-te matéria
para criares,
tempo para sonhares,
força para continuares
e motivos para sorrir.
E que, quando um dia olhares para trás,
possas reconhecer na tua caminhada
a mais bela das esculturas:
uma vida construída com as próprias mãos.
Feliz aniversário, Pai.
Que o teu legado continue a ganhar forma
muito depois de as tuas mãos descansarem.
Há momentos na vida em que a gente não está bem, não entende o que está acontecendo e sente que tudo perdeu o sentido. Mas, talvez, aquilo que hoje parece dor já tenha sido escrito por Deus como parte de um propósito que ainda não conseguimos enxergar.
Na vida nem tudo vale a pena.
Porém, não preciso de tudo para ser feliz.
Sua companhia já me é suficiente!
QUIRINO
Quirino, velho Quirino, viveu boa parte da sua vida em dedicação aos serviços da Igreja Matriz de Simplício Mendes. Alto, moreno, magro e de rosto pequeno, causava, à primeira vista, a sensação de ser circunspecto, mas, era mesmo só aparência, pois tinha uma voz e uma maneira bastante engraçada, e essas características lhe ajudava bastante a conseguir mais fácil a simpatia das pessoas.
Nas suas festas de aniversário, compareciam muitos convidados. Uma boa parte da turma, principalmente a que não tinha muito dinheiro para comprar um bom presente, não queria perder os comes e bebes dessas festinhas. Por isso, compravam sabonetes, embrulhavam-nos e os entregavam como presente. Outros não tinham dinheiro nem para isso e enrolavam pedras no formato de algum objeto.
Quirino, já cansado de tanto embuste, resolveu ficar na entrada da casa recebendo os convidados com seus presentes. Ao apalpar o embrulho e notar que era parecido com sabonete, dizia logo:
— Sabonete não, menino! Sabonete já tem.
Em outra ocasião, sentindo-se chateado no acerto de contas de uma das festas religiosas da Igreja Matriz de Simplício Mendes, ele saiu às ruas gritando e dizendo que ia se enforcar em um pé de coentro que tinha no quintal da sua casa.
" se tiverdes a fé de um tamanho de mostarda, poderá mover a montanha da vida, para frente (positivando-se) ou para trás (vitimizando-se)!" _O Arquiteto do pensamento.
"O fim da vida é o tribunal da verdade. Ali, caem todos os véus e cada um é obrigado a encarar a nudez da própria realidade."
Eu não quero apenas estar com você; quero me fundir à sua vida até que não exista distância entre o meu desejo e o seu.
_Enzo Ruchell_
Nos labirintos dos vales cheios de vida, mesmo no escuro absoluto, a existência predomina.
Ainda que o tempo passe nas profundezas, encontramos sentido na contemplação do ego singelo que se projeta nas superfícies ao longe, até o amanhecer das almas remanescentes. Pequenas porções em gotas de orvalho espalham-se pelos astros em expansão no universo. As sementes das árvores do abismo só existem no próprio abismo.
Sentimentos correm como uma cachoeira em fluxo constante: mesmo na seca mais severa, onde o chão racha, os peixes se escondem sob a terra esperando as chuvas de inverno. A lua vermelha cresce nas sombras dos cânions e, nas fissuras, uma figura mística mastiga a seiva das pedras — gotas extraídas do nevoeiro noturno. O gelo que a noite traz tempera o calor do dia, fazendo a vida renascer seja no deserto ou numa planície esverdeada.
Sempre haverá oportunidades de compreender os mistérios que compõem a beleza do caos caótico do universo. Tanto na massividade quanto no microcosmo, há elementos que geram vida. Os campos polarizados pelo pólen da flor do deserto e pelo clamor sereno dão corpo a um cenário de sonhos, repleto de desejos e esperanças. A ressonância harmônica da resiliência cósmica infinita faz do desejo de florescer o próprio desejo de viver.
Essa beleza hipnotizante é a evidência do equilíbrio do bioma: besouros, moscas e abelhas compõem um ciclo infinito; até cobras, lagartos e animais maiores integram o cenário. Mas quem realmente vê a beleza das flores?
Num mausoléu mental e emocional, damos à alienação conectiva a forma de um abismo cognitivo — a simplicidade abandonada dos sentimentos. Buscamos parâmetros de sensatez, mas, entre as variáveis alternativas, vemos a vida teimar até no asfalto quente que frita um ovo. No deserto árido da sociedade, a emoção tenta se reerguer pelo vídeo que viralizou porque um gato gerado por IA aprendeu uma nova modinha.
A culpa da pandemia e os morcegos que vivem nos abismos — servindo de iguaria culinária — mostram como quebramos o bioma das profundezas. Novos horizontes ganham desenho intelectual complexo, mas o que realmente causa impacto é o vídeo de gatos rebolando ou de um macaco roubando uma furadeira Makira.
A realidade da chuva ácida e a poluição das garrafas plásticas trazem a sensação do puro veneno. As indústrias do tabaco e das bebidas alimentam esse mesmo abismo, enquanto novas radiações emergem da imensidão perdida da camada de ozônio.
"Se o peito tivesse o dom da análise, ele pararia de bater no exato momento em que a vida perdesse o sentido, por pura conclusão lógica, sem esperar pelo tempo."
"Se você for um estranho para si mesmo, passará a vida mendigando o reconhecimento de rostos que mal sabem o seu nome. Aprenda a se reconhecer no escuro."
"A importância de alguém na nossa vida não se mede pelo espaço que ela ocupa em nossos pensamentos, mas pelo tempo que ela dedica em nossas urgências."
"Na primeira parte da vida, a gente aprende.
Na segunda parte, a gente conquista.
Na terceira parte, a gente retribui"
Denzel Washington
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