Vida Amorosa
De tempos em tempos, é preciso dar um reset na vida, um pause, ao longo do tempo, a rotina acaba com o significado de viver.
Silenciosamente a vida te prepara para os obstáculos que irá enfrentar.
Sem que você perceba, todos os recursos materiais e espirituais começam a chegar.
E quando o desafio enfim se apresenta, você está totalmente pronto para lidar e superar!
A vida sempre me bateu muito, fez eu adquirir calos. Ao longo de anos, fui mudando, me moldando e me blindando. Hoje sou apenas alguém que não possui sentimento algum.
A vida me fez ser uma pessoa que não pode ter medo nem inseguranças, não posso perder tempo com distrações.
Aprendi que, num cotidiano marcado pela dor, hesitar pode significar retroceder. A cada passo, preciso demonstrar coragem mesmo quando as pernas tremem. Essa imposição de resistência constante cria um estado de alerta quase doentio, cada distração vira um risco de me fazer esquecer o quão frágil sou.
Às vezes, o destino, a vida, vão te ensinando a ser mais duro. Isso é um ato de sobrevivência. Com o tempo,
descobrimos que não é todo mundo que merecem sua risada, seu abraço, sua atenção. Essa é apenas uma evolução que faz você sobreviver mais um dia. À medida que enfrento olhares de pena e sussurros disfarçados de “preocupação”, tornei-me endurecido, proteger o coração tornou-se instinto de defesa. Essa casca emocional me impede de receber
afeto genuíno, mas me mantém vivo quando tudo ao redor parece conspirar para me derrubar.
Às vezes a vida vai te apresentar acontecimentos que parecem ser o fim, e realmente é, porém é um fim necessário, esse fim chega para dar espaço para um novo e bonito começo. Comece diferente, que esse seu novo começo não se torne aquele fim que já foi embora. Escrever, por exemplo, tornou-se catarse que me mantém vivo, mas sei que esse novo rumo exige vigilância para não se perder no medo do passado.
Realmente devemos fazer a vida ser a mais harmoniosa possível, devendo nos espelhar em Jesus Cristo, que levou uma vida simples e o seu dever era amar. Ainda que sendo o príncipe dos exércitos, teve humildade de morrer por um pecado não cometido, só para nos salvar. Inspirar-me na trajetória de alguém que suportou sofrimento em prol do próximo me ensina que amar pode ser ato mais radical do que resistir à dor. Em cada gesto de humildade que tento ter, sei que carrego um fardo pesado, ser gentil num mundo que recompensa a dureza, mas busco nesse exemplo força para continuar, mesmo quando meu corpo falha em demonstrar fé.
Não me recordo de não ter sofrido em alguma etapa da minha vida, tudo que tenho recordações, de uma forma ou outra, estava enfrentando algo, passando por algo, essas recordações me fazem ver o quão tive que ser forte para me manter de pé, o quão suportei coisas para não proferir minha raiva, quando tratado como um objeto, vou continuar nessa linha, não tenho escolha. As memórias de cada sessão dolorosa ou de cada olhar de piedade se misturam em meu passado como um mosaico de batalhas vencidas e perdidas, reconhecer que cada cicatriz, visível ou não, foi conquistada a ferro e fogo me mostra que minha força é menos sobre ausência de fraqueza e mais sobre a resiliência que surge quando “não ter escolha” se torna um chamado à sobrevivência.
Escolhas ecoam na vida,
cada atitude abre ou fecha caminhos.
Diante do câncer e da perda de movimentos, escolhi o verbo em vez do silêncio, tornei‑me narrador da minha própria história. A dor não desaparece,
mas, ao escrever, reencontro o controle
que pensei ter perdido.
As notas de Tchaikovsky tocam minha dor, como se conhecessem minhas cicatrizes. No caos da vida, sua música dá forma à angústia e por um instante, ela dança.
Somos cordas… E a vida, um martelo de piano. A cada golpe, dor, doença, preconceito, vamos desafinando… Minhas forças se esvaem, minhas emoções tremem em dissonâncias. Ainda assim… insisto em vibrar, tentando harmonia
onde só há fúria.
Minha vida… um depósito de excessos inúteis. Tristezas, pensamentos sombrios, compaixão mal direcionada… restos de guerras sem vencedores. Sou um reservatório entupido de emoções tóxicas, incapaz de filtrar o que me faz bem. Cada sorriso forçado… é um disfarce frágil
diante da avalanche de memórias escuras. No fim… essa batalha interna não deixa heróis, apenas sobreviventes… exaustos.
Minha vida virou preto e branco, tudo é cinza, opaco, sem contraste. Enquanto falam de arco-íris, eu me perco num horizonte desbotado
que nunca vou tocar. O mundo segue colorido, mas eu sou estrangeiro nessa paleta que não me pertence.
Tem dias em que o cansaço pesa e a vida parece uma canção repetida. Mas mesmo nessa rotina silenciosa, há um fio tênue de esperança, o sono que acolhe, o descanso que renova, e a certeza de que, a cada amanhecer, uma nova nota pode surgir na melodia.
A nova vida (nem tanto) paulistana
Praça do shopping
Almoço
Pai e filho ao lado
Nenhuma palavra
O adolescente curva-se ao celular
Olhos e mãos fixos no aparelho
De repente, nem tão de repente assim,
Quatro palavras saem do pai:
__ Vou ali. Já volto...
Filho continua mais curvado do que nunca
Mira e digita com dedos ávidos
Nem levanta a cabeça
Arre, que incômodo é esse que incomoda tanto!
Rio comigo, pois nesse contexto
Não é possível fluir palavras
Pai retorna
Arruma as coisas coletivas: mochila, capa, agasalho, guarda-chuva
Mais uma palavra é dita:
__ Vamos...
E lá se vão pai e filho
Cada qual em seu mundinho mundano e quadrado
Talvez redondo ou triangular
Tão paulistano!
Olho à minha frente...
Prato posto com alimentos saudáveis
Rio de novo...
Minha vida flui...
Cadeira vazia à frente transmite mensagens:
* Os amigos invisíveis estão por perto (parentes, mentores, guias, anjo da guarda)
* Os amigos encarnados, também presentes,
Estão em meu coração e em meus pensamentos
Isso é bom demais
Acalenta.
Rio...
A vida flui
Pois ela precisa prosseguir em seus intentos.
julho/ 2024
BALANÇO DOS ANOS 40
Recebi a vida sem pedir nada.
Cresci.
Aprendi a exigência do amor,
a impaciência da crise.
Perdi luz.
Enfraqueci ideais.
Conquistei planos.
Queria um aeroplano
vivaz e transparente
para me levar pelos tempos
(presente, futuro, passado)
Em busca de mim,
em busca do outro.
Da quietude dos campos,
com cavalos pastando
entre fontes inquietantes
de vilas perdidas.
Borbulhantes,
sadias,
por entre mil romarias.
O coração entre preces, amor, fantasias.
O cotidiano quebrado
como a semente do milho
caída na terra,
germinando,
gemendo a cada ciclo
por vida.
(abril/ 1992)
Foco na construção da vida
Seguir reciclando a vida e o já vivido.
Basta de manter o que não é mais necessário e é supérfluo:
- seja em coisas materiais, relacionamentos, projetos ou pessoas;
- não fiquemos com os votos e os vínculos que se foram, apesar das marcas e das realizações já conquistadas.
Basta das coisas que não têm mais razão de ser.
Deixemos o novo penetrar os olhos, o coração e a mente.
É preciso abrirmo-nos para tudo que já foi pensado e sentido neste mundo.
Projetemos tudo em nossa mente e em nosso coração para, através de nosso corpo e de nossas mãos, modelarmos o ar, a terra, o fogo e o céu com sentimentos nobres.
Baixemos do Cosmos tudo que precisamos, toda a energia disponível.
Reencontremo-nos, pois nossos projetos eram embriões que, agora, fertilizados, pedem para brotar e nascer.
A vida é sempre bela. É o maior presente que os criadores do Universo nos proporcionaram.
Olhemos tudo! Mais que isso, enxerguemos a fundo tudo o que sempre esteve conosco, o nosso melhor.
Mas não esqueçamos dos nossos limites e dos demais seres.
Tudo nos indica que estamos neste mundo para evoluirmos, melhorarmos.
Viemos do pó do Universo, do Cosmos.
Nossa caminhada vem de longe e não tem fim.
A vida tem um sentido e uma razão de ser. Busquemo-los!
Nossa essência pessoal e a divina, entrelaçadas, nos conduzem.
Abram-se corações e mentes!
Deixemo-nos ser levados por seres de luz.
Aprendamos com a luz, as trevas e com as sombras!
Coloquemos tudo o que obtivemos numa nova gaveta, reorganizemos nossas coisas e atividades.
Vamos renomear e reorganizar tudo para termos mais clareza do que fazer da vida.
Estamos todos no mesmo caminho e no mesmo barco, apesar dos passos de cada um serem diferentes uns dos outros.
Não hesitemos!
Sigamos!
2021
CÍRCULO
(Abre & Fecha: deixe a luz entrar)
E, assim, a vida passa,
Entre sonos, sonhos e luz!
Acorda, acorda, acorda.
Gritam!
A ilusão insinua-se,
Pega-nos pelos ombros
E, como num faz-de-conta,
Tudo se torna incerto!
Chacoalhe-se para não rir,
Nem chorar, nem cair.
Todos enxergam,
Só você não vê...
Pulo miudinho
Dentro desse labirinto
Sem porta, sem seta,
Nem janela.
Jogo-me nesse faz-de-conta
De surpresas -
Que se apresentam
Incertas.
Até a certeza retornar,
O círculo abrir-se,
Em flor,
Para a luz, enfim, entrar!
2017
A vida é o que tem que ser
E se é algo, ele é o porquê
Crio e distruo mas no final
só sei conceber.
Algo é novo do início
e o final de algo é só
o começo do novo
então tudo é o mesmo
no fim. O fim é a vida.
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