Versos sobre a Vida
A vida passa, o vento sopra
Meu cigarro se torna fumaça
As copas das árvores
Que ontem eram arbustos
Adentram pelas janelas
As gotas d'agua da chuva
Contrastando à luz do Sol
revelam cores tão belas
A vida passa, o vento sopra
As belezas, antes viçosas
das pessoas orgulhosas
hoje já nem são mais
assim tão belas
Apenas o Céu e a Terra
permanecem imutáveis
Mas sempre haverá outras belezas:
Aquelas, presentes na alma
Que só de olhar
Dá vontade de estar junto
Pois com a sabedoria do tempo
Souberam cultivar e cativar
um sentimento
Que a beleza passageira
com sua efemeridade
Não possui
A vida passa, o vento sopra
Quase tudo vem a ruir
Exceto aquilo que era bonito
e foi cativado no espírito
Essas belezas não passam jamais
é algo que na história de cada um
Permanecerá pra sempre escrito.
A vida passa, o vento sopra...
Quisera viver minha vida
Amando muito e ardentemente
Quisera viver os meus dias
Vivendo de te amar somente
Eu queria te dizer que o meu amor
É amor tão grande
Que até pode haver no Mundo
Outro coração que ame
mas tão grande amor não sente
Amor exuberante
Diante de você
Meus olhos ficam simplesmente exultantes
Amor que te alcança aonde estiver
Portanto, nunca hei de estar distante
As palavras que escrevo
E as flores que te dei
Não podem expressar
A maneira que te vejo
Mas querem te pedir que me veja
Sob o prisma da mesma lente
E que sinta no meu peito
Este coração pulsante
Que se cala diante de ti
Feliz
Vivendo de te amar somente
Que a vida venha desgrenhada
igual aos meus cabelos de menino
venha e seja difícil transpor
Qual fosse mata fechada
a gente passa um pente fino
e vai vivê-la
A gente se embrenha
pra poder conhecê-la
A gente vai descalço
sempre que hover espinhos
Onde não houver dificuldade
Eu crio uma
Sempre que eu vir espaço
conveniente para criá-la
Que minhas mãos se encham de calos
Que a vida venha
Só não quero passar por ela sem vivê-la
E que ela se vá um dia
do mesmo jeito que um dia veio
Não peço facilidades para mim
Quero apenas
que entre o início e o fim
Eu possa deixar algo ali no meio
Senhor, Deus do infinito
Que se faça hoje em minha vida
Tudo aquilo que disseste
Caia sobre mim, Tua Luz Celeste
e tudo mais que Está Escrito
Aquilo que me foi revelado
e tudo mais, que porventura
Ainda me for oculto
Tudo que acho e sempre achei
Muito bonito
Mostra a mim, Meu Pai
Teu Rosto, Tua Verdade, Teu Vulto
Revela a mim Tua Bondade e Teu Amor
Retira a dor do meu caminho
Retira a mim mesmo do caminho dos homens
Me mostra, Meu Pai, como é doce a Tua Companhia
Se, porventura, houver chegado ao fim minha missão
Senão, esclarece-me uma vez mais
Por teu amor e compaixão
Só não me deixe aqui no chão
Vivendo à esmo
Faz então, um cisma em minha vida
Eu sei que o Senhor pode dividí-la
Como bem lhE aprouver
Me mostra o que o Senhor quer
e pretende de mim
Pois muita coisa aqui, chegou ao fim
Portanto
Não me abandona, Senhor
Vivendo de um modo qualquer
Se por promessas vazias
Fiaste em vão tua vida
E se tudo agora
nada mais significa
Te lembres sempre
De uma Promessa anterior
De que do teu coração
Seria varrida toda dor
Esta promessa não morreu
Esta Palavra é a que fica.
Abrace antes o Mundo
E encare a vida face a face
Mergulhe fundo nos teus sonhos
Antes que os anjos se afastem
E o tempo leve seus melhores amigos
Não deixe que seus desejos
Se transformem em sonhos antigos
Sem que antes tenha tentado
Não existe nenhuma garantia
de que vão se realizar
Mesmo assim
Não permita que um dia
Você mesmo se cobre
Pelo arrependimento nada nobre
de ter visto a vida passando
e que você não disse
não fez, não foi e nem viveu
por medo
Não permita que enterrem
Junto a ti
Os teus segredos
Viva os teus sonhos
Grandes ou pequenos
E permita que eles permaneçam vivos
depois de você
Aqui em casa tem um gato que não mia
E o meu telefone está quebrado
Esta é a vida que eu queria
Passo o dia com os dois
Curtindo o jeito perfeito de cada um
E permanecemos os três calados
Em um dia, não muito distante
Eu sei, não estarei mais aqui
A vida passou-se em instantes
Poucos deles realmente eu vivi
Mas guardei no meu coração
E levarei comigo, onde estiver
A lembrança dos meus amigos
trechos de uma oração
E o nome de uma mulher
Desta vida que passou voando
deixo ao Mundo alguns poemas
Singelas lembranças
E, talvez, alguém pense em mim
de vez em quando
A vida é assim
Cheia de truques
Repleta de baques
Nos deixa maníacos
Provoca ataques cardíacos
Quando tudo parece sereno
É então que eu sinto mais medo
Quando a vida revela os segredos
Algo sempre acaba
O mundo desaba
E então tudo morre mais cedo
Quantos meses do ano
ainda viveremos cercados
Por uma vida repleta de enganos?
Começa mais um Janeiro
E o Mundo continua sendo
Um simples viveiro de Seres Humanos
Perdidos no tempo e no espaço
De fracasso em fracasso
Vai passando Fevereiro
Fingimos dar as mãos
Esquecemos dos irmãos
e pensamos em dinheiro
De fracasso em fracasso
Atravessamos o mês de Março
Progresso ninguém viu
Não viu ao menos
passar o mês de Abril
Assim você caiu
E assim eu também caio
De corte em corte
de taio em taio
Passa Maio
De egoísmo em punho
Atravessamos Junho
Enchendo o Mundo
de Lixo e entulho
A Humanidade passa Julho
O Governo cria outro imposto
e a gente elege um novo encosto
Assim chega o mês de Agosto
A família recebe um novo membro
e passa Setembro, Passa Outubro
Passa novembro
Humanidade, raça ruim!
O Ano e o Mundo
Cada vez mais perto do fim
Chega Dezembro
E a gente continua
e há de prosseguir
Pra sempre assim.
Nada além disso
Só isso
Nada além de arte
Pequenos pedaços de vida
Pequena vida
dividida em partes
Em constante movimento
No mesmo momento em que algo chega
Algo também parte
Mas partindo, deixa sempre algo de si
Aquilo que passa, se não deixa marcas
Não tem graça
E nenhuma utilidade
E eu não quero
Não pretendo e não procuro
Nada além disso
é so isso
Não vivo e nem quero jamais
Viver, se não existir
Algo que me faça sentir
Que existe sim, um compromisso
Leve e breve
Porém profundo e duradoro
como a morte
Que por sorte ainda não veio
Enquanto isso
Vamos todos vivendo
Rindo, amando e fazendo poesia
Se chove hoje
Não me esqueço
Que ainda ontem
Ardia um lindo Sol
Esta lembrança
Me provoca, então
Forte alegria
Lindas e simplíssimas palavras
dançam ao redor do coração
Que apesar de tudo
Ainda é de criança
Apesar de já não ter o mesmo viço
E é isso que me faz feliz
Nada além disso
Apenas isso
Houve um tempo em minha vida
Que havia monstros no telhado
Fantasmas atrás da porta
Esqueletos embaixo da cama
Mas alguém
sempre me chamava pra jantar
Hoje ninguém me chama
Agora ninguém se importa
Hoje o monstro sou eu
Aquele tempo já passou
O outro mostro morreu
E eu ando tão cansado
Que nem posso mais subir
Em nenhum telhado
E eu olho pras crianças
Um tanto assustado
Elas também ficam um tanto ressabiadas
Mas depois a gente brinca
e dá boas risadas
Sempre que existem
Esses encontros
Eu me lembro do passado
E sinto muita saudade
dos meus monstros.
A vida é uma historinha bonitinha, em que todo mundo morre no final.
Morre quem falou bem, morre também quem falou mal.
Por que ligar pra tudo isso, então?
O motivo que faz a diferença, mais do que muita gente pensa
É que a viagem não termina aqui, onde tudo está de passagem
O que diferencia tudo, na verdade
É que algumas pessoas viveram com dignidade
Outras não.
Quando eu era criança
Sempre desenhava Sóis sorrindo
e nuvens com cara de nuvens boas
A vida foi passando
E tempo escoou por entre os dedos
Que há tempos não mais desenham
O Mundo não parece mais
Ser daquele jeito lindo que eu via
O coração anda cansado de bater à toa
Um minuto passa lento
e outro voa
A tristeza me maltrata com certo requinte
E eu chego a esquecer os minutos
Quando a gente vê, passaram vinte
Andei divagando
Lembrando de um pé de pitanga
Perdido nas mangas do tempo
Longas horas passei sob ele
Aguardando a chegada dos domingos
Que era quando eu sumia
Nunca mais houve tanta alegria
Nunca mais houve quase nada
Além de medo
Que não existia, naquele mundo encantado
Meus dedos não sabem mais
desenhar nenhum sorriso
Nem tecer nenhum poema
Que fale sobre flores
Nuvens boas ou paz
Viver ou não
hoje em dia tanto faz
Nesta vida eu tenho sido tudo
Exceto alguém que algo saiba
E então decidi, talvez por experiência
Que convém tornar-me mudo
Encosto meus ouvidos às bordas do tempo
Mas não conto pra ninguém
O som que me vem lá do outro lado
Mas eu acho que já sei
Aquilo que há
de chegar neste espaço
Em questão de muitos dias
Talvez hoje me alcance a loucura
Pode ser que ontem
Seja eu a ter atingido a sabedoria
E é tão ínfima esta diferença
Que eu concluo crêr
Apesar de não ter, nunca ter logrado ter
Muita intimidade com qualquer crença
Nesta vida, em meu coração
Tem cabido quase tudo
e com o tempo percebi
Como se fosse um sentimento derradeiro
Que por menor que seja, qualquer amor
Não existe amor verdadeiro
Que aqui neste Mundo caiba.
Faça agora, enquanto é tempo
Quando escurecer, poderá ser tarde
A vida continua, mas não é contínua
Fale agora, enquanto há tempo
Este Mundo pode parecer concreto
Mas não existe certeza de nada
O escuro manto da noite existe
Escondido, sob o fino véu da madrugada
Hoje há Mundo, há luz, há vida, há tempo
O tempo é um novelo de lã
a cada momento mais desenrolado
Pode ser que amanhã
Não haja nada.
A vida vai correndo
O tempo a tudo desfaz
Aquilo que antes transbordava
Vai aos poucos se rarefazendo
Felizes daqueles que compreendem
As leis da vida e da natureza
E as aceitam
Pois se prepararam pra esse momento
E não perdem aquela alegria
Que parecia pertencer à juventude
Pois cada idade tem a sua beleza
A vida é uma coisa linda
Quando bem vivida
E quando chega no momento certo
Até a morte pode ser bem vinda
Os sonhos haverão de permanecer
Mas os desejos vão se amiudando
De maneira obedecer e cumprir
Um ciclo natural
Toda vida é uma missão
Que consiste em vivê-la
Com simplicidade e alegria
E deixar aos que ficam
Um exemplo, uma lição
Pois toda vida termina
Assim, como termina o dia.
A tudo que fiz em vida
Nunca fiz nada direito
Apesar de ter feito
Com todo o amor
Que tenho no meu coração
A causa dessa imperfeição
Creio que se deva ao fato
do meu coração também
Ser algo um tanto imperfeito
repleto de amor perfeito
Porém, com o tempo
Esse amor
Por tanto ser preterido
Foi ficando
Cada vez mais escondido,
machucado, rarefeito
Eu acho que todos pensam
Ser de pedra ou de borracha
Essa coisa que eu trago no peito
e por mais que eu tente
demonstrar
Eu sempre erro, não tem jeito
Resignado, então, eu aceito
Esta porção de ingratidão
Que me chega todo dia
Faço cara e alegria
Engulo a tristeza
e digo a mim mesmo:
-Bem feito!
Nesses anos que eu tenho de vida
Nunca vi nada perfeito
Pois eu jamais busquei a perfeição
Se algo assim passou por mim
Simplesmente não dei-lhe atenção
Nesses anos que vivi sem atenção
Nem nos meus piores pesadelos
Tive a pretensão de parecer
Artista, Poeta ou algum tipo de eleito
Me contento em ser apenas
Este ser, que alguém fez de qualquer jeito
E que depois desses anos
Enxerga mal, caminha lento,
não dorme de madrugada,
acorda cedo e passa o dia a fazer nada
E tem vivido dias perfeitos
Ciente que a perfeição não existe, pois
Se há no mundo algo perfeito
é exatamente aquilo
Que a gente sabe
Quais são e onde estão
Todos os seus defeitos.
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