Versos Longos de Amor

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Em meio a um exército de covardes,
Confiar no amor do outro é um ato de corajoso.

É preciso amor pra poder pulsar,
Disse o poeta.
E se não pulsa,
onde estará os vivos?

Se tu abrir carreira no meio da macambira fugindo desse amor,
Chegarás mais inteiro que se tu ficar colecionando desculpas.

O amor é um menino enxerido,
E o coração oferecido.
Desconhece suas travessuras.

O amor é apenas uma dança
Sem garantias de sair do baile acompanhado.

A rosa branca no meu peito,
É que estou enlutado,
Pelo amor que dentro dele morreu.

Amizade é a fórmula que o amor reinventa,
para alcançar o pra sempre.

O encontro com o verdadeiro amor,
É como raspar o tacho que foi preparado um doce,
Já sabendo o quão sera gostoso.

Carta ao remetente
Querido Tim Maia,
Você era o único que não queria dinheiro,
Só amor sincero.

Amor é sorte,
Mas ficar procurando no quintal
o trevo de quatro folhas,
Enquanto a felicidade bate na porta,
Não há sorte que ajude.

Recado ao remetente
Querido Tim,
Você era o único,
Que só queria amor sincero.

Amor é abrigo com porta entre aberta,
Onde quem escolhe ficar,
sabe o que quer.

O amor divino não empurra, ele sopra.
Um toque suave é o bastante para reacender o que parecia perdido. A graça está nos gestos pequenos, onde o infinito se revela em silêncio.

A busca na noite e a força do amor
nas fendas do rochedo, onde o mundo nos procura, é lá que a nossa voz se torna suave e a nossa figura é vislumbrada em sua máxima pureza.

O amor verdadeiro não sufoca, ele expande, ele abre espaço dentro do peito, e transforma feridas em
janelas, quem ama cura.

O amor não é um teorema a ser decifrado, mas um abismo a ser saltado, a tentativa de aprisioná-lo na grade da razão é o ácido corrosivo que desfaz a sua
mágica em pó.

O amor não é esmola, mas uma enchente selvagem que transborda a própria margem, a súplica por afeto não é um ato de amor, mas a confissão faminta
da carência.

O amor entra em silêncio, como uma soprano antes do primeiro agudo, e de repente tudo em nós aprende a doer bonito, como se o sofrimento fosse
apenas outra forma de cantar.

O amor é como as Gymnopédies de Erik Satie: Uma repetição hipnótica de melancolia e paz, onde o vazio entre as notas diz mais que o som. Amar exige a coragem de ser vulnerável em um mundo que idolatra a frieza e o descarte imediato das emoções. É aceitar que a tristeza faz parte do arranjo, e que sem o grave, o agudo não teria onde se apoiar para brilhar. Que o seu afeto seja profundo o suficiente para não temer o silêncio do outro.


- Tiago Scheimann

O amor real não é um refúgio covarde contra a tempestade, mas o compromisso inegociável de dois náufragos que decidem construir uma ilha de paz no centro exato do furacão. Exige a coragem brutal de mostrar as próprias ruínas sem maquiagem e a paciência de reconstruir, pedra por pedra, o altar da confiança em solo movediço e incerto. Não aceite afetos rasos que temem a profundidade das suas águas escuras e a complexidade do seu arranjo interior mais íntimo e sagrado. Quem não sabe lidar com a gravidade do seu silêncio, jamais terá o direito de reger as sinfonias que pulsam em suas veias abertas. O amor é para os que não temem a intensidade de uma nota sustentada até o limite do fôlego.


- Tiago Scheimann