Versos Góticos de Amor

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FOTOGRAFIAS

Ó linda musa das minhas fotografias,
Por onde andas agora, amor silvestre?
Bati em ti tantos flashs de alegrias,
Mesmo quando na objetiva me bateste.

Lembras-te quando do ângulo me fugias,
A correr atrás da cansada borboleta?
Nem notavas que eu depois por outras vias,
Batia a câmara a captar melhor careta.

E neste vai e vem de fotos de gaveta,
Só me lembrei de ti, infeliz, ao ver-te
A chorar, em nova, com cara de pateta.

Se do mundo ainda fores um ser vivente,
E te restar alguma faúlha de vergonha,
Lembra-te de mim, sempre, mulher peçonha.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-01-2023)⁠

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

CARTA A UM AMOR IMPOSSÍVEL

Escrevi-lhe uma carta, numa tarde de verão,
E meti-a no correio pela minha própria mão.
Esperei,
Desesperei
E quase endoideci
Por não obter resposta.

Em mim, fez-se depressão.
Comecei a ter vida de inferno,
Quando me entregaram na mão
Numa manhã fria de inverno,
A carta que eu tinha
Tão perfeitinha,
Escrito numa tarde de verão...

Vinha, ainda por abrir,
Suja, enrugada,
Já de cor amarelada
Como filha pródiga a vir.

No verso, no lado contrário,
Li, em letras garrafais,
Que foram para mim fatais:
"Desconhecida no destinatário”.

(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 11-02-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

MULHER SEM SER

⁠Chorava.
Era mulher
Sofrida
Sem cor
Ou amor
Pela vida.

Ofereci-lhe um flor.
Do monte,
Rebelde como a liberdade
Da sua idade
Proibida,
Insentida,
Naquele corpo franzino,
Sem fulgor,
Nem horizonte,
Que mora mesmo defronte
À fronteira da dor
Por demais consentida.

Ela, aceitou a minha flor.
Por ser do monte
E do monte só
Porque tinha a frescura
Que tem a água da fonte
E lhe matava a sede dura.

E para me não meter mais dó,
Ou compaixão no olhar,
Pediu-me que a deixasse só,
Para que não a visse chorar.

(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 10-03-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠AMOR DE SALVAÇÃO

Vem, amor de salvação - ao nosso ninho
Que construimos no chão - de mansinho,
De penas, musgo, paixão - tão maciinho,
Como pássaros doidos sem perdão.

Vem, amor de salvação, alivia então
Esta dor saudosa e assaz magoada,
Faz do nosso ninho
Já velhinho ,
A nossa cama, a nossa morada,
Com rodas de algodão
Para percorrer a estrada,
Rumo ao planeta da ficção.

E se as rodas
Tão melindrosas,
Furarem pelo caminho,
Não faz mal:
Ficaremos sempre no nosso ninho,
Esse destino fatal!

Vem, amor de salvação!

(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 03-10-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠E me pediu mil vezes,
Molde meu coração
Só para ti
E com amor, adorne no fim
E eu serei tua enquanto ainda estiver aqui.
Mas infelizmente
O cara aqui, quebrou a santa
Há cacos até nas lembranças
Há lágrimas até nas palavras
E não posso voltar a ver luz
Porque pisei na mina, GAME OVER.

Inserida por Poetapegasus

Você será como uma folha seca, se não tiver o amor de Deus!!

Busque a Deus todos os momentos de sua vida e verá as grandes maravilhas!!

Inserida por claudina_PLNacione

— O que é o Amor?
— Amor é: a minha mortalidade humana unificada à imortalidade do que sinto por ti.

Inserida por JoniBaltar

— Qual a velocidade do Amor?
— Depende do combustível que sentes.

Inserida por JoniBaltar

Amor Sem Ordem Alfabética.

Gosto quando observas a minha invisibilidade.
Gosto quando me respiras debaixo de água.
Gosto quando fazes barulho com o teu silêncio.
Gosto quando iluminas o escuro do meu poema.
Gosto quando as nossas feridas escorrem Amor.

Inserida por JoniBaltar

De caos em caos
vou até onde
a loucura me alcançar.
E aí construo um amor
à prova de lucidez.

Inserida por JoniBaltar

Sinto este apocalíptico amor
cerzido em carne viva
no tecido transparente do osso
submetido a formas anatómicas
irremediavelmente inviolável.

Inserida por JoniBaltar

É assim que
eu quero estar contigo
a contemplar o nada
e atordoados pelo amor,
do nada, construímos
o nosso interno mundo.

Inserida por JoniBaltar

Caminho do Amor

No sabor salgado da pele
molhada de coral e algas
transparece a colorida emoção
salpicada de búzios que abraçam o vento.

Nos areais e enseadas luarentas
deposito a minha alma no teu colo
refresco-me na tua boca
bebo o teu sentir de mim.

Mãos percorrem gemidos arfantes
navios naufragados adormecem
nos teus olhos em ecos de sal
o ar respira as entranhas do sossego.

Abismo opaco pula segredos
escondidos no vazio causticante do medo
onde os mais humanos não sucumbem
e fielmente seguem o caminho do Amor.

Inserida por JoniBaltar

Fomos Todas as Partes do Amor.


A manhã fugiu da minha boca
para a tua boca.
A tarde pulou das minhas pupilas
para as tuas pupilas.
A noite voluptuou-se do meu corpo
para o teu corpo.
Nesta constante dupla infusão
fomos todas as partes do Amor.
E no peito das nossas almas
existe uma certeza: em todas as vidas.

Inserida por JoniBaltar

Guitarra à Luz de Velas

O amor é uma nua canção
dividida em curtos fados
pela súmula pulsante do coração
que se ouve nos mares cansados.

No estreito silêncio das flores
murmura o pólen das pétalas
desfolhadas pelos acordes indolores
no rosto duma guitarra à luz de velas.

As arcadas cegam os claustros
que sustêm as paredes calcinadas
das celestes melodias dos astros
cantadas no sangue da madrugada .

Move-se pelo esquecido poema
a voz calada do poeta
propaga a luz verbal do fonema
na elíptica cauda do cometa.

Inserida por JoniBaltar

Mar Ferido de Amor

O refluxo de correntes e marés
em vagas esbatidas pelos ventos.
Nas amplitudes frágeis dos horizontes
cega-se o corpo em espuma de sal
na entrega absoluta do mar ao luar
onde naufragam as almas aos céus.

Remos que remam a distância
em louvor às entranhas do silêncio.
Navegam as sentinelas dos astros
no nevoeiro insípido e rouco:
chora este mar ferido de amor.
Depositando o seu pranto nos areais
e regressa ao mergulho profundo
das suas lágrimas.

Inserida por JoniBaltar

Onde é que o teu coração estava
antes dos teus olhos
começarem a escorrer Amor em estado líquido?

Inserida por JoniBaltar

Depois de fazermos amor
o meu coração
continua intensamente erecto.

Inserida por JoniBaltar

Geologia do Amor

Na tua pele arde a minha boca
no meu palato arde a tua sede
e nos nossos corações
corre a confluência
de duas placas tectónicas
situadas na geologia do amor.

Inserida por JoniBaltar

Não te esquives ao Amor.
O tempo não se esquiva de ti.

Inserida por JoniBaltar